<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593</id><updated>2011-11-27T15:38:33.345-08:00</updated><category term='Tropa &apos;da&apos; elite'/><category term='não apenas seguidores'/><category term='Só no Brasil Mesmo'/><category term='Os donos do Brasil'/><category term='Como se Preparar Para o Psicotécnico e Para o Vestibular'/><category term='Forme outros líderes'/><category term='Marketing Pessoal e Motivação'/><category term='Método Psicanalítico: 4 - O Objeto Criado pela Aplicação do Método Psicanalítico'/><category term='Crítica à Arrogância Psi e a outras Implicações'/><category term='Método Psicanalítico: 1 - O Método e o Objeto'/><category term='Atualidades'/><category term='Criar e Inovar = Chegar na frente'/><category term='Só se for o mundo de Valentina'/><category term='Conversando sobre liderança'/><category term='Possíveis impactos da mudança de clima no Nordeste'/><category term='O Que é Psicotécnico?'/><category term='Cultura organizacional baseada em valores'/><category term='Política'/><category term='Desenvolvimento Social Sustentável'/><category term='O Poder Fálico da Mulher e a Feminilidade no Homem'/><category term='Surpreenda pelos Resultados'/><category term='terrível realidade'/><category term='Teste do Desenho: Um Espelho da Alma'/><category term='Atitudes Inteligentes'/><category term='virtude dos íntegros'/><category term='Conhecimento Pessoal'/><category term='Marketing Pessoal: 10 razões para começar agora'/><category term='Artigos'/><category term='Que Imagem as Pessoas Têm de Você?'/><category term='Liderança Legitima e Responsável'/><category term='Psicologia'/><category term='Delegação de Poder'/><category term='Salário mínimo e renda real'/><category term='Marketing'/><category term='O Heróico Povo Brasileiro'/><category term='Anormal é ser Normal: A Loucura e o Contexto da Psicoterapia'/><category term='Gestão: Teoria e Prática'/><category term='Honra'/><category term='Método Psicanalítico: 3 - O Método da Psicanálise'/><category term='Administração'/><category term='A Roda Cíclica dos Sonhos'/><category term='Liderança Desejada'/><category term='Aquecimento Global'/><category term='Economia'/><category term='Os Testes Psicológicos e as suas Práticas'/><category term='Método Psicanalítico: 2 - O Método da Ciência'/><category term='A Televisão e a Violência de Valores'/><title type='text'>Artigos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-948736846732862859</id><published>2008-07-21T17:38:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:03:30.817-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Liderança Desejada'/><title type='text'>Liderança Desejada</title><content type='html'>&lt;p&gt; Muitos gestores ainda pensam de forma essencialmente hierárquica. Esquecem que o todo é composto de pequenas partes e a somação dos esforços é que estabelece a grandeza. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Humildade nunca fez mal a ninguém. Vem de húmus, a terra. Significa estar no chão no mesmo nível com todos os outros. Óbvio que você pode não ser inferior aos outros, como também reunir qualidades intelectuais diferentes. Conseguirá certamente muito mais se souber conquistar esta referência sem exigir. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Liderança e inteligência não se compram, se conquistam. O respeito e a solidariedade também bastam para trilhar pelos caminhos corretos da dignidade e da ética. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Administradores operam mudanças; líderes, crescimento. Por isto é preciso empreendedorismo e criatividade no topo das organizações. Estas necessitam melhor aquinhoar seus sócios, criar mais oportunidades de trabalho e renda, sem se esquecer da Responsabilidade Social com um meio em que se inserem. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os criativos e empreendedores tendem, portanto, aumentar o potencial da liderança. Precisam criar coisas. Estimulam mudanças organizacionais, trazê-las para essência do negócio, fato que não se observam em empresas que entram em declínio e obsolescência. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Se preciso for cortar e reduzir gastos, façam enquanto for tempo, como se fosse o prelúdio para o novo tempo, para crescer e desenvolver. Seja qual for a situação, imagine existir processo contestatório permanente, cujo objetivo único é inibir a desenvoltura do líder, geralmente pela cobiça do poder. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ninguém pode garantir emprego vitalício em sociedade em constante e rápida transformação. Não é lúcido. Nem os líderes estão imunes a este fato. No curso da vida todos têm que dividir recompensas pelo sucesso ou as conseqüências do fracasso. Liderança se aprende a partir da experiência, é uma arte prática, não fale demais nem tenha medo de confiar no seu time. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; As pessoas gostam de serem orientadas, lideradas. Detestam serem dirigidas ou   administradas. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-948736846732862859?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/948736846732862859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=948736846732862859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/948736846732862859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/948736846732862859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/07/liderana-desejada.html' title='Liderança Desejada'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-2903906459097122660</id><published>2008-07-12T09:21:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:03:26.098-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Honra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='virtude dos íntegros'/><title type='text'>Honra, virtude dos íntegros!</title><content type='html'>&lt;p&gt; Honra é virtude, regra de conduta, segundo os princípios morais mais   elevados, companheira inseparável da verdade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Honrar é demonstrar profundo respeito pelo semelhante. É a forma de tratamento que devotamos as pessoas que respeitamos. É não fraudar, mentir ou subornar. O substantivo honra expressa o resultado da maneira como vivemos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Da pessoa honrada se diz acreditada, íntegra e confiável, tida no mais alto conceito em tudo que é considerado certo, especialmente nos negócios. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Surge o argumento das   leis. Há um provérbio latino que interroga &lt;strong&gt;de que valem as leis sem os   costumes? Lei forte passa-se por baixo, lei fraca por cima - &lt;/strong&gt;é a cultura da   burla. Rui Barbosa, do alto de sua grandeza moral e inteligência, foi soberbo e   definitivo: “&lt;strong&gt;leis que não protegem nossos adversários não podem nos   proteger.”&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ninguém é honrado se convive com abusos. Abusar é a   prática – pessoa física ou jurídica – apesar de haver quem defenda &lt;strong&gt;regras   para os outros, exceções para nós, &lt;/strong&gt;versão do conhecido jargão &lt;strong&gt;para os   amigos os favores da lei, para os adversários, seus rigores.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; As faltas de clareza nas atitudes e decisões não recomendam bem. Há uma quebra importante da confiança e harmonia, decorrente do clima de subterfúgio que estabelece. Existe inclusive, no que concordamos, significar&lt;strong&gt; o emblema da   fraude, do errado que se quer ocultar, da corrupção.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Vivemos com honra quando nos mantemos fiéis ao que acreditamos ser certo. Honramos nossa família, nosso país, nossa empresa, quando somos fiéis àquilo que mais representam. Favorecemos nossa honra quando aceitamos e assumimos responsabilidade pessoal pelas nossas ações. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ser honrado não é o mesmo   que receber honrarias. &lt;strong&gt;Ser&lt;/strong&gt; é virtude, predicado, conquista, mérito. &lt;strong&gt;Receber&lt;/strong&gt; depende dos outros, concessão, nem sempre meritória. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Honra sendo virtude tem seus limites. Ninguém tem compromisso com erros, equívocos, abusos, o possessivo ou a ineficiência. São momentos de grandeza onde somos obrigados, muitas vezes, a trocar ou negar algo de histórico ou tradicional que se deteriorara, precisa ser substituído. Afinal, os bons costumes e as boas práticas assim recomendam. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Honra é o sério e o   romântico - a poesia da vida! &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  &lt;em&gt;“Quando se chega ao ápice do poder, existe o perigo de acreditar, capaz de fazer qualquer coisa que deseje, admitir que todo ponto de vista pessoal é necessariamente aceito ou pode ser imposto ao conjunto social”.&lt;/em&gt;  &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-2903906459097122660?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/2903906459097122660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=2903906459097122660' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/2903906459097122660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/2903906459097122660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/07/honra-virtude-dos-ntegros.html' title='Honra, virtude dos íntegros!'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-7803339861784707003</id><published>2008-07-12T09:20:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:02:35.837-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desenvolvimento Social Sustentável'/><title type='text'>Desenvolvimento Social Sustentável</title><content type='html'>&lt;p&gt; A experiência tem mostrado, com ampla evidência, que não é o crescimento, mas a qualidade dele, que determina a melhoria do viver das sociedades. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Desenvolvimento significa capacidade de livremente escolher e optar, melhor distribuição de renda, plena democracia, saúde e educação, enfim acessibilidade. Sem desenvolvimento social concomitante nunca haverá desenvolvimento econômico satisfatório. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Algumas dificuldades permeiam e tendem a servirem de justificativas. É fundamental que se atenue o caráter compulsivo de produtividade e lucro. Ganhar é decisivo para qualquer empresa. Lucro uma essencialidade. Não perder de vista o caráter social, definitivo. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;Que modelos são praticados?&lt;/h2&gt; &lt;p&gt;Pesa bastante a exploração e a alienação do trabalho pela divisão e subdivisão de tarefas; o desemprego tecnológico e estrutural; a migração compulsória de trabalhadores rurais para os grandes centros, com franca derrota antecipada – despreparados e desqualificados para competir – circunstância que se reflete numa quase anomia, caracterizada por aumento da violência e criminalidade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;O crescimento econômico exclusivamente é concentrador da riqueza e também estéril, por não gerar empregos, pelo menos para eliminar as perdas típicas da tecnologia. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Surge um novo temário, bonito, sóbrio, ético, elegante no conceito, Responsabilidade Social. Trabalhar é a vontade de todo cidadão, lhe confere moral e dignidade. Será que conseguirá suprir a ausência da oportunidade de trabalho? Trabalho é também inclusão social! &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Outra vertente. Migração de capital internacional. Por que não ocorre ou quando ocorre é de forma pífia? Mão-de-obra qualificada carente, direitos de propriedade mal definidos, eventualmente violentados, sistema jurídico não confiável. Instabilidade política com chance de alteração de regras contratualmente pactuadas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;É preciso numa visão ampla que a palavra – sustentabilidade - seja verdadeira. Que ela seja descrita como democracia política, equidade social, eficiência econômica, diversidade cultural, saúde, segurança e conservação do meio ambiente, na teoria e na prática. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A justiça é preferível à prudência. (Cícero) &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p align="right"&gt;  &lt;em&gt;"O Crescimento Econômico não pode ser associado a desenvolvimento social e cultural, de forma pragmática."&lt;br /&gt;      Amartya Sen - (Economista) &lt;/em&gt;  &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-7803339861784707003?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/7803339861784707003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=7803339861784707003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/7803339861784707003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/7803339861784707003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/07/desenvolvimento-social-sustentvel.html' title='Desenvolvimento Social Sustentável'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-3875068599351917019</id><published>2008-07-12T09:19:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:03:14.204-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Criar e Inovar = Chegar na frente'/><title type='text'>Criar e Inovar = Chegar na frente!</title><content type='html'>&lt;p&gt; O mundo competitivo em que vivemos sugere fazer bem, com inovação e criatividade, no momento certo. Similaridade nada acrescenta, pelo contrário, acirra a disputa por falta de diferenciais. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Outro argumento forte é conhecer o negócio. A efetividade, o resultado, diz também da competência. A sabedoria popular é pródiga nos seus ensinamentos, &lt;strong&gt;o rio que mata a sede   do homem é o mesmo que afoga outro. &lt;/strong&gt;Igualmente,&lt;strong&gt; o vento que apaga   a vela é o mesmo que propaga o fogo.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A idéia básica para que se alcance o sucesso é de que o produto ou serviço ofertado vem a ser comprado e não vendido, atinja um grau de qualidade que supra ou supere as necessidades do cliente e resolva seus problemas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Problema novo geralmente cobra solução nova. Ferramentas velhas quase sempre não se adequam a dificuldades novas! É preciso inovar, criar. Afinal, a necessidade é a mãe da criatividade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Existem os cautelosos e convictos dos seus conceitos.   Categoricamente afirmam &lt;strong&gt;não joguem fora o tradicional enquanto o novo não   estiver testado e aprovado &lt;/strong&gt;e de forma mais tradicional ainda &lt;strong&gt;entusiasmo sem prudência é pura agitação.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em contrapartida,   outros negam estas verdades e alegam &lt;strong&gt;quando estamos com sede já é tarde   para cavar o poço, &lt;/strong&gt;como também, &lt;strong&gt;não dá para afiar a espada durante   a batalha.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O fato é que apesar do equilíbrio ser necessário,   correr risco é preciso. O americano usa muito dois aforismos interessantes &lt;strong&gt;o homem de negócios procura aprender com o passado e tem os olhos fixados no amanhã. Tira o chapéu ao passado e o paletó ao futuro. &lt;/strong&gt;Aproveita dos   dois lados! &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  Pelas considerações postas, deixo as seguintes sinalizações, &lt;strong&gt;sigam o rumo dos ventos, não remem contra a correnteza, procurem chegar na   frente e bebam água limpa!&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Cultura popular tem seu mérito. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-3875068599351917019?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/3875068599351917019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=3875068599351917019' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/3875068599351917019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/3875068599351917019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/07/criar-e-inovar-chegar-na-frente.html' title='Criar e Inovar = Chegar na frente!'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-362267198376781621</id><published>2008-06-11T11:06:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:02:43.893-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Artigos</title><content type='html'>•&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/surpreenda-pelos-resultados-liderana_11.html"&gt;Administração&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/atualidades.html"&gt;Atualidades&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/economia.html"&gt;Economia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/marketing.html"&gt;Marketing&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/poltica.html"&gt;Política&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/psicologia.html"&gt;Psicologia&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-362267198376781621?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/362267198376781621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=362267198376781621' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/362267198376781621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/362267198376781621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/artigos.html' title='Artigos'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-2406857444431499670</id><published>2008-06-11T10:28:00.001-07:00</published><updated>2009-03-04T09:02:47.948-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Psicologia'/><title type='text'>Psicologia</title><content type='html'>&lt;li&gt;&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/entrevista-psicolgica-e-suas-nuanas.html"&gt;A Entrevista Psicológica e suas Nuanças&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/roda-cclica-dos-sonhos.html"&gt;A Roda Cíclica dos Sonhos&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/anormal-ser-normal-loucura-e-o-contexto.html"&gt;Anormal é ser Normal: A Loucura e o Contexto da Ps...&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a 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width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-4426341834628881102</id><published>2008-06-11T10:27:00.001-07:00</published><updated>2009-03-04T09:02:56.337-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Teste do Desenho: Um Espelho da Alma'/><title type='text'>Teste do Desenho: Um Espelho da Alma</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt; “&lt;em&gt;A arte é uma mentira que nos permite atingir a verdade&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;(PABLO PICASSO, 2004, p.123).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O teste do desenho é mais um dos recursos ao qual o psicológico recorre como auxiliar da sua praxe seja na empresa, indústria, clínica ou escola. Em suas variadas formas, ele está presente nas atividades de seleção, avaliação e ajuda psicológica. Mas, afinal, o que se busca avaliar por meio do desenho nessas situações? Este artigo pretende esclarecer e contextualizar o teste do desenho, na tentativa de dissipar dúvidas que, quase sempre, angustia os candidatos quando submetidos, em particular, a esse tipo de instrumento nos processos seletivos. Campos (1999) destaca que o primeiro trabalho sobre o desenho como fenômeno expressivo, digno de menção, foi realizado em 1887, por Ricci, em Bolonha. O H-T-P (&lt;strong&gt;&lt;em&gt;H&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;ouse&lt;/em&gt; - casa, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;T&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;ree&lt;/em&gt; - árvore, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;P&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;erson&lt;/em&gt; - pessoa), é o teste projetivo mais usado em exame psicotécnico/seleção de pessoal, avaliação clínica, etc. Outros testes, mas apenas por meio da figura humana, a exemplo do Goodenough e do Machover, estão voltados para mensuração da inteligência infantil. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nesse momento, se faz necessário uma breve descrição do H-T-P. Este teste é administrado à criança acima de 8 anos de idade, adolescente e adulto, cuja aplicação pode ser em nível individual ou em grupo. Seu tempo de realização é livre, mas, geralmente, não ultrapassa a média de 30 a 90 minutos. O material utilizado é papel ofício A-4 (tamanho ideal, não pode ser papel com pauta), lápis grafite n. 2 (de modo geral grafite é mais apropriado para desenhar, facilita o controle do tônus muscular sobre os traços, ao passo que o estereográfico é escorregadio). Os desenhos são feitos à mão livre, ou seja, sem régua ou objetos que sirva a essa função. Embora, o uso da borracha, por parte do aplicador, seja optativo, quase sempre compõe o&lt;em&gt; kit&lt;/em&gt;, até porque que a sua utilização, por si, já consiste em motivo de análise. Quando se trata de criança, também se utiliza lápis coloridos, no que se constitui, assim, a Bateria Acromática e Cromática do H-T-P. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Na concepção de Buck (2003), o H-T-P tem como objetivo obter informação sobre como uma pessoa vivencia a sua individualidade em relação aos outros, e em facilitar a projeção de elementos da personalidade e de áreas de conflitos, identificados como o propósito de avaliação ou terapêutica. Ainda para o autor, “os desenhos também estimulam o estabelecimento de interesse, conforto e confiança entre o examinador e o cliente”(p.2). Sua técnica se respalda no “conceito de que os desenhos da figura humana”, &lt;em&gt;bem como os da casa e da árvore&lt;/em&gt;, “são úteis para o estudo da personalidade ou como meio de diagnóstico na avaliação clínica, e se fundamenta na teórica na psicologia da imagem de si mesmo, assim como na teoria psicanalítica da projeção” (HARRIS, 1981, p.57- grifo nosso).&lt;br /&gt;Para Levy (apud TRINCA, 1987), o desenho além de projetar a imagem corporal, usualmente compõe uma gama de projeções relacionadas ao autoconceito, a imagem ideal do eu, e as atitudes para com os outros, mesmo com o examinador na situação da testagem. O teste do desenho pode ser uma expressão consciente, como também incluir símbolos disfarçados e fenômenos inconscientes. O desenho da figura humana, segundo Alves (apud WECHSLER, 2003), é uma das medidas mais utilizá-las pelos psicólogos brasileiros, na maioria das vezes com o intuito de avaliação emocional mais do que cognitiva. A freqüência da utilização dessa técnica, certamente, se deve a sua composição simples, aparentemente objetiva e de baixo custo financeiro (HUTZ e BANDEIRA apud WECHSLER, 2003). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ao examinando é solicitado, geralmente, um mínimo de três desenhos, e, em seguida se conduz o &lt;em&gt;Inquérito&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;. Nessa etapa do Inquérito é extraído o maior número possível de informações e descrições subjetivas que o examinando discorre sobre cada uma das figuras grafadas. Cabe ressaltar que, na clínica, esse manejo é bem mais favorável de se consolidar do que num exame psicotécnico, por se tratar, quase sempre, de grupo. Para Deleuze (1997), o devir não é imaginário, bem como uma vigem não é real, ele faz do mínimo de um trajeto ou da sua imobilidade no mesmo lugar, uma viagem; e é esse percurso que leva o imaginário a um devir. Ao trazer esta afirmativa deleuziana para o contexto desta discussão, diríamos que este teste é o “devir”, e que o examinando é o “imaginário”. Daí a importância do Inquérito. Este, junto ao desenho funda as disposições de acesso ao indivíduo, com significativa e vertical compreensão do seu Eu. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em outras palavras, é a fala do examinado, no seu sincero propósito de colaborar com o processo, que vai dar mais sentido, e legitimar mais ainda as expressões dos seus desenhos. Afinal, “toda linguagem é uma linguagem exposta à emergência dos efeitos do inconsciente” (NASIO, 1993, p.79). Nessa perspectiva, Deleuze (2006) ressalta que a estrutura se estabelece daquilo que é linguagem, seja ela esotérica ou não-verbal, do mesmo modo em que “só há estrutura do inconsciente à medida que o inconsciente fala e é linguagem” (DELEUZE&lt;strong&gt;, &lt;/strong&gt;2006,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;pp.238-9). O desenho é uma outra forma de linguagem por meio do qual o inconsciente também se manifesta. Para Campos (1999) o desenho na vez de técnica projetiva reflete uma impressão do “todo” do indivíduo, como uma “&lt;em&gt;Gestalt&lt;/em&gt;”&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; organizada, que aparece em toda a sua extensão, pelo olhar do examinador experiente na técnica da interpretação de desenho (grifos da autora). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A autora acredita que tudo esta no desenho, cada linha e parte em suas relações com as outras, o aspecto da sua elaboração com um todo apresenta um efeito unificado, diferente do Rorschach que, além de não apresentar tal clareza de interpretação, necessita de cálculos e escores. Enfim, “a projeção do Desenho é apreendido pelo clínico com uma unidade; o Rorschach deve ser tratado parte por parte” (CAMPOS, 1999, p.27). Por questões inerentes à conduta para com os testes psicológicos, não é possível esmiuçar aqui o significado específico do H-T-P, ou seja, em que se consubstanciam seus itens, isto, se não o invalidaria, entretanto retiraria um pouco do seu impacto avaliativo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Existem os desenhos projetivos a exemplo do Zulliger (aplicação individual ou coletiva, por meio de &lt;em&gt;slides&lt;/em&gt; ou apresentação de 3 cartões ou lâminas), e do Rorschach (aplicação somente individual, mediante a apresentação de 10 cartões ou lâminas), com os seus famosos borrões de tinta que se constituem de estímulos ambíguos. O indivíduo descreve, verbalmente, como os percebe. Feito isso, terá que destacar com lápis de cores variadas nas folhas de localização, uma espécie de marca d`água, os locais nos quais as imagens inspiraram suas respostas. O H-T-P é um teste projetivo, mas gráfico, isto o diferencia destes outros citados.&lt;br /&gt;Os três desenhos do H-T-P trabalham com a mesma deliberação tendo em vista para a interpretação das características da personalidade,estado emocional, &lt;em&gt;transtorno mental&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt; e outros. Convém salientar que, este teste, apesar da sua relevância tende a denotar aspectos patológicos dos quais quase ninguém escapa. Assim sendo, a praxe recomenda a aplicação de mais de um teste de personalidade quando da avaliação do item específico: Personalidade, e da importância de que o avaliador perceba em quais situações deve relativisar os seus dados qualitativos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Van Kolck (1984), o indivíduo ao atender à solicitação - “desenhe uma pessoa” - lança sobre o papel a imagem corporal que possui e que se torna veículo de expressão de sua personalidade (p.14). A autora acrescenta que essa imagem não é apenas consciente, mas também construída como base no corpo do outro, e que não está ligada somente à aparência, mas, em especial, a qualidade da relação. A folha de papel em branco representa o mundo externo do indivíduo que nos desenhos livres é ocupada por objetos diversos sem conexão entre si, ou, pelo contrário, isolados, ou mesmo vazios de conteúdos (PICCOLO, 1995), e, por vezes, porque não, bem distribuídos, relacionados e harmonizados. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O sistema &lt;em&gt;inconsciente&lt;/em&gt;, estranhamente, é colocado em dúvida por Nasio (1993), ao mesmo tempo em que indica o suposto lugar do seu trânsito. Para o autor, “se o inconsciente existe, ele só pode existir no interior do campo da psicanálise e, mais precisamente, no interior do campo do tratamento analítico” (p.49). Diríamos que o inconsciente está na vida, no cotidiano das pessoas, e em toda atuação psicológicas, embora umas abordagem priorizem, outras o pretira ou ignore. O inconsciente não é uma invenção de Sigmund Freud, nem patente da psicanálise. Segundo Mueller e Hergenhahn (apud GORSKI, 2005), se atribuem ao filósofo Gottfried W. Leibniz a descoberta do inconsciente muito antes de Freud tocar nessa tecla. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O desenho é uma das mais autênticas expressões do testando, uma vez que capta, em particular, conteúdos inconscientes, sem a sua intervenção. Embora ele possa até intuir que algo do seu interior, do seu Eu, irá torná-lo conhecido, mas não consegue ter o controle sobre o que será exposto. Isto certamente o angustia bem mais, porque o deixa vulnerável. Porém, a intenção não é deixá-lo numa situação desconfortável. Mas, esse teste se estrutura de tal modo que o examinando não consegue manipular informações ao seu favor. Posto que, ele não tem noção de quais aspectos dos desenhos serão considerados favoráveis ao seu caso. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Com exceção de figuras estereotipadas - a exemplo de coqueiro, bananeira e pessoa unidimensional ou feita de “palitos”-, que são impróprias para serem analisados porque não oferecem material suficiente, no teste do desenho não tem resposta certa nem errada. Logo, todos os componentes dos desenhos são analisáveis. A grosso modo, o H-T-P se compara a uma radiografia psíquica. Considerado o fato de que o candidato ou examinado não tem controle sobre os testes, durante o processo de seleção ou avaliação o mais sensato é procurar relaxar (fazer exercícios respiratórios, e manter os pés bem apoiados no chão, sobretudo e de maneira moderada nos momentos antecedem a sua realização, são fundamentais), e ariscar-se em: “Ser a própria pessoa, sem subterfúgios, ou representar algum personagem”, e ser cooperativo às realizações e às solicitações da demanda diagnóstica ou psicométrica. Uma vez que assim proceda, e essa postura é válida para todos os testes, estará facilitando uma melhor denotação do seu potencial, e como conseqüência um resultado mais satisfatório do seu desempenho. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para um melhor entendimento do trabalho prático com desenhos, a seguir serão apresentadas quatro vinhetas de dois casos clínicos, e de dois exames psicotécnicos. Um paciente, médico, estava em crise no casamento. A sua esposa se queixava que isto se devia, em grande parte, à relação simbiótica do marido com os parentes, em especial ao seu apego à mãe viúva. O que era, veementemente, negado por ele, que se dizia independente e acostumado a se “virar” sozinho. Portanto, está casado ou solteiro lhe parecia, apesar deste seu segundo matrimônio, ser indiferente, etc. Solicitei que ele desenhasse a sua família. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Depois de relutar, de questionar a utilidade do desenho, meio indisposto do tipo: “Só vou fazer porque não tenho outra alternativa”, com o lápis esgrimiu rápidos golpes no papel. Este gesto que também tem outras significações, aqui se restringirá ao que foi explicitado: Quatro esboços do mesmo tamanho, similares, e um apêndice junto e a esquerda do primeiro esboço da seqüência. Cada garatuja como se fossem parênteses sobrepostos. Um menor “a cabeça”, em cima de um outro maior “o tórax”, e a base do primeiro, bastante rechonchuda em relação aos demais, representando os quadris. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Quando do Inquérito, apontei para que os nomeasse, o dos quadris largos era sua mãe, o apêndice que sugeria algo como: “Preso à barra da sua saia”, o paciente se auto-reconheceu, e os outros eram seus irmãos. Sugeri que fizesse um outro desenho, mas, com a sua família: mulher e filho (esta fora a intenção inicial). Desta vez apareceram figuras, mas sem se tocarem: Um homem, na direita do papel, olha para o oeste; uma mulher no seu lado esquerdo, olha para o leste, e uma criancinha dava a impressão de engatinhar alheia ao casal. Ao chamar sua atenção para estes detalhes, o paciente se conscientizou das suas dificuldades, e pareceu disposto a repensar e a assumir seu casamento. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Um outro paciente, este já em fase de ser liberado para cirurgia bariátrica, se dizia muito bem, e que havia superado o trauma de hospital, etc. Sugeri que ele fizesse a cena desse dia tão sonhado. No desenho bem elaborado - não quer dizer bonito, perfeito, mas, que seus componentes estão nitidamente representados -, se evidenciou uma figura de barriga enorme, deitada na mesa de cirurgia sob um grande refletor, e com os olhos arregalados em direção à porta. Ao longo do seu corpo três pessoas identificadas como o cirurgião, a anestesiologista e uma enfermeira. Com base nesse “olhar de pavor com desejo implícito de fuga”, ele resolveu adiar a cirurgia, por uns quinze dias, com o objetivo de explorar um pouco mais esse medo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma examinada, no psicotécnico, achou que a perfeição do desenho seria considerada, daí reforçou e retocou todos os desenhos. Seu H-T-P ficou bizarro, e adquiriu uma outra conotação. Esse fato junto à mesma atitude no Teste Palográfico de reforçar os traços (palos), quando da contagem dos mesmos, contribuíram para a sua não indicação. Num concurso público bastante concorrido, uma candidata à vaga de Agente de investigação (função fictícia para dificultar associações), de repente, por conta de uma pergunta da sua concorrente, durante a realização de um teste, ficou agressiva, e bastante exaltada. Seu protesto tinha um pouco de pertinência, houve de fato uma pequena interferência, mas que não devia ter ocorrido. Porém, não chegara a prejudicar o andamento do todo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Quando reunidos para discutirmos o caso, a psicóloga e o estagiário responsáveis pela sala, estavam se sentindo profundamente culpados e incompetentes. Na função de um dos membros da coordenação do evento, chamei a atenção de que lhes tinha faltado uma prontidão para conter essa interferência, mas que a reação da moça fora exageradamente desproporcional ao incidente. Na análise do seu teste, todos os desenhos, em especial o da figura humana apresentava vários indicativos de intensa agressividade. Chegou-se a conclusão de que a sua agressividade e tensão não eram reacional a situação da testagem, mas constitucional à sua personalidade. A candidata foi considerada, temporariamente, inapta para o cargo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O desenho tem a função de estabelecer contato, investigação e tratamento. Na comunicação verbal o examinado poderá tentar conduzir, com seus argumentos, o interlocutor para determinado foco, persuadi-lo para o que julga ser crucial para conquistar a vaga. Daí a grande vantagem do desenho, o indivíduo não tem a chance de exercitar esse artifício. Assim como o corpo fala, o desenho diz por meio do inconsciente, aquilo que, por cautela ou autocensura, o seu autor não se permite verbalizar. No psicotécnico, os traços de personalidade identificados nos desenhos são comparados ao perfil que se exige para o cargo. Nesse caso, por vezes, sujeitos de elevado nível cultural e consideráveis características pessoais, não são contempladas. Do mesmo modo que, um outro, com menos potencial poderá se adequar melhor a essa função. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Num primeiro momento, esse processo, parece meio sem lógica e, em particular, cruel. Deve-se lembrar que este sistema é capitalista, e que a escolha de um candidato se dá em relação a diversos fatores. Alguns são bem específicos de cada empresa ou processo seletivo. Por exemplo, numa empresa na qual não haja perspectiva de ascensão funcional, colocar uma pessoa com elevado nível de escolaridade, inteligente, e criatividade, numa função “elementar”, sem possibilidade de crescimento, seria condená-la ao desajuste. Também seria motivo de constrangimento indicar uma outra para uma colocação que está além do seu potencial. Ela se desgastaria para atingir um nível razoável de satisfação produtiva, ou não atingiria, gerando frustração, ou mesmo, algo mais sério. Segundo Codo e Vasques-Menezes (apud ABREU et al., 2002), as pessoas entram em &lt;em&gt;burnout&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;4 &lt;/sup&gt;ao se sentirem incapazes de investir em seu trabalho, e em conseqüência da incapacidade de lidar como o mesmo.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Um processo seletivo não é pensado em ternos emergenciais. Entre outros, também porque, contratação no Brasil, implica em encargos sociais altíssimos, etc. Na situação de desempregado há disposição sim, mas que, se não forem seguidos os parâmetros racionais de seleção, não há nenhuma segurança de que seja mantida. Atendida as necessidades básicas de subsistência, outras ocuparão o campo psicológico do indivíduo. Assim sendo, vem à tona o velho jargão, de que somente “o casamento da pessoa certa com a função”, poderá resistir às intempéries ocupacionais. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Entre os desenhos, é o da figura humana geralmente o mais realizado, mas, paradoxalmente, é também o mais rejeitado. Para Buck (2003), isso está associado ao nível de desajustamento do sujeito, uma vez que evidencia, mais diretamente, as dificuldades das relações interpessoais e a consciência corporal, mais do que a casa ou árvore. No que se refere aos dados de inteligência, aptidões, etc., feitas as suas devidas ponderações, pode se considerar os mais elevados escores ou percentuais. Ao passo que, na avaliação ou análise da personalidade propriamente dita, os aspectos mais comprometedores são vistos em relação à capacidade adaptativa. Junto a outros itens que poderão ajudar o paciente a superar as suas dificuldade, e, no caso do examinado, no psicotécnico, a enfrentar as situações. Por conseguinte, tenta-se fazer prevalecer o princípio de que, a parte mais saudável, uma vez destacada e valorizada, favorece as outras mais afetadas: “Como alguém conta comigo, eu sou responsável por minha ação perante o outro” (RICOEUR apud SENNETT, 2002: 174). Todo paciente, etc., por mais comprometido que pareça sempre apresenta algum “gancho” como ponto de partida para a sua ajuda. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Porém, nem sempre é fácil de desvelar áreas conflitivas, para perceber os potencias de um candidato, é preciso técnica e atenção, e, no caso clínico, paciência, bem como persistência, para encontrar e alargar as arestas que contribuam para a “cura” do paciente ou remissão do seu sintoma. Van Kolck (1984) salienta que além da &lt;em&gt;projeção&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;5&lt;/sup&gt;, mecanismos como &lt;em&gt;identificação&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;6&lt;/sup&gt; e &lt;em&gt;introjeção&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;7&lt;/sup&gt; podem se manifestar, mas certamente a expressão e a adaptação são os dois processos que ocupam lugar de importância quando o desenho é concretizado. A adaptação, expressão e projeção, segundo a autora, estão explícitas no ato de desenhar. Assim sendo, mais do que qualquer outra especificidade de produção pessoal, deve ser visto com bastante critério os aspectos: Adaptativo que diz respeito à adequação à tarefa solicitada, sua correspondência em relação à faixa etária, sexo e, eventual, patologia; Expressivo que analisa o estilo característico da resposta que se mostra por meio gráfico da forma; e o Projetivo que verifica as situações e objetos que denotam conteúdo e a maneira de tratar o tema. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No teste do desenho, embora seu enunciado se refira “ao melhor que o examinado possa desenhar”, a estética ou beleza artística não é considerada, mas os conteúdos que estão representados. Histórias, críticas, sentimentos e emoções verbalizados durante a aplicação e no inquérito são dados complementares que podem até colaborar com o fechamento do Parecer de um Laudo. Tudo que o indivíduo faz, diz, escreve, desenha é uma projeção do seu Eu, ou são fragmentos de si mesmo. Ele pode até não ser exatamente aquilo, mas está de alguma forma, por meio desses sinais, representado. Van Kolck (1984) cogitar que há “casos de rejeição em graus diferentes de intensidade, a partir da &lt;em&gt;negação a desenhar até o não complemento do desenho&lt;/em&gt;”(p.10 - grifo da autora).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Na situação de testagem, o discurso de que não sabe desenhar, a &lt;em&gt;priori&lt;/em&gt; pode sugerir uma preocupação com a plástica do desenho, mas, na realidade, trata-se de resistência, um mecanismo de defesa, receio de se projetar. De modo geral, “todas as defesas contêm aspectos adaptativos e são indispensáveis para um ajuste adequado &lt;strong&gt;à&lt;/strong&gt; realidade” (PICCOLO, 1995, p.209). É a “melhor solução” (grifo da autora) encontrada pelo sujeito para lidar com as situações, a sua maneira de perceber e conectar-se tanto com a realidade interna quanto com a realidade externa. Em virtude disto, interessa conhecer quais os perigos fantasiados que o ego tenta evitar, e no que acredita como de mais terrível que possa ocorrer caso relaxe essa conduta defensiva (idem, ibid). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Assim como o corpo não mente, e conta coisas sobre a história emocional, e dos mais profundos sentimentos, caráter e personalidade (KURTZ e PRESTERA, 1989), o mesmo pode-se dizer do desenho, que também funciona com uma estrutura similar à grafologia. Assim como na grafologia, o teste do desenho é uma série de atos, de registros gráficos dos movimentos, “quer dizer, como um filme em que o próprio indivíduo plasma, graficamente, seu tipo de inteligência, sua sensibilidade, seus impulsos, suas tendências, suas reações etc.” (VELS, 1997, p.39). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Vels (1997), a grafologia tem a vantagem de nos dar uma imagem fiel do indivíduo revelada por ele mesmo, sem intermediário e sem risco de inibição e nervosismo que todo teste psicotécnico produz, quando o indivíduo se sente “examinado” (p. 11 - grifo do autor). É verdade que toda situação de testagem gera algum tipo de tensão, mas, se o indivíduo é conhecedor de que sua grafia é objeto de avaliação, por que na grafologia seria diferente? Enfim, no processo psicotécnico,, se destina um tempo para o &lt;em&gt;Rapport&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;8&lt;/sup&gt; ou “quebra gelo”, entre outras, para desmistificar os testes, etc., e também para atenuar a ansiedade ou nervosismo dos examinandos (SILVA, 2007). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Tomando por base o exposto poder-se-ia indagar se o treinamento do H-T-P, por exemplo, leva a exposição de desenhos mais satisfatórios? Nunca é demais ressaltar, que não é permitido o treino de qualquer teste psicológico. Isto fere os princípios éticos que regem a categoria, e que está sujeito à invalidação e punição por parte do CFP (Conselho Federal de Psicologia) que regulariza a profissão. Mas, na hipótese de um sujeito recorrer a esse expediente ilegal? Esse macete com o teste do desenho pode até implicar numa vantagem, mas aparente, uma vez que camufla determinados aspectos, mas, dificilmente, não deixará de transparecer as características que, de fato, são inerentes a sua personalidade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Provavelmente, ficaria um desenho confuso, correndo o risco de que, exatamente por isto, ser preterido, haja vista as incoerências da expressão dos desenhos. Também deve ser considerado o fato de que a avaliação não se dá somente na exclusividade de um desenho ou teste, mas no seu conjunto que subsidia a decisão do examinador. Nesse sentido, Van Kolck (1984) diz que um traço gráfico isolado nada significa. Cada traço deve ser considerado em conexão com os demais e no contexto geral do desenho (p.6). Enfim, o treino não é garantia para assegurar vaga ou carteira de habilitação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Na perspectiva de ser um psicanalista fazendo outra coisa mais apropriada para a ocasião, Winnicott (apud MENCARELLI e VAISBERG, 2005) propunha uma espécie de jogo de traços e rabiscos no qual cada pessoa deveria finalizar apenas com um desenho esboçado pelo outro. Assim, em poucos encontros era possível chegar ao núcleo problemático do paciente. Apesar desta “deixa” de Winnicott, o desenho na condição de modalidade de teste psicológico é pouco estudado na academia, como conseqüência seu uso, em termos proporcionais, ainda é bem restrito. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Com exceção da ênfase infantil, e do psicotécnico, o teste do desenho não tem uma presença maciça em termo do auxílio que esse recurso pode trazer. Talvez por consistir-se num instrumento de característica rudimentar - todo mundo, de uma forma ou de outra desenha, rabisca, etc., desde os seus primórdios de criança -, não tenha sido valorizado. Segundo Lipovetsky (2005), “não é mais apenas a riqueza do material que constitui o luxo, mas a aura do nome e renome das grandes casas, o prestígio da grife, a magia da marca” (p. 43). Mas este imperativo simbólico, não é exclusivo da moda. Talvez, nesse universo, seja mais explicitamente ditatorial, todavia está também nos mais diversos universos dos segmentos sociais, mesmo no acadêmico, e nem sempre de modo subjacente. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Enfim, os trabalhos mais expressivos em relação ao desenho estiveram voltados para saúde mental a cargo da Nise da Silveira. Esta psiquiatra que não aceitava o eletrochoque - atualmente denominado &lt;em&gt;eletroconvulsoterapia&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;9&lt;/sup&gt; - como meio de tratamento, recorreu ao desenho, modelagem e pintura, na sua assistência aos pacientes psicóticos. Em 28 de setembro de 1956, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O desenho está imerso na realidade social, nas suas mais diversas matrizes de arte, seja mediante das obras clássicas, sofisticadas, estilizadas, e até mesmo nas manifestações dos anseios e protestos populares por meio das grafites de rua.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Porém, o desenho na sua função de Avaliação Psicológica, não pode se constituir numa tarefa simplória, não se trata de deleitar ou rejeitar conforme o conforto ou incômodo da percepção. Mas, de ir além, traspassar para enxergar, ali, uma vida imbricada noutras vidas, que almejam pela realização de um sonho, atender uma necessidade, e ter uma chance. Finalmente, o teste do desenho tem o dom de veículo que aproxima, e se faz explicitar dos fragmentos, das nuances de luz e sombra, a compreensão. E, assim, se fecha a &lt;em&gt;gestalt&lt;/em&gt; de quem ajuda (psicólogo), e de quem espera ser ajudado (paciente, examinado).  &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;NOTAS:&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; 1. O Inquérito consiste num roteiro padronizado de perguntas que são feitas após a conclusão de cada desenho. Isto não significa dizer que o aplicador não possa explorar, de maneira mais espontânea, itens que não ficaram claros, conforme a necessidade.&lt;br /&gt;2. Teoria da Gestalt afirma que não se pode ter conhecimento do todo por meio das partes, e sim das partes pelo todo, uma vez que o conjunto possui leis próprias que regem seus elementos. Só mediante a totalidade é que o cérebro pode, de fato, perceber, decodificar e assimilar uma imagem ou um conceito. Esta teoria deu origem a Psicologia da Gestalt que, por sua vez, enfatiza os processos que envolvem figura e fundo, e a percepção ativa do indivíduo no aqui e agora (FAGAN e SHEPHERD, 1980). No entender de Rey (2003), a Gestalt move-se claramente em função de uma compreensão holística dos fenômenos psicólogicos.&lt;br /&gt;3. A expressão doença mental foi substituída por Transtorno mental (MATOS; MATOS; MATOS, 2005, p.313).&lt;br /&gt;4. &lt;em&gt;Burnout&lt;/em&gt; é um termo de origem inglesa que designa “algo que deixou de funcionar por exaustão de energia” (OLIVEIRA apud SILVEIRA et al., 2005, p.159). Esta síndrome também pode ser definida como um estado de exaustão emocional, física e mental causado por elevado nível de exigência durante longo tempo (PINES e ARONSON apud idem, ibid).&lt;br /&gt;5. Projeção é a operação pela qual o sujeito expulsa de si e localiza no outro, pessoa ou coisa, qualidades, sentimentos, desejos que ele desconhece ou recusa em si mesmo. Comum na paranóia, e na superstição dos “normais” (LAPLANCHE e PONTALIS, 2004).&lt;br /&gt;6. Identificação é o processo psicológico pelo qual se assimila aspecto, propriedade, atributo do outro e se transforma, total ou parcial, segundo esse modelo. Enfim, a personalidade constitui-se e diferencia-se por uma série de identificações (LAPLANCHE e PONTALIS, 2004).&lt;br /&gt;7. Introjeção é processo de aproximar-se da incorporação, que constitui o seu protótipo corporal, mas não implica necessariamente ao seu limite (introjeção do ego, do ideal do ego, etc.). Está estreitamente relacionada com a identificação (LAPLANCHE e PONTALIS, 2004).&lt;br /&gt;8. Maiores informações sobre o &lt;em&gt;Rapport&lt;/em&gt; podem ser encontradas no texto: Os Testes Psicológicos e as suas Práticas (SILVA, 2007 - http://www.algosobre.com.br/ - artigos / psicologia).&lt;br /&gt;9. Com base em Fink e Berrios, Perizzolo et al. (2003) dizem que a eletroconvulsoterapia é o tratamento mais controverso tanto quanto mais polêmico da psiquiatria. Sua própria natureza, histórico de abuso, apresentações desfavoráveis da mídia, e testemunhos de pacientes tão convincentes quanto desiformados contribuíram para o contexto de tal visão. &lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-4426341834628881102?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/4426341834628881102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=4426341834628881102' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/4426341834628881102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/4426341834628881102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/teste-do-desenho-um-espelho-da-alma.html' title='Teste do Desenho: Um Espelho da Alma'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-396479909202152705</id><published>2008-06-11T10:25:00.001-07:00</published><updated>2009-03-04T09:03:06.676-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Os Testes Psicológicos e as suas Práticas'/><title type='text'>Os Testes Psicológicos e as suas Práticas</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt; “Todo nosso conhecimento inicia-se nos sentidos, passa ao entendimento e termina na Razão” (Immanuel Kant).  &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;I - INTRODUÇÃO&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; A Psicologia contemporânea parece confundir-se com a aplicação dos testes e, em alguns casos, julga-se que, sem esse tipo de instrumento, o psicólogo não seria capaz de fazer qualquer afirmação científica do comportamento humano. Talvez seja pelo fato das ciências serem conhecidas por suas técnicas que lhes permitem aplicações e resultados visíveis. Assim, como o público tende a ver os antibióticos como capazes de curar todas as infecções, por analogia, também à considerar os testes como recursos infalíveis para conhecer as pessoas e suas aptidões. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No entanto, assim como o médico é obrigado a conhecer a potencialidade dos remédios e a levar em conta suas contra-indicações, da mesma forma o psicólogo deve saber, não apenas as vantagens dos testes, mas, também os limites de sua utilidade e validade. Do contrário, correrá o risco de apresentar diagnósticos falsos ou deformados, pois estariam baseados em resultados falhos e incompletos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Os testes psicológicos não consistem numa exemplar neutralidade e eficácia em 100% nos seus resultados, mas isto não implica que os mesmos devam ser dispensados. Desde que atendidas as pré-condições de sua aplicação, e que o psicólogo examinador tenha conhecimento, domínio da aplicação e da avaliação, os testes se instalam como referencial que elimina boa parte da “contaminação” subjetiva das suas percepção e julgamento. É importante ressaltar a condição dos testes como mais um recurso que auxilia o profissional na compreensão e fechamento das considerações a respeito de um examinando, seja em processo seletivo (exame psicológico ou psicotécnico), avaliação psicológica e psicodiagnóstico. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;II - CONCEITUAÇÃO DOS TESTES PSICOLÓGICOS&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Os testes psicológicos, da forma que se conhece hoje, são relativamente recentes, datam do início do século XX. Um teste psicológico no sentido epistemológico consiste numa tarefa controvertida, porque dependerá de posições e suposições de caráter filosófico. Para Cronbach (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; PASQUALI, 2001), um teste é um procedimento sistemático para observar o comportamento e descrevê-lo com a ajuda de escalas numéricas ou categorias fixas(p.18).Em outras palavras, um teste psicológico é fundamentalmente uma mensuração objetiva e padronizada de uma amostra de comportamento. Uma verificação ou projeção futura dos potenciais do sujeito. O parâmetro fundamental da medida psicométrica são as escalas, os testes, é a demonstração da adequação da representação, isto é, do isomorfismo entre a ordenação dos procedimentos empíricos e teóricos. Enfim, explicita que a operacionalização dos comportamentos (itens), corresponda ao traço latente&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;.  &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;III - ORIGENS DOS TESTES PSICOLÓGICOS&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Com base em Pasquali (2001), a história dos testes psicológicos, se destacam em sucessivas décadas, de tal maneira que é possível associar muitos autores a alguns períodos bem específicos. &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  3.1 - &lt;strong&gt;A Década de Galton: 1880.&lt;/strong&gt; Para Francis Galton (biólogo inglês) à avaliação das aptidões humanas se dava por meio da medida sensorial, através da capacidade de discriminação do tato e dos sons. Galton (&lt;em&gt;apud &lt;/em&gt;ANASTASI, 1977) entendia que,   &lt;/p&gt;  &lt;div class="carta" style="width: 350px;"&gt; A única informação que nos atinge, vinda dos acontecimentos externos, passa, aparentemente pelo caminho de nossos sentidos. Quanto maior o discernimento que os sentidos tenham de diferentes, maior o campo em que podem agir no nosso julgamento de inteligência (p.8). &lt;/div&gt;  &lt;p&gt; A contribuição de Galton para psicometria ocorreu em três áreas: Criação de testes antropométricos para medida de discriminação sensorial (barras para medir a percepção de comprimento); Apito para percepção de altura do tom; Criação de escalas de atitudes (escala de pontos, questionários e associação livre&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;);  Desenvolvimento e simplificação de métodos estatísticos (método da análise quantitativa dos dados coletados).   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  3.2 - &lt;strong&gt;A Década de Cattell: 1890.&lt;/strong&gt; Influenciado por Galton, James M. Cattell (psicólogo americano) desenvolveu medidas das diferenças individuais, o que resultou na criação da terminologia &lt;em&gt;Mental Test&lt;/em&gt; (teste mental). Elaborou em Leipzig sua tese sobre diferenças no Tempo de Reação. Este consiste em registrar os minutos decorridos entre a apresentação de um estímulo ou ordem para começar a tarefa, e a primeira resposta emitida pelo examinando. Cattell seguiu as idéias de Galton, dando ênfase às medidas sensoriais, porque elas permitiam uma maior precisão. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  3.3 - &lt;strong&gt;A Década de Binet: 1900.&lt;/strong&gt; Seus interesses se voltavam para avaliação das aptidões mais nas áreas acadêmica e da saúde. Alfred Binet e Henri fizeram uma série de crítica aos testes até então utilizadas, afirmando que eram medidas exclusivamente sensoriais que, embora permitisse maior precisão, não tinham relação importante com as funções intelectuais. Seu conteúdo intelectual fazia somente referências às habilidades muito específicas de memorizar, calcular, quando deveriam se ater às funções mais amplas como memória, imaginação, compreensão, etc. Em 1905, Binet e Simon desenvolveram o primeiro teste com 30 itens (dispostos em ordem crescente de dificuldade) com o objetivo de avaliar as mais variadas funções como julgamento, compreensão e raciocínio, para detectar o nível de inteligência ou retardo mental de adultos e crianças das escolas de Paris. Estes testes de conteúdo cognitivo atendiam a funções mais amplas, e foram bem aceitos, principalmente nos EUA, a partir da sua tradução por Terman (1916), nascendo, assim, a era dos testes com base no Q.I. (idealizado por W. Stern). &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;div class="carta" style="width: 150px;"&gt; Q.I. = 100 (IM/IC)&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt;  &lt;/div&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt; O período de 1910-1930, é considerado a era dos testes de inteligência sob as influências: Do segundo teste de Binet e Simon (1909); Do artigo de Spearman sobre o fator G (1909); Da revisão do teste de Binet para os EUA (Terman, 1916);  e do impacto da primeira guerra mundial com a necessidade de seleção rápida e eficiente, de contingente para as forças armadas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Na Bahia, em 1924, Isaias Alvez fez a adaptação da escala Binet-Simon, considerada como um dos primeiros estudos de adaptação de instrumentos psicométricos no Brasil (NORONHA &amp;amp; ALCHIERI, 2005). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  3.4 - &lt;strong&gt;A Década da Análise Fatorial: 1930.&lt;/strong&gt; Por volta de 1920, diminuiu o entusiasmo pelos testes de inteligência, sobretudo por se demonstrar dependentes da cultura onde foram criados, o que contrariava a idéia de fator geral universal de Spearman. Kelley quebrou a tradição de Spearman em 1928, e foi seguido, na Inglaterra, por Thomson (1939) e Burt (1941), e nos EUA, por Thurstone. Este autor é relevante para época, em vista de que, além de desenvolver a análise fatorial múltipla, atuou no desenvolvimento da escalagem psicológica (Thurstone e Chave, 1929) fundando, em 1936, a Sociedade Psicométrica Americana e a revista &lt;em&gt;Psychometrika&lt;/em&gt;.   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  3.5 - &lt;strong&gt;A Era da Sistematização: 1940-1980.&lt;/strong&gt; Esta época é marcada por duas tendências opostas: Os trabalhos de síntese e os de crítica. Em 1954, Guilford reedita &lt;em&gt;Psychometric Methods&lt;/em&gt; e tenta sistematizar a teoria clássica, e Torgerson (1958) a teoria sobre a medida escolar. Além disso, Cattell e Warburton (1967) procuraram sintetizar os dados de medida em personalidade, e Guilford (1967) a teoria sobre a inteligência. Entre os trabalhos da crítica, destaca-se Stevens (1946), que levantou o problema das escalas de medidas.&lt;br /&gt; Divulgou-se também a primeira crítica à teoria clássica dos testes na obra de Lord e Novick (1968, &lt;em&gt;Statistical Theory of Mental Tests Scores&lt;/em&gt;), que iniciou o desenvolvimento de uma teoria alternativa, a do traço latente, que se junta à teoria moderna de Psicometria, e a Teoria de Resposta ao Item - TRI. Outra tendência crítica para superar as dificuldades da Psicometria clássica foi iniciada pela Psicologia Cognitiva de Sternberg e Detterman (1979), Sternberg e Weil (1980), com seu modelo, procedimentos e pesquisas sobre os componentes cognitivos, na área da inteligência. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  3.6 - &lt;strong&gt;A Era da Psicometria Moderna (Teoria de Resposta ao Item - TRI): 1980.&lt;/strong&gt; Talvez chamar a era atual de TRI seja inadequada, porque: a) Esta teoria embora seja o modelo no Primeiro Mundo, ainda não resolveu todos seus problemas fundamentais para se tornar um modelo definitivo de psicometria e, b) Ela não veio para substituir toda a psicometria clássica, mas, apenas partes dela. Porém, é o que há de mais novo nesse campo. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;h2&gt;IV - TIPOS DE TESTES PSICOLÓGICOS&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Os testes psicométricos se baseiam na teoria da medida e, mais especificamente, na psicometria, usam números para descrever os fenômenos psicológicos, enquanto os testes impressionistas, ainda que utilizem números, se fundamentam na descrição lingüística.&lt;br /&gt;Os testes psicométricos usam a técnica da escolha forçada, escalas em que o sujeito deve simplesmente marcar suas respostas. Primam pela objetividade: tarefas padronizadas. A correção ou apuração é mecânica, portanto, sem ambigüidade por parte do avaliador.&lt;br /&gt;Os testes impressionistas requerem respostas livres, sua apuração é ambígua, sujeita aos vieses de interpretação do avaliador. O psicólogo impressionista trabalha com tarefas pouco ou nada estruturadas, a apuração das respostas deixa margem para interpretações subjetivas do próprio avaliador, e os resultados são totalmente dependentes da sua percepção, dos seus critérios de entendimento e bom senso. &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  4.1 - &lt;strong&gt;Testes Coletivos Versus Testes Individuais&lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Os testes coletivos são planejados, basicamente, para exame em massa. Em comparação aos testes individuais, têm suas vantagens e desvantagens. Do lado positivo, podem ser aplicados em grandes grupos simultaneamente, como por exemplo, em concurso público. Em cada escala torna-se possível desenvolver técnicas de testes coletivos. Ao utilizar apenas itens escritos, e respostas simples que são registradas nas folhas de respostas, isso facilita o exame e o papel do examinador é bastante simplificado, uma vez que elimina a necessidade da relação direta com o examinando. Em contraste com o treinamento intensivo e a experiência exigida para aplicar os testes individuais, a exemplo do Rorschach (teste projetivo de personalidade).&lt;br /&gt;A maioria dos testes coletivos exige somente a habilidade de ler as instruções simples para os examinandos e manter o tempo exato. Dão mais uniformidade de condições, uma vez que difere dos individuais, tanto na forma de disposição dos itens quanto na característica de recorrer a itens de múltipla escolha, e a aferição dos seus resultados, geralmente, é mais objetiva. Embora os testes coletivos tenham muitos aspectos desejáveis, porém carece de uma função indispensável, que é a oportunidade do examinador estabelecer relação com o examinando para obter sua cooperação e manter o seu interesse.&lt;br /&gt;Do contrário da aplicação dos testes coletivos, os individuais são quase inevitáveis às observações complementares do comportamento do sujeito, a exemplo de identificar as causas da má realização em determinados itens, ou de qualquer indisposição momentânea, fadiga, angústia, etc., que possa interferir na sua realização, o que é pouco ou nunca identificado no exame coletivo.&lt;br /&gt;O tipo de resposta mais utilizada em testes psicométricos, praticamente em sua totalidade é a escrita, a saber, lápis-e-papel. A grande vantagem desta técnica é que os testes podem ser aplicados coletivamente a grandes amostras de sujeitos, ocorrência difícil de acontecer em situações nas quais as respostas são dadas verbalmente ou exige uma observação mais direta do comportamento do testando.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  4.2 - &lt;strong&gt;Categoria dos Testes &lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  Os testes podem ser divididos e subdivididos nas seguintes categorias:   &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;   &lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; Objetividade e Padronização: Testes psicométricos e impressionistas;    &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;   &lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; Construto (processo psicológico) que Medem: Testes de capacidade intelectual (inteligência geral – Q.I.); Teste de aptidões (inteligência diferencial: numérica, abstrata, verbal, espacial, mecânica, etc.); Testes de aptidões específicas (música, psicomotricidade, etc.); Testes de desempenho acadêmico (provas educacionais, etc.); Testes neuropsicológicos (testes de disfunções cerebrais, digestivos, neurológicos, etc.); Testes de preferência individual (personalidade; atitudes: valores; interesses; projetivos; situacionais: observação de comportamento, biografias); &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;   &lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; Forma de Resposta: Verbal; Escrita: papel-e-lápis; Motor; Via computador: &lt;u&gt;Vantagens&lt;/u&gt;: apresentam em melhores condições as questões do teste; corrige com rapidez; enquadra de imediato o perfil nas tabelas de interpretação; produz registros legíveis em grande número e os transmite à distância; motiva os testandos ao interagir com o computador; &lt;u&gt;Desvantagens&lt;/u&gt;: a interpretação dos resultados do perfil psicológico é mais limitada do que a realizada pelo psicólogo.    &lt;/p&gt;  &lt;/blockquote&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;h2&gt;V - AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA &lt;/h2&gt; &lt;p&gt; O conceito de avaliação psicológica é amplo, se refere ao modo de conhecer fenômenos e processos psicológicos por meio de procedimentos de diagnósticos e prognóstico, para criar as condições de aferição de dados e dimensionar esse conhecimento (ALCHIERI &amp;amp; CRUZ, 2003). Os testes gráficos são mais adequados para começar um exame ou avaliação psicológica. Eles refletem os aspectos mais estáveis da personalidade, e mais difíceis de serem modificados (OCAMPO, 1995). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Cunha (1993, p.5), o psicodiagnóstico é um processo científico, limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes psicológicos (&lt;em&gt;input&lt;/em&gt;), em nível individual ou não, seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos específicos ou para classificar o caso e prever seu curso possível, comunicando os resultados (&lt;em&gt;output&lt;/em&gt;). O psicodiagnóstico é uma forma específica de avaliação psicológica, em ambos os processos não têm necessariamente&lt;sup&gt;4&lt;/sup&gt; que fazer uso de testes psicológicos. Mas, no entender de Nascimento (2005), quando se precisa de material fidedigno, passível de reaplicação, que permita conclusões confiáveis em curto tempo, para tomada de decisões, é preciso dispor de outros recursos além da entrevista, ainda que seja para comprovar alguma característica do examinando. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Avaliação Psicológica é um conjunto de procedimentos para a tomada de informações de que se necessita e não deve ser entendida como um momento único em que um instrumento poderia ser suficiente para responder às questões relacionadas ao problema que se pretende investigar (GUZZO, 1995-2001, p.157). Este tipo de processo é a base da atuação do profissional da psicologia seja qual for sua área (clínica, escolar, organizacional, jurídica, e outras). Para Wechsler e Guzzo (1999), não há como ser um bom psicólogo se não entender o significado da avaliação psicológica como um processo de construção de um conhecimento sobre um fenômeno decorrente de uma escolha teórica e metodológica (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; PACHECO, 2005, p.12).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A avaliação psicológica ou psicodiagnóstico configura uma situação com papéis bem definidos, e com um contrato no qual uma pessoa (o paciente) pede ajuda, e o outro (o psicólogo) aceita o pedido e se compromete a satisfazê-lo dentro de suas possibilidades. É um processo bi-pessoal&lt;sup&gt;5&lt;/sup&gt;(psicólogo-examinando ou paciente e/ou grupo familiar), cujo objetivo é investigar alguns aspectos em particular, de acordo com a sintomatologia e informações da indicação ou queixa. Abrange aspectos passados, presentes (diagnóstico) e futuros (prognóstico) do paciente. A avaliação psicológica não tem por objetivo somente identificar os aspectos deficitários ou patológicos do paciente, mas, em reconhecer os seus recursos potenciais e suas possibilidades. Ou seja, procura valorizar o que ele tem melhor, para viabilizar seus potenciais. Para Nascimento (2005), um bom diagnóstico se faz em parte por uma compreensão racional e em parte por uma compreensão empática (p.216). No entender de Yalom (2006, p.23), &lt;/p&gt; &lt;div class="carta" style="width: 350px;"&gt; Embora um diagnóstico seja inquestionavelmente crucial nas considerações terapêuticas de muitas patologias graves com um substrato biológico (por exemplo, esquizofrenia, transtornos bipolares, transtornos afetivos maiores, epilepsia de lobo temporal, toxicidade farmacológica, doença orgânica ou cerebral decorrente de toxinas, causas degenerativas ou agentes infecciosos), ele é frequentemente &lt;em&gt;contraproducente&lt;/em&gt; na psicoterapia comum dos pacientes com um comportamento menos grave. (grifo do autor).  &lt;/div&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt; Enfim, o psicodiagnóstico tem como perspectiva conseguir uma descrição e compreensão, o mais profunda e completamente possível da personalidade do paciente ou do grupo familiar, e sua conclusão será posteriormente transmitida, por escrito, através de um documento denominado Laudo Psicológico (OCAMPO &lt;em&gt;et al&lt;/em&gt;., 1995).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; 5.1 - &lt;strong&gt;Laudo Psicológico&lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; O laudo é uma peça escrita na qual o perito expõe observações e conclusões a que chegou num processo de diagnóstico ou avaliação psicológica. Trata-se de um parecer técnico que visa subsidiar o profissional a tomar decisões. Segundo Guzzo e Pasquali (2001), deve-se evitar a sua devolução oral, porque pode ser facilmente distorcida. O laudo não é um documento exclusivo da área da psicologia, pode ser jurídico, pericial, pedagógico, etc. Uma outra definição da conta desse instrumento como um dos principais recursos para comunicar resultados de uma avaliação psicológica. Cujo objetivo é apresentar materialmente um resultado conclusivo de acordo com a finalidade proposta de consulta, estudo ou prova(ALCHIERI &amp;amp; CRUZ, 2003). Ainda para os autores, esse documento deve ser conclusivo e se restringir às informações estritamente necessárias à solicitação (objetivo da avaliação), com a intenção de preservar a privacidade do examinando. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  5.2 - &lt;strong&gt;Psicodiagóstico e Psicoterapia &lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  Na visão de Friedenthal (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; SANTIAGO, 1995), a distinção entre estes dois processos é apenas teórica, considerando que na prática clínica, é impossível manter a fronteira entre terapia e&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;psicodiagnóstico. As entrevistas diagnósticas se assemelhem às sessões de terapia, não somente pela interpretação que se faz, mas também pelas intervenções inerentes a essas situações, seja para esclarecer transferências ou para aliviar a ansiedade do paciente, etc.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;O psicodiagnóstico ocupa um lugar de destaque entre as opções nos serviços de psicologia, independente do motivo que leva o paciente a procurar a instituição. Ele deve ser utilizado como dispositivo para planejar, guiar e avaliar a escolha e indicação terapêutica fundamentada (MITO, 1995; MONACHESI, 1995). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  Calegaro (2002) diz que, entre outros, o objetivo da entrevista é de estabelecer &lt;em&gt;rapport &lt;/em&gt;(será explicado mais adiante), coletar informações que revelem os problemas, avaliar o grau de estresse e psicopatologia da família (depressão, discórdia conjugal, ansiedade, agressividade, etc.). E assim, modificar o foco de crenças causais improváveis para fatores antecedentes e as conseqüências que o cercam, e, finalmente, atingir uma formulação diagnóstica e tratamento recomendado. O diagnóstico adequado é seguido de esclarecimentos e informações que pode minimizar o estresse experienciado pelo paciente e/ou família. É importante esclarecer quaisquer dúvidas, deixando a sensação de que as dificuldades foram compreendidas, e que estão sendo atendidas por um profissional capaz de recomendar meios que ajudem a resolver os problemas verificados (CALEGARO, 2002). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; No entender de Cruz (2002), os fenômenos psicológicos nem sempre se mostram inteligíveis, em quaisquer das áreas e objetos de intervenções da psicologia. Portanto, não se configura numa tarefa fácil, pelo grau de complexidade e múltiplas determinações, equacionarem os eventos psicológicos. Por esse motivo é que se torna necessária a avaliação psicológica. Nesse sentido, Quinet (2002) diz que somente o olhar, assim armado pela razão, será capaz de perceber aquilo que não é visível a olho nu, fonte de equívocos, para chegar a &lt;em&gt;perspicuitas&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;6&lt;/sup&gt;, a transparência (p.29). Afinal, uma das características básicas do conhecimento científico é o esforço em não restringir à descrição de fatos separados e isolados, mas tentar apresentá-los sob o estatuto do contexto e do estado da arte das pesquisas relacionadas (CRUZ, 2002, p.19). Quatro elementos essenciais configuram o campo da Avaliação Psicológica: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;   &lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; Objeto - Fenômenos ou processos psicológicos; &lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; Objetivo visado - Diagnosticar, compreender, avaliar a ocorrência de determinadas condutas; &lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; Campo Teórico - Sistema conceitual, estado da arte do conhecimento; &lt;strong&gt;d)&lt;/strong&gt; Método - Condições através da qual é possível conhecer a forma de acesso ao que se pretende explorar.   &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;   5.2.1 - &lt;strong&gt;Enquadramento do processo psicodiagnóstico&lt;/strong&gt;    &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; O enquadre desse processo consiste nos itens seguintes: Esclarecimento dos papéis respectivos; Lugar de realização das entrevistas; Horários e duração do processo (despertando para o fato de não torná-lo muito curto ou extenso); Honorários (caso se trate de consulta particular ou de instituição paga). Qualquer entrevista posterior à devolução requer o estabelecimento de um novo contrato que explicite o enquadre, as características e os objetivos da tarefa (VERTHELYI &lt;em&gt;apud &lt;/em&gt;SANTIAGO, 1995).    &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;   5.2.2 - &lt;strong&gt;Etapas do processo psicodiagnóstico&lt;/strong&gt;    &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; Primeiro contato, entrevista semidirigida (um ou duas) com o paciente ou seus pais, quando se trata de criança ou adolescente; Aplicação de testes e técnicas projetivas; Encerramento do processo: devolução oral ao paciente e/ou pais, familiares (uma ou duas entrevistas devolutivas), onde apresentam as conclusões diagnósticas e sugere os passos seguintes a serem trilhados: psicoterapia, encaminhamento para psiquiatra ou ambos; Informe por escrito (Laudo) para o solicitante. &lt;/p&gt;  &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;  5.3 - O &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Rapport&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;sup&gt;7&lt;/sup&gt;   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Ao iniciar suas atividades de testagem, seja em qual área for o psicólogo deve realizar esta técnica que se ajusta ao seu papel de oferecer as condições psicológicas favoráveis ao manejo da assistência individual ou grupal. Quando se trata, principalmente, de seleção ou psicotécnico, é necessário que o examinador procure, em breves minutos, desmistificar alguns conceitos ou deturpações que, em geral, pairam no imaginário do senso comum, não somente sobre testes psicológicos, mas também em relação a quase todos os campos dessa atuação profissional. A psicologia ainda é, para prejuízo dessa categoria e da sociedade, uma ciência tabu que inclui medo, rejeição e atração num suposto caldeirão de inutilidades ou de poderes mágicos, misteriosos e fantásticos que lhe são atribuídos. Isto promove uma resistência nas pessoas em si trabalhar nessa especialidade, que seja por determinação ou no limite crítico do indispensável. Penso que a psicologia pode oferecer menos do que se imagina, e mais do que pode se esperar caso assim lhe permita. Enfim, esse momento do&lt;em&gt; rapport&lt;/em&gt; consiste em o profissional respaldar&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;o (s) paciente(s), examinando(s), trazê-lo(s) para o princípio da realidade, e se fazer agente de motivação e solicitude.   &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;h2&gt;VI - APLICAÇÃO DOS TESTES PSICOLÓGICOS&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Os instrumentos técnicos, a exemplo dos testes psicológicos representam a única área de atuação que é privativa dos psicólogos (HUTZ &amp;amp; BANDEIRA, 2003). São de uso exclusivo dos psicólogos que, para gerenciá-los, requer treinamento e conhecimento específicos. Uma vez que os testes obedecem a uma série de regras para sua aplicação chamada de Padronização da Aplicação dos Testes, que implicam em vários procedimentos: Administração dos testes na aplicação; Questões relacionadas ao aplicador ou examinador; e Questões específicas que dizem Respeito ao(s) examinado(s) ou testando(s). &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  6.1 - &lt;strong&gt;Administração dos Testes na Aplicação&lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Os procedimentos na aplicação dos testes têm como objetivo garantir a sua validade, porque, mesmo dada a sua condição técnica e científica, um teste pode produzir resultados inválidos se for mal aplicado. Assim, deve seguir a risca as instruções e recomendações que explicitam os seus manuais. Sem, entretanto, como dizem Alchieri &amp;amp; Cruz (2003), assumir uma postura estereotipada e rígida. Como se espera saber o nível de aptidão ou as preferências do testando, este deve se sentir na sua melhor forma para agir de acordo com as suas habilidades, e não sob a interferência de distratores ambientais. No processo de aplicação levam-se em consideração alguns aspectos indispensáveis para a realização satisfatória dessa atividade: Qualidade do ambiente físico; Qualidade do ambiente psicológico; e Material de testagem. &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;   6.1.1 - &lt;strong&gt;A Qualidade do Ambiente Físico &lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; Todas as estruturas do ambiente físico devem colocar o testando em favorável disposição de reação. De forma que é preciso considerar as condições do local de trabalho: cadeira, mesa, espaço físico; Atmosféricas: iluminação, temperatura, higiene; De silêncio: isolamento acústico. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;   6.1.2 - &lt;strong&gt;A Qualidade do Ambiente Psicológico &lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;   O psicólogo deve atenuar o nível de ansiedade do(s) examinando(s) a um mínimo possível através do &lt;em&gt;rapport&lt;/em&gt;, bem como: &lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; Verificar se o(s) examinando(s) apresenta(m) alguma dificuldade de saúde e/ou impedimentos relacionados (ALCHIERI &amp;amp; CRUZ, 2003); &lt;strong&gt;b) &lt;/strong&gt;Esclarecer o(s) examinado(s) de modo que ele(s) compreenda(m) exatamente as tarefas a serem executadas; &lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; Memorizar as instruções e ministrá-las em voz alta e pausada, de uma única vez, e igual para todos (qualquer mudança implica em alteração ou invalidade dos resultados). &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;   6.1.3 - &lt;strong&gt;Material de Testagem &lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; Todo material que será utilizado no processo de aplicação deve constar em quantidade a mais do número de candidato ou examinando: Quando se trata de material reutilizável verificar se está em perfeito estado (ALCHIERI &amp;amp; CRUZ, 2003); Cadernos de exercício; Folhas de resposta; Papel ofício A4 e lápis específicos conforme o teste (para o H.T.P - teste da casa/árvore/pessoa -, por exemplo, exige-se o grafite n&lt;u&gt;o&lt;/u&gt; 2).    &lt;/p&gt;  &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;  6.2 - &lt;strong&gt;Questões Relacionadas ao Aplicador ou Examinador &lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;   6.2.1 - &lt;strong&gt;Das Condições Técnicas do Aplicador&lt;/strong&gt;    &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; Segundo Anastásia e Ordena (2000), muitas das questões sobre o rigor e o valor da avaliação psicológica passam pela atuação do psicólogo que a realiza, assim sendo, exige-se dele que apresente tais condições mínimas: &lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; Conhecimento atualizado da literatura e de pesquisas disponíveis sobre o comportamento humano e sobre o instrumental psicológico;  &lt;strong&gt;b) &lt;/strong&gt;Treinamento específico para o uso dos instrumentos; &lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; Domínio sobre os critérios estabelecidos para avaliar e interpretar resultados obtidos; &lt;strong&gt;d)&lt;/strong&gt; Capacidade para considerar os resultados obtidos à luz das informações mais amplas sobre o indivíduo, contextualizando-os; &lt;strong&gt;e)&lt;/strong&gt; Seguir as orientações existentes sobre organizações dos laudos finais e, acima de tudo, garantir princípios éticos quanto ao sigilo e à proteção ao(s) indivíduo(s) avaliado(s) (&lt;em&gt;apud &lt;/em&gt;PACHECO, 2005).    &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;   6.2.2 - &lt;strong&gt;Modo de Atuação do Aplicador&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;  O aplicador ou examinador também deve ter cuidados com os itens seguintes: &lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; Não aceitar pressão quanto ao emprego de determinados instrumentos a fim de reduzir os custos para empresa ou escola, que interfiram na qualidade do trabalho (ALCHIERI &amp;amp; CRUZ, 2003); &lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; Fazer prevalecer o princípio da isonomia, que consiste em tratar a todos do mesmo modo (remarcar um teste para um candidato, por exemplo, é dar tratamento diferenciado, o que infringe este princípio legal); &lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; Não responder as questões dos examinandos com maiores detalhes do que os permitidos pelo manual (ALCHIERI &amp;amp; CRUZ, 2003). Ou seja, as dúvidas sobre todas as questões devem ser esclarecidas sem que o aplicador dê indicativo de resposta (este item é mais delicado quando se trata de criança ou pessoa com cuidados especiais); &lt;strong&gt;d) &lt;/strong&gt;Usar um vocabulário apropriado (sem: gíria, jargão psicológico, palavras chulas ou rebuscadas); procurar ter equilíbrio emocional; e evitar interrupções durante a testagem; &lt;strong&gt;e)&lt;/strong&gt; Evitar a familiarização do público com os conteúdos dos testes, o que perderia sua característica avaliativa; assegurar que os testes são utilizados por examinador qualificado; controlar a comercialização dos testes psicológicos; considerar as condições em que foram realizados os testes, quando for apurar e interpretar seus resultados; &lt;strong&gt;f) &lt;/strong&gt;A aparência, nesse tipo de atividade, o aplicador não é livre para usar qualquer roupa, uma vez que esta variável interfere nos resultados. Recomendam-se roupas limpas e adequadas, ou seja, formais, discretas, nunca “chamativas” ou sensuais; e o uso moderado de perfume. Tem pessoas muito sensíveis à odores, que podem se sentir incomodadas ao lado ou na mesma sala com a fragrância muito forte de uma outra. Se for uma grávida o incômodo pode ser ainda mais acentuado. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;   6.2.3 - &lt;strong&gt;Controle dos Vieses do Aplicador &lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; A postura do aplicador pode afetar o processo. Pesquisas conclusivas dão conta de sua grande interferência nos resultados. O psicólogo é um ser humano com seus problemas, etc., como os demais, mas também é um técnico, e por isto mesmo deve está consciente desta influência, para procurar minimizá-la. Espera-se que tenha adquirido habilidades próprias da profissão, das quais faça uso em situação de testagem, a exemplo, do autoconhecimento mais elaborado que lhe permita conhecer melhor as suas aptidões e limitações. Para ser psicólogo, Calligaris (2004) diz que não é necessário ser “normais” nem é preciso estarmos curados de nossas neuroses, mas seria bem-vindo que a gente não se tomasse pelo ouro do mundo (p.92). Ou seja, entre outros, a arrogância, parece mais comprometedora em quaisquer dos processos desse exercício profissional. &lt;/p&gt;  &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;  6.3 - &lt;strong&gt;Questões Específicas que Dizem Respeito ao(s) Examinado(s) ou Testando(s)&lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;   6.3.1 - &lt;strong&gt;Os Direitos dos Testandos&lt;/strong&gt;    &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; No Brasil, a atuação do psicólogo na testagem é considerada uma atividade pericial. Por lei, os peritos devem prestar serviço de qualidade à sociedade, e esta qualidade pode ser cobrada judicialmente. Isto é, o psicólogo responde até criminalmente por sua conduta na área dos testes psicológicos. Os direitos do testando, de modo geral, são norteados pelos comitês de ética em Psicologia e pelas normas para Testagem Educacional e Psicológica da &lt;em&gt;American Psychological Association&lt;/em&gt; (APA), nos seguintes aspectos: &lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; Consentimento dos testandos ou seus representantes legais, antes da realização da testagem. As exceções a esta regra são: Testagem por determinação legal (perícia) ou governamental (testagem nacional); Testagem como parte de atividades escolares regulares; Testagem de seleção, em que a participação implica consentimento; &lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; Testagem em escolares e aconselhamento, os sujeitos têm o direito a explicações em linguagem que eles compreendam sobre os resultados que os testes irão produzir e das recomendações que deles decorram; &lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; Testagem em escolas, clínicas, quando os escores são utilizados para tomar decisões que afetam os testandos, estes ou seus representantes legais têm o direito de conhecer seu escore e sua interpretação. &lt;/p&gt;   &lt;p align="left"&gt;   6.3.2 - &lt;strong&gt;Sigilo e Divulgação dos Resultados&lt;/strong&gt;    &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; O candidato (empresa), paciente (clínica), orientando (clínica e escola) que submetem aos testes tem o direito a toda e qualquer informação que desejar; O solicitante da testagem, dono da empresa, no caso da seleção ou juiz, no caso pericial (mas, as informações serão estritamente relacionadas ao motivo da solicitação). O sigilo e a segurança dos resultados dos testes devem seguir as normas seguintes: &lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; Os arquivos devem ser seguros, de modo que ninguém possa ter acesso a um dado sem a autorização do profissional responsável; &lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; O código de ética do psicólogo diz: É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional (Art. 9º, 2005, p.13). &lt;/p&gt;  &lt;/blockquote&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;h2&gt;VII – PARÂMETROS&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;PSICOMÉTRICOS&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Para Alchieri e Cruz (2003, p.59), os instrumentos psicométricos estão basicamente fundamentados em valores estatísticos que indicam sua sensibilidade (ou adaptabilidade do teste ao grupo examinado), sua precisão (fidedignidade nos valores quanto à confiabilidade e estabilidade dos resultados) e validade (segurança de que o teste mede o que se deseja medir), como será visto em alguns detalhes a seguir: &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  7. 1 - &lt;strong&gt;Validade e Precisão&lt;/strong&gt;: A avaliação&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;objetiva dos testes psicológicos inclui, em geral, a determinação da sua validade e da sua precisão em situações específicas. Segundo Pasquali (2001), costuma-se definir a validade de um teste dizendo que ele é válido se de fato mede o que supostamente deve medir (p.112). A validade é a questão mais importante a ser proposta com relação a qualquer teste psicológico, uma vez que, apresenta uma verificação direta do teste satisfazer sua função. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Pasquali (2001) considera que o conceito de precisão ou fidedignidade se refere ao quanto o escore obtido no teste se aproxima do escore verdadeiro do sujeito num traço qualquer. O termo precisão, quando usado em psicometria, sempre significa estabilidade ou consistência. Precisão do teste é a consistência dos resultados obtidos pelo mesmo indivíduo, quando retestado com o mesmo teste, ou com uma forma equivalente. Antes de um teste psicológico ser apresentado para o uso geral, é preciso realizar uma verificação completa e objetiva de sua precisão. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  7. 2 - &lt;strong&gt;Padronização da Administração do Teste (Normas)&lt;/strong&gt;: Num sentido geral, a padronização se refere à necessária uniformidade em todos os procedimentos no uso de um teste válido e preciso. Desde as precauções a serem tomadas na aplicação até os parâmetros ou critérios para interpretar os resultados obtidos (PASQUALI, 2001). O teste psicológico foi descrito, na definição inicial, como uma medida padronizada. A padronização implica em uniformidade do processo de avaliação do teste. Se vamos comparar os resultados obtidos por diferentes indivíduos, as condições de aplicação devem ser, evidentemente, iguais para todos. Padronização = uniformidade na aplicação dos testes, e Normatização = uniformidade na interpretação dos escores dos testes. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;h2&gt;VIII – CONSIDERAÇÕES FINAIS&lt;/h2&gt; &lt;p&gt;  Embora se associe o psicólogo ao uso de teste psicológico, no entanto é apenas a minoria desses profissionais que aceitam testes psicológicos na sua práxis. Muitos desprezam esses instrumentos, mais por não saber ou não querer utilizá-los do que a partir do seu conhecimento. Como diz Nascimento (2005), os testes continuam sendo alvos de críticas por muitos colegas e, em certos meios chegam a ser considerados uma área desprestigiada da psicologia. Ainda segundo a autora, as críticas mais contundentes partem das correntes humanística e psicanalítica, que vêem no psicodiagnóstico uma forma de classificar personalidades, considerado por elas como discriminatória, estigmatizante e reducionista, em vez de considerar a pessoa na sua singularidade e em sua dinâmica. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em uma pesquisa com psicólogos sobre o uso de testes psicológicos, Venturi e Silva (1996), concluíram que os entrevistados consideram importante o uso dos testes em sua prática, ao mesmo tempo em que acreditam existir um desinteresse pelo uso desse instrumental devido ao preconceito e ceticismo generalizados. Ademais, acreditam ser necessário rever o ensino das técnicas de avaliação psicológica (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; PACHECO, 2005). As sugestões apresentadas para melhoria no ensino dos testes, de acordo com os citados pesquisadores, foram: O ensino dos testes deve ser aliado à prática; Os alunos devem submeter-se aos testes ou aplicá-los em outras pessoas; Os alunos devem realizar estágios em que possam aplicar os testes; O aluno deve receber uma sólida base teórica sobre os testes utilizados. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Porém, estes itens apontados como favoráveis para aprendizagem dos testes, mesmo quando seguidos na íntegra, ainda assim se encontra resistência em boa parte dos alunos. Outro dado interessante é que os psicólogos, pelos menos nunca vi, não fazem crítica à utilização de testes na área infantil, então com criança pode, não tem do que criticar? A seu favor, pode se argumentar que é pelo fato da criança não ter um repertório oral pronto de auto-expressão. É verdade, mas, por conseguinte ela tende a ser mais autêntica!  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Apesar da validade e legitimidade do CFP (Conselho Federal de Psicologia) em relação aos testes atuais, me parece inadiável repensar não somente a epistemologia dos testes, mas, também as categorias das doenças psicológicas e a psicologia como um todo. Afinal, alguns autores, na sua maioria da filosofia (o que é mais intrigante), já vem formatando, havia tempo, perfis atuais e coerentes do homem pós-moderno, a exemplo  do “Mínimo eu” de Lasch (1987), do “Homem líquido” de Bauman (2004). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Finalmente, ou desdobramos a psicologia para entendermos esse novo homem em construção da “Sociedade depressiva” (ROUDINESCO, 2000), na “Era do vazio” (LIPOVETSKY, 2005), que produz o “Homem sem alma” (KRISTEVA, 2002), ou continuaremos a atendê-lo e avaliá-lo nos parâmetros enviesados do século passado. Aí, certamente nos reduziremos ao que diz Guattari (2005, p. 16), em profissionais “psi”, sempre assombrados por um ideal caduco de cientificidade. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;&lt;strong&gt;NOTAS&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; 1. Latente, aqui não tem o sentido usado abusivamente nas teorias da personalidade. Segundo Pasquali (2001), este conceito de traço latente é utilizado inclusive pela Teoria moderna de Resposta ao Item (TRI), no campo da Psicometria, para se referir aos processos mentais em oposição aos processos físicos ou comportamentais.&lt;br /&gt;2. Utilizadas após as medidas sensoriais para investigar as reações mais afetivas e emocionais.&lt;br /&gt;3. Q.I. = Quociente Intelectual, IM = Idade Mental, IC = Idade Cronológica.&lt;br /&gt;4. Pessoalmente não concebo uma avaliação sem o uso auxiliar dos testes psicológicos, a entrevista é muito subjetiva, e a percepção do entrevistador varia conforme seu humor ou estado de espírito atual. Enfim, de qualquer forma a subjetividade está presente seja com ou na ausência dos testes, mas estes nos dão parâmetros de avaliação que poderão ser facilmente checados por outro aplicador, em caso de dúvida, etc.&lt;br /&gt;5. É pertinente notar que Lacan (1986) considera que a palavra do paciente é um discurso que torna triádica a relação psicólogo/paciente, visto que o inconsciente se manifesta na fala. Esta que vai além do que diz e de suas intenções. A clínica se exerce na valorização daquilo que, na fala do paciente não se compreende, até porque é nessa incerteza que a fala é plena (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; VORCARO, 1995).&lt;br /&gt;6. Grifo do autor. Vem de &lt;em&gt;perspicue&lt;/em&gt; (claramente, manifestadamente).&lt;br /&gt;7. Não há uma lógica para o uso deste termo francês que não seja, talvez, a da nossa mania de querer sofisticar. Entre outros, significa: analogia; relação; razão; coito, relação sexual. Neste contexto seria: &lt;em&gt;mettre en rapport&lt;/em&gt; = colocar em contato (PEREIRA &amp;amp; SIGNER, 1992).  &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-396479909202152705?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/396479909202152705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=396479909202152705' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/396479909202152705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/396479909202152705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/os-testes-psicolgicos-e-as-suas-prticas.html' title='Os Testes Psicológicos e as suas Práticas'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-8184128103837090921</id><published>2008-06-11T10:25:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:03:59.616-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Que é Psicotécnico?'/><title type='text'>O Que é Psicotécnico?</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt; “Dialético é aquele que tem uma visão do conjunto, não-dialético é o que não tem” (Platão)  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Embora a expressão &lt;strong&gt;Exame Psicotécnico&lt;/strong&gt; esteja fortemente associada a concurso público e a exigência legal para habilitação de motorista, o psicotécnico é um tipo de avaliação psicológica que se realiza, de modo geral, nas indústrias e organizações. Na verdade, trata-se de um processo que pressupõe a utilização de recursos para abordar os dados psicológicos de forma sistemática, através de métodos e técnicas orientados para a resolução do problema (CUNHA, 1993), ou identificação das diferenças individuais. Esse tipo de exame se realiza por meio de entrevista, testes psicológicos, questionário, autobiografia, dinâmica de grupo, etc. No caso de inaptidão temporária, em concurso público, e mediante solicitação judiciária, se realiza a entrevista chamada de &lt;strong&gt;Devolutiva&lt;/strong&gt;. Esta, no entanto não garante a reinserção do candidato no páreo seletivo, apenas atenua, dentro do possível, a frustração em relação a esse resultado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O Teste Psicológico é um dos instrumentos mais conhecidos da psicologia e representam o único campo de atuação privativa do psicólogo (HUTZ e BANDEIRA, 2003). Ou seja, em outras palavras o teste psicológico é de uso exclusivo do psicólogo. Salvo a exceção do estagiário de psicologia que esteja sob a supervisão de um psicólogo, nenhum profissional de outra área pode lançar mão do material de teste psicológico, sob pena de sofrer punição. Um teste psicológico se define como sendo uma amostra objetiva e padronizada de um comportamento, cuja função implica em mensurar diferenças entre indivíduos e suas reações, em situações diversas (CFP, 2000). E também como um procedimento sistemático para observar o comportamento e descrevê-lo com a ajuda de escalas numéricas ou categorias fixas (CRONBACH apud PASQUALI, 2001). Em qualquer área do contexto psicológico, o teste sempre consistirá em um instrumento auxiliar do psicólogo e que, para gerenciá-lo, requer do mesmo treinamento e conhecimentos específicos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A entrevista é utilizada nas mais diversas profissões, e consiste em mais um outro instrumento indispensável nas diversas áreas de atuação do psicólogo. No processo seletivo, a Entrevista Psicológica tem como função básica oferecer subsídio ao examinador (psicólogo), a respeito do examinado ou testado (candidato). Ou seja, como afirma Gil (1999) a entrevista é “uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação”(p.117).  E “o que nos guia numa entrevista, do mesmo modo que em um tratamento, não é a fenomenologia reconhecível, mas o ignorado, a surpresa” (GOLDER, 2000, p. 45). Mais do que delinear um plano de ação, a entrevista, em si mesma, se constitui numa modalidade avaliativa. Entretanto, apesar de sua relevância, não se pode desconhecer a subjetividade de interpretação do entrevistador, na qual estão inclusos seus valores, estereótipos, preconceitos, etc. Segundo Augras (1994), “assumir a própria subjetividade não é substituir as suas problemáticas aos conflitos do paciente. É reconhecê-la para delimitá-la, transformando-a em ferramenta para a compreensão do outro”(p.14). Assim, para neutralizar prováveis interferências, o psicólogo planeja e sistematiza essa peça de trabalho, do mesmo modo com o qual procura objetivar os indicadores do perfil profissiográfico. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A entrevista psicológica funciona como uma situação onde se observa parte da vida do candidato ou paciente, porém, nesse contexto não consegue emergir a totalidade do repertório de sua personalidade. A entrevista não pode substituir e nem excluir outros modalidades de investigação mais extensa e profunda, a exemplo da psicoterapia ou do tratamento psicanalítico que demanda tempo, e favorece a emergência de certos núcleos da personalidade. Esse tipo de assistência, também não pode prescindir da entrevista. Geralmente, a entrevista é alvo de crítica por apresentar lacunas, dissociações e contradições que levam alguns pesquisadores a considerá-la um instrumento pouco confiável. Porém, como salienta Bleger (1980), essas dissociações e contradições fazem parte dos indivíduos que, ao refleti-las, a entrevista oferece condições para que as mesmas sejam elaboradas. Este questionamento psicológico pode ser também um processo grupal, ou seja, com um ou mais entrevistadores e/ou entrevistados. No entanto, este é sempre em função da sua dinâmica, um fenômeno de grupo, mesmo que seja com a participação de um entrevistado e de um entrevistador. Enfim, desde que bem estruturada e corretamente conduzida a entrevista psicológica respalda o psicólogo no fechamento das suas considerações. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No que se refere ao uso dos testes psicológicos, sua escolha no exame psicotécnico ocorre de acordo com a descrição das tarefas do cargo em questão, formando, assim, um conjunto de testes: objetivos (inteligência, aptidão, etc.), de personalidade (projetivos), que compõem a chamada Bateria de Testes Psicológicos. Esta, por sua vez, tem como finalidade captar uma série de condutas, em decorrência dos variados estímulos a que o testando é submetido. Os testes psicológicos têm que apresentar confiabilidade, ou seja, grau de precisão; e validade que é a capacidade de atingir os seus objetivos (CFP, 2000). Os testes não devem ser considerados pelo psicólogo como o foco principal do psicotécnico em detrimento da pessoa do candidato, porque, como já visto acima, isoladamente, ele não favorece a compreensão da “totalidade” de sua personalidade, etc. Os testes são instrumentos científicos que, na sua construção, passam por experimentos e comprovações empíricas. Mas, para que essa condição seja contemplada, se faz necessário obedecer a outros critérios, a exemplos da padronização (nos procedimentos), da isonomia (tratamento idêntico para todos) e do controle das variáveis intervenientes na sua aplicação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Após a coleta dos dados e das informações, se faz a apuração e análise dos resultados que terá a sua tradução num documento denominado Parecer Psicológico que, de forma sucinta, constará das condições internas e manifestas do examinado, e que será encaminhado ao solicitante. O sigilo profissional determina que, visando preservar o examinado de exposição desnecessária, o psicólogo não deve escrever neste documento tudo que sabe a seu respeito, mas apenas as características que são inerentes aos propósitos seletivos. O sigilo e a segurança dos resultados dos testes devem seguir a seguinte norma: ser arquivados de modo seguro, de forma que ninguém possa ter acesso a um dado sem a autorização do profissional responsável. Uma vez que, o código de ética determina como “dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional”(Art. 9&lt;u&gt;o&lt;/u&gt; , 2005: 13).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em virtude da mutabilidade humana não se considera o psicotécnico uma avaliação de caráter definitivo. Assim sendo, um Parecer ou Laudo Psicológico constará das nomenclaturas: Apto, Apto Temporário ou Inapto Temporário. No entender de Augras (1994), “nos protocolos dos testes, não se manifestam resultados absolutamente válidos e intemporais, mas que os mesmos constituem a expressão de um evento, a situação única e momentânea do encontro de duas subjetividades que influem uma na outra”(p.14). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ao iniciar o processo seletivo, se faz o &lt;em&gt;rapport&lt;/em&gt; ou “quebra gelo”, que implica nas apresentações do examinador (psicólogo) e dos examinados ou testados (candidatos), com a intenção de que se estabeleça um clima ótimo de descontração. Entendo que este momento oportuniza o profissional a trabalhar as representações que os candidatos têm do exame psicotécnico, medo, fantasias, idéias distorcidas e pré-concebidas. Assim como, de deixar claro que esse processo, de qualquer maneira e independente dos resultados, o que nem sempre é fácil de ser aceito por parte dos candidatos porque precisam do emprego, irá beneficiá-los. Haja vista que não há interesse de colocar uma pessoa numa ocupação em que ela se sinta constrangida ou que a precipite ao fracasso. E, por último, de que o psicotécnico não pretende identificar insanidade psíquica ou patologia, mas, traços que estejam, no caso de empresa, compatíveis com a função. Como salienta Ocampo e outros (1995), o seu objetivo é conseguir uma descrição e a compreensão da maneira mais profunda e completa possível da personalidade do candidato, e sua conclusão será posteriormente transmitida por escrito através do laudo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Finalmente, mesmo que se leve em consideração os aspectos da subjetividade envolvida nessa atividade, não é difícil de vislumbrar que, a partir da conduta ética, do conhecimento e do domínio das técnicas e dos instrumentos psicológicos, o examinador seja capaz de não cometer injustiça. &lt;/p&gt;  &lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;strong&gt;Observação:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Teste psicológico é de uso exclusivo de psicólogo e estudante de psicologia sob a orientação de um profissional da citada área. Qualquer “dica” ou treino para concurso, CNH, etc., consiste numa atividade ilegal, portanto sujeita à punição pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-8184128103837090921?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/8184128103837090921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=8184128103837090921' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/8184128103837090921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/8184128103837090921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/o-que-psicotcnico.html' title='O Que é Psicotécnico?'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-3798975069713240703</id><published>2008-06-11T10:24:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:04:15.399-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Método Psicanalítico: 4 - O Objeto Criado pela Aplicação do Método Psicanalítico'/><title type='text'>Método Psicanalítico: 4 - O Objeto Criado pela Aplicação do Método Psicanalítico</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ser humano em condição  de análise, condição de análise, homem psicanalítico.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ressoam estas expressões. Vamos recapturá-la, pois algo já começa a tomar forma no correr casual do teclado (infelizmente já não podemos dizer no correr da pena!). Nem ao correr da pena, nem ao correr do teclado, pois, já em 1979, Herrmann cunha as expressões e as publica no livro “Andaimes do Real: Uma Revisão Crítica do Método da Psicanálise.” E, em 1983, no artigo “O Homem Psicanalítico” onde trata do despregamento das representações assim como Lacan, bem antes disto, já abordara o tema ao tratar do deslizamento da cadeia significante.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;  &lt;em&gt;Ser humano em condição  de análise&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Penso que podemos dizer, sim, que &lt;em&gt;o método psicanalítico é interpretativo e capaz de gerar o objeto psicanalítico quando aplicado ao ser humano em condição de análise.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Esta definição é adequada  à psicanálise analogamente ao que sucede às demais ciências. Se aplicarmos o método da física ao espírito humano, jamais criaremos um objeto da física; portanto, há algo também em relação ao objeto (ao referente3) que delimita a abrangência de uma ciência ou seu campo veritativo. Assim, como não é qualquer referente que se prestará a ser criado objeto da física se lhe aplicarmos o método da física, não é, também, qualquer referente que será criado objeto da psicanálise pela simples aplicação de seu método. Há uma relação direta, imediata e biunívoca entre a ciência e seu método; entre o referente que será criado objeto da ciência pela aplicação de seu método e este próprio método. À especificidade do método corresponde uma especificidade do objeto. E, assim, se justifica o corolário: o &lt;em&gt;objeto da psicanálise é o objeto criado pela aplicação do método  psicanalítico ao homem em condição de análise&lt;/em&gt; delimitando-se, ao mesmo  tempo, o campo veritativo da psicanálise.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Falta ainda investigarmos as características do &lt;em&gt;ser humano em condição de análise&lt;/em&gt; afim  de que se constituam em definitivo as condições do objeto psicanalítico.  Exatidão no conceito de &lt;em&gt;método&lt;/em&gt; e  exatidão do conceito de &lt;em&gt;homem em condição  de análise&lt;/em&gt; são pré-requisitos necessários, mas não suficientes. Tentarei, agora, investigar que características tornam exato o conceito de &lt;em&gt;homem em condição de análise&lt;/em&gt;. Iniciarei pela questão da temporalidade e da história. Servir-nos-á, para este estudo, a analogia que pode ser estabelecida entre a psicanálise e as grandes transformações ocorridas no âmbito do conhecimento da psicologia com o surgimento da lingüística moderna.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Quando Ferdinand de Saussure, entre 1906 e 1911 (Saussurre, 1906/1907-1909/1911), estabeleceu as bases da moderna ciência da linguagem — a lingüística estrutural —, mostrou a necessidade de estudar a linguagem no seu aspecto puramente sincrônico: a produção de sentido a partir da análise da constituição da frase. Promoveu, assim, o fechamento da linguagem dentro de si mesma pondo de lado, para tal fim, considerações de caráter  diacrônico. Foi assim que criou as condições necessárias para que a aplicação do método desta nova ciência, a lingüística estrutural, criasse este novo objeto, a linguagem.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Durante séculos a lingüística histórica descrevia a palavra como a união do signo lingüístico com o referente (o objeto). Toda criança sabia que isto estava errado, pois é comum que as crianças brinquem com o nome das coisas, ou com &lt;em&gt;as palavras e as  coisas&lt;/em&gt;, perguntando, por exemplo: “Se a árvore se chamasse cadeira, ela seria uma árvore ou uma cadeira?” Pelo menos, com perguntas como esta eu azucrinava os ouvidos pacientes de meu pai à moda de muitas crianças. Essas, como os artistas, são sempre mais argutas que os cientistas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Este foi o problema que Saussurre solucionou mostrando que o signo lingüístico não une uma coisa ao seu nome, mas une um conceito — o significado — a uma imagem acústica — o significante —, deixando de fora o referente —  o objeto. A árvore propriamente dita, o referente, será um objeto diferente se olhada de cada um dos mundos da biologia, da arquitetura ambiental, da física, da estética, mas, se olhada do mundo da língua, será um significado. Bem próximo do que Freud já propusera desde o início de suas indagações psicológicas, em 1891, mas que viria a deixar completamente claro, poucos anos mais tarde, quando perguntou: “O que torna algo consciente?” E respondeu: “A união do impulso às imagens acústicas.” (Freud, 1915 e 1932).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;  &lt;em&gt;Aplicação do método  psicanalítico ao homem em condição de análise!&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Proponho considerar a psicanálise, assim como a lingüística estrutural, uma ciência cujo método interpretativo somente deva ser aplicado segundo considerações exclusivamente sincrônicas. Talvez escape à psicanálise, enquanto busca seu objeto, “sensu strictu”, a interpretação diacrônica e, assim, sob este ponto de vista, não diga respeito à psicanálise interpretar a história, individual ou da humanidade. Ou seja, à história individual ou da humanidade, podemos aplicar os conhecimentos psicanalíticos, mas não podemos aplicar o método psicanalítico, pois o homem, enquanto ser da sua história ou ser da história da humanidade, não se encontra em &lt;em&gt;condição  de análise&lt;/em&gt; e, nestes casos, será objeto de sua história ou da história da  humanidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; É evidente que não nego a importância da história individual para ajudar-nos a compreender as nuanças emocionais do paciente em tratamento psicanalítico e suas estruturas emocionais. Isto seria a negação do óbvio. É indiscutível que a história individual orienta-nos, a todo tempo, na busca da melhor interpretação d&lt;em&gt;o homem em condição  de análise&lt;/em&gt;, mas como bússola orientadora. Bússola importantíssima, é verdade, mas que não é senão instrumento de orientação ao timoneiro, não é o timão nem o timoneiro. É, pois, evidente que a compreensão da história individual é muito útil para instrumentar-nos na interpretação sincrônica. Sob este aspecto, seria um absurdo qualquer psicanalista negar as conseqüências estruturantes do complexo de Édipo e seus reflexos na vida adulta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; É evidente, também, que podemos aplicar à história da humanidade os conhecimentos psicanalíticos, mas não será desta forma que será criado o objeto psicanalítico. Assim, &lt;em&gt;o objeto da psicanálise será o resultado da aplicação do método psicanalítico ao homem em condição de análise em uma visão sincrônica.&lt;/em&gt; Parece-me exato, mas,  ainda incompleto. Ainda incompleto, mas caminhamos em direção à especificidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Continuamos com a pergunta: o que é o &lt;em&gt;homem em condição de análise&lt;/em&gt;? &lt;em&gt;O  homem em condição de análise &lt;/em&gt;é o homem apreendido sob a influência da transferência criada pela aplicação do método psicanalítico, situação única na qual o despregamento das representações ou o deslizamento da cadeia significante presta-se à psicanálise. Não há também dúvida de que não é qualquer interpretação que cria o objeto psicanalítico. A conversa psicanalítica guarda características próprias e imprescindíveis para que ela se preste a criar o objeto psicanalítico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Se o homem não se encontra em condição de análise, pode ocorrer despregamento das representações ou deslizamento da cadeia significante, mas isto não se prestará à aplicação do método psicanalítico. Pode prestar-se à aplicação dos conhecimentos psicanalítico sem que se crie o objeto psicanalítico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Não se trata, nestes casos, de negar que a psicanálise esteja onde pareça não estar como sugere Fábio Herrmann (Herrmann, 1997), mas insisto, o que aí se produz não é o objeto psicanalítico sequer se trata de um homem em análise, mas trata-se de um estudo psicanalítico, um estudo de conceitos psicanalíticos.&lt;br /&gt;Então, a disciplina psicanalítica — como a física, com seu método; a química, com seu método — quando pôs seu método em andamento gerou um objeto. Este objeto, descobriu-se lenta e progressivamente a partir de 1901 (Freud, 1905 [1901])&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;, é, para a psicanálise, a transferência, produto direto da aplicação do método psicanalítico. A transferência mostrou ser o resultado final da série instinto-feito-impulso-feito-desejo, matriz simbólica da emoção (Herrmann, 1979) que se objetiva no analista e, ao objetivar-se, pode ser interpretada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Assim, segundo o que exponho agora, somente a emoção criada nas condições geradas pela aplicação do método psicanalítico e objetivada no analista pode ser interpretada psicanalíticamente. Está aí a caracterização das condições sincrônicas indispensáveis à aplicação do método psicanalítico. Mas o que é emoção objetivada no analista? É &lt;em&gt;a criação de objetos imaginários, tendo por suporte expressivo o analista, para exprimir o puro presente das emoções vividas pelo paciente durante sua psicanálise&lt;/em&gt;. É nestes termos que defino o que denominei de condições sincrônicas para a aplicação do método. Penso ser este o conceito moderno de transferência.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; A psicanálise é, assim, um método de pesquisa e um método de tratamento baseado na etiologia descoberta com a aplicação daquele método. “A psicanálise constitui uma combinação notável, pois abrange não apenas um método de pesquisa das neuroses, mas também um método de tratamento baseado na etiologia assim descoberta.” (Freud, 1913 [1911]).&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Penso, portanto, que podemos reunir as considerações  encontradas até aqui na definição seguinte: &lt;em&gt;o objeto da psicanálise é a transferência considerada segundo dimensões puramente sincrônicas vivida pelo homem em condição de análise, transferência e condição de análise geradas pela aplicação do método intepretativo&lt;/em&gt; e o seu  corolário: &lt;em&gt;o método psicanalítico é o método interpretativo quando aplicado sincrônicamente à transferência do homem em condição de análise.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Penso que esta é a forma adequada de definirmos o objeto psicanalítico sendo, ao mesmo tempo, uma forma que poderá contribuir para a “unificação” da psicanálise, pois pode ajudar-nos a tornar a psicanálise independente de outras questões de máxima importância, as questões técnicas. Se temos claro o objeto da psicanálise, torna-se indiferente&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; se interpretamos &lt;u&gt;na&lt;/u&gt; transferência ou &lt;u&gt;a&lt;/u&gt; transferência. Torna-se indiferente se a transferência é a projeção, no analista, de experiências arcaicas vividas com as figuras parentais durante o complexo de Édipo ou se são formas criativas e imediatas de a consciência apreender sua relação com outra consciência, a do analista. Se temos claro o objeto da psicanálise, deixará de importar se a interpretação é uma frase que o analista compõe para informar o paciente de como ele concebe o quadro emocional do paciente em relação ao analista naquele momento (Baptista, 1977 [1978]) ou se isto  é uma sentença interpretativa (Herrmann, 1979) e a verdadeira interpretação somente produzir-se-á pela condensação futura dos apontamentos, assinalamentos e sentenças interpretativas distendidos no tempo (Herrmann, 1991).&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Estas serão questões técnicas. Não sem importância, uma vez que poderão levar a um melhor ou pior resultado psicanalítico, mas terá sido criado o objeto psicanalítico. Com isto, além de tudo, alguma escola psicanalítica poderá reivindicar melhores resultados com a aplicação de seu corpo teórico e sua técnica, mas nenhuma poderá reivindicar ser a única psicanálise verdadeira. Penso que somente assim poderemos escapar de “Tal redução violenta do todo a uma parte — à qual não cairia mal chamar ‘assassinato metonímico’, porque elimina qualquer visão de conjunto sobre a Psicanálise — decorre da incapacidade de organizar os achados particulares, de somá-los, de contrapô-los, como peripécias de um roteiro bem aceito. O choque de teorias alternativas, que deveria provocar novas teorias organizadoras, de ordem superior — como seria lícito esperar da esfera teórica —, redunda em opiniões contrastantes que, quando suportadas por um grupo forte, sob a liderança de um mestre, originam escolas em conflito." (Herrmann, 1989.) Isto, a meu ver, pela falta de uma unificação metodológica que delimite claramente qual o campo do método e qual o campo da teoria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Caio na armadilha do exemplo prático, com um exemplo médico. Uma gastrectomia pode ser feita com a técnica de Bilroth I ou Bilroth II e qualquer escolha feita não tirará da escolha a característica de ser um ato médico, pois continuará a ser a aplicação do método médico ao objeto — no caso, a vertente cirúrgica do método da medicina. O uso de uma ou outra técnica e sua teoria justificadora, desde que seja aplicado o método da medicina, continua gerando um &lt;em&gt;objeto da medicina&lt;/em&gt;. Em psicanálise também não haverá exclusão de uma ou outra prática se resultante da aplicação do método da psicanálise para a criação de seu objeto, não custa repetir: &lt;em&gt;&lt;u&gt;o objeto da psicanálise é a transferência considerada segundo dimensões puramente sincrônicas vivida pelo homem em condição de análise, transferência e condição de análise geradas pela aplicação do método intepretativo &lt;/u&gt;&lt;/em&gt;e seu corolário &lt;em&gt;&lt;u&gt;o método psicanalítico é o método interpretativo quando aplicado sincrônicamente à transferência do homem em condição de análise.&lt;/u&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; O objeto da psicanálise estará, sempre, em condições de receber a aplicação de qualquer técnica psicanalítica, pois “técnica são os princípios de bem fazer psicanálise, de como encaminhá-la em adequação ao método. Vai daí que suas proposições tenham caráter normativo, expressem-se por devemos. Por isto, conselhos técnicos colidem às vezes entre si, podendo gerar práticas melhores ou piores.” (Herrmann, 1991.)&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Disto se exclui, sim, qualquer outra transferência. Qualquer relação transferencial que não tenha sido criada pelo método da psicanálise. Assim, as relações de amizade, de parentesco, de coleguismo, de competição etc., envolvem indiscutivelmente elementos transferenciais, mas não o tipo de transferência que, interpretada, poderá criar o objeto psicanalítico. O mesmo se dá com a &lt;em&gt;consciência em condição de  análise&lt;/em&gt;, pois “Esta condição da consciência não é privativa da situação analítica. Seria, com efeito, um estrato sempre possível e presente do ser consciente, o estar em trânsito entre a consciência de objeto e a inapreensível consciência das condições próprias da consciência; a psicanálise apenas fatora tal condição e põe-na em evidência.” (Herrmann, 1979.) Tão-somente a consciência em condição de análise presta-se a ser &lt;em&gt;fatorada&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;posta em evidência&lt;/em&gt; para e pela psicanálise.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Vários autores, das mais diversas orientações teóricas, confirmam a adequação do conceito de objeto psicanalítico que tento propor aqui. Mesmo buscando o objeto psicanalítico através da clínica, quando chegam a ele, e o descrevem para o leitor, muitas vezes a título de exemplo, o que descrevem é a situação transferencial gerada pelo seu trabalho, a aplicação do método psicanalítico. Muitos, quando não podem apreender qual o elemento transferencial em jogo, afirmam não ter alcançado o objeto psicanalítico. Nos termos da minha proposta, eu diria que não se criou o objeto psicanalítico. Vejamos alguns exemplos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Rezze (Rezze, 1990) faz o relato clínico de sessões suas com dois pacientes. Na sessão de um deles não consegue o que dizer senão fazer uma pergunta que não atinge o paciente ou que ele não conseguiu perceber como o paciente foi atingido. Na sessão do segundo paciente, consegue dizer algo que a toca mesmo que “o analista ainda não saiba o que é”, pois ele diz a ela que “ela está dizendo uma das coisas mais importantes de sua vida”. No primeiro caso,    Rezze afirma que o paciente não se alterou e este era o seu padrão; o analista diz que não consegue encontrar o objeto psicanalítico. Eu, concordando plenamente com ele, apenas diria que o que ele disse ao paciente não criou o objeto psicanalítico, não que ele não o tivesse encontrado, pois não havia o que encontrar se não fora antes criado, pois este fora o padrão da análise. Quanto à outra paciente, o que ele disse criou o objeto psicanalítico, ainda que ele não saiba porque&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt;, pois “A cliente muda sua atitude emocional, aparenta curiosidade sobre o que está ocorrendo.” De novo, concordando, faço ressalva semelhante. Não somente ele encontrou o objeto psicanalítico; este pôde ser criado e, tendo sido criado por sua fala, pode ser encontrado. Ele diz: “O importante é que o analista ainda não sabe o que é. Sabe apenas que é alguma coisa.” Sabe muito mais, diria eu, pois sabe que, com sua aproximação, o objeto psicanalítico pôde criar-se.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Junqueira de Mattos (Junqueira de Mattos, 1994), por seu turno, apresenta material clínico em que o objeto psicanalítico é, do meu ponto de vista, exatamente aquele que descrevo aqui, &lt;em&gt;a transferência de um homem em condição de análise pela aplicação  sincrônica do método psicanalítico&lt;/em&gt;. Levando em consideração as diferenças de estilo e de escola, diria que é quase exatamente como ele mesmo exemplifica o objeto psicanalítico. Vejamos a primeira interpretação: “Bem, parece que você tem muitas dúvidas a respeito de sociedades, de parcerias... e olhe que, ultimamente, você arrumou um novo sócio... fizemos aqui uma parceria... e você sente que arrumou um professor para decifrar, traduzir a nova língua que você não entende... a linguagem de seu inconsciente... porém, parece estar cheio de dúvidas sobre que tipo de sócio você arrumou aqui na análise... parece que você me vê como uma pessoa competente profissionalmente, mas você desconfia que eu esteja mais interessado em seu dinheiro e, como este grande pulgão, estou mais interessado em sugar os seus recursos do que talvez em lhe ensinar, ou em traduzir, de forma que você possa entender este inglês, esta língua estranha, que habita dentro de você...” Claramente e sem dúvida, o objeto foco da intervenção do analista fora a transferência em recente processo de criação pela adequada aplicação sincrônica do método psicanalítico veiculado pelas interpretações psicanalíticas deste tipo. Vejamos, também, como conceitua o objeto psicanalítico: “Finalmente, ao falarmos de &lt;em&gt;objeto  psicanalítico&lt;/em&gt;, penso estamos falando, em sentido amplo, com todo o  polimorfismo com que ele se oferece, de um vínculo que &lt;u&gt;liga  analista-analisando&lt;/u&gt;, e este é a emoção, a experiência emocional ou, em última instância, o desejo, ou, mais primitivamente ainda, as pré-concepções que os estruturam.” (Junqueira de Mattos, 1994) (grifo meu).&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em nenhuma das duas situações exemplificadas acima há o recurso aos elementos diacrônicos fato que, como já apontei em trabalho anterior (Baptista, 1991), vem se tornando cada vez mais raro em trabalhos publicados. Dito de outra maneira, já há muitos anos têm sido raros os recursos às descrições da vida infantil na busca de esclarecimento da angústia ou conformação caracterológica do momento presente do paciente — têm sido raras as &lt;em&gt;construções em psicanálise&lt;/em&gt;, a não ser, e  mesmo assim raramente, como ilustração depois de uma interpretação transferencial&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Rocha Barros (Rocha Barros, 1990), por seu turno, depois de comentar desconforto semelhante ao meu com o uso impreciso de termos psicanalíticos, — embora, de sua feita, com maior especificidade no que diz respeito ao uso que Bion faz de objeto psicanalítico, — relata o caso de outra paciente e, a certa altura, afirma: “Interpreto que ela talvez esteja irritada por sentir que gostaria de protestar contra o cancelamento das sessões que ocorreu neste momento particularmente difícil para ela, mas não se sente capaz de fazê-lo por me ver fragilizado e ainda doente.”&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Cria-se o objeto psicanalítico, pois “Após breve silêncio, a paciente diz que acabara de lembrar-se de um sonho que ocorreu durante o fim de semana.” E abre-se o campo para a ação psicanalítica, para a interpretação, sempre, da transferência criada pela aplicação do método psicanalítico.&lt;br /&gt;O sonho é um pouco longo, mas parece-me valer a pena citá-lo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;“O sonho era composto de duas situações. Na primeira delas, Marta deitada em sua cama, numa cabina de um transatlântico, mostrava-me sua filha, ainda bebê, e eu indicava que estava bem. Na cabina, também estava presente sua filha mais velha olhando-nos muito aflita, mas quieta. Marta dizia que todos estavam muito aterrorizados, menos eu. Marta acrescenta que ela estava aterrorizada, mas não podia mostrar isto para não deixar as filhas em pânico. O navio estava balançando muito devido a uma tempestade. Nesta altura, a situação do sonho muda.”&lt;/p&gt; &lt;p&gt; "A paciente está, então, no quarto de sua mãe acompanhada da filha mais velha com a mesma idade e olhar que tinha na situação anterior. Marta comenta que parecia que sua mãe estava morrendo."&lt;/p&gt; &lt;p&gt; “Marta, espontaneamente, diz que não sabe porque voltou a pensar na morte da mãe. Atribui o fato a um retorno de ressentimento contra a mãe provocado por estar preocupada com questões financeiras. Diz que, concomitantemente ao ressentimento, pensou que ela devia sua análise e a de sua filha que aparece no sonho, à herança que recebera da mãe.”&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Interrompo aqui. É um belo exemplo da criação do objeto  psicanalítico depois de uma interpretação bem feita do &lt;em&gt;homem em condição de análise que recebe o método psicanalítico  sincronicamente aplicado.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Melo Franco Filho afirma: “Nela,” (O acontecer na situação analítica.) “o analisando costuma apresentar, invariavelmente, um conjunto de fenômenos centrados na figura do analista, os quais preenchem um papel extremamente importante no processo. Freud, ao observar esses fenômenos, atribuiu-os a fatores de repetição e falsa conexão e criou uma teoria para explicá-los, a que deu o nome de ‘transferência’. Respondendo então à questão proposta acima, coloco que o que os analistas tentam interpretar é, basicamente, a chamada ‘transferência.’” (Melo Franco Filho, 1983.)&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ainda Melo Franco Filho, logo a seguir, citando Zusman: “O aqui e agora são as coordenadas têmporo-espaciais ao longo das quais se move o fenômeno transferencial. O momento temporal define-se pelo agora e o momento espacial, pelo aqui. À intercessão dessas duas coordenadas de tempo e espaço (aqui-e-agora) cabe a designação de presente.” (Zusman, 1974.) Ou seja, à intercessão dessas duas coordenadas de tempo e espaço (aqui-e-agora) cabe a designação de aplicação sincrônica do método psicanalítico ao homem em condição de análise.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Devo agora, a título de resumo, indicar quais os ganhos da psicanálise quando passamos a usar com cuidado e a exatidão aqui buscada, seus conceitos teóricos e entre eles, principalmente, o conceito de método. Quando pudermos ter, todos os psicanalistas, uma convergência quanto ao conceito de método psicanalítico e, em decorrência disto, estivermos todos aplicando o mesmo método, estaremos todos praticando psicanálise e poderemos, só a partir daí, comparar nossas teorias, nossa técnica e até nosso estilo. Todos estes são caudatários do método, único instrumento unificador de uma ciência. Estaremos assim e só então, qualificando-nos para sermos admitidos no seio das ciências. Teremos ainda um critério justo e não preconceituoso para distinguir que práticas são puramente psicoterapêuticas e que práticas são psicanalíticas pela aplicação do método de cada disciplina e não pelos seus resultados médicos, sociais, morais ou filosóficos.&lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt;&lt;p&gt;1 - Em verdade, Freud deu-se conta dos fenômenos transferenciais desde que entrou em contato com o caso Anna O., pois, a pseudociese da paciente não lhe escapou e foi, sem dúvida, um dos fatores que pôs em movimento a argúcia investigadora de Freud na direção do que hoje conhecemos como transferência.&lt;br /&gt;2 - Por indiferente, neste parágrafo, quero referir-me tão somente à igualdade metodológica. Pois, como veremos, as diferenças técnicas podem levar a diferentes resultados, mas, se usadas com o mesmo método criarão objetos da mesma disciplina, ou da mesma ciência, mesmo que objetos de corpos teóricos diversos.&lt;br /&gt;3 - Podemos e temos o direito de suspeitar que dizer a uma paciente que ela “está dizendo a coisa mais importante de sua vida” provavelmente gerará muito mais que curiosidade, podemos supor que lança a flecha de um vínculo em que a curiosidade será apenas um dos elementos e, como a frase é dita por um analista a uma pessoa em condição de análise, estão aí criadas as condições para a criação da transferência e do objeto psicanalítico.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-3798975069713240703?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/3798975069713240703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=3798975069713240703' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/3798975069713240703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/3798975069713240703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/mtodo-psicanaltico-4-o-objeto-criado.html' title='Método Psicanalítico: 4 - O Objeto Criado pela Aplicação do Método Psicanalítico'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-9171169219375560438</id><published>2008-06-11T10:23:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:04:31.182-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Poder Fálico da Mulher e a Feminilidade no Homem'/><title type='text'>O Poder Fálico da Mulher e a Feminilidade no Homem</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt; “&lt;em&gt;Sou o grande homem de minha vida&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;(MARÍLIA GABRIELA, 2006, p.23).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A aquisição de poder da mulher, neste momento histórico, não se dá somente em termos profissionais de sua inserção no mercado de trabalho. Esta conquista neonata se expande por todos os outros campos da sua existência, inclusive da sexualidade. E desenha contornos outrora jamais pensados para o que se configurou como feminino. Assim, a condição de gênero, praticamente, se nivela, e dar passagem aos desejos, prazeres e gozos plenos, deixando na irrelevância às marcas tradicionais e ostensivas as quais balizava. Agora, os papéis próprios de cada gênero se fundem no que não mais parece inscrever o masculino somente no público e ativo que incorpora o macho, e o feminino na exclusiva passividade, do privado familiarizado à fêmea, que eram pressionados a desempenhar ou a se conter. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; De modo indubitável, “as sociedades humanas acrescentam infinitos detalhes para definir socialmente o que significa o homem e o que significa a mulher, as qualidades e o &lt;em&gt;status&lt;/em&gt; respectivos que enraízam suas relações com o mundo e suas relações entre si” (Le BRETON, 2006, p.56). Agora, esses papéis se alternam, sem que isso, necessariamente, os descaracterizem dos convencionais territórios díspares em que foram forjados. Independente de ter na sua fisiologia pênis ou vagina se encarna a preposição de ser humano, e, assim, parcela significativa dos atores sociais prioriza como mais relevante à satisfação seja ela ou não sexual. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;A mulher do século XIX, basicamente, se enquadrava em dois perfis, quando no melhor do sentido era tida como um enigma - frágil, sensível, dependente, assexuada e passiva - e, no pior a tinha como um diabo - representação de uma organização física e moral facilmente degenerável, dotada de excesso sexual que devia ser controlado (NUNES, 2000). Segundo a autora, para alguns pensadores, inclusive Freud, a visão da sexualidade feminina normal é aquela herdada do Iluminismo, isto é, passiva e doce, dotada de menor agressividade e debilidade sexual, com tendência masoquista. E isso, aos poucos, acabou por vincular essa dualidade, presente na economia libidinal da histérica, às mulheres de modo geral, e transformou a sexualidade feminina num enigma, e a mulher numa ameaça. Enfim, para Nunes (2000), o enigma a que se refere Freud, na verdade, se deve ao fato do homem imaginar a coexistência da feminilidade na mesma mulher como boa, passiva, amorosa, castrada, masoquista, de um lado; e seus componentes destruidor, potente, fálico, castrador, sádica, de outro. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;É com base neste enfoque fálico da conduta feminina que o presente texto tenta dissertar até chegar ao feminino do homem. De acordo com Laplanche e Pontalis (2004), o falo na antiguidade greco-romana, é a representação do órgão sexual masculino. Na psicanálise este termo sublinha a função simbólica desempenhada pelo pênis na dialética intra e intersubjetiva. Ou seja, “pênis” órgão masculino na sua realidade anatômica, e “falo”, sublinhando o seu valor simbólico. Ou ainda, o desejo de fluir do pênis real no momento do coito e o desejo de ter falo, como símbolo de virilidade. Para os autores, a expressão &lt;em&gt;mulher fálica&lt;/em&gt; ou, para alguns outros, &lt;em&gt;alfa&lt;/em&gt; designa a mulher que tem um falo, e não a imagem da mulher ou da menininha identificada com o falo. Uma linguagem aproximativa para qualificar uma mulher com traços de caráter pretensamente masculinos, autoritária, mas, sem saber quais são exatamente as suas fantasias subjacentes. Para Nasio (2007), o falo não é o pênis enquanto órgão, mas a sua fantasia, idealização, símbolo da onipotência e de seu avesso, a vulnerabilidade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em outras palavras, não há uma relação direta da mulher fálica com a masculinização, não se trata apenas das características físicas, fisionômicas, mais também das atitudes ou posturas corporais. Para Desprats-Péquignot (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; FRIEDRICH, 1996), a simbolização do sexo - ou seus impasses -, as identificações - e suas transformações - com base nas qual cada um reivindica “ser um homem” ou “ser uma mulher” organizam-se em torno da identificação com o falo - significante (p.62). Portanto, o falo não é nem o órgão, peniano ou clitoriano, nem um objeto, nem um fantasma, mas um significante particular que marca a parte da conjugação da sexualidade, em suas manifestações orgânicas para os dois sexos, com a linguagem (PORGE, 2006).&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;No texto, “Eu sou uma Bridget: Fálica”, de Tatiane Bernardi (2007),sua personagem  &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt; Clarice, uma publicitária de 31 anos, é uma mulher fálica que acaba de descobrir na sua terapia que tem pinto. Não real, mas comportamental. Em alguns casos ela se comporta como um homem. Entra num restaurante pisando firme, exige uma mesa para dois não fumantes, bem como pega a mão do cara respeitoso e enfiava no meio dos próprios peitos. Na sua cabeça, esse negócio de discutir relacionamento num cantinho reservado, é uma situação mais propícia para alguns gemidos. &lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;p&gt;Para Nasio (1997), o pênis imaginário é chamado falo, e que o desejo da mãe, bem como de toda mulher, é ter o falo. A partir de Lacan este autor conclui que o falo é um padrão simbólico, significante do desejo. O bebê é o falo imaginário do desejo da mãe. Freud se opõe, tendo como referencial o dado biológico, a possibilidade de inscrever a diferença dos sexos em nível do inconsciente, uma vez que considerada o primado do falo. Mas, culturalmente, os gêneros adquiriram a conotação de ativo para homem e passivo para a mulher. Logo, a mulher fálica se insere no contexto de descoberta da anatomia feminina e na incongruência entre a falta efetiva do falo e o possível poder representado pela figura materna, que concretiza o seu poder sem a falta (FRIEDRICH, 1996). No entender de Quinet (2005), o falicismo do poder do capital pode ser ilustrado na ostentação de riqueza do &lt;em&gt;nouveau riche &lt;/em&gt;(novo rico), e na atitude da mulher rica - &lt;em&gt;não necessariamente&lt;/em&gt; (grifo nosso) - que trata os homens como objetos de troca (p.82). O desejo fálico da mulher, ou da posse desse poder, parece residir numa ambigüidade. Nesta perspectiva, &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt; o que mais Clarice queria, era, na verdade, encontrar um homem com pinto maior do que o dela. Era tão difícil assim? Um homem que a fizesse sentir tão mulher que a deixasse descansar dessa sua autodefesa masculina. &lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;p&gt; Para esta personagem, “maior” assume a aura de mais poder, contrariando o consenso, de que “Tamanho não é documento”&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;. E também sugere de que ser fálica para mulher o tempo todo cansa (sem dúvida para o homem idem). Essa postura lhe provoca o desencontro amoroso, mas não para o homem cuja conduta fálica é desejável. No entrevero da sexualidade a mulher, pelos menos a maioria delas, na maior parte da sua convivência, não vai querer um homem “mole”, desvirilizado. A não ser que a mesma tenha outros interesses além do afetivo-sexual, ou não encare a sexualidade como um item indispensável para a sobrevivência do relacionamento do casal. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para Freud (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; ANDRÉ, 1987), um grande número de meninas jamais se tornam, no plano psíquico, mulheres. Assim, a mulher deve ser fabricada (o tornar-se mulher de Beauvoir) mediante longo processo psíquico. “O que não quer dizer, certamente, que a existência &lt;em&gt;material&lt;/em&gt; da vagina seja ignorada, mas que ela não é conhecida como outra coisa que não um falo furado” (ANDRÉ, 1987, p.191). Mas, os postulados freudianos, e mais ainda os aforismos lacanianos, em especial, no que diz respeito à sexualidade, não são fáceis de serem “digeridos”. Muitos autores fazem críticas à teoria freudiana de que a mesma é falocrática, portanto, machista. Na visão de Nunes (2000), Freud constrói um modelo monista da sexualidade, da primazia do órgão sexual masculino sobre o feminino. Sua tese é de que as crianças só reconhecem o pênis, negando por completo a existência da vagina. Enfim, “o pênis freudiano foi psicanalisado, mas nunca politizado” (FRIEDMAN, 2002, p.173). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;A falta de ponto de apoio para a identificação especificamente feminina, ou seja, da mulher não fálica, faz com que a imagem corporal não possa revestir e erotizar completamente o real do seu corpo. A não ser que ela se faça “toda fálica” ou “se faça de homem” (ANDRÉ, 1987 - grifos do autor), o que não significa que assuma uma aparência masculina, mas que aborde a sexualidade à maneira do homem, na sua ostentação fálica. É mais freqüente encontrar a mulher fálica em atividade profissional que exige tomada de posições ou de decisões mais contundentes, a exemplo de empresárias, políticas, etc. A título de ilustração descrevo, &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt;, duas figuras do cenário artístico internacional que parecem caracterizar com nitidez tipos diferentes de mulheres fálicas. A cantora americana de origem italiana, e dublê de atriz, Madonna, e a atriz, também americana, Angelina Jolie. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Madonna (2007) afirma: “Prefiro homens de visual efeminado e os novinhos [...] garotos de 15-16 anos são os melhores, eu gosto dos garotos delicados que não têm medo de mostrar os sentimentos e chorar. Eu quero um corpo macio e gostoso não um Hulk?”(p.3). E Jolie (2007) confessa: Não sou fã de abraços. Se me abraçam, prendo a respiração. Carinhos, abraços e choro são coisas que me incomodam (p.46). Estas falas parecem retirar a suposta essência feminina deixando transparecer a objetividade e aridez masculina. A musa pop, um biótipo comum, nem tão refinada, explicita uma agressividade fálica descomunal. Tem o absoluto controle da sua carreira, e vida pessoal, e sabe como esgotar todas às vantagens das situações que provoca para se promover e se manter em evidência. Assim, somente uma mulher com um “pênis na cabeça” (como se auto-referiu algum tempo atrás), conseguiria. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Madonna encantou multidões, como ícone de intensa sexualidade, pela irreverência e rebeldia de seu ímpeto modernista e libertino, do que pelo ideário romântico. Hoje, tenta se acomodar a “vidinha” de uma típica e pacata mãe de família inglesa. Mas, para que não a esqueçam, sem nunca deixar de provocar ou de se insinuar para a mídia. O mundo é o palco das suas invenções, caprichos e necessidade de aparecer. A Jolie, embora feminina, meiga, sensual, é igualmente fálica, porém não tão agressiva nas atitudes. Ainda que tenha revelado que transa com mulheres, e que sabe satisfazê-las (JOLIE, 2004), esta anunciada bissexualidade, não afetou a sua imagem. Uma vez que é objeto dos devaneios eróticos dos fãs de todos os gêneros. Apesar das suas declarações bombásticas, ela se impõe como agente solidária de países pobres contra a miséria, e luta pela paz junto à formalidade de órgão internacional voltado para esse fim. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Enfim, estas mulheres têm o poder, o controle do sucesso de suas carreiras e homens, etc., e se dão ao direito do gozo das extravagâncias sejam ou não sexuais. Parecem estar acima do bem e do mal. E o público, seu súdito espontâneo ou não (muitos são obrigados a consumi-las pela imposição da mídia), as reverenciam ou as acatam. Outros exemplos de mulheres fálicas: Angela Merkel, Chanceler alemã, e Michelle Bachelet, presidente do Chile, tipos masculinizadas (mas isto não quer dizer que as mesmas sejam lésbicas); e Ségolène Royal, candidata a presidência da França deste ano, que está mais para a fálica feminina. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No entender de Freud (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; ASSOUN, 1993), a vida sexual da mulher adulta é um &lt;em&gt;dark continent&lt;/em&gt; (um continente negro) para a psicologia. Até hoje, somente Jabor (2006), um aficionado pela psicanálise, foi capaz de contestar tal afirmativa: “É um preconceito essa mania de dizer que as mulheres são “incompreensíveis” (mesmo Freud)” (p.20 - grifos do autor). Esta dificuldade de entender a mulher não estaria ligada à questão fálica? A mulher, em geral, se faz indefesa, e leva a acreditarem nisto. Por conseguinte, estimula e fortalece o imaginário masculino, uma vez que, assim, não se constitui para ele uma ameaça. As fálicas têm o poder de sedução mesmo a partir do aparente frágil, ao passo que se mantém afiadas para castrar qualquer ação que vá de encontro as suas intenções. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; As mulheres fálicas agem centradas no direito do seu próprio gozo, não abre mão do poder que usa sem pudor e culpa. Suas vontades são indiscutivelmente priorizadas. Atraem e seduzem pela aura de independência que não demanda do parceiro nenhum esforço ou compromisso para protegê-las. Bem como não se mostram, abertamente, contra os homens, a exemplo das feministas. Assim, como não se deixam castrar, não vêem os homens como inimigos. Até zombam da fragilidade dos mesmos. Para Baudrillard (2001), o feminino é o único gênero, que o masculino só existe por um esforço sobre-humano para se livrar dele, é a fortaleza fálica do homem apresenta todos os signos da fortaleza, ou seja, da fraqueza. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;As mulheres fálicas, decerto, têm uma forte expressão de autenticidade. Mas, o poder fálico assumido exige muito da mulher. E essa condição, notadamente se dá pela aceitação de uma sexualidade mais livre de pré-conceito e tabu (o que não significa necessariamente promiscuidade). As fálicas, conectadas com a sua feminilidade, aceitam seu desejo sexual, e deixam transparecer um tipo mais tenaz de sensualidade. As mulheres reprimidas não conseguem externar, convencer desse potencial. Uma vez que, a sensualidade não se sustenta apenas na macaquice de “caras” e “bocas”, pois logo termina revelando a falseta ou descambando para o apelo explícito da vulgaridade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Contudo, tem mulheres e homens de sensualidade primitiva (o que não quer dizer bruta), que não fazem o menor esforço para que assim pareça, sua sensualidade está à “flor” da pele, e muitos, às vezes, nem se dão conta disto. Eles têm um &lt;em&gt;sex appeal&lt;/em&gt; natural.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;A profissional do sexo com ou sem sensualidade, por exemplo, é o tipo de mulher que sabe lidar com o seu poder fálico, e por isto mesmo não assusta e nem constrange o homem. Ela é, em termo simbólico, a “grande mãe” que aconchega, e eleva a auto-estima do cliente. Portanto, não compete, não tem sentimento de inferioridade (mas isto não a impede de sentir-se socialmente marginalizada). Ela não precisa da figura masculina, sabe da sua superioridade de gênero, mas apenas do seu dinheiro, e por isso faz qualquer um se imaginar o mais poderoso dos homens. Bataille (2004) diz que não existe uma prostituta em potencial em cada mulher, mas a prostituição é a conseqüência da atitude feminina (p.204). Uma vez que, segundo o autor, na medida de seus atrativos, está sempre exposta ao desejo do homem. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nietzsche (2000) entende que a mulher perfeita é um tipo de ser humano mais elevado que o homem perfeito; e também algo muito mais raro (p.219). A parte este exagero, afinal de contas não existe ser humano perfeito. Entretanto, é possível reconhecer um potencial humano na mulher, não necessariamente mais intenso, porém mais explícito. O homem, por uma questão cultural é mais contido, reservado ou tímido, tem medo ou lhe falta permissividade aos afetos. Por vezes, ingenuamente, isto o faz se pensar mais forte do que a mulher. Esta pode chorar, gritar, xingar, ficar histérica que é aceita. Ou seja, extravasa as emoções, e, assim, suporta melhor as tensões na medida em que se “enche”, e se “esvazia” com relativa facilidade. Ao passo que o homem as retém, e somente lhe é permitido externar as emoções agressivas (físicas), mas não as suas demais modalidades. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Todavia, entre seus pares os homens são tão curtidores uns com os outros quanto afetivos. Simulam lutas como desculpas para, na verdade, se tocarem, nessas brincadeiras que tem muito do seu carinho manifesto. Na realidade, os homens são menos bloqueados do que se propaga. Diria que seus afetos parecem mais restritos, específicos e ocasionais. Basta observar os jogadores e torcedores em comemoração de gol. O quanto eles se permitem à proximidade. Embora as pesquisas atuais apontem que “os homens são tão fofoqueiros quanto as mulheres - ou até mais que elas”&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; (ZAKABI, 2007, p.104). Porém, se não compartilham seus amores ou pendências amorosas, diferente das transas que as suas predileções, no entanto estabelecem condutas respeitosas de exemplar fidelidade canina, no sentido literal da expressão, os homens são mais &lt;em&gt;verdadeiramente amigos&lt;/em&gt;.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Esta estrutura de amizade, em geral, é rara entre mulheres e homens homossexuais, porque estão, em virtude de sua vulnerabilidade, sempre invejando e competindo entre si. São conhecidos como classes desunidas, nas quais quase não existe corporativismo. E, às vezes, muitos não têm escrúpulos de tirar de modo politicamente incorreto ou desonesto, vantagem sobre um (a) colega. Um segmento da Teoria de Campo de Kurt Lewin (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; MINICUCCI, 1987) denominado Atmosfera Social, diz que um conjunto de personalidades fortes forma grupo de &lt;em&gt;gestalt&lt;/em&gt; fraca, e vice-versa. Aplicada a este contexto, poderia se dizer que os homens heterossexuais formam grupos fortes em razão da sua constituição de personalidades possivelmente fracas ou socialmente privilegiadas. Logo, os grupos de mulheres e homens homossexuais, apesar da sensibilidade que lhe são permitidos, formam &lt;em&gt;gestalts&lt;/em&gt; fracas em decorrência de um provável potencial de personalidades fortes ou conflituosas. Talvez porque, recaem sobre estes últimos sujeitos uma carga maior de exigências, e menos ou quase nenhuma regalia e benefícios sociais. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para Nietzsche (1995), a luta por direitos iguais é um sintoma de doença, a mulher quanto mais é mulher, mais se defende com unhas e dentes contra os direitos em geral, e que mulher se cura ou se redime, tendo um filho. Esta fala lembra Freud com história da castração, sem dúvida uma visão machista, mas compreensível por ser a tônica da sua época. Na realidade, as questões do masculino e do feminino são instituídas por meio de leis proibitivas que produzem gêneros culturalmente inteligíveis mediante a produção de uma sexualidade inconsciente, que ressurge no domínio desse imaginário (BUTLER, 2003). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Guattari (2000), não se pode esperar uma melhoria das condições de vida da espécie humana sem um esforço considerável de promoção da condição feminina (p.33). Entretanto, o festejado 8 de março dá a impressão de que ao invés de reforçar a auto-estima da mulher, fortalece a sua condição de vítima. Assim, é preciso combater as injustiças e discriminações sem usar o sexo como pretexto, e sim porque são os direitos do ser humano (MEDEIROS, 2007). Na realidade, todos esses dias comemorativos, não só denunciam a vulnerabilidade e a negligência dos direitos sociais dos segmentos homenageados. Mas, de alguma forma, termina por legitimar sua posição de desfavorecidos. Os direitos dos seres vivos, e humanos devem ser garantidos, independente do grupo ao qual pertençam ou representem. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;A sexualidade não revolucionou as relações de gênero nem modificou radicalmente os lugares de cada um (BOZON, 2004, p.93). Embora, se esperasse a partir do movimento feminista uma reação mais simétrica na relação de gênero (HEILBORN, 2004). Esta autora conclui que, de fato, a sexualidade se alterou no que diz respeito à família, mas não produziu um panorama de liberdade. Embora ainda haja repressão, porém, no ensejo da contemporaneidade a mulher tem disputado quinhões de liberdade sexual muito próximo ao do homem. Se ainda não chegou a uma horizontalidade irrestrita, entretanto não desmerece o fato de que, a sua atual posição, em termos comparativos com um passado, até recente, é razoavelmente confortável. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; As mulheres fálicas ao assumirem seu poder, com isso afirmam seu direito de igualdade, ao passo que as outras se debatem na armação ou engodo de que são frágeis. Ameno (2001) diz que a maioria das fêmeas é farsante, interpreta um papel para o qual não tem a menor vocação, apenas por interesse financeiro ou para “segurar” o companheiro. Os homens que não são tolos, não abrem mão do seu prazer. Para a autora, “o homem é um ser biologicamente livre e a sociedade transferiu para o mundo social a mesma liberdade de que ele goza” (AMENO, 2000, p.63). Porém, os únicos pontos de vulnerabilidade que, de fato, deixa a mulher numa certa desvantagem em relação ao homem, são a sua dependência hormonal que resulta na oscilação de humor na TPM (Tensão pré-menstrual), um apego acentuado aos detalhes, e o medo, segundo Nasio (2007), de ser abandonada pelo homem amado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Se os homens têm a iniciativa, as mulheres têm o poder de provocar o desejo dos homens. Seria injustificado dizer que as mulheres são mais bonitas ou mesmo mais desejáveis que os homens [...] Elas não são mais desejáveis, mas elas se propõem ao desejo (BATAILLE, 2004, p.203). Antes da revolução feminista, a mulher era pressionada a fingir prazer sexual e esconder seus desejos eróticos, o máximo que o social lhe permitia era provocar, se colocar na posição do desejável, do proibido que instigava o homem a conquistá-la e a desvendá-la. Ainda existe muito do ranço dessa repressão, e não é à toa que, facilmente, procura-se destratar as mulheres usando como recurso a sexualidade devassa, o oposto para o qual a mulher foi educada ou castrada. Prostituta e vadia estão entre os adjetivos mais soletrados para ofender a sua moral. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas, ainda existe dubiedade no comportamento de liberdade sexual da mulher, por questões que, de algum modo, são inerentes à sua biologia, e que são reforçadas pelo social. Para o homem, por exemplo, é bem mais fácil “ficar” por conta da sua divisão sexo/amor, e a mulher nem sempre consegue se dividir com a mesma imparcialidade. De modo que, mesmo os jovens que “ficam”, em particular o gênero feminino, mantêm subjacente o sonho do amor romântico (MELO, 2006). Contudo, para as moças, a situação é um pouco mais delicada, se por um lado tem a liberdade sexual; por outro lado tem a concorrência na conquista de um parceiro. Uma disputa acirrada, que a deixa bem mais vulnerável. Como afirma Duarte (2006), a menina tem medo de não agradar até o abusador (p.43), pelo simples fato de que “ela fica feliz só porque é aceita”(p.46). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Somente a profusão e difusão de uma economia erótica não falocêntrica é que irá banir as ilusões do sexo, do gênero e da identidade (WITTIG &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; BUTLER, 2003). Neste sentido, uma mesma orientação sexual não define uma identidade psíquica comum a um certo número de mortais desejantes, pois orientação sexual, isto é, o desejo, é uma questão clínica, ou seja, particular, que se resolve na cama ou no divã, conforme o gosto do freguês (PASSARELLI, 1996a, p.72). Apesar de mais liberdade de expressão e de direitos conquistados pela mulher, alguns homens machistas ou inseguros ainda não admitem que ela tome a iniciativa da sedução e, em especial, da sexualidade propriamente dita. Afinal, as mulheres não são todas submissas à função fálica (PORGE, 2006). Mas, ainda chocam, quando são sedutoramente fálicas ou ousadas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O polêmico caso da ex-modelo Daniela Cicarelli e seu namorado, filmados&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt; por paparazzi, praticando sexo numa praia da Espanha, explícita essa atitude. Fora alguns detalhes - que serão a seguir comentados -, seriam cenas comuns repetida por inúmeros mortais anônimos, nas mais diversas orlas marítimas do planeta. Mais do que causar constrangimento aos fãs e ao público em geral, talvez à participação o tempo todo ativa da Cicarelli tenha sido um dos aspectos mais marcantes neste episódio. Sempre tomando as iniciativas num sedento afã sexual que, sugerindo ausência de qualquer aura romântica, o casal evidenciava estar ali para este fim: o desfrute do sexo pelo sexo. Até porque o local, pelo menos num primeiro plano, parecia uma praiazinha cinzenta e sem graça. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Numa das cenas, meio que imersa na inversão de papéis, a Cicarelli veste uma blusa, e, meio masculinizada, dá uma ajeitada e sai para pegar um picolé (símbolo fálico), e o parceiro a espera. Depois, ele retoma o poder, e oferece uma bebida, com certeza para deixá-la ainda mais solta. No resto da seqüência a maioria das cenas está sob direção da bela. Abrindo aqui um parêntese, o pornô filme deixa bem claro que esta moça pode ser acusada por tudo: Apresentadora sem talento e desengonçada, desastrada a exemplo do seu casamento bufo em Chantilly (França), etc., mas, jamais de que não seja bastante habilidosa no manejo das coisas do sexo. Enfim, Cicarelli mais do que pelo sexo explícito, parece ter chocado pelo seu comportamento fálico. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pelo fato de ser celebridade e mulher, recaiu sobre si todo ônus das mais impiedosas críticas, como se a mesma tivesse protagonizado tudo sozinha. Seu parceiro passou incólume. E ainda com possíveis vantagens pelo seu desempenho de macho, com direito a posar pelado. É estranho esse interesse pela sua nudez, como se desejassem ter uma noção ainda mais exata do que Cicarelli teve na sua ilusória privacidade.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Depois de “expor” a sua sexualidade, e fecundar com seu gozo o imaginário de um universo de voyeuristas. É no mínimo ridículo querer interditar a posse dessas imagens e notícias. Deviam ter o bom senso de assumir as inconseqüências dos seus atos que, feitos adolescentes em busca de aventura, praticaram sexo em via pública.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Ameno (2000) diz que a maioria das mulheres no mundo moderno, entretanto, não parece feliz (p.95). Então as fálicas madonnas, jolies e cicarellis da vida, sendo, fazendo e acontecendo não estariam felizes? &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt; Ane, amiga de Clarice, que vive de pensão do ex-marido, e passa o dia inteiro lendo revistas idiotas, acabara por ficar mais metida a Freud do que interessada por homens: Se você quer um homem de verdade, seja uma mulher de verdade. Mas você fica aí querendo competir com eles, não é? &lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;p&gt;As mulheres estão mais acessíveis como parceiras sexuais, mas ao mesmo tempo, mais intimidantes, mais ameaçadoras para os homens. Muitos homens não compreendem mais o que as mulheres esperam deles (LIPOVETSKY, 2000, p.58). Com a mudança dos paradigmas a mulher saiu da submissão, para conquistar seu lugar no trabalho, na sexualidade, na vida. E essa postura, por vezes, desequilibra o poder garantido do dominador com o qual foi contemplado o macho. De fato um sujeito frágil, no sentido de que tem dificuldade para lidar com as emoções em virtude da falta desse exercício (SILVA, 1999). Ele não aprendeu a interagir com o sexo aposto que não seja exercendo sua atribuída superioridade para subjugá-lo. Na realidade muitas mulheres, ainda hoje, sobretudo nesta cultura vivem sob este imperativo. Mas, estilizadas pela modernidade, disfarçam de que não são Amélias. &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt;Clarice questiona: Mas o que era então uma mulher de verdade? Ou pelo menos uma que atrairia um homem de verdade? Seria a meiga falsa que já deu pra meia cidade, mas continua com o semblante de virgem fingindo um medinho? Ou seria aquela mulher que espera o príncipe encantado que vai lhe ensinar, bem como pagar suas contas. E, em troca, tudo o que ela precisa fazer é um boquetinho com a tática de cobrir os dentes com os lábios voltados para dentro da boca? Uma mulher de verdade é feminina, só isso. &lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;p&gt;Morim (2007) destaca que ninguém nos ensina a compreensão humana, e que há muita incompreensão no mundo de hoje, e que esta nos acua seja na família, no trabalho, ou entre culturas e comunidades diferentes. Este autor alerta que “é necessário ensinar quais as armadilhas e ilusões que fazem parte do conhecimento”(p.13). Às vezes, a independência e a autonomia de algumas mulheres podem esconder também o esforço para agradar por assim suporem que esse seja o ideal para o homem. Neste sentido, Nietzsche&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;(2000) diz que, por amor, as mulheres se transformam naquilo que são na mente dos homens por quem são amadas (p.223). Amadas? Não obstante, o desejo do homem é um dos mais complexos e delicados, e há uma lacuna de estudos a respeito do indivíduo masculino na condição de objeto da psicologia. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Toda literatura psicológica, mesmo que de modo machista, é voltada para a mulher, criança, etc. O masculino fica implícito como Modelo, indiscutível, inquestionável. Se Freud diz que a mulher é um “continente negro”, diria que o homem é uma “península soterrada”. Em virtude disto, é difícil de se auto-reconhecer na sua essência, pelos excessos de domínio, abuso e poder. A igualdade dos gêneros depende da ação de que esses “entulhos” sejam removidos, para o nascimento de um homem mais leve, menos encouraçado ou máquina, mais gente e ser humano, e não tão acentuadamente preso à estereotipia de ter que ser macho. Seja o machismo a causa da ignorância, ou vice-versa, mas sem dúvida ele é um dos grandes fatores de atraso tanto no que diz respeito à evolução da relação dos gêneros quanto da civilização. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;A psicologia do homem não estará aberta para receber o verdadeiro amor, purificado de todos os seus aspectos sóbrios, até que passe pela escola da amizade amorosa (KOLONTAI, 2005, p.42). Nesta ótica, Duarte (2006) diz que hoje, dão (os homens) muito pouco tempo à intimidade para a pessoa (a mulher) conseguir ter o orgasmo (p.62). Isto prova que se desnudar para o sexo não quer dizer, necessariamente, intimidade. Esta somente ocorre com base no respeito e no vínculo afetivo. O sexo do “fica” e suas derivações podem até ser prazeroso, mas tem de se admitir sua condição promíscua. Por ignorância, uma vez que o indivíduo chega fácil e rápido ao orgasmo, julga que a mulher devido a sua disponibilidade também esteja pronta com a mesma urgência. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Além do que não se tem uma cartografia erótica e emocional do outro. Numa prática sexual norteada pela impessoalidade e vulgaridade por que o homem teria de se preocupar com o orgasmo de uma aventureira casual e/ou desconhecida? Este egoísmo é coerente com a forma por meio da qual essa sexualidade está sendo negociada. No imediatismo da fragmentação a que se presta, esse sexo cumpre a sua função que é apenas de desafogo. Daí, não se pode cobrar nada mais do que isso. Nesse &lt;em&gt;playground&lt;/em&gt; de sensações solitárias e de prazeres masturbatórios a dois, cada um que aproveite ao máximo, do contrário que esteja atenta (o) para não perder o gozo nas próximas “rodadas”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Na opinião de Duarte (2006), para fazer a mulher sentir orgasmos múltiplos, o homem precisa estar muito bem preparado (p.59). Claro que não, esta afirmativa é furada: primeiro, porque se a mulher tiver algum tipo de transtorno sexual, a exemplo da frigidez, assim, travada, não tem “garanhão” ou Don Juan que dê jeito; segundo, embora o sentimento de segurança e de envolvimento emocional do parceiro seja, de fato, importantes, não são determinantes para que a mulher tenha orgasmos múltiplos; por último, atribuir esse feito ao homem, é colocar a mulher mais uma vez, sob a sua dependência, é negar toda uma luta para ser dona do próprio corpo, enfim, é regredir. O orgasmo feminino não depende da potência viril do parceiro, uma mulher sem trauma, tabu e culpa, ou seja, resolvida, o camarada é apenas o estímulo que a levará aos seus orgasmos múltiplos. De modo meio rasteiro, a própria Duarte (2006) confirma “que se a mulher tomar um banho-de-língua, ou de afeto, ela vai sentir tanto êxtase, que a introdução passa a ser a última etapa” (p.59). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Segundo Lipovetsky (2000), o falo é uma arma e toda penetração de uma mulher por um homem é aparentada a um estupro. A mulher é consenciente? O crime de “invasão” guerreira permanece inteiro (p.73 - grifo do autor). Se tiver como padrão os filmes de Hollywood, esta observação do autor tem fundamento. Considerado que, o ritmo frenético das ações que assina a maioria das superproduções idiota da Meca do cinema, é comum apresentarem protagonistas com um apetite sexual voraz. A mocinha de semblante puro, mas que de ingênua não tem nada, de repente se escancha no parceiro e este, por sua vez, a arremessa na parede, na cama, etc., executando um alucinado ritual de “canibalismo” sexual. Assim, vende-se a idéia de que o sexo prazeroso e excitante somente é possível com tais aspectos de violência performática e dramaticidade cênica. A mulher adulta tem o total controle de se deixar ou não violentar por um parceiro. Todavia, a violência maior vem da própria condição de “coisificação” a que todos estão submetidos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Como diz Simmel (2001), o que se exclui, na realidade, é amor e sensualidade &lt;em&gt;isolada &lt;/em&gt;colocando-se o prazer sensual como fim, diga de passagem, trágico, em si (p.134 - grifo do autor). O sexo, mais do que nunca, está vulgarizado. Homens imaturos ou com algum tipo de distúrbio sexual acabam sendo estimulados pela exposição e provação de corpos jovens cada vez mais desnudos e promíscuos. Vive-se a compulsão da sexualidade libertina, e por isto, em meio à solidão afetiva. Há um desequilíbrio social que tenta serenar uma série de angústias, faltas, medos e desencontros no sexo ordinário. Mas, por vezes, se transforma em violências simbólicas ou reais, isto porque o sexo sem o respaldo afetivo não consegue canalizar toda essa descarga deplorável de insatisfações. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O homem moderno parece atraído pelas “flores de plástico”, talvez porque, como diz a música dos Titãs, “não morrem”, ou seja, são mais fáceis de enfrentá-las por estarem mortas. Quando há sentimento, este emoldura de brilho, cor e encanto o vínculo do legítimo relacionamento. Por isso, se goza com o todo: olhar, voz, toque, no pensar e sonhar com outro, etc. O que é saudável, porém extremamente assustador para os sujeitos de pouca saúde ou doentes. Quando não, o prazer se reduz aos genitais, a penetrações de boca, anus e vagina. Na relação com tesão e vínculo não precisa de lugares picantes, modernos, para fazer emergir o desejo. É o sentimento que sofistica os momentos e os lugares mais simples, porque trás em si a potência do desejo, e se tem algo próximo do êxtase quando em comunhão com a natureza. O sexo e o amor são instintivos (o que não quer dizer perversos ou agressivos), o ambiente requintado é como desodorante que, retira o cheiro natural do corpo, e deixa um aroma excepcional, porém fabricado. Então, haja filmes pornográficos e outras peripécias para suscitar e/ou assegurar alguma excitação, ereção, etc. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas, independente da modalidade sexual, se o indivíduo quer dá em troca o prazer que a mulher lhe proporciona, precisa considerar seu tempo mais estendido para ser tomada pela excitação. Quanto mais jovem é o parceiro, em geral é mais afobado, não exatamente por egoísmo, mas porque está mais preocupado consigo, com sua auto-imagem. Antes de qualquer outra intenção, ele está tomado pela obrigação de atender a cruel “voz” social que exige dele uma vigorosa e espetacular performance sexual. Para que, assim, possa obter os louros que reforçam e o mantém no ideário do ser macho. Em vista disso, a parceira, muitas vezes, não passa de mero objeto para as suas auto-afirmação e experimentações. Na perspectiva de atender a essa ordem, no arrojo da sexualidade, o jovem esquece que, antes da mulher com os anseios de Afrodite, tem a pessoa, o ser humano ao seu lado. Somente homens seguros (o que não dizer, apenas, os maduros em termos de mais idade) relaxam, e conseguem ver a parceira, seus desejos e necessidades. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; E hoje a mulher está buscando a sua emancipação em termos masculinos (MATOS, 2007, p.13). É possível um revanchismo inconsciente por ter sido reprimida e privada desse poder por muito tempo. O universo fálico masculino foi construído com base na agressão, por isto é que carece de uma sintonia receptiva, acolhedora, solidária, “uterina”. Para Branden (2002), se, no passado, as mulheres foram cortejadas, manipuladas, seduzidas e usadas como brinquedos e não levadas a sério, nos tempos modernos há uma mulher para cada finalidade, para se admirar; para apenas transar e para casar. Embora com descrição, as mulheres também usam desse expediente, mas sem a necessidade infantil de se engrandecerem com suas peraltices. Como, entre amigos, fazem os machos. Algumas exacerbam e passam a se comportar com desprezo pelo homem, e a supervalorizar o prazer sensorial, orgástico, equivalente às práticas masculina do machismo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;No início de oitenta, uma paciente de descendência estrangeira, a cada semestre na universidade, antecipadamente, fazia uma tabela na qual marcava como um x os nomes de todos os colegas da sua sala de aula que, segundo dizia por ela seriam “comidos”. Ela fazia questão de compartilhar essa sua investida, sentia prazer em chocar as pessoas. Considerando que, em razão dos problemas e revolta com a figura paterna, isto, de alguma forma, consistia na vingança do seu poder fálico. Esta paciente que não era nenhuma beldade ou se destacava por qualquer item de beleza, entretanto, batia o seu jogo. Ou seja, completava a cartela transando, de fato, com todos os sujeitos que havia computado. Talvez hoje, sua atitude malograsse por conta da liberalidade, o sexo agora já não tem mais o mesmo impacto para subverter, agredir ou desafiar. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nos últimos tempos, uma outra paciente, esta bem jovem, inteligente, virgem e também fálica, se questionava da própria contradição de ter idéias independentes, mas que havia se deixado dominar pelo namorado. Só sabia lidar com o masculino por meio de embate, e tinha prazer de, com base nos próprios argumentos bem articulados, contradizer e deixar o seu pai acuado. Este, no seu&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;desespero, para não surrá-la batia na mesa ou quebrava algum objeto. Nestes momentos ela parava, e sorria por dentro, pois seu objetivo havia sido alcançado. Ela começou a namorar outro rapaz, este bem intencionado parecia gostar muito dela, mas era fechado e não dava margem para brigas. Isto lhe desconsertava, além do que seu carinho a incomodava. Ela queria acabar o namoro, mas a sua mãe orientou que com o sexo esta situação mudava, ela ficaria mais ligada. Ironizando, ela se perguntava: Cadê a tal liga! Melhor que não tivesse tido nada, concluíra. Agora, ele estava mais envolvido, o que para ela se tornara quase insuportável. Ela percebeu que não gostava do namorado porque, de acordo com as suas palavras, &lt;em&gt;ele a tratava como gente&lt;/em&gt;. E chegou a compreensão de que o homem para ela era masculino quando a colocava no lugar de “boneca”, mesmo que isso implicasse em não ter vontade própria. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A paciente sentia o namorado, não como mulher, porque com esta sabia lidar, isto é, manipular, mas, nas suas palavras, bem pior. Na verdade, este rapaz que era respeitoso, compreensivo, sexualmente ativo e carinhoso, representava uma mulher fálica, um tipo com “a qual” ela nunca se relacionara. Então, duas fálicas de sexo diferentes (ela e seu namorado). Em geral, seu combate era contra o masculino desqualificado, a exemplo da sua figura paterna seca, adúltera e ausente. Porém, diante do masculino afetivo, mas dominador, em relação ao qual se sentisse gostada, amada, se submetia, se colocava como “boneca”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O sexo com o namorado não consistia apenas numa mudança do seu estado físico por conseqüência da perda da virgindade, mas, ia muito além, pois significava a transformação simbólica e radical de objeto (“boneca”) em gente (mulher). Em suma, ela chegou à conclusão que tinha medo de amadurecer, e de se deixar vulnerável porque assim, caso fosse deixada, na condição de gente, segundo a sua concepção, sofreria mais. Ao passo que, como “boneca”, ela já tinha a experiência de ter sido deixada duas vezes por motivos de mortes, de um parente (“pai”) queridíssimo que a amava, e do seu primeiro namorado que se suicidara. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para Ameno (2000), o pênis traz em si o único poder que falta a mulher: o poder de decidir. Da mesma forma, numa relação sexual a mulher transfere ao homem o poder que lhe falta: o de conservar (p.97). A autora tenta atenuar o poder do macho pela compensação recíproca das faltas. Sua equação seria: o agraciamento social do homem com um &lt;em&gt;poder de decisão&lt;/em&gt; x &lt;em&gt;o&lt;/em&gt; &lt;em&gt;poder natural&lt;/em&gt; da mulher de procriação. Porém, o que mais interessa e apaixona a mulher é o poder que ela atribui ao pênis e que a deixa com inveja (NASIO, 2007). Se antes, para a autora, a mulher dava ao homem um filho em troca da posse simbólica do seu pênis. Agora, na ótica deste autor a relação sexual é unilateral, a mulher não tem nada para oferecer ou trocar.&lt;br /&gt;Nesta perspectiva, o intercurso sexual não se passa em nível de igualdade pelo cambio &lt;em&gt;pênis&lt;/em&gt; x &lt;em&gt;vagina&lt;/em&gt;, apenas. Isto é, a vagina não tem o mesmo valor do pênis, ela é o meio para se chegar a um fim que é a gratificação do homem e a preservação da espécie. E o pênis será para sempre o objeto da cobiça da mulher. Sem se dar conta, a autora também reforça a primazia do pênis, institucionalizada, e que se expandiu por todos os poros sociais. Realmente, parece muito difícil escapar da falocrácia, esta que fez a mulher penar ao longo dos séculos, e quase a eternizou na posição de “segundo sexo”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Somente nessas últimas quatro décadas é que a mulher conseguiu submergir desse platô subalterno, embora ainda sofra algumas conseqüências da rebarba machista. Porém, esse seu poder de efetivar a conservação além de não ser de fato valorizado, a não ser no seu aspecto superficial de que todos acham linda a maternidade. Mas isto não é apenas mérito seu, gerar não é obra individual, mas em conjunto. A criação jamais se dá sem a fecundação do óvulo pelo esperma, seja pela “maratona” natural, ou pelo processo artificial &lt;em&gt;in vitro&lt;/em&gt;. Enfim, queira quer não, depende da parceria direta ou indiretamente do homem. Portanto, sem nenhuma conotação de superioridade para o homem ou para a mulher, uma vez que ambos são literalmente co-dependentes, indispensáveis para formação de um outro ser. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mesmo adotando o comportamento promiscuo do “fica”, a moça, mais do que rapaz, ainda que de modo subliminar, alimenta o sonho do amor romântico da Cinderela. No entender de Nasio (2003), em geral a mulher associa tão estritamente o sexo e a ternura que sente o ato sexual como um ato de amor (p.68). O parceiro idealizado pela mulher parece conjugar características de super-homem. Ele tem que ser inteligente, bem humorado, viril, cavalheiro, bem sucedido, compreensivo e fiel. No entanto, para o homem parece mais fácil, porque a mulher poderá ser possuidora de todas as possíveis qualidades. Porém, se lhe faltar um item em especial, que é a disposição dela para se submeter a ele, não lhe serve como parceira. Nesta sociedade, o macho se dá o direito de ter o domínio e, o que é mais surpreendente, um grande número de mulheres, pela necessidade de casar, ter um companheiro, etc., se coloca a mercê de um dono. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;O feminino nunca foi dominado, sempre foi dominante, e seduz porque nunca está onde pensa estar, o poder do feminino é a sedução (BAUDRILLARD, 2001). Mas o poder da sedução é, quase sempre, simbólico, ao passo que o poder do masculino é real, concreto. Este sujeito que se estereotipou, mas só no aparente, como vencível a sedução feminina. Contudo, seduzir não é o mesmo que se entregar. Nasio (2003), diz que a mulher se oferece, mas não se entrega totalmente de medo de perder sua identidade mais íntima (p.76). Certamente não por medo, mas para se resguardar da totalidade de um domínio. Assim, ela sempre pode surpreender. Quando, por alguma razão, se sente ultrajada, ai, impiedosamente, ela se vinga. Quantas degolas masculinas ou execração pública não tiveram como pivôs as exs mulheres e amantes. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Diferente do homem, a mulher não teme a intimidade, mas precisa ter algum poder além da sedução, para que se permita à entrega. Se o sujeito não fizer por merecer não terá essa mulher, o intercurso sexual se reduz apenas a uma transa. A penetração é apenas do órgão genital, não consegue “passar” da vagina, ou seja, do segmento corporal. Simmel (2001) diz que recusar e conceder é o que as mulheres sabem fazer com perfeição, e só elas sabem (p.98). Mas estes parâmetros nem sempre são infalíveis, em particular se estiver envolta num clima que a faça se sentir especial, valorizada, diferenciada das outras. Para o homem basta nivelá-lo, ou seja, sua auto-afirmação consiste em se perceber nesse lugar comum de ser mais um macho. Assim, ao invés de ofensa a afirmativa de que “os homens são todos iguais” lhe cai como um elogio, o reconhecimento de pertencer a este gênero. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Uma paciente parecia se deliciar com todas as nuanças do ritual de sedução de um indivíduo com o qual havia tempo esperava “sair”. Ele ficou constrangido por não exibir um físico malhado, e, por sua vez, ela o apoiou elevando seu ego. Aquele detalhe para ela não tinha a menor importância, porque ela estava embevecida com o vinho, com a dança, com a recepção e acolhimento antes de chegar à cama. Embora insistisse em negar para si mesma que essa metodologia era dispensada a qualquer outra garota, mesmo assim não conseguiu deixar de se sentir única, diferenciada. Enfim, a mulher pode se equivocar em virtude da sua carência ou pela intensidade da sedução do outro, mas a sua entrega ocorre somente a quem ela julga, por algum mérito específico, que o sujeito faça jus a seu corpo, e algo além do corpo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para os especialistas, a mulher mesmo que tenha tido relações sexuais, ou mesmo filho, preserva traços da membrana virginal, apelidada de “renda do hímen” (NASIO, 2003). O autor salienta&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;que muitas mulheres têm a convicção de que o sexo do homem nunca as penetra completamente, nunca atinge a parte mais protegida do seu corpo. Elas têm a &lt;em&gt;fantasia da virgindade&lt;/em&gt;. Ou seja, “o núcleo da identidade feminina é construído em torno desse lugar silencioso e vazio. É como se ser mulher consistisse em conservar intacta essa virgindade virtual, com medo de perdê-la um dia” (p.76). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Penso essa fantasia, mas não de que a virgindade seja cristalizada, até porque o hímen, nos dias de hoje, deixou de ser tabu. A bem da verdade é uma estupidez atrelar o caráter e a dignidade da mulher a esse “selo da natureza”. A virgindade é unissex, e simbolicamente renovável. De modo que, tanto a mulher quanto o homem a perde todas às vezes que se apaixonar - &lt;em&gt;tombée amoureuse&lt;/em&gt; (cair de amor) -, porque nesse estado, somente ocorre na total entrega. Portanto, a “virgindade” é uma película afetiva que se rompe com a paixão - não necessariamente no amor, este é mais racional, não altera o metabolismo hormonal, etc. -, porque vai além do genital, atinge a alma e o coração. Como em toda queda, mesmo que temporariamente, se perde os controles racionais e os autos apoios emocionais. Na brevidade em que dura a paixão, ela é temerosa e embriagadora no início; encantadora na sua onipotência quando se processa; e terrível quando finda: ao perceber-se que esta alteração da consciência já não mais nutre os delírios das emoções. Embora chamuscado, um coração pode se sentir forte pela coragem de tê-la vivenciado. Afinal, a vida é um eterno abrir e fechar de &lt;em&gt;gestalts&lt;/em&gt; que somente cessa com a morte. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A mulher experiente diante de um provável poder fálico e abusivo do macho, cuida do seu estado emocional. O fato de ficar por cima, de penetrar seja na relação heterossexual ou homossexual, dá ao sujeito penetrador um extraordinário poder, em razão da forte valoração cultural de superioridade que é atribuída a essa posição. Logo, ser “possuída” é estar nesta condição implicitamente desqualificadora. Daí, muitas mulheres intuem dessa “grandiosidade”, e assim se preservam da sua própria vulnerabilidade. E, geralmente, se auto-afirmam na relação com quase sempre infalível maternagem. Portanto, só arriscam quando querem ou de alguma forma não se sentem ameaçadas. Nada desestabiliza mais o macho do que a mulher que escorrega desse enquadre machista, quando ela brinca ou subverte esse valor que tem, em potencial, o poder de subjugá-la. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Uma paciente desejava um “garanhão” da sua cidade interiorana de origem. Mas o temia porque ele, competidor de rodeios, tinha mulher e filhos em tudo que é praça. Em razão disto, tinha um enorme cartaz entre os parceiros, na mesma proporção em que era evitado e temido pelas famílias das moçoilas do lugar. Finalmente, ela resolve investir no seu desejo, mas sem criar expectativas. No final de noite de uma festa da padroeira, ela o convidou para dormirem juntos, ele não acreditou que, em virtude disto, ainda se tratasse de uma virgem, e ficou ainda mais desconcertado quando a mesma nem solicitou um telefonema no dia seguinte. Perplexo, apaixonado e cheio de planos para o futuro, ele viajava mais de dez horas para se encontrar com a amada. Mas, ela tinha como projeto se realizar profissionalmente, do qual não abria mão. Talvez pudesse subir ao altar, o que cogitava de poder ser com ele, mas no final dos próximos seis anos quando terminasse seu curso. Mas será que a paixão, que na verdade é data, conseguiria esperar tanto tempo? &lt;/p&gt; &lt;p&gt;A desvalorização das condutas machistas e a nova independência das mulheres não acarretaram de modo algum uma fragilidade extrema da identidade viril (LIPOVETSKY, 2000, p.58). Para o autor, são os homens em particular oriundos das classes sociais mais marginalizadas, que são mais “apegados” às demonstrações tradicionais do poder masculino, e por esse motivo, que vivenciam mal essa atual condição masculina. Diria que nos países pobres e emergentes isto independe de classe social ou nível cultural, é exatamente pelo medo de perder esse poder que o macho se angustia em lidar com essa suposta nova mulher. Ele não tem a prática da simetria dos gêneros, sua relação com o sexo aposto se dava unicamente na verticalidade, literalmente ele por cima em todos os sentidos, e ela em baixo, sem vez, nem voz, apenas na condição de objeto. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O machismo é um prestígio vivido há séculos pelo sexo masculino, de tão arraigado nesta cultura, é normalizado, sendo difícil para o macho não reter este poder de “superioridade” e domínio. Porém, para Rodrigues Jr. (1996), aquele que se considera “Macho” deveria compreender que é um homem insatisfeito sexualmente, e que tampouco chega ao que deseja a personalidade feminina, a qual é transformada em objeto sexual (p.90 - grifo do autor). No entanto, não deve se desconhecer o perfil de um tipo de mulher nessa cultura que, de algum modo, goza “de uma vontade de dominar, sujeitando-se” (PASSARELLI, 1996b, p.18). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Com a conquista da sexualidade feminina veio à inversão da própria funcionalidade da sua estimulação erótica, ou seja, a mulher que, até então, era despertada pelo toque passou agora a ter como sua principal via para esse fim, a visão e o tato. E começaram a desejar os corpos masculinos dentro dos mesmos moldes pelos quais os delas são desejados. A partir disto o homem começou a cultuar o próprio corpo, a se colocar nesse lugar de “passividade” como objeto de desejo. Assim, com a igualdade dos gêneros em andamento, território proibido e mantido como um código de honra da imagem do macho, também foi atingido por estas mudanças. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Aprofundando esta questão, diria que a região glútea do&lt;em&gt; Homo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;sapiens&lt;/em&gt;, ao longo da história, sempre foi investida de grande repressão. A sua intactibilidade anal consistia na fidedigna tradução que atestava obediência aos princípios desta cultura, e confirmava a representação máxima da macheza. Sobre o sujeito com andar menos encouraçado que fizesse mexer, um pouco, o bumbum, sua reputação era colocada sob suspeita de desvio, atribuindo-lhe estigmas homoeróticos. A referida região que, até então, se reduzia às funções do trato higiênico - de forma superficial, para não despertar interesse erógeno -, e da atividade fisiológica, passou a ser um órgão de exposição, exploração e desejo (SILVA, 1999). Qual a mulher hoje em dia que perde a chance de apalpar um bumbum masculino!?&lt;br /&gt;O traseiro masculino agora é objeto do desejo sexual feminino. Antes elas nem ousavam, nem eles se permitiam, porque era tido como coisa de homossexual. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A própria mulher não suportaria essa idéia de partilhar a cama com um indivíduo que explorasse essa parte do seu próprio corpo. Agora, as mulheres não mais se contentam em tocá-lo, e também já o inclui como fonte de prazer. A princípio como atração sensual, e por último, como órgão sexual propriamente dito. Se antes, qualquer insinuação de proximidade era tida, pelo companheiro, como uma terrível ofensa. Encorajados por psicólogo e sexólogo que, de algum modo, incentivam toda e qualquer prática sexual consentida, na medida em que acreditam que aumenta e/ou fortalece o vínculo e entrosamento do casal.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Muitos homens até solicitam das parceiras a Estimulação Digito-anal. Modalidade esta, segundo informação, popularmente conhecida no Sul do país como “fio-terra”.&lt;br /&gt;Nesta virada de século, se evidencia a quebra da rigidez da construção do masculino, de modo que,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;nos dias atuais, o homem quando dança exibe os glúteos diante do olhar público, e sem o menor constrangimento.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Por vezes, produz evoluções com mais desenvoltura nos requebros do que a própria parceira (SILVA, 1999). Muitos homens passaram a investir cuidados fisiculturista para um melhor delineamento estético das nádegas. Embora, as propagandas, a exemplo das de cerveja, ainda insistam em focalizar a atenção nos glúteos das suas modelos. Porém, esse tipo de associação mulher/bumbum/cerveja perdeu, um pouco, do seu efeito apelativo. Pois, com a volta da calça &lt;em&gt;saint-tropez&lt;/em&gt; ou de cinta baixa, compete na rua com cós de calcinha ou cueca,deixado “displicentemente” à mostra, e que&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;ameaça, a todo instante, colocar as partes pudendas para fora. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Hoje, praticamente, não existem roupas intimas. Uma vez que foi legitimado, sem nenhum senso de ridículo, cada vez mais as tais peças tomam o rumo de mais visibilidade como fonte de apelo sexual. Portanto, no &lt;em&gt;ranking&lt;/em&gt; das preferências nacional, o glúteo feminino deixou de ser ostentado como líder absoluto. O bumbum masculino, democraticamente, se tornou um fetiche, mesmo que não ainda a tal ponto de associá-lo a algum produto. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Essa variável erótica não é, obviamente, uma alternativa nova, no entanto, pela a abertura para a sua expansão e discussão. Esse assunto deixou de ser maldito, e, com freqüência, entra nas conversas informais dos grupos. Mas, o fato desse comportamento ter sido incorporado não o isenta de ser refletido e, consequentemente, ser questionado. Ele instiga a fazer algumas observações: Primeiro, é sabido que a mulher, por força da sua natureza e incremento cultural, desperta sua libido mais pelo toque, ou melhor, em ser tocada; segundo, que o seu desejo de conjugação sexual aflora na confiança e segurança do parceiro, no se sentir desejada, amada, etc. Então, como se explica que a fêmea tenha adquirido aptidão sexual típica do macho, isto é, de se excitar por meio da visão e/ou manipulação do seu objeto sexual? &lt;/p&gt; &lt;p&gt;O que mudou para que a mulher adquirisse uma outra referência de estimulação erótica? Não cabe aqui discutir a questão no enfoque da normatização. De definir se essa é ou não, uma prática pervertida, etc. Dado que esta classificação tem a ver com a freqüência, e uma vez que essa expressão da sexualidade começa a ter mais aceitação, e porque passou a ser encarada como normal. É pertinente&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;compreender como essa conduta, um tanto radical, foi absorvida num curto espaço de tempo. É provável que o espaço conquistado pela mulher tenha reeditado o arcaico trauma freudiano da castração, incluído o glúteo masculino na sua perspectiva sexual, recuperando ou adquirindo assim um determinado poder de virilidade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Assim sendo, a mulher se vê contemplada com o exercício literal do seu &lt;em&gt;animus&lt;/em&gt;. De penetrar sexualmente o parceiro por esse ou outros métodos. Ela, finalmente, parece ter conquistado seu poder fálico. Foi alforriada da assimétrica posição “passiva”, submissa. O homem, por sua vez, também se libertou da ditadura de ser sempre o “ativo”, o que toma iniciativa. Abandonou, sensivelmente, o seu eterno papel de dominador, já se permite feminino sem transtorno para sua identidade. O ânus é uma zona erógena muito sensível, cuja mucosa que o reveste é similar a da boca. Desse modo, o cidadão moderno alargou o seu leque de gratificações nos jogos sexuais, cuja Estimulação Digito-anal não passa de mais uma possibilidade de vivenciar a sexualidade. Descentralizou o pênis da condição única de prazer. Assim, surge um sujeito de corpo mais inteiro, menos fissurado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para a mulher fálica conquistar independência e reivindicar direitos iguais lhe demandou esforço, não assegurar esse lugar pode sugerir uma traição a si mesma. Pois, nem sempre é fácil se colocar feminina, uma vez que pode por em risco aquilo que consegui a duras penas: o falo. Ela teme perder o poder, o espaço para o outro. Não se permite ao descompromisso nos jogos sexuais, seu falo é uma aquisição que pode se perdida, tomada, vilipendiada. &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt;Clarice se irrita com Fernanda, a amiga com que quem competia na infância, e pensa em falar um milhão de palavrões. Mas falar palavrão não seria feminino de sua parte. Perfeito! Constatando isso ela solta todos eles, se libertando do assunto e da feminilidade. Os homens nas mesas em volta olham feio, e&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;os olhares das amigas fuzilam Clarice, a fálica que sempre põe o pau na mesa, e afasta todos os testosteronas em volta. Clarice mal humorada, confusa, fica em silêncio durante exatos dez minutos. Depois abre o maior berreiro, chora, soluça, com o rosto entre as mãos. Ainda que vermelha e borrada de rímel, a frágil Clarice atrai mais interesse dos homens do que quando chegou ao restaurante em seu carro novo, feliz e bem sucedida. &lt;/p&gt; &lt;/div&gt; &lt;p&gt;Talvez, a personagem tenha atraído a atenção dos homens não pelo fato de ter se tornado frágil, mas por ter deixado transparecer a sua feminilidade. Alguns homens não toleram muito a mulher com poder seja real ou simbólico. O homem, embora por vezes abusivo, no entanto é mais habituado a exercer o poder a partir da sua condição de detentor do falo. O poder é uma novidade para a mulher, que só agora ela toma posse. Nesta estréia, por vezes, não está bem harmonizado, e por isto adquire conotação um tanto agressiva. Uma vez no poder, a fêmea parece compensar a reminiscência do que seria a falta do pênis. Portanto, é até compreensível que atualize essa necessidade na esfera do real ou no campo do engendramento simbólico. Enfim, assumir esse poder talvez signifique para ela a conquista do pênis, da potência viril que a faz atuar com o desejo másculo de ser penetrador, de ter o parceiro na condição subjugada que vivia a mulher. Pondo em ação a &lt;em&gt;anima&lt;/em&gt; do outro, ou seja, a parte feminina no homem. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O mundo masculino é muito da contradição (MATOS, 2007, p.13), pensar esse homem emergente, no entanto, não deixa de suscitar a idéia de um homoerotismo latente. Seja por meio da penetração do membro viril, ou de outro qualquer instrumento, que adentrar seu ânus, com o objetivo de obter prazer, caracteriza-se penetração, sim. Em síntese seria: Sente-se o prazer, não com outro macho, a exemplo da relação homoerótica, mas com aquilo que o representa, o pênis, os símbolos fálicos. Nesse caso, aceitável somente porque a figura feminina é o sujeito da ação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Dessa maneira, não se corre riscos, supõem-se a masculinidade preservada. Essa prática sexual parece reforçar a idéia de Freud (1989), de que o homem é, por constituição psíquica, bissexual, e que o interesse exclusivo pelo sexo oposto também é questionável. Uma das mais graves feridas narcísicas do ser humano é o fato de ter que decidir, quando criança, pelo pai ou pela mãe, no seu processo de identificação (McDOUGALL, 1997). Quando na verdade ela deseja a ambos. Alguns estudiosos apontam a bissexualidade como a sexualidade do futuro. Quando se confirmará esta perspicácia do velho Freud? &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para Weil (2003), a função da mulher é reintroduzir o amor na sociedade (p.84). Isto não seria creditar, somente a mulher a força que emana da compreensão, do amor e da delicadeza? Contudo, não é mais possível ter a ilusão de um mundo diferente, mais humanizado pelo fato da mulher está no poder. É mais sensato considerar que homens e mulheres se respeitem nas suas diferenças, e que suas vitórias possam abolir as posições estanques dos papéis dominador/dominado. E que no encargo de alguma representação social que o indivíduo, independente da herança genital, não neutralize seu lado &lt;em&gt;yin&lt;/em&gt;. Parece mais providencial instigar o feminino de cada ser humano, mediante uma educação mais igualitária. Então, “o homem, tendo assim aceito sua feminilidade, e vindo um dia a se tornar pai, está na melhor posição subjetiva para conduzir seus filhos às portas da prova que dá acesso à idade adulta” (NASIO, 1991, p.131). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Finalmente, a única finalidade aceitável das atividades humanas é a produção de uma subjetividade que enriqueça de modo contínuo sua relação com o mundo. E que a poesia talvez tenha mais a nos ensinar do que as ciências humanas e a psicanálise (GUATTARI, 2000). Diria que precisamos de delírios compartilhados para “enlouquecermos” juntos em processos fecundos de criação e renovação. O mal não está na potência fálica do homem ou da mulher, mas no egoísmo, na prepotência de desejar, com base neste poder, ser o centro do universo. &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;NOTAS:&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;1. Pesquisa recente feita nos Estados Unidos mostrou que 85% das mulheres não estão nem aí para o fato de seus parceiros terem o equipamento menor (NATALIE, 2007, p. 43).&lt;br /&gt;2. Segundo o Social Issues Research Centre, um centro de pesquisas independente de Londres, nos hábitos da intriga, 33% deles e 26% delas contam fofocas diariamente; para eles os confidentes favoritos são os colegas de trabalho, para elas as amigas e parentes; na presença de mulheres eles param de falar da vida alheia e conversam sobre política e  outros assuntos “elevados”, ao passo que em qualquer circunstância, o assunto predileto delas são os relacionamentos amorosos (ZAKABI, 2007).&lt;br /&gt;3. Achei preferível omitir a fonte do filme, uma vez que o mesmo está disponível em todas as páginas da Internet. &lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-9171169219375560438?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/9171169219375560438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=9171169219375560438' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/9171169219375560438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/9171169219375560438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/o-poder-flico-da-mulher-e-feminilidade.html' title='O Poder Fálico da Mulher e a Feminilidade no Homem'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-4388184834507389847</id><published>2008-06-11T10:22:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:04:21.507-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Método Psicanalítico: 3 - O Método da Psicanálise'/><title type='text'>Método Psicanalítico: 3 - O Método da Psicanálise</title><content type='html'>&lt;p&gt;Entre os autores modernos que se dedicam ao estudo do método  psicanalítico está, entre nós, Fábio Herrmann&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;. O presente estudo do método psicanalítico baseia-se, numa leitura que considero cuidadosa de seus textos “O Homem Psicanalítico” e “Conceituação do Objeto Psicanalítico” e do livro “Andaimes do Real - Uma Revisão Crítica do Método da Psicanálise” (Herrmann, 1979, 1983 e 1990). Introduzo modificações e acréscimos que correm por minha conta. Uma das modificações que considero importante, e por isto destaco, é a restrição da aplicação do método psicanalítico ao homem psicanalítico — sendo este um conceito de Herrmann entre outros a que recorrerei sem indicação — como forma de distinguir a criação do objeto psicanalítico da produção de conhecimento psicanalítico. Aquele, produto da aplicação do método, este, da aplicação do conhecimento psicanalítico para ilustrá-lo, exemplificá-lo, enriquecê-lo ou ampliá-lo, por exemplo, sobre uma obra de arte.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas qual é o método da psicanálise?&lt;/p&gt; &lt;p&gt; É o método interpretativo, responderia imediatamente como já o  fiz antes sem maiores explicações que agora tentarei encontrar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Se fosse tão simples, poderia então dizer que é objeto da psicanálise todo objeto que for estudado com o método interpretativo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Detenhamo-nos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Não é mesmo tão simples assim, pois um vidente interpreta sonhos. Sua interpretação não será psicanalítica mesmo se usar conceitos ou conhecimentos psicanalíticos. O mesmo se dá com um xamã, um astrólogo. Some-se o fato de ser interpretativo, também, o método da filosofia. Portanto, o método interpretativo pura e simplesmente pode produzir muitos objetos, objetos de muitas ciências, disciplinas ou religiões. Como ele produz um objeto psicanalítico? Sob determinadas condições. Passarei a examinar estas condições.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Escolhamos, para reflexão introdutória, um objeto de arte ou qualquer outra forma de expressão da mente. O que acontece quando um psicanalista estuda-os aplicando-lhes conceitos psicanalíticos ou quando busca esclarecer algum conceito psicanalítico com o uso de uma obra literária? Por exemplo, um psicanalista usa um romance (Sigmund Freud, 1911; Melanie Klein, 1955; Fábio Herrmann, 1992); ou uma escultura (Freud, 1914); ou uma recordação infantil (Freud, 1910); ou ainda, o escudo de um guerreiro (Herrmann, 1988). Todos estes objetos foram examinados por psicanalistas. Mas, pode seu produto ser chamado de objeto psicanalítico? Criou-se o objeto psicanalítico? Positivamente, não!&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Que objeto foi criado por estes estudos?&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Um objeto da psicanálise aplicada? Expressão excessivamente vaga, pois tanto poderia ser usada para a aplicação dos conhecimentos psicanalíticos a obras literárias, quanto a outras obras de arte, quanto ao próprio ser humano, quanto, ainda, à história da humanidade ou aos fatos corriqueiros do cotidiano. Mas não se produz, assim, o objeto psicanalítico. Se não forem satisfeitas outras condições, não se cria o objeto psicanalítico mesmo se os conhecimentos psicanalíticos forem aplicados ao ser humano.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; É importante que, além de podermos estabelecer um conceito claro de método psicanalítico, possamos também, como começamos a examinar, distinguir o tratamento de um objeto utilizando &lt;u&gt;conhecimentos psicanalíticos&lt;/u&gt; do tratamento de um objeto utilizando o &lt;u&gt;método psicanalítico&lt;/u&gt; — e seu derivado imediato, a técnica. Somente depois de feita esta distinção, é que poderemos afirmar se o objeto foi ou não tratado com o método psicanalítico. Se não foi tratado pelo método psicanalítico, seu produto não pode ser o objeto da psicanálise. Não é o objeto da psicanálise!&lt;/p&gt; &lt;p&gt; No caso dos exemplos citados, o objeto criado foi um obra  literária.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; O estudo de obras literárias e de outras obras de arte por meio da aplicação dos conhecimentos psicanalíticos pode ajudar-nos a compreender conceitos psicanalíticos e os exemplos são aqueles, entre outros. Repetindo, Freud e Schreber (Freud, 1911), Freud e Leonardo (Freud, 1910), Freud e Michelângelo (Freud, 1914); Melanie Klein e Fabian Especel (Klein, 1955); Herrmann e o escudo de Aquiles (Herrmann, 1988), Herrmann e Aksenti Ivanovitch (Herrmann, 1992). Mas em nenhum destes casos o produto foi o objeto psicanalítico, pois nem Freud psicanalisou Schreber, nem Leonardo, nem Moisés; nem Melanie Klein psicanalisou Fabian; nem Fábio Herrmann psicanalisou Aksenti Ivanovitch e muito menos poderia ter psicanalisado o escudo de Aquiles.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Entretanto, se a aplicação do conhecimento psicanalítico feita por estes autores a seus objetos pôde trazer contribuição incomensurável para a compreensão psicanalítica da paranóia, da identificação, da loucura e da crença, bem como da função defensiva da representação, não pôde criar o objeto psicanalítico. O artista é geralmente mais ágil na apreensão de nuanças afetivas que tardamos em perceber; por isto, a obra literária ajuda-nos a compreender aspectos do espírito humano, mas não produzirá o objeto psicanalítico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Trata-se, repito a pergunta, de psicanálise aplicada?&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Como vimos, a expressão psicanálise aplicada é muito vaga e pode ser usada para a aplicação dos conhecimentos da psicanálise a várias situações. Podemos usá-la para referir-nos ao uso dos conhecimentos psicanalíticos para conhecer o homem e ainda assim não estaremos gerando o objeto psicanalítico, pois mais condições são exigidas para a geração deste objeto. Somente podemos gerar o objeto psicanalítico quando aplicamos o método psicanalítico ao homem. Mesmo assim, uma condição adicional deve ser cumprida, a de &lt;em&gt;o homem encontrar-se em condição de análise&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Muitas impropriedades são cometidas por aqueles que abraçam uma ciência em formação. Nos primórdios pessoais de nossos conhecimentos psicanalíticos ou nos primórdios da construção do saber psicanalítico, foi freqüente que tenhamos incomodado a todos que nos cercavam com nossas desagradáveis e inadequadas interpretações, espalhadas a torto e a direito, sem que aqueles que as recebiam estivessem &lt;em&gt;em  condição de análise —&lt;/em&gt; psicanálise silvestre como Freud (1910) mostrou tão claramente, sem dúvida. É interessante uma das afirmações de Freud, neste texto, para o prosseguimento de nossa argumentação, mais adiante: “De vez, no entanto, que a psicanálise não pode abster-se de dar essa informação, prescreve que isto não se poderá fazer antes de que duas condições tenham sido satisfeitas. Primeiro, que o paciente deve, através de preparação, ter alcançado ele próprio a proximidade daquilo que ele reprimiu e, segundo, deve ter formado uma ligação suficiente (&lt;u&gt;transferência&lt;/u&gt;) com o médico para que  seu relacionamento emocional com este torne uma nova fuga impossível."&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para distinguirmos as várias formas ou aplicações de nossa disciplina, penso ser justa a proposta de Fábio Herrmann (Herrmann, 1979) de reservar “a inicial maiúscula (Psicanálise) para designar a disciplina e aquilo que a ela se refere em âmbito de totalidade, como seu método; grafando com minúscula (psicanálise), quando o termo se refere à terapia analítica ou a outras formas particulares de exercício psicanalítico.” Ou chamar os passeios do divã exatamente de “Divã a Passeio” (Herrmann, 1992). Ou ainda, como sugeriu o tema do número mais recente de uma publicação brasileira sobre psicanálise, &lt;em&gt;Jornal&lt;/em&gt; &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Psicanálise&lt;/em&gt; (1997):  "Psicanálise sem divã".&lt;/p&gt; &lt;p&gt; A primeira proposta de Fábio Herrmann parece-me a melhor, apesar de manter juntas a “terapia psicanalítica ou outras formas particulares de exercício psicanalítico”; por esta razão, vou continuar escrevendo sempre com minúsculas, pois eu gostaria de ter uma forma para grafar o método, outra para a terapia psicanalítica e outra, ainda, para formas particulares de exercício psicanalítico. Poderia ser &lt;span style="font-family:Symbol;"&gt;Y&lt;/span&gt;sicanálise, como Freud sugeria em seus manuscritos, mas acho que seria complicar demais. As outras são interessantes, mas devem ser reservadas às situações em que foram usadas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Somente gostaria de registrar que, quando digo que não é psicanálise, estou me referindo exatamente à situação em que o objeto tratado não é &lt;em&gt;o objeto psicanalítico criado pela  aplicação do método psicanalítico&lt;/em&gt;. A forma correta de dizer seria: não se criou o objeto psicanalítico e, se não se criou o objeto psicanalítico, o ato científico que se deu não foi psicanalítico. Pode até ter sido um ato psicanaliticamente psicoterápico.&lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt;1 - Na época da conclusão deste texto não tinha tido ainda contacto com o importante texto “Prática do Método Psicanalítico.” (Le Guen, 1982) e não haveria tempo de introduzir modificações que esse texto pudesse sugerir-me.&lt;br /&gt;2 - Grifo meu.&lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-4388184834507389847?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/4388184834507389847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=4388184834507389847' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/4388184834507389847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/4388184834507389847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/mtodo-psicanaltico-3-o-mtodo-da.html' title='Método Psicanalítico: 3 - O Método da Psicanálise'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-8733673319972168757</id><published>2008-06-11T10:21:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:04:27.492-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Método Psicanalítico: 2 - O Método da Ciência'/><title type='text'>Método Psicanalítico: 2 - O Método da Ciência</title><content type='html'>&lt;p&gt;Estes fatores, embora tenham contribuído para o esclarecimento do conceito de método e de objeto de cada ciência nos dias de hoje, ainda estavam muito no início de sua discussão e concepção quando da descoberta da psicanálise por Freud e, no meio psicanalítico, os termos ainda guardam a imprecisão de tempos anteriores, do fim do século passado. Assim, nós psicanalistas, somente agora podemos abeberar-nos desta evolução na filosofia para tentar conceituar nosso método e nosso objeto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Por este motivo o método psicanalítico tem recebido o mesmo tratamento impreciso pela grande maioria de nossos colegas. Seria melhor dizer que é raro que colegas se debrucem reflexivamente sobre o conceito de método psicanalítico, ou seja, que indaguem e busquem esclarecer qual é, exatamente, o método de nossa ciência.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pelo fato de a psicanálise ter sido descoberta por Freud antes desta evolução, era de se esperar que Freud também cometesse as mesmas confusões próprias à ciência vigentes na sua época. Nem mesmo o texto “O Método psicanalítico de Freud” (Freud, 1904 [1903]) é um detenimento reflexivo sobre o método mesmo quando este dá o nome ao artigo. Este texto deixa bem claro, entretanto, que é o método psicanalítico que distingue o que seja psicanálise: “O método psicanalítico específico que Freud emprega e descreve como psicanálise...”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ou seja, método e disciplina confundem-se em uma única coisa. Logo abaixo, no mesmo texto, começa a confusão que vai estender-se primeiro entre método e processo, depois, entre método e técnica. Aquela mesma confusão que encontramos ao tentar encontrar o conceito de método na filosofia e nas outras ciências.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Vejamos pequenas citações, incompletas, todas do mesmo texto:&lt;/p&gt; &lt;p&gt; “... Freud reviveu este  processo...” Quando está falando do método..&lt;/p&gt; &lt;p&gt;“As modificações que Freud introduziu no método de tratamento catártico de Breuer foram, de início, modificações de técnica...” Aqui, está falando de método e modificações técnicas, mas não dispõe ainda de recursos para separar método do seu conjunto de técnicas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Expondo as razões pelas quais deveria procurar um substituto para a hipnose, Freud diz: “A menos que se pudesse produzir um substituto para esse elemento ausente, qualquer efeito terapêutico estava fora de cogitação.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Freud encontrou este substituto — um substituto bem satisfatório —  nas ‘associações livres’ dos seus pacientes, ...”&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Assim Freud afirma ter encontrado um substituto para a hipnose, seguramente uma parte técnica do método catártico. Portanto, esta última passagem deixa claro serem as associações livres um substituto para a parte técnica do método, a hipnose. É metonímica a tomada da associação livre pelo método psicanalítico, ela é em verdade “uma parte do método”, uma de suas questões técnicas, como vimos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; A afirmativa de ser a associação livre a parte técnica do método psicanalítico é compartilhada por Renato Mezan (Mezan, 1996) que, estudando o mesmo texto, cita esta passagem, de Freud, bastante esclarecedora: “Este trabalho de interpretação aplica-se não somente às idéias do paciente” — às associações livres, portanto — “como também aos seus sonhos, que desvendam a abordagem mais direta a um conhecimento do inconsciente, às suas ações não intencionais e também às sem objetivo (atos sintomáticos) e aos erros grosseiros que pratica em sua vida cotidiana (lapsos de linguagem, erros palmares e assim por diante).” Ou seja, é sobre tudo isto que se aplica o método psicanalítico — a interpretação — usando, sim, uma técnica — a técnica da associação livre.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nos artigos sobre técnica, a afirmação: “... a regra fundamental da psicanálise, que estabelece que tudo que lhe venha à cabeça deva ser comunicado sem crítica, ...” (Freud, 1912) merece uma nota de rodapé de James Strachey na qual mostra mais uma vez a característica de técnica e não de método da associação livre: “Este parece ser o primeiro emprego do que doravante tornou-se a descrição da regra&lt;strong&gt; técnica &lt;/strong&gt;essencial.”  Assim, parece mesmo não nos restar senão tomar a associação livre como regra  técnica e não metodológica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Há outras ocasiões em   que Freud toma técnica por método, vejamos: “Descobrimos &lt;strong&gt;métodos técnicos&lt;/strong&gt; de preencher as lacunas existentes nos fenômenos de nossa consciência...” (Freud, 1940 [1938]) ou “... fazer uma escolha entre dois &lt;strong&gt;métodos  ou técnicas&lt;/strong&gt;.” (Freud, 1940a [1938])&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Parece, portanto, que, quanto à precisa conceituação de método psicanalítico, não podemos contar com Freud, mas quanto à questão de ser a associação livre uma regra técnica, penso que sim. Há, além da passagem citada, uma outra que nos ajuda a pensar desta forma: “Fazemos um pacto com o paciente. O ego enfermo nos promete a mais completa sinceridade — isto é, promete colocar à nossa disposição todo o material que a sua autopercepção lhe fornece; garantimos ao paciente a mais estrita discrição e colocamos a seu serviço a nossa experiência em &lt;strong&gt;interpretar&lt;/strong&gt; material influenciado pelo inconsciente.” Ou seja, sobre a associação livre, aplicamos a interpretação — o método psicanalítico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Outra constatação “A hipnose, contudo, desempenhara o serviço de restituir à lembrança do paciente aquilo que ele havia esquecido. Era necessário encontrar alguma outra técnica para substitui-la e a Freud ocorreu a idéia de colocar em seu lugar o método da ‘associação livre’.” (Freud, 1924 [1923]). Ou seja, Freud fala de técnica (uma outra “&lt;u&gt;técnica&lt;/u&gt;”) e, em seu lugar,  propõe “o &lt;u&gt;método&lt;/u&gt; da associação livre”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Acresçam-se as importantes críticas feitas ao associacionismo por Jacques Lacan (Lacan, 1936) e, entre nós, por Isaías Melsohn (Melsohn, 1973, 1978 e 1991).&lt;br /&gt;Um fator importante para agravar a situação da imprecisão foi, sem dúvida, a compreensão distorcida da recomendação de nos afastarmos da teoria para melhor apreensão dos nossos pacientes&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; O viés da metodologia científica é o viés comum a toda ciência e nos aponta, agora, o caminho para a sistematização do conceito de método psicanalítico. Este viés propõe uma pergunta que deve ser respondida: se a psicanálise é uma disciplina científica, qual é seu método e qual é seu objeto? Acompanho Heinz Hartmann (Harrtman, 1958): “A característica que distingue uma investigação psicanalítica não é o tema sobre o qual se debruça, mas a metodologia científica e a estrutura dos conceitos que usa.”&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Como vimos, no momento, a metodologia científica já tem como seu que o objeto de cada ciência é ditado pelo método de pesquisa, o objeto de cada ciência é aquele estudado com o método da ciência em questão. Aplicamos o método de uma ciência e seu objeto surge aos nossos olhos. Dito de outra forma, diante dos conhecimentos atuais, o objeto de uma ciência é todo objeto &lt;em&gt;criado&lt;/em&gt; pela aplicação do método da  ciência com o qual nos proponhamos estudá-lo.&lt;br /&gt;Não confundamos com o objeto artificial criado pela aplicação direta das teorias ao paciente. Se aplicarmos as teorias kleinianas ao nosso paciente, surgirão, sem dúvida, o paciente da posição esquizoparanóide, o da posição depressiva, o da culpa depressiva, etc. Se aplicarmos, por outro lado, o corpo de teorias lacanianas, surgirá, sem dúvida, o sujeito descentrado, ou seja o sujeito cujo pensar se dá em instância alheia ao conteúdo do pensar consciente. E assim, com os conceitos de Winnicott de um si mesmo falso e um verdadeiro; os de Kohut e o ego autônomo, enfim, surgirá sempre o &lt;em&gt;paciente criado&lt;/em&gt; (Herrmann, 1991) pela  aplicação do método dentro da camisa de força de qualquer teoria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Qualquer objeto que tomarmos para estudo será objeto da física se for estudado com a aplicação do método da física, se esse lhe for aplicável. Se tomamos seu peso, suas dimensões, usando um dos sistemas de medida consagrados pela física (CGS, MKS), se calculamos seu centro de gravidade, sua elasticidade, seu calor específico, etc., ele será um objeto da física e &lt;em&gt;ele, criado pela física, passará a  chamar-se, agora, corpo. &lt;/em&gt;Se, por outro lado, fazemos com que entre em contato com outro objeto para observar que reações ocorrem entre eles e que nova combinação de elementos estas reações terão gerado, estaremos examinando-o com o método da química e &lt;em&gt;ele, criado  pela química, passará a chamar-se, agora, substância&lt;/em&gt;, ou, se preferirmos,  receberá, na pia batismal, o nome de substância, filha legítima da química&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Assim com a psicanálise.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Será objeto da psicanálise aquele objeto que for estudado com o método da psicanálise se esse método lhe for aplicável. Ou, sendo mais preciso, será objeto da psicanálise aquele objeto &lt;em&gt;criado&lt;/em&gt; pela aplicação do seu método e por meio dele estudado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt;&lt;p&gt;1 - Em todas as citações, os grifos são meus.&lt;br /&gt;2 - Recorde-se que esta recomendação foi extraída de uma observação de Freud: “Tal aplicação da hipótese também poderia trazer consigo um retorno proveitoso da cinzenta teoria para o verde perpétuo da experiência.” (Freud, 1924 [1923]). Freud parafraseia o &lt;em&gt;Fausto&lt;/em&gt; de Goethe  (Goethe, 1832). Foi uma escolha infeliz de Freud, pois a frase parafraseada:&lt;br /&gt;“Cinzenta, caro amigo, é toda teoria,&lt;br /&gt;Verdejante e dourada é a árvore  da Vida!”&lt;/p&gt; &lt;p&gt; é dita por Mefistófeles depois de  pensar:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;“Já  cansei de falar austero e com bom siso,&lt;br /&gt;  Vou passar a expressar-me, agora,  qual demônio.”&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Segue-se longa explanação sobre a medicina e a ciência, uma intervenção de Fausto e, a seguir, a frase de Mefistófeles falando, portanto, como demônio, sem dúvida, um mau conselheiro. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-8733673319972168757?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/8733673319972168757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=8733673319972168757' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/8733673319972168757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/8733673319972168757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/mtodo-psicanaltico-2-o-mtodo-da-cincia.html' title='Método Psicanalítico: 2 - O Método da Ciência'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-1958666397375146267</id><published>2008-06-11T10:20:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:04:32.203-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Método Psicanalítico: 1 - O Método e o Objeto'/><title type='text'>Método Psicanalítico: 1 - O Método e o Objeto</title><content type='html'>Desde Platão, o método para alcançar o conhecimento foi uma preocupação da filosofia. Descartes concebeu três métodos: o dedutivo, o indutivo e o anagógico. Este último ficou perdido no emaranhado da teoria do conhecimento desde que, tendo sido adotado pela religião, passou a ser chamado de revelação. Quando Santo Agostinho resolve o problema da eternidade de Deus, deixa de ser agnóstico e relata seu encontro com Deus como uma apreensão de sua existência somente depois de ter tido uma compreensão que abrangia um conhecimento que se dera como um todo, de trás para diante, somente depois que tivera o total conhecimento, ou seja a revelação. Desta forma, tal maneira de alcançar o conhecimento quase passou a ser apenas uma forma que se restringia à conversão religiosa. Entretanto, não é uma forma incomum de se alcançar o conhecimento científico e filosófico, pois muitas inteligências não alcançam o conhecimento por acumulação sucessiva, mas somente depois que conseguem apreender a totalidade dos elementos ligados a determinado saber, exatamente, de trás para diante e como que de repente. &lt;p&gt; Podem ser arroladas como exemplos simplistas desta forma de alcançar o conhecimento — o método anagógico —: a queda da maçã de Newton, a heureca de Arquimedes e um relato feito por Ernst Cassirer segundo o qual estava empurrando o carrinho de bebê com sua neta, quando concebeu repentinamente toda a organização da Filosofia das Formas Simbólicas, abandonou o carrinho e foi correndo ao seu gabinete começar a escrever; depois disto levou 8 anos para completar seus três volumes de 1921 a 1929 (Cassirer, 1921-1929). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Os outros dois métodos, o dedutivo e o indutivo, são muito mais difundidos e dispensam maiores comentários. São todos, entretanto, métodos para alcançar o conhecimento em geral. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Seria função da filosofia, e de cada uma das ciências que se foi desmembrando dela, passar a indagar qual é o método que cada ciência passou a utilizar e, depois, fazer nova indagação: qual é o objeto de cada uma dessas ciências. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O método de cada ciência é de grande importância na sua consolidação, pois é ele que leva o indivíduo a passar da observação ingênua para a observação científica e foi isto que não escapou à observação de Karl Marx quando proferiu sua já famosa expressão: “Se as coisas fossem como parecem ser, não haveria a necessidade da ciência.”. E, para que elas transpareçam como são é necessário que sejam estudadas metodicamente. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Por isto mesmo é que é aqui que começam as grandes dificuldades, pois como as ciências foram se destacando da filosofia guiadas por motivações diversas, várias eram as formas de definirem seu objeto e seu método. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Aparentemente, ao inverso do que deveria ter sido, destacavam-se pelo objeto ao qual iriam dedicar-se. O primeiro passo foi a definição de qual era o objeto da ciência: o mundo físico, competia à física; a maneira de os objetos se alterarem ao serem colocados uns em contatos com os outros e as leis que regiam estas transformações, competiam à química e assim por diante. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A dificuldade de se definir um objeto mostrou como esta escolha foi uma clara inversão de procedimentos, como toda a filosofia e a ciência tem claro hoje em dia.&lt;br /&gt;Passou-se, então, a definir o objeto de uma ciência como aquele objeto que era estudado por seu método. Simples. Se uso o método da física para estudar, por exemplo, um copo, este será objeto da física. Se sobre o mesmo copo, aplico o método da química, este será objeto da química. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Quais são, entretanto, os métodos da química e da física? &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Começa nova dificuldade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; De pronto o método é definido com o conjunto de técnicas usadas por uma ciência. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Não nos dávamos conta que, definindo o método desta forma, estávamos definindo-o pela técnica, instrumento de uma ciência da qual o método deve ser destacado, pois precede-a sendo-lhe superior. Técnicas de pesagem, usamos tanto na química quanto na física, outro exemplo simples. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No que diz respeito à psicanálise, clara fica a confusão quando se tomam normas técnicas por método. Fazemos assim com questões como a freqüência semanal e a duração de sessões; oportunidade adequada para uma interpretação: somente quanto o paciente estiver a ponto de perceber (Freud); ou, no momento em que o analista perceber, deve comunicar ao paciente, pois ele pode não ter oportunidade de voltar a falar ao paciente (Bion); ou ainda, nada de interpretações, somente o assinalamento do significante e, quando fizermos esse assinalamento, procedemos imediatamente ao corte (Lacan). Regras de como o paciente deve comunicar-se com o analista — associação livre —, ou de como o analista deve usar sua atenção — flutuante. Regras, portanto, regras técnicas, não o método psicanalítico.&lt;br /&gt;O Método é definido, ainda, pela etmologia da palavra — recurso usado por Herrmann nos Andaimes do Real (1979) —, caminho para um fim, o que destrinça, mas não esclarece, não define no sentido de mostrar um meio definitivo para encontrarmos o caminho de cada ciência. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Devemos dispor de um conceito de método que não seja somente uma forma de reunir o conjunto hipotético de suas partes técnicas nem somente a origem etmológica da palavra, embora, utilizando-se deste recurso no local citado, Herrmann nos remeta a uma forma interessante de discriminar método de processo e de técnica. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Paralelamente a estas questões que se vêm propondo à filosofia, outra, muito próxima, também vem se impondo e recebendo soluções, qual seja a já apontada dificuldade de se definir o objeto. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;O que é objeto?&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Se é o objeto do mundo dado, ao qual a ciência devia dedicar sua observação, progressivamente a filosofia foi-se defrontando com outro problema. Como um cajado, objeto dado do mundo, era o apoio para um trôpego, o símbolo de poder de um rei, o símbolo de poder de um xamã, um objeto de arte que pousava ornamentando um canto isolado de uma sala? Propunha-se uma questão: era o mesmo objeto? Eram objetos diferentes?&lt;br /&gt;A filosofia crítica propôs-se a separar coisa-em-si de objeto e, a princípio, começou-se a distinguir forma de conteúdo, depois essência de substância como forma de resolver esta questão. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Entretanto, assim como Karl Marx demonstrou serem uma coisa só a forma e o conteúdo, Ernst Cassirer, na filosofia, e Albert Einstein, na física, demonstraram ser uma só coisa a essência e a substância. O objeto vai, então, perdendo a consistência conceitual que adquirira com a filosofia crítica, segundo a qual, todo conhecimento estava determinado pelos dados apriorísticos de tempo e espaço e, por seu ramo empirista, provinha da experiência. O objeto passa a necessitar de uma nova conceituação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; É neste momento que confluem a pouca especificidade do conceito de método e do conceito de objeto e, nesta confluência,  acabam por alcançar maior especificidade. Na nova filosofia fenomenológica de Hurssel (1929), Cassirer (1921-1929), Merleau-Ponty (1945), com a ajuda da lingüística moderna de Ferdinand de Saussure (1906-7, 1909-1911)&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt; e tantos outros, o objeto é concebido como criação da consciência no momento imediato de sua percepção. Assim, o símbolo de poder do rei é um objeto, o apoio de um trôpego é outro, o símbolo do poder de um xamã outro ainda e mais um outro, é o objeto estético. Aquilo que chamamos cajado é o suporte expressivo, ou o referente, sobre o qual a consciência cria 4 objetos dependendo da forma segundo a qual está organizada. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; De que ajuda pode ser esta mudança de conceitos na filosofia de utilidade para a ciência? Pode facilitar-nos a tarefa de afirmar que o objeto de uma ciência é aquele criado pela aplicação do método da ciência. Assim, um mesmo suporte expressivo pode ser: ora o objeto de uma ciência, ora de outra, se lhe aplicarmos o método desta ou daquela outra. Mas, o mesmo suporte expressivo pode também ser objeto da arte se nossa consciência, ao percebê-lo, está esteticamente organizada. Ainda pode ser um objeto mágico se nossa organizamos para apreendê-lo como objeto mítico. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Assim, aquele nosso copo é objeto da física, quando estudado pelo método da física; é objeto da química quando estudado pelo método da química; é objeto estético quando utilizado para ornamentar um painel e visto com os olhos da estética; é objeto do mito quando usado para percorrer letras, formando frases ditadas por espíritos que já habitaram entre nós, ou ainda, é um objeto também mítico quando, com pequena quantidade de vinho, é alçado acima da cabeça de um sacerdote em oferenda a um Deus tornando-se, então, consagrado. Repito, são objetos diferentes segundo a forma de a consciência organizar-se para conceber cada qual. Parece que voltamos ao ponto inicial, entretanto, tentarei, quando tratar do objeto e do método da psicanálise, especificar melhor quais mudanças foram proporcionadas pela confluência referida acima. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O mesmo se dá com o objeto da psicanálise. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; É objeto da psicanálise aquele objeto estudado, ou criado, pela aplicação do método da psicanálise. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; As ciências têm ainda a necessidade de distinguir entre seu objeto, aquele estudado pela aplicação de seu método, dos objetos aos quais aplicamos seu conhecimento, os objetos aos quais aplicamos não o método da ciência, mas o conhecimento propiciado pela aplicação do método. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Podemos aplicar os conhecimentos psicanalíticos a uma obra de arte para melhor compreendermos suas formas expressivas sem que estejamos aplicando seu método, embora estejamos aplicando, legitimamente, seus conhecimentos. Não estaremos criando o objeto psicanalítico, pois este somente se cria pela aplicação do método psicanalítico, mas estaremos usando os conhecimentos oriundos da aplicação do método psicanalítico formando um corpo teórico consistente. Assim como, quando diluímos acido sulfúrico lentamente em água, não estamos criando nenhum objeto da física, nem da química, mas aplicando os conhecimentos da físico-química. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Este é o percurso que tentarei fazer, neste texto, quanto ao método psicanalítico e o objeto da psicanálise.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-1958666397375146267?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/1958666397375146267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=1958666397375146267' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1958666397375146267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1958666397375146267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/mtodo-psicanaltico-1-o-mtodo-e-o-objeto.html' title='Método Psicanalítico: 1 - O Método e o Objeto'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-4147085357438594364</id><published>2008-06-11T10:19:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:04:36.742-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conhecimento Pessoal'/><title type='text'>Conhecimento Pessoal</title><content type='html'>&lt;p&gt; Quando discutimos sobre o inconsciente, sua relevância e influências sobre nossa vida diária, e falamos de nosso interesse em confrontá-lo para obtermos um maior alargamento de nossa consciência; com certeza não estamos lidando com um assunto exclusivo da psicologia profunda, que tem o inconsciente como objeto de investigação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ironicamente tudo começou no início do sec. XVIII , a Era da Razão, com o renascimento de técnicas antigas e esotéricas de cura, indução de transe e alteração da consciência, reintroduzidas por Franz Anton Mesmer (1734-1813), um médico vienense com crenças em astrologia. Iniciando assim uma nova era de exploração da consciência. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mesmer sentiu que os planetas afetavam os seres humanos através de uma influência que se assemelhava ao magnetismo, e começou a tratar seus pacientes aplicando magnetos em seus corpos. Mais tarde ele parou com os magnetos e defendeu a influência curativa emanada das mãos e do sistema nervoso do curador; no caso, ele. Este procedimento se difundiu por toda a Europa como uma crença fetichista – animação de um objeto inanimado –elevando um conceito primitivo a partir do que mais tarde viria a ser denominado de inconsciente. A esta influência sobre as pessoas e objetos ele nominou &lt;em&gt;Magnetismo Animal&lt;/em&gt;, que ele acreditava poder ser transmitido para objetos que se segurasse e tocasse.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Só para fins históricos, em 1784, o governo francês apontou uma comissão oficial para investigar Mesmer. Entre seus membros estavam Antoin Lavoisier –fundador da química moderna –e Benjamim Franklin. A comissão reportou que o fluído magnético era um mito, apesar da técnica resultar em algumas curas, todos concordaram que Mesmer jogava com a imaginação de seus pacientes. Apesar deste dado ter sido usado para destruir a reputação de Mesmer, acabou sendo um fator importante para a construção da psicologia moderna. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O habito de fazer objetos inanimados se movimentarem acabou se libertando de um entendimento primitivo induzido por Mesmer e alcançou o nível da crença nos espíritos. Que por sua vez já surgia como uma recuperação das religiões Xamânicas de nossos antepassados. O elo de ligação entre Mesmerismo e Espiritismo foi evidenciado pelas pesquisas do Barão Karl von Reichenbach, um químico e industrial alemão, descobridor da parafina e vários outros compostos orgânicos. Em 1840 ele começou uma série de experimentos com magnetismo animal e descobriu que certas pessoas, a quem ele chamou de sensitivas, eram capazes de ver um brilho luminoso em torno de magnetos e cristais, o qual ele chamou de &lt;em&gt;força ódica&lt;/em&gt;. Este desenvolvimento na observação dos fenômenos reativados do inconsciente, nos levou no início do século a uma expansão de níveis subseqüentes de evolução, i.e., de sistemas gnósticos ecléticos, à teosofia e antroposofia, como também aos primórdios da Psicologia Analítica na figura de Jung que procurava averiguar cientificamente tais fenômenos do inconsciente. Os mesmos fenômenos que acabaram criando também outras vertentes ao se tornarem acessíveis à natureza ingênua das seitas teosófico-gnosticas, sob a força de mistérios. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Graças a este interesse e especulações da Psicologia Analítica em tradições étnicas que promovem as diferenças em padrões de condutas culturais, que nos foi possível focalizar a atenção em procedimentos xamânicos de se lidar com um simbolismo direcionado na busca da cura, ou melhor, na resolução dos conflitos internos através de rituais simbólicos, nos ofertando uma perspectiva importante para lidarmos com o nosso jeito analítico de perceber o material inconsciente de nossos pacientes. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Existe uma similaridade entre análise profunda e a cura xamânicas, que simplesmente não podemos deixar de valorizar ao lidarmos com um material, em nosso trabalho de investigação de certos tipos de produção simbólica. A diferença é que o Xamã toma parte ativa em uma cerimônia de cura. Na análise Junguiana é o paciente que produz o material ao entrar em processo analítico, como uma experiência ativa de auto-cura, auxiliado pelo analista. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O que interessa ao Xamã, a nível arcaico, é a magia existente em nosso processo de individuação. E, nas experiências de doença, morte e cura xamânicos podemos observar a idéia do sacrifício, desenvolvimento e reconstituição da totalidade. E conseqüente elevação do homem à uma condição digna de vida. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O que acontece é que muitas de nossas doenças somáticas são agravadas através de uma atuação inquestionável de nosso material psíquico. O Xamã valoriza isto, uma vez que ele dá ao paciente a oportunidade de fixar a sua fé em sua misteriosa personalidade mágica através de gestos ritualísticos e toda uma parafernália instrumental que o acompanha.. Deste modo, o curandeiro consegue ativar a psique do enfermo, e esta vai ajudá-lo a trazer a saúde para aquele corpo fragilizado. Além disto, o Xamã também tem que acreditar em suas fórmulas caso contrário ele perderá todo o seu tom convincente e seguro. E seu trabalho não obterá um resultado satisfatório. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Meier entende que existe uma conexão entre a cura de doenças somáticas por meios de processos psicológicos e o fenômeno da sincronicidade. Isto significa que existe uma relação entre psique e soma, mas que não é uma relação de causa e efeito. Soma e Psique formam um par de opostos, cuja reconciliação em caso de distúrbio, parece depender da emergência de um símbolo, e este símbolo é o &lt;em&gt;tertium, &lt;/em&gt;um terceiro componente, uma força maior que nos forja os sintomas corporais.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Quando Paracelsus nos fala de sintomas, devemos também nos recordar de sua história etimológica que significa "&lt;em&gt;a coincidência em um"&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;ou "&lt;em&gt;a convergência de pelo menos duas magnitudes". &lt;/em&gt;A palavra grega &lt;em&gt;symptoma &lt;/em&gt;tem como sinônimo latino a palavra &lt;em&gt;coincidentia. &lt;/em&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Parece então que a cura só pode acontecer através da constelação de um &lt;em&gt;tertium &lt;/em&gt;- um símbolo ou arquétipo que surge como um evento sincronístico, uma coincidência significativa, e não como uma cadeia de causa e efeito. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Os distúrbios entre soma e psique são melhores vistos como manifestações equivalentes de um poder o qual está obstruindo o fluxo livre da energia vital. Eles expressam as obstruções e os ferimentos da alma. E o homem só pode descobrir o que é preciso para a restauração do equilíbrio, escutando e refletindo sobre os movimentos sutis da alma à medida que ela se expressa em sensações corporais, sentimentos, emoções, imagens, idéias e sonhos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Num estágio superior, este procedimento implicaria em uma experiência de contatar esta força curadora dentro de si mesmo. Jung em uma palestra para os estudantes do C.G. Jung Institute de Zurique, em 1958, (3 anos antes de sua morte) ressaltou a necessidade de conhecermos uma orientação infinitamente inteligente que existe dentro de nós, a qual se referia como o &lt;em&gt;"o velho de dois milhões de anos&lt;/em&gt;" ou às vezes como o &lt;em&gt;"grande homem&lt;/em&gt;" . Ele sempre aconselhava seus alunos a trabalharem seus pacientes em análise para que eles estabelecessem uma conecção com esta entidade curadora interior. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Barbara Hannah em seu livro &lt;em&gt;Active Imagination &lt;/em&gt;comenta que Jung deve ter experienciado este "&lt;em&gt;grande homem&lt;/em&gt;" bem cedo em sua infância a quem ele dava o nome de Personalidade No. 2, apesar dele, naquela época, achar que este homem vinha do séc. XVIII. Ele diz em suas memórias: &lt;em&gt;"então para minha confusão, me ocorreu que eu era na realidade duas pessoas . Uma delas era um garoto que não conseguia entender álgebra, e inseguro de si mesmo; o outro era importante, uma grande autoridade, um homem que não se podia brincar....Este ‘outro’ era um velho que viveu no século XVIII, usava sapatos com fivelas, peruca branca e dirigia uma carruagem com rodas traseiras grandes com a cabine suspensa por molas e tiras de couro". &lt;/em&gt;E, parece que foi somente aos poucos que ele foi tomando consciência da dimensão da idade deste personagem, que mais tarde veio a chamar de o "velho de dois milhões de anos", quando ele próprio já passava dos 80. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A partir do momento que o homem descobriu a existência do desconhecido dentro de si mesmo, tornou-se de vital importância descobrir algo a respeito deste lado obscuro do qual não temos a menor consciência. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Temos feito o possível para suprimir os aspectos subjetivos de nossa experiências, tomando uma postura unilateral de enfatizar cada vez mais uma forma que poderia ser chamada de prática e racional, a fim de nos posicionarmos no mundo material e objetivo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas por outro lado, como uma reação natural à esta unilateralidade, todo o material inconsciente reage numa investida feroz, na forma de compulsões irracionais, ou sonhos perturbadores em um nível muito mais profundo cujas representações fogem por completo de nosso cotidiano, tendo como origem algum lugar totalmente diferente. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Podemos ter certeza de que quanto mais nos afastarmos deste material inconsciente, mais estaremos criando um pesadelo da maior espécie. A nossa vida psíquica se inicia no estado inconsciente, e somente com muito esforço chegamos a um estado de ser consciente. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Talvez, o que hoje chamamos de nossa consciência normal seja apenas um fator obscurecido por estados emotivos e pensamentos condicionados por complexos absurdos imputados a nós ao longo da historia da humanidade. Um desfile sem fim de preconceitos, traumas e dogmas que acabou por separar o nosso mundo objetivo da forma física de nossa verdadeira essência interior que por frações infinitesimais de consciência, podemos vislumbrar. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Um instrumento precioso para este empreendimento seria o estudo, ou maior contato com os sonhos. Uma vez que estes são vistos como os mensageiros do inconsciente. Mas aí mesmo surge uma dificuldade para tal, pois eles usam uma linguagem simbólica que se torna muito difícil desvendar. Principalmente quando se trata de nossos próprios sonhos, pois eles nos dizem coisas que não sabemos e que não temos o menor desejo de saber, a respeito de nós mesmos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No início quando Jung ainda procurava desenvolver um maior contato com o inconsciente e usava a técnica Freudiana de interpretação de sonhos, que tem como premissa o fato de que os sonhos são uma satisfação de desejos reprimidos; ele pensava que quando a análise estivesse terminada, os seus pacientes continuariam mantendo um contato adequado com o inconsciente através da compreensão de seus sonhos. Mas isto não acontecia. E foi somente depois dele próprio não compreender uma grande quantidade de seus sonhos que percebeu o quanto inadequado este método era. E assim se viu obrigado a pesquisar mais. O comprometimento que se deve ter para se confrontar o inconsciente com suas experiências externas, é uma coisa muito séria. Como também um grande risco, quando tentamos nos afastar das questões corriqueiras e familiares de nosso mundo consciente para encararmos algo inteiramente desconhecido do mundo inconsciente. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Apesar da maioria de nossos anseios, visões e fantasias muito se assemelharem àquelas vividas por pacientes psiquiátricos, podemos afirmar com toda certeza que o inconsciente em si não é perigoso. Seria inadmissível pensar que compondo nossa estrutura psíquica existisse um mecanismo destrutivo agindo por meios escusos. Usando de artifícios simbólicos para não entendermos o que está acontecendo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Na verdade o perigo deste confronto com o inconsciente repousa no medo que se apodera de nós quando nos deparamos com algo inesperado, ou quando sentimos que estamos perdendo contato ou controle de nosso mundo consciente. Isto nos tira tanto do prumo que não é de se admirar porque somente poucas pessoas se aventuram nesta empreitada. Para nos lançarmos num abismo é preciso primeiro termos uma ancora bem firmada em terra sólida. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Jung nos relata em suas memórias que se não fosse por sua família, casa e profissão, ele não teria tido forças para suportar a sua própria tarefa árdua de confronto com o inconsciente. Do mesmo modo também que ele relata que quando Nietzche se submeteu à mesma jornada, ao escrever &lt;em&gt;"Assim falou Zaratustra"&lt;/em&gt; se viu jogado como uma folha solta numa ventania porque ele não tinha raízes nem obrigações com o mundo externo. Seria extremamente penoso e de grandes conseqüências se tentássemos desenvolver um só lado. Estaríamos desenvolvendo um grande conflito de conseqüências imprevisíveis se nos aventurássemos em um salto no grande abismo sem nos assegurarmos um desenvolvimento de uma consciência integradora que nos garanta segurança e inteireza nas ações. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Quando tememos o desconhecido, criamos perigo em nosso caminho culminando na deformação dos conteúdos inconscientes, transformando-os em figuras sombrias e monstruosas. E, a nós, seres tementes do julgo destes conteúdos, Jung escreve, em &lt;em&gt;Psicologia e Alquimia&lt;/em&gt; , que a máscara do inconsciente não é rígida. Ela simplesmente reflete a nossa própria face quando nos voltamos para ele. Hostilidade lhe dá um aspecto ameaçador e benevolência suaviza os seus traços. Portanto é da maior importância percebermos que existe tanto componentes pessoais quanto impessoais neste cartel. Fato que não podemos alterar. Logo não há razão para rejeitá-lo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Esta percepção já há muito foi observada pela sabedoria popular que afirma que se você não pode derrotar seus inimigos, junte-se à eles. Se nós pudéssemos aceitar com tranqüilidade estes conteúdos inconscientes, com certeza descobriríamos que eles não são tão ruins assim. E esta aceitação não quer dizer que devamos inverter a polaridade das coisas e afirmar que estas experiências são boas. Apesar de existir uma verdade que afirma que não crescemos sem sofrimento, não precisamos nos forçar a gostar disto. É a nossa realidade judaico-cristã nos impõe uma visão que nos remete a um dualismo de bem e mal, punição e redenção. E todos nós sabemos, nas entranhas, de que não é exatamente assim. Ninguém poderá nos convencer de que, quando sofremos ou percebemos algum aspecto negativo de nós mesmos, é bom. Jung pelo menos conseguiu colocar isto de uma outra maneira. Barbara Hannah nos relata que após ter sonhado com um aspecto de sua sombra, do qual ela já havia previamente trabalhado, procurou Jung que lhe disse o seguinte: &lt;em&gt;"Agora sua consciência tem menos brilho, mas é muito mais ampla. Você sabe que como uma mulher indiscutivelmente honesta, você também pode ser desonesta. Isto pode ser desagradável, mas é verdadeiramente um grande ganho". &lt;/em&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ter a mente estreita significa ser limitado em aceitar as próprias limitações, e não, que estas limitações sejam um obstáculo à sua personalidade. Na verdade deveríamos deixar as coisas acontecerem mais naturalmente. Confiar-se ao inconsciente sem qualquer constrangimento, resistência ou racionalização de qualquer tipo que por ventura pudessem obscurecer ou distorcer as imagens desta realidade interna, acaba sendo uma boa maneira para nos posicionarmos quando nos preparamos para este confronto. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Lá no início quando Mesmer foi acusado de jogar com a imaginação das pessoas resumia em uma prática que tornou-se quase que a diretriz para a confrontação com o inconsciente, com o objetivo de expandir nossa consciência e promover individuação e inteireza das ações. Lidar com nossas fantasias e figuras que emergem de nossos sonhos, produz um efeito envolvente para deixarmos a nossa imaginação solta para que possam surgir insights sobre o inconsciente e assim tirarmos nossas conclusões para nossa vida diária. Pelo fato de falharmos em compreender estas imagens ou nos isentarmos de nosso compromisso é que imputamos efeitos danosos a ponto de nos privarmos de nossa própria inteireza. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-4147085357438594364?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/4147085357438594364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=4147085357438594364' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/4147085357438594364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/4147085357438594364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/conhecimento-pessoal.html' title='Conhecimento Pessoal'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-1392596857198395473</id><published>2008-06-11T10:18:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:05:59.297-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crítica à Arrogância Psi e a outras Implicações'/><title type='text'>Crítica à Arrogância Psi e a outras Implicações</title><content type='html'>&lt;p&gt; “&lt;em&gt;Seja humilde. Não quanto aos efeitos e resultados que você espera de seu trabalho. Mas seja humilde na aceitação das condições impostas por seus pacientes&lt;/em&gt;” (CALLIGARIS, 2004, p.154).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; “&lt;em&gt;Ouçam-me! Pois eu sou tal e tal. Sobretudo não me confundam!&lt;/em&gt;” (NIETZSCHE, 2005, p.17),&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;esta parece ser a postura implícita de alguns alunos do quinto ano de psicologia, quando estão na supervisão; diferente dos simples e inseguros calouros no início do curso. De modo geral, isso ocorre nas faculdades, não sendo uma característica específica de nenhuma delas. Essa arrogância, até compreensível, certamente se deve ao entusiasmo e a empolgação ainda adolescentes; ou por osmose com alguns docentes. Esses estagiários, talvez não tenham despertado para a seriedade e delicadeza de ser psicólogo, cuja estréia deve fazê-los sentir um “friozinho” no plexo solar. Nesse sentido, Baptista (2000) diz que artistas e psicólogos têm na sensibilidade o motor de suas práticas e identidades (p.82).&lt;br /&gt;É preciso consciência e generosidade para não se colocar como dono&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;do saber, considerado que, todo investimento, por mais intenso que seja&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;não consegue dar conta de que somos eternos aprendizes. Para Morin (2006b), o conhecimento é a navegação em um oceano de incerteza, entre arquipélagos de certeza (p.86). É nesta perspectiva que o presente texto procura dissecar, um pouco, a graduação em psicologia; a ciência psicológica; o fazer psicológico, em particular o clínico, e alguns dos seus vieses. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O termo “psicoterapia” foi criado, em 1872, pelo médico inglês Daniel Hack Tuke (ROUDINESCO, 2005). O interesse da maioria dos alunos, em quase todas as décadas se concentra nesta ênfase, de tal modo que a psicologia ficou fortemente associada à Psicologia Clínica. O psicólogo clínico, segundo Vaisberg (2001), é o profissional cujo perfil, em termos de formação, melhor se adapta à proposta de atendimento ao sofrimento humano, desde que algumas “correções de rumo” sejam aplicadas à psicologia, enquanto saber sobre o humano (p.96). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A Psicoterapia, na definição de Wolberg (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; RIBEIRO, 1988), é o tratamento, individual ou em grupo, por meios psicológicos de problema emocional, com o objetivo de remover, modificar ou retardar sintomas, para promover o desenvolvimento da personalidade. Ao passo que, a Psicanálise, na descrição de Roudinesco (2005), é uma forma específica de psicoterapia individual, que tem por objetivo trazer à consciência conteúdos inconscientes para a compreensão do indivíduo, visando o alívio dos seus sintomas, transformação do seu caráter e a melhora da sua adaptação. O trabalho psicanalítico se instaura no âmbito de sessões freqüentes durante um longo período. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No entender de Foucault (2004), a clínica psicanalítica, de certo modo, é derivada da clínica médica, porém rompe com esta, no que se refere à questão do sintoma. Enfim, a psicanálise se classifica entre as psicoterapias, mas é considerada pelo Estado como psicoterapia especial (ROUDINESCO, 2005). Segundo a autora, numa carta ao pastor O. Pfister, Sigmund Freud escreveu que “gostaria de atribuir à psicanálise um status ainda inexistente, o status de pastor de almas &lt;em&gt;secular&lt;/em&gt; que não teria necessidade de ser médico nem o direito de ser padre” (ibid, p.115).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Freud, entrevendo a expansão da psicanálise, meio arrogante ressalta: “Tudo leva a crer que, em vista da aplicação em massa de nossa terapêutica, seremos obrigados a misturar ao ouro puro da análise uma quantidade considerável do cobre da sugestão direta” (ibid, p. 116). Na realidade, a psicanálise se não como “ciência” propriamente dita, mas enquanto teoria e prática terapêutica tornaram-se, na sociedade, um fato incontestável e irreversível (JAPIASSU, 1989).&lt;br /&gt;Em relação à psicologia, na opinião de Piaget (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; SANTOS, 2003), ela tem o triste privilégio de tratar de temas que todos se julgam competentes (p.31). Porém, não parece suficiente construir um texto com pretensão científica e/ou atender pacientes, por força do estágio, ou mesmo de uma prática efetivada, para se dimensionar psicólogo. Wojciechowski (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; BAUMAN, 2007) lembra que anos atrás, um diploma universitário oferecia um salvo-conduto para a prática da profissão até ao momento da aposentadoria - mas isso agora é coisa do passado (p.156). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Logo, se mostra relevante considerar alguns aspectos: primeiro, de que é brava a concorrência; segundo, que se leva um tempo considerável para se “construir um nome”, e, por último, que a psicologia, por ser pouco acessível ao grande público, é desconhecida por boa parte da população que não sabe exatamente o quê faz o psicólogo, o confunde com psicanalista e psiquiatra. Este, em síntese, pode ter uma formação psicanalítica (aberta a qualquer profissional de nível superior), além da sua graduação em medicina que lhe autoriza receitar, prerrogativa esta que, obviamente, é vetada ao psicólogo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Na visão de Bourdieu (2004) uma particularidade da universidade é que hoje seus veredictos sociais estão entre os mais poderosos. Porém, para Morin (2006a),&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;existe na Universidade um caráter conservador que pode ser estéril ou vital. A conservação é estéril quando é dogmática ou cristalizada. Mais do que um conformismo cognitivo, que o inscreve a fundo, que normaliza e elimina o que poderia ser contestado (MORIN,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;2006b). A conservação é vital quando salvaguarda e preserva, pois só se prepara um futuro salvando o passado, em particular neste século onde múltiplas e poderosas forças de desintegração cultural estão em atividade (MORIN, 2006a). Em face das contingências da atualidade, muitos desses aspectos, por vezes, são desprezados. Para o autor, “em tais condições, as mentes jovens perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes e integrá-los em seus conjuntos” (ibid, p. 15). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A insegurança do concluinte, necessariamente, não quer dizer inabilidade técnica, esta pode ser traduzida como um dado de responsabilidade e de compromisso para com a profissão. Portanto, mais saudável e, potencialmente, menos arriscado do que para o ousado, arrogante ou muito autoconfiante. Alguns alunos, mesmo antes de chegarem ao período de estágio, já esboçam a aura de que sabem o que vão fazer, e, portanto, estão ali apenas pelo diploma que oficializará sua atuação. Para Morin (2005), na escola e na universidade se sofre &lt;em&gt;imprinting&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt; terríveis que são difíceis de abandoná-los. Nesse sentido, Weil (2003) diz que a &lt;em&gt;normose&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;do cientificismo ainda domina grande parte das nossas academias (p. 220). Ou seja, uma visão de que o científico é tudo, ou mesmo inquestionável, e isto distancia da compreensão de um fazer psicológico crítico. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Por conseguinte, turvam questões gritantes e emergenciais que escapam do foco das discussões, a exemplo da colocação do psicólogo no mercado de trabalho. São tantos fatores interligados à realidade ocupacional, &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt; restrita, que pode levar o recém formado, após o &lt;em&gt;frisson&lt;/em&gt; da conclusão do curso, a esmorecer, adiar, ou, simplesmente, interromper seu sonho profissionalizante.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;crise de hegemonia, no entender de Santos (2001), resulta do fato de uma dada condição social deixar de ser considerada necessária, única e exclusiva. Isto é, quando a universidade se mostra incapaz de desempenhar as funções contraditórias que atinge os grupos sociais. Daí, segundo Morin (2006a), a paradoxal e dupla função da Universidade de ter que se adaptar à modernidade científica, responder às necessidades fundamentais de formação, e, também, fornecer um ensino metaprofissional, metatécnico, isto é, uma cultura (p.82). Parafraseando Hayek (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; MORIN, ibid), diríamos que ninguém pode ser um psicólogo com alguma competência se for somente um psicólogo.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Hoje, boa parte dos alunos parece está disponível apenas para o que lhe interessa, isto é, para aquilo que não exija sacrifico, e traga gratificação imediata. Tal conduta sugere o “imperativo do gozo” a que se refere&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Lipovetsky (2005),&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;predominante na sociedade pós-moderna, que parou de se questionar (CASTORIADIS &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; BAUMAN, 1999). Em geral, quase todos os cursos têm algum tipo de defasagem ou lacuna, mas, como se não bastasse esse modo discente de agir abre fendas que o esvazia de uma compreensão mais ampla da grade curricular. Para Morin (2005), a complexidade manifesta-se no fato do todo possuir qualidades e propriedades que não se encontram nas partes isoladas e, inversamente, o fato das partes terem qualidades e propriedades que desaparecem sob o efeito das coações com esse todo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Por tudo isto, também pinçar, a título de avaliação, apenas um dos segmentos dessa oposição binária professor/aluno é, de alguma maneira, privilegiá-lo. Para Derrida (&lt;em&gt;apud &lt;/em&gt;SILVA, 2005), o primeiro dos segmentos escolhido logo recebe valência positiva e, o outro, uma carga negativa. Enfim, o professor, mesmo sem a intenção, acaba elaborando um esboço acadêmico meio virtual de alguns alunos, uns porque se destacam pelo comprometimento com o curso, outros porque procedem ao contrário. A arrogância do aluno concluinte é motivo de preocupação, uma vez que, em virtude de sua rebeldia, talvez rejeite os parâmetros que balizam a profissão em prol dos próprios enquadramentos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No entender de Alves (2005), a ciência não é uma forma de conhecimento diferente do senso comum, mas a sua metamorfose. Na clínica, o senso comum encontra-se em estado bruto, &lt;em&gt;in loco,&lt;/em&gt; e, por vezes, resiste em acatar sua condução técnica. Não raro o terapeuta é “seduzido” pelo paciente (resistência ao processo), a se comportar como se fosse seu amigo, meio pelo qual lhe ocorre ser mais aceitável esse tipo de ajuda. Portanto, relaxar a postura profissional poderá, de fato, confirmar o Atendimento naquilo que se vulgarizou de: “Conversa com o psicólogo”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A tradicional conversa cotidiana entre dois interlocutores se alterna de acordo com o fluxo e refluxo das necessidades. Numa espécie de pingue-pong em que os parceiros atropelam-se sem cerimônia. Um, de repente, toma a vez da fala do outro, o induz a pensar e se comportar conforme a sua expectativa, e vice-versa. Assim, por falta de uma nomenclatura mais precisa, na “conversa terapêutica” o psicólogo somente é “figura” nos instantes das suas intervenções; e “fundo” ou semblante, para o paciente, na maior parte do processo de escuta (intervenção passiva). Para Japiassu (1982), é possível que a intersubjetividade da relação bilateral paciente/analista venha definir, pelo menos para a prática da psicanálise um horizonte de validade epistemológica. Mas, levando-se em consideração o exposto será que este tête-à-tête consiste realmente numa relação bilateral? &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Porém, o fazer psicológico não esbarra unicamente na questão epistemológica, o reconhecimento dos seus limites tem a ver com os próprios princípios morais e éticos. O duplo vínculo e o caráter oscilante que tipifica a maioria das sociedades, em especial a brasileira, geralmente se amparam nas fachadas de dignidade e decência, das quais poucos cidadãos e instituições escampam. O mais surpreendente é que isso ocorre nos grupos sociais, em tese, acima de suspeita em virtude dos seus níveis econômico e cultural, mais elevados. Segundo Bourdieu (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; BAUMAN, 2000), usam o saber de forma “cínica”, retirando o máximo de vantagem das regras. Assim, as incoerências e as imoralidades não apenas fazem escombros de prédios de areia que desabam, em razão da ganância e desrespeito ao humano, com moradores suas vítimas morais e fatais.&lt;br /&gt;Mas, também, das quedas técnicas e éticas presentes em outras profissões, que nem sempre se tornam visíveis nos panoramas das cidades. Em outras palavras, o erro do médico, do engenheiro, etc., quase sempre se explicita ao passo que, o erro do psicólogo, uma vez que faltam meios eficientes para defini-lo e identificá-lo, raramente vem à tona. Essa condição poderá isentar um profissional de ser mais cuidadoso com a sua prática, por oferecer lhe a chance de que sejam encobertas falhas éticas e fragilidades técnicas para conduzir um processo de psicodiagnóstico, seletivo, etc. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O Atendimento Terapêutico é uma das ações mais sensíveis, complexas, sérias e difíceis da psicologia. Às vezes, se tem a impressão que desse modo a Clínica psicológica não esteja sendo pensada. É possível que, em alguns casos, o clinicar não consista numa manifestação fiel dessa ciência. A psicologia ainda carece de parâmetros científicos mais consistentes, e isso a expõem às mais ferrenhas críticas. Segundo Foucault (&lt;em&gt;apud &lt;/em&gt;REY, 2003), é inútil dizer que as ciências humanas são falsas ciências, uma vez que de modo algum são ciências.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Contudo, Morin (2005) chama a atenção para o fato de se deixar de sonhar com uma ciência pura e libertada de toda ideologia, e que deve existir conflitos de idéias no interior da mesma. No entender de Bock (1999), a psicologia não pode ser vista como uma ciência dada, pronta e natural. Mas, esta não é a condição de toda ciência? Como diz Santos (2003), em ciência, nada é dado, tudo é construído contra o senso comum, e para isso dispõe de três atos epistemológicos fundamentais: a ruptura, a construção e a constatação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para Moscovici, e o neurocientista Eric R. Kandel, prêmio Nobel de 2000, a psicanálise, especialmente na sua versão freudiana, entra no século XXI com sua influência em declínio, uma vez que, vários enunciados de Freud não tem sustentação e nenhum valor hoje em dia. O conceito da sexualidade feminina como mais misteriosa do que a masculina, por exemplo, está errado (MOSCOVICI, 1994; KANDEL, 2003, 2006).&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Enfim,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;a psicanálise é atacada de pseudociência por ser dominada pela fantasia sexista e pela semântica da primazia do falo, construída com base em casos distorcidos e imaginários, cujos paradigmas obsoletos - ou “inatualizados” (MOSCOVICI, 1994) -, estão sendo eclipsados pelos recentes avanços na neurobiologia dos sonhos e da genética dos transtornos afetivos (YALOM, 2006). Além do que, ela “consume muito tempo e dinheiro e, o mais importante, as pessoas não têm mais certeza se funciona ou não” (KANDEL, 2006, p.80).&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A importância da psicanálise parece oscilar conforme a época, ora tomada pelo encanto de enaltecê-la ora pelo desejo de desfigurar a sua imagem e, para sempre, sepultá-la. Entretanto, “a psicanálise, disciplina leiga e racional” (ROUDINESCO, 2005, p.34), fora construída pela ousadia de Freud em se aventurar no psiquismo, de maneira jamais imaginada, traçando, assim, uma cartografia de outra ordem. Haja vista que, depois do pai da psicanálise, ninguém acrescentou nada de excepcionalmente novo. Sua teoria é a matriz para a maioria das linhas ou abordagens psicológicas, que não tendo um outro oásis, bebe nessa fonte. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma obra estrategicamente aberta (as fechadas têm prazo de validade), moldada na falsa modéstia do seu autor: Sou apenas um conquistador com toda curiosidade e tenacidade que caracterizam esse tipo de homem (FREUD &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; JAPIASSU, 1989). Algumas vezes, mais preocupado em deixar claro que se tratava de uma construção, do que em concluir o que já havia engendrado. Na concepção de Angerami - Camon -(1993), dogmática em sua asserção, a “teoria” psicanalítica parte de pressupostos tidos como axiomáticos, a partir dos quais é sedimentada toda sua estrutura conjectura (p.79). Para o autor, os psicólogos, honestamente, não podem esquecer que os conceitos básicos freudianos são, na realidade, imaginadas suposições. O próprio Freud chamou seu conceito de “aparelho psíquico” de “ficção”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Na opinião de Wojciechowski (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; BAUMAN, 2007), “hoje em dia, o conhecimento precisa ser constantemente renovado, as próprias profissões precisam mudar...” (p. 156). Muitas das críticas aos fundamentos psi são justificadas, e difíceis de ser estancadas. Nessa perspectiva, Andrade (2001) destaca que a obra de Freud é suficientemente extensa e controvertida para gerar interpretações não somente diferentes, mas muitas vezes antagônicas (p.177). No que é endossado por Deleuze (2006) quando afirmar que a trindade Nietzche-Marx-Freud além de ser muito ambígua, é equivocada. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A psicologia permanece &lt;em&gt;incapaz&lt;/em&gt; porque seus conceitos e instrumentos de análise são “impotentes” para permitir-lhe a apreensão da realidade social; assim como a psicanálise padece dos defeitos dos seus fatos que são sempre confirmados, ou seja, seu estatuto de objetividade ainda permanece incerto (JAPIASSU, 1982, 1989). Porém, uma coisa são os “furos” que a ciência apresenta, outra é uma espécie de implicância à modalidade clínica. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Talvez, a dificuldade para a psicologia fortalecer seu &lt;em&gt;status&lt;/em&gt; de ciência, esteja ligada ao fato de que toma por base elementos cotidianos para se construir, e está intrinsecamente inserida nesse mesmo universo. Assim, a “psicologia leiga” de cada indivíduo se mistura com a psicologia científica, de modo que, ao se referir a primeira tem-se a noção de se guiar pela segunda. Afinal, como dizem Bock e Furtado (2001), de psicólogo e de louco todo mundo tem um pouco (p.15).&lt;br /&gt;O senso comum, matéria-prima das ciências humanas, ou do espírito para alguns, é tudo aquilo que não é ciência, uma vez que o mesmo se apóia no pragmatismo, e desdenha as estruturas que estão além da consciência. Ele capta somente a profundidade horizontal, e no seu individualismo e naturalismo “ingênuos” persuade à prática social que valoriza a reprodução do &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt; (SANTOS, 1987, &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; SANTOS, 2003, SANTOS, 2003). Porém, mesmo que se considere à epistemologia das verdades objetivas ou subjetivas, as concepções, e os parâmetros que caracterizam o rigor científico, ainda assim, a psicologia não estará livre de “furo”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Os métodos são apenas ensaios de aproximação de alguma verdade, porém, não de toda verdade. Para Morin (2005), a ciência não tem uma verdade científica, mas verdades provisórias que se sucedem, na qual a única verdade é aceitar essa regra, e o modo de investigação. Porém, se por um lado, as ciências da humanidade parecem não conseguir controlar variáveis tão multifacetadas que contextualizam o homem, seu objeto de estudo; por outro, encerrá-las no cartesianismo as elimina no que as diferencia como ciências da subjetividade. Na concepção de Santos (2003, 2004), a ciência social será sempre subjetiva, e duplamente interpretativa. O infortúnio epistemológico da psicologia, segundo Japiassu (1982), reside no fato de que seu objeto fala. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A ciência privilegia a razão, esta que “é um fenômeno evolutivo que não progride de forma contínua e linear, como julgava o antigo racionalismo, mas por mutações e reorganizações profundas” (MORIN, 2005, p. 167). Isto é, a racionalidade é um processo de aprimoramento da lógica. Portanto, a idéia de “falibilismo” levantada por Popper (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; JAPIASSU, 1989), ressalva como confirmação científica o fato de uma teoria ser falível e aceitar ser refutada. É o critério da refutabilidade que demarca o científico, biodegradável, e o não-científico (MORIN, 2005). Porém, julgar a ciência como destituída de preconceito é, sem dúvida, uma forma de preconceito (ALVES, 2005). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A ciência é mutável, e também impura, e o que a faz objetiva, na realidade, são os argumentos considerados válidos e relevantes pelo &lt;em&gt;auditório&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt;, consenso dos pesquisadores, que legitima um determinado conhecimento como científico (SANTOS, 2003; MORIN, 2005). Nesse sentido, Popper (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; Morin, 2005) diz que a ciência não é um privilégio de uma teoria ou de uma mente, a ciência é a aceitação pelos cientistas de uma regra do jogo absolutamente imperativa (p. 40). Assim, os conhecimentos que não forem caracterizados como científicos, são desprovidos de legitimidade institucional (BUARQUE &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; SANTOS, 2001).&lt;br /&gt;A condição do homem tem como base o referencial holístico. No entender de Vaisberg (2001), nenhum fazer humano se dá à margem da vida sócio-histórica e cultural, de modo que a clínica psicológica não seria, evidentemente, uma exceção (p.93). Para Castoriadis (2000) a concepção social-histórica é um processo coletivo anônimo, humano-impessoal que preenche toda formação social, engloba e insere cada sociedade entre as outras e se inscreve numa continuidade onde, de alguma maneira, estão presentes as sociedades que não existem mais, as que estão alhures, e mesmo as que estão para nascer. Assim, para melhor apreender o homem, ou centralizar o poder dos seus saberes, as ciências o compartimenta, e o recorta como objeto de estudo/pesquisa. Essa tendência a polarizá-lo, embora “postiça” (porque é um fragmento), suscita a impressão de segurança. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma vez que, toda situação inacabada é geradora de angústia, daí a prontidão para enquadrar os fenômenos numa ordem ou categoria. Para Bataille (2004), a inteligência humana é levada a considerar o que é simples e definível, a negligenciar o que é vago, inapreensível e variável (p.80). Enfim, captura-se o objeto na compreensão (subjetiva), ou na quantificação (objetiva), busca-se saber as causas para recobrar a noção de poder e domínio, mesmo que, em nada, possa alterar a sua condição funcional ou estética. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; As ciências estão imbricadas com outras afins, e não é possível reduzir o ator social às necessidades psicológicas e emocionais. Ele é biológico, religioso, cultural, etc. É preciso compreendê-lo na sua diversidade, do contrário a psicologia, ou qualquer outra ciência, se resumirá a uma atividade de gabinete, burocrática, repetitiva ou morta. De modo geral, os psicólogos, têm dificuldade de reavaliar sua prática, se refugiam no narcisismo e vulnerabilidade das certezas, provavelmente, gasosas. Para Baptista (2000), os carecimentos das práticas &lt;em&gt;psi&lt;/em&gt; não produzem perguntas, mas procuram repostas tentando desviar-se de crises ou de conflitos (67). No que é corroborado por Rey (2005) quando ele afirma que a psicologia tradicional repousa sobre um conjunto de categorias básicas raramente questionadas (p.125). Por isto, se faz necessário questionar, sim, mas não de maneira infantil ou auto imposta, a ponto de se deixar levar pela paranóia da incerteza, e “duvidar de sua própria dúvida” (MAIRENA &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; MORIN, 2006a, p.21), como defendem alguns mestres e discípulos.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para Morin (2006b), “não há conhecimento que não esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão” (p.19). Assim, nenhuma abordagem terapêutica, por si só, abrange a totalidade do ser, este é maior do que qualquer uma delas. Embora, todas tenham como objetivo comum o bem estar do indivíduo. Segundo Freud (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; CASTORIADIS, 1999), a ilusão é um erro investido de afeto. Nesse sentido, Morin (2007) diz que é necessário ensinar quais são as armadilhas e ilusões que fazem parte do conhecimento (p.13). O bom senso e a humildade devem se fazer presente para que se reconheçam os “furos”, as faltas, e não tamponá-los na crença, na fé cega de iniciado ou seguidor acrítico. São os dogmas as únicas nascentes de certezas, “uma teoria e uma doutrina podem ter os mesmos constituintes, formar um mesmo sistemas de idéias e a única diferença é que uma se fecha, se autojustifica e se refere às citações dos fundadores sempre pomposamente” (MORIN, 2005, p. 73). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; As críticas, pelos menos à psicologia - no geral, os psicanalistas não admitem nenhum tipo de mudança na psicanálise, que para eles se tornaria uma outra coisa -, desde que, de algum modo, fundamentadas, devem ser encaradas como uma intenção de atualizá-la, e imprimir mais eficácia. Para Lukacs (2005), reconhecer as limitações de que não se pode criar, ver e definir tudo, ao invés de enfraquecer, fortalece o espírito humano. Ou seja, aceitar que “na ciência, &lt;em&gt;nada&lt;/em&gt; é certo, e nada pode ser provado, mesmo se o esforço científico nos oferece a informação mais fiável (sic) sobre o mundo a que podemos aspirar” (GIDDENS, 2002, p.28). Uma brilhante teoria hoje, logo mais poderá ser descartada. O processo de produção de conhecimento é dinâmico e incessante. Entretanto, um olhar atento e crítico para esses “furos”, etc., pode funcionar como preventivo às extravagâncias e aberrações. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Todavia, algumas críticas a clínica parecem deslocadas, uma vez que sugere a transformação do &lt;em&gt;setting&lt;/em&gt; terapêutico num fórum de conscientização e indignação política. Segundo Guattari (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; DELEUZE, 2006), a psicanálise é uma espécie de narcisismo absoluto que esmaga todos os conteúdos sóciopolíticos do inconsciente, determina os objetos na realidade para atingir um ideal de adaptação social que chama de cura. E, assim, deixa na sombra uma constelação social singular que, ao invés de explorar, sacrifica em nome de um inconsciente simbólico abstrato. Mas, por que a clínica psicológica tem que ser esse lugar sóciopolítico? Será que o paciente é inatingível ou está apático a essas afetações? Para Deleuze (1992, 2006), a psicanálise não fez mais do que elevar Édipo ao quadrado, e assim acumulou uma série de ridículos na lamacenta terrinha que é o divã. Este autor pensa o inconsciente dirigido, que não delire sobre pai-mãe, mas sempre no campo social. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Porém, onde Deleuze enxerga lama, Guattari (2000) percebe o extraordinário ao ressaltar que “a descoberta, por Freud, dos complexos de Édipo e de castração foi e permanece sendo genial” (p.85). De forma direta, implícita, ou em potencial, as questões sociais estão presentes na atividade clínica. Esse tipo de paciente é um ator social, geralmente, abalroado pelas vivências insalubres e violências sociais. Sua representação individual de dor, prazer, dúvida e angústia, etc., resulta da interatividade com parceira, família, trabalho, comunidade, etc., porque ele não está ilhado no mundo. Pois, como reconhece Rey (2005), o individual e o social são constituintes e constituídos, em suas relações de reciprocidade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No interior do seu Eu o indivíduo processa o coletivo, o político e o cultural que se potencializam em variados tipos e intensidades de respostas positiva ou destrutiva. A sociedade influencia o individual que a representa de modo reciclado. É intrigante se remeter à seção terapêutica como um evento oportuno para a politização do cidadão. Por todo tecido social há espaços mais apropriados, tais como associação de bairro, veículos de comunicação de massa, e outros, para essa empreitada. Na divisão que esta posta, na clínica médica se resgata a saúde física, do mesmo modo que na clínica psicológica se almeja pelo bem estar psíquico. Não teria sentido, num hospital, ao invés de cuidar de um operário convalescente, instigá-lo a indignar-se contra o empregador, responsável pelo seu acidente, devido à sobrecarga de trabalho!? &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O que também não teria cabimento usar de procedimento idêntico com pacientes da clínica psicológica, fragilizado psíquica e/ou emocionalmente, para se revoltar contra o sistema, etc. Caso isto se firmasse, ainda assim não teria grande ampliação em nível prático, considerando que o número de pacientes da psicologia talvez não chegue a dez por cento (não existe estimativa oficial), em termos comparativos com os pacientes da clínica médica. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Jaeger (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; DELEUZE, 2006) entende que os propósitos sustentados pelos loucos não tem somente espessura das suas desordens psíquicas individuais: o discurso da loucura articula-se a um outro discurso, o da história política, social, religiosa, que fala em cada um deles (p.251). O discurso do &lt;em&gt;neurótico&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;4&lt;/sup&gt;, em grau menor, de alguma forma também não teria essas implicações? Ou, estaria apenas centrado na exclusividade do seu narcisismo? É possível tal condição autista quando se sabe que o neurótico sofre por não atender as expectativas das demandas sociais? Para Lacan (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; DELEUZE, 2006), o inconsciente não é nem individual nem coletivo, mas intersubjetivo (p.236). Então, se até o inconsciente tem essa mescla de sujeito/social, porque o social não estaria na clínica? &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Abreu e Coimbra (2005), certamente não mais haveria de falar da separação entre clínica e política. Mas, não é esse o entendimento predominante nas práticas psi. Uma vez que sempre recorre a tentativas de separar e excluir a política da psicologia, em particular das práticas clínicas. Ainda para as autoras, toda clínica é, a um só tempo, produto e produção política de subjetivação, e não uma mera técnica de adaptação à realidade com pretensão neutra e a-política.&lt;br /&gt;“A louca vida contemporânea” (VAISBERG, 2001, p. 95), em razão das suas variantes sociais, a exemplo das incertezas, inseguranças, etc., a luta pela sobrevivência, apesar da modernidade, se torna ainda mais complexa, e assim, exige um maior esforço para administrá-la. São necessárias elevadas doses de tolerância, e um mínimo de equilíbrio e sanidade mental para não ser absorvido pelo caos, pelos assédios amorais, e pelas concorrências e competições medíocres das vitrines consumistas. Para Barros e Lima (2001) as práticas “Psi” que estão entorpecidas pela&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;banalidade cotidiana estão a demandar uma “chacoalhada” (p.140). Estes autores acrescentam que o trabalho do psicólogo tem sido marcado pela repetição mecânica de uma “parafernália” que aborda o mundo mediante&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;os&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;fazeres cristalizados. Porém, todo sofrimento psíquico seja qual for sua intensidade real ou subjetiva, não deve ser desmerecido. Para O. Wilde (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; GUATIMOSIM, 2004), ... por trás da dor há sempre uma alma (p.342).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A clínica acolhe essa dor na sua Escuta, uma técnica, por vezes, supervalorizada de suficiência terapêutica, como se toda ajuda psicológica se reduzisse a esse ato. Às vezes, há clamores que o conforto de ser ouvido não cessa. Mas, a escuta é essencial em qualquer trabalho psicológico, e não é fácil. Uma das pré-condições é que o profissional esteja de algum modo apaziguado ou familiarizado com os próprios “barulhos” internos, ter condições de suportar os silêncios, para adentrar o universo do outro. Só assim é possível fazer as leituras dos “ruídos”, compreender a(s) queixa(s) e inquietação(ões) do paciente. Para Lacan, o analista é o sujeito do suposto saber sobre o qual o paciente projeta, transfere, e conecta suas partes cindidas, alienadas. Entendemos também que o terapeuta se dispõe a se perder e a se achar na loucura do outro, na própria, para assim ajudá-lo atravessar seu (s) trauma (s). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Por fim, o clínico deve ser capaz de dissociar-se instrumentalmente, e lançar mão de toda sua bagagem, na qual razão e sensibilidade não dispensam a cumplicidade da parceria em nenhuma etapa desse processo empático. E transmutar em &lt;em&gt;feedbacks&lt;/em&gt;, pelo menos nas abordagens psicodinâmicas, que favorecem os &lt;em&gt;insights&lt;/em&gt; na mobilização dos recursos egóico do paciente. Kristeva (2002) diz que, se o analista não descobre, em cada um de seus pacientes, uma nova doença da alma, é porque não os escuta em sua verdadeira singularidade (p.16). Em grande parte, a escuta terapêutica, mais do que um mal estar individual, faz registros dos burburinhos sociais que estão no reverso de cada discurso. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No entanto, não, necessariamente, de novas patologias, é sim das normoses já disseminadas que, ao seu modo, o paciente luta para não incorporá-las na sua totalidade. Contudo, o paciente da psicologia é um consumidor atípico, ele compra, mas não quer levar o produto consigo porque este o incomoda. Mas, não há crescimento sem algum tipo de sofrimento necessário, a exemplo dos lutos, diferente do “apego” a dor, que é sustentado pelo ganho secundário ou simbólico do sintoma. Segundo Reich (1989), todos os pacientes têm tendência de continuar doentes (p.35). Isto é, resistem em abrir mão do gozo incluído na doença (FREUD &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; QUINET, 2005, p.89).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Calligaris (2004) ressalta que o primeiro compromisso do terapeuta é com o paciente que confia nele, e traz ao consultório uma queixa que pede para ser escutada e, por que não, resolvida. Para Freud toda análise é terapêutica, e para Lacan, é didática (QUINET, 2005). A praxe evidencia que a terapia pode ser tanto terapêutica quanto reeducativa para ambos, paciente e terapeuta, nessa relação dialética, na qual aprendem a respeito do social, de si mesmos, e se “curam”. Segundo Guattari (2000), a cura não é uma obra de arte, mas deve proceder do mesmo tipo de criatividade (p.200). O embate da ciência com a clínica, se dá na subjetividade das imagens, analogias e metáforas que circulam e se articulam no ato clínico. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nessa ótica, Morin (2005) diz que é preciso estabelecer uma comunicação bem maior entre a ciência e a arte, e acabar com esse desprezo mútuo, pois existe uma dimensão artística na atividade científica, e uma fronteira tênue que a separa da filosofia. Enfim, deve-se salientar que a clínica não é somente a &lt;em&gt;via crúcis&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;revisitada, nela também se testemunha os gozos e prazeres das conquistas, das superações, etc. Mas, “a psicoterapia não é um substituto para a vida, mas um ensaio geral para a vida” (YALOM, 2006, p.165). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Talvez, a proposta generalista dos atuais cursos de psicologia, ajude a compreender o homem sem fragmentá-lo tanto. Perls (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; CREMA, 2003) entende que a personalidade básica de nosso tempo é a personalidade neurótica (p.98). Neste contexto, está instalado um “furo”, se, para as neuroses que a clínica psicológica é, praticamente, destinada, conta com um arsenal técnico e teórico questionável; no que se refere às psicoses, aí sim, é que a psicologia não tem &lt;em&gt;know-how&lt;/em&gt; para estender sua assistência às complexidades das dobras das compleições psicóticas.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A psicológica, no âmbito institucional, parece mais se embalar nos recreativos que o educador físico, certamente, o faz com mais propriedade e desenvoltura. Ainda na atualidade é “&lt;em&gt;a camisa-de-força química, o único tratamento possível de todas as doenças mentais&lt;/em&gt;” (ROUDINESCO, 2005, p.34 - grifo nosso). A psicanálise ficou surda às vozes da desrazão (FOUCALT &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; DELEUZE, 1992, p.28), e o próprio Freud reclamava no fim de sua vida de não ter podido dispor de um outro campo, de não ter tido outra maneira de se aproximar da psicose (DELEUZE, 2006, p.297). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Neste imaginário a psicologia está pejorativamente associada ao feminino e a loucura. E o paciente, hoje em dia, ainda chega ao consultório se justificando que não é louco. O que parece confirmar o que diz Morin (2006b) de que somos seres infantis, neuróticos, delirantes e também racionais (p.59). O paciente simplesmente ignora que a maior parte da sociedade, na qual está inserido, assimila-se a um grande hospício, portanto, com visibilidade, por vezes, descomunal da desrazão.&lt;br /&gt;Apenas as violências urbanas e do trânsito (em relação a esta ultima, é preciso rever, com urgência, o trabalho psi a fim de atenuá-la), já são suficientes para configurarem a vida moderna como caótica, da qual todos são, ao mesmo tempo, vítimas e protagonistas das violências, e sem saída racional de convivência. Do contrário, é normatizada como inerente à realidade, sobretudo, nas cidades grandes. Para Roudinesco (2000), na sociedade liberal depressiva nada é mais próximo da patologia do que o culto da normalidade levada ao extremo (p.123). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O que difere a loucura dita normal da alienada, é o fato de que, na primeira, se tem o controle, e por vezes, assume o seu lado perverso, amoral, etc., para alcançar seus objetivos; ao passo que, a segunda é inábil para esses expedientes, isto porque não têm propostas e fins sociais investidos de significações. Enfim, o “alienado” - aspado porque seu universo é desconhecido, de modo que as chaves da razão e da lógica ainda não conseguiram identificar o segredo que lhes darão acesso, nem se sabe haver interesse para isso - é menos ofensivo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas, é o louco inquieto é criativo que vê o mundo como um sintoma, em relação ao qual têm necessidades de interferir, modificar com seus projetos audaciosos, arrojados, mirabolantes, e é isso que faz a humanidade evoluir. Seu gozo parece mais embasado nas conquistas e realizações, ao passo que o homem normal está mais voltado para seus prazeres sensoriais que o viver do dia a dia lhe oferece. Sugere se contentar com o existir. Para Santos (2003), o que é normal é vulgar e ordinário (p.103). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No pensar de Castoriadis (2000) a alienação encontra suas condições, para além do inconsciente individual e da relação inter-subjetiva que aí se joga, no mundo social (p.131). Seria, no mínimo, enlouquecer viver numa sociedade sem apresentar algum sintoma físico ou psicológico, sem forjar algum tipo de loucura, ou não se agarrar às rotas de fuga, às vezes tóxicas, mas não necessariamente ilícitas. Nesse aspecto, o poeta C. Veloso (s/d) diz que “De perto ninguém é normal”. Com base na máxima nietzchiana diríamos que de perto não tem como deixar de ser demasiadamente humano. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Gorz (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; KUMAR, 1997) e Lukacs (2005), é preciso pensar sobre o próprio pensamento, a crise atual não é da razão, mas dos motivos irracionais da racionalização. Canguilhem (1990) entende que o anormal não é patológico, mas patológico é realmente anormal. Os impasses entre normalidade e anormalidade se definem pela freqüência estatística relativa. Para Augras (1994), o normal - “diríamos o criativo” (grifo nosso) -, supera os conflitos, cria espaço para sua liberdade, e atende às coações da realidade; e patológico é o momento que preso a essa estrutura permanece sem chance de mudança e de criação. Porém, Guattari (2000, p. 100), salienta que a psicose habita não apenas a neurose e a perversão, mas também todas as formas de normalidade.&lt;br /&gt;Uma senhora, depois de sucessivas tentativas de suicídio, e de maquinar seu enlouquecimento, para se livrar das cobranças que transbordavam sua existência, finalmente chega ao consultório. No seu desespero, este foi o percurso encontrado para exorcizar suas culpas, e, inconscientemente, se vingar dos seus (“algozes”). Até onde uma dita estrutura normal, em situação idêntica não faria o mesmo? Perls (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; CREMA, 2003) compreende que vivemos numa sociedade doente, na qual precisa se escolher entre a psicose coletiva ou correr o risco de tornar-se sadio e ser crucificado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A análise, terapia ou psicoterapia empreendem, em tese, a busca da prevenção ou conservação da saúde mental, mas a psicologia e a psicanálise ainda são tidas como supérfluas. Para uma maior aceitação pública da assistência psicológica sem pudor ou constrangimento, basicamente esses eixos devem ser trabalhados: a &lt;em&gt;desmistificação&lt;/em&gt; da loucura; e a &lt;em&gt;desconstrução das representações&lt;/em&gt; da psicologia ciência, e do psicólogo indivíduo/profissional. Roudinesco (2000) considera que a sociedade atual “tende a reduzir o homem a uma máquina desprovida de pensamento e de afeto” (p.70). A imagem do psicólogo, elaborada pelo social, é algo muito similar à do robô, e os psicólogos incrementaram essa caricatura em nome de um atribuído controle ou equilíbrio emocional. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nessa construção também entra o estereotipo do “bonzinho”, que compreende e aceita tudo; do apaziguador, sempre com soluções prontas para ser encaminhadas, etc. Seguindo esse prisma, Andrade (2001) diz que o criminoso, assim como o neurótico ou o esquizo, é visto sempre como menos, como portador (constitucional) de alguma deficiência (p.176). Essa questão é meio dúbia, se por um lado, pode parecer tendenciosa ao &lt;em&gt;paternalismo&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;5&lt;/sup&gt;, para suavizar os efeitos dos seus comportamentos; por outro lado, a psicologia também sobrecarga em atribuir-lhes toda responsabilidade pela dificuldade do seu ajustamento social. Isto vem ao encontro da fala de Bock (1999) de que a psicologia está afinada com a “idéia do barão de Münchhausen&lt;sup&gt;6&lt;/sup&gt;”: o homem e suas ações dependem do próprio homem, de seu esforço e vontade (p.14).  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A ideologia deixa implícita a idéia de que doente, fraco, louco, é o sujeito que não se adapta a sociedade, como esta fosse um modelo&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;perfeito de integridade e de sanidade. Ou seja, esta posição nega o que B. Brecht (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; ANGERAMI - Camon -, 1993) afirma: Você chama de violenta as águas de um rio que tudo arrastam; mas não chama de violenta as margens que o aprisionam (p.41). A sagacidade de Sloan (2002) ressalta que o individualismo ocidental esconde as forças sociais que produzem os transtornos emocionais tão bem cientificamente catalogados como problemas individuais (p.11). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para o autor, a sociedade consumista promete a felicidade por meio dos bens materiais, e assim destrói as bases da saúde mental e da felicidade num mesmo processo de fabricar, vender e entregar os produtos no mercado. Com base em Lacan (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; PORCE, 2006), diríamos que o capitalismo propaga a utopia do gozo pleno, da não castração,o que leva o sujeito consumista a colocar o outro na condição de objeto. A mentalidade de que o dinheiro compra tudo, a hiper relevância do Ter, motivo de orgulho, ao passo que o Ser não tem a menor importância, ou, quando muito uma valência secundária. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Pelo exposto, o mercado de trabalho do psicólogo é potencialmente abundante, até porque as sociedades estão cada vez mais perturbadas. Porém, a psicologia, a psicanálise e a psiquiatria que seriam seu esteio,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;estão às margens da saúde coletiva. Sem contar os hospitais, as clínicas médicas estão sempre lotadas, o que é sintomático, ou melhor, psicossomático, ou mesmo psicológico. Se, de fato, ocorreu um crescimento na procura do psicólogo, mas ainda é muito pouco em relação a sua real necessidade. Isso acarreta numa perda real para população que deixa de receber assistência psi, e para essa categoria profissional. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Não obstante, sempre chamamos a atenção para o fato de que a psicologia pode oferecer a sociedade menos do que ela imagina, e mais do que ela espera. A assistência psicológica inexiste com vistas à prevenção. Quem mais recorre ao psi, mesmo com certa reserva, na maioria das vezes é a mulher, e quase sempre em situação de emergência. Assim, logo que atenua o sintoma, interrompe o processo psicoterápico. Essa questão não passa somente pelo econômico, mas, também pelo cultural que não tem por hábito investir no “subjetivo”, uma vez que, seja em nível privado ou público, a esfera da saúde mental é negligenciada.&lt;br /&gt;Para Anzieu (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; ANDRADE, 2001), o psicólogo clínico não se contenta em elaborar um diagnóstico psicopatológico; ele procede a uma estimativa das capacidades de mudança da pessoa. Daí surgem os três grandes domínios das aplicações: aconselhar, curar, educar - ou reeducar (p.172). A terapia não tem, necessariamente, por objetivo a cura, até porque caso ela ocorresse, em breve, o paciente adoeceria novamente ao se reintegrar ao contexto das patologias cotidianas. O próprio Freud não tinha essa pretensão, mas, apenas, de tornar a neurose administrável. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Aquela velha estória do peixinho agonizante na água poluída, que é colocado na água limpa, e ao se recuperar, volta ao seu &lt;em&gt;habitat&lt;/em&gt;, até se asfixiar outra vez, e recomeça o ritual desde o início. Mas isso não quer dizer que alguns autores não a vislumbrem. Porém, mesmo que não a obtenha, a neurose administrada a que se refere Freud, já consiste num ganho em termos de economia energética. Segundo Calligaris (2004), curar, para muitos, pode significar que o paciente fique melhor, e que, assim, perca seu potencial de revolta tornando-se resignado e complacente com a realidade política e social. E de que o curador faz o paciente esquecer de que ninguém se salva sozinho. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No entender de Kandel (2003), é extremamente relevante e frustrante o fato da psicanálise não haver evoluído cientificamente. Kristeva (2002) ressalva que o assalto das neurociências não destrói a psicanálise, mas nos convida a reatualizar a noção freudiana de &lt;em&gt;pulsão&lt;/em&gt;: articulação entre “soma” e a “psique”, entre a biologia e a representação (p.40). Enfim, o cenário psicanalítico atual, de modo geral, testemunha um movimento de mais humildade, no que diz respeito à tolerância pela incerteza, seja na literatura ou no tratamento (GABBARD e WESTEN, 2003). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Então, o desejo de Kandel começa a se tornar realidade, os postulados freudianos estão sendo revistos pela neuropsicanálise, disciplina científica recém criada, cujo “diálogo entre a&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;neurociência e a psicanálise sobre os sonhos pode ser bastante profícuo: proposições da psicanálise têm inspirado e guiado investigações neurocientíficas, e achados da neurociência têm sido úteis para maior refinamento da teoria psicanalítica” (CHENIAUX, 2006, p.175). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Enfim, se por um lado à psicanálise é criticada; por outro lado lhe cabe o mérito de ter rompido com os saberes oficiais, e de ter extraído sua força do conhecimento racional de fenômenos, a exemplo do sonho, antes marginalizados (ROUDINESCO, 2000). Para Winnicott (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; VAISBERG, 2001), diante de um caso têm-se duas alternativas: fazer a psicanálise individual, concebida por Freud para atender pacientes neuróticos, ou ser um psicanalista fazendo outra coisa. Na visão da autora, cada vez mais psicólogos clínicos, psicanalistas fazendo outra coisa, ou seja, valendo-se do conhecimento psicológico, reafirma a psicanálise, no seu método, uma prática eminentemente clínico-psicológica, que busca um fazer, mais condizente com a época atual. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nas psicologias, de modo geral, o mais instigante parece ser justamente essa linha tênue que separa ciência e arte, com toda vulnerabilidade que isso implica, uma vez que, não só o corpo dos seus conteúdos teóricos, mas também os seus efeitos práticos da sua atuação, quase sempre, escapam de uma apreensão totalizada. Rey (2003), diz que a subjetividade não aparece na psicologia associada à modernidade. É verdade que a psicologia, ainda, não trata o homem na perspectiva de um perfil pós-moderno, e que as proposições freudianas, jungianas, rogerianas e outros, são do século passado. Entretanto, a clínica não só tem como norte a subjetividade, mas, algumas vezes, sugere ir além da própria subjetividade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A sincronicidade na psicoterapia, ainda que sem nenhuma expectativa metapsicológica do terapeuta, não raro estabelece um nível tão profundo de comunicação e compreensão que transcendem a razão explícita. Isto é, a dimensão em que a ciência julga ter seu domínio, ainda assim é precário para reconhecer determinados fenômenos, e por isso os descartam. Em outras palavras, mesmo na clínica, talvez tenha embutida outras formas de saberes que a ciência não consegue formatar.&lt;br /&gt;Segundo Calligaris&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;(2004), uma peça chave da formação de um psicoterapeuta é o tratamento ao qual ele mesmo se submete (p.55). No entanto, alguns estagiários, mesmo na ênfase clínica, numa estranha incongruência, resistem em fazer terapia. No Brasil, o discente de psicologia é avaliado, estritamente, pelo seu potencial cognitivo, uma vez que cumpre as exigências acadêmicas, independente do seu estado emocional ou de sua sanidade mental, é contemplado com o certificado. Exceto o fato de ter “alisado” os bancos da universidade, a diferença entre um concluinte em psicologia e um leigo autodidata dedicado à psicologia, é quase nula. O recém formado não é acompanhado pela agência formadora, e a fiscalização, que se sabe, por parte do Conselho Regional de Psicologia (CRP) somente ocorre em caso de denúncia. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Sem contar com os pagamentos de registro e de anuidade ao CRP, que o autoriza atuar, o novato da psicologia se encontra totalmente desvinculado, sendo o único responsável por sua conduta profissional. Em vista disso, não parece consistir numa impostura o temor de que a psicologia esteja somente a serviço do dominante, ou que se reduza a um “amortecedor social” (JAPIASSU, 1982, p. 159). Enfim, de que o psicólogo não eleja a psicanálise sua única religião, e Freud o seu Deus, como fez Jabor (2006). Um rompante naturalmente aceitável num cineasta, etc., mas bastante desconcertante se em relação ao profissional da psicologia. Ou seja, embora pese as nuanças nubladas da ciência, espera-se que não se tenha fanatismo seja lá por qual for à abordagem, e que não se coloque seu respectivo teórico num patamar divino. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Assim sendo, resta encontrar algum alento no que Calligaris&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;(2004) diz: Para lidar corretamente com o sofrimento dos outros, não é necessário ser “normais” nem é preciso estarmos curados de nossas neuroses, mas seria bem-vindo que a gente não se tomasse pelo ouro do mundo (p.92). Finalmente, é preferível que, ao invés de agraciar o aluno com os sonhos de Ícaro, que o mestre o desperte para seus modestos, mas reais potenciais de “vôos”. E que, apesar das injustiças tão, irresponsavelmente, corriqueiras nos bastidores do ensino, o educador possa sempre, como uma fênix, ressurgir das cinzas para compartilhar seu saber, e renovar sua vontade de aprender, junto ao alunado, a cada vez mais, e antes de tudo, ser gente e, quase sempre, menos “psicólogo”. &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;Notas:&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; 1. Konrad Lorenz (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; DAVIDOFF, 1983), etologista austríaco, chamou o modelo primitivo de acompanhamento que reflete um vínculo social de &lt;em&gt;imprinting. &lt;/em&gt;Eleobservou que para o patinho que sai do ovo, o primeiro ser que passar por perto é a sua mãe.&lt;br /&gt;2. Segundo Weil (2003), a normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma determinada sociedade e que provocam sofrimento, doença e morte (p.22).&lt;br /&gt;3. O conceito de auditório é central à teoria da argumentação. O auditório é o conjunto das pessoas que o argumentante pretende influenciar com a sua argumentação. O auditório diz-se universal quando o argumentante utiliza argumentos que, em seu entender, seriam válidos não apenas para o auditório relevante, mas para o conjunto de todas as pessoas racionais e lingüisticamente competentes (SANTOS, 2003, p.99).&lt;br /&gt;4. Paciente mais comum da clínica psicológica. Segundo Santos (2001a), na psicanálise a neurose é vista não como uma patologia e sim uma forma de estruturação subjetiva (p.90). Alguns autores consideram a sociedade, de modo geral, neurótica, ao passo que Reich (1989) a tem na condição de tóxica, e o homem “normal” na condição de encouraçado por ter de subjugar sua energia vital ao capitalismo.&lt;br /&gt;5. O paternalismo é um comportamento impositivo da prática médica, é um problema de difícil avaliação, de quando e quanto ele se justifica, sendo o cerne de muitas questões éticas (COHEN e MARCOLINO, 2002).&lt;br /&gt;6. Personagem histórico alemão, que viveu entre 1720 e 1797, e ficou conhecido por suas mentiras ter inspirado livros e filmes infantis. Conta o Barão de Münchhausen que afundado no brejo até pescoço, teria perecido se não fosse pela força do seu próprio braço, ter puxado pelo próprio cabelo preso em rabicho, a ele e a seu cavalo segurado fortemente em seus joelhos (RASPE &lt;em&gt;apud &lt;/em&gt;BOCK, 1999).  &lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-1392596857198395473?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/1392596857198395473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=1392596857198395473' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1392596857198395473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1392596857198395473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/crtica-arrogncia-psi-e-outras-implicaes.html' title='Crítica à Arrogância Psi e a outras Implicações'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-5858550182427471152</id><published>2008-06-11T10:17:00.001-07:00</published><updated>2009-03-04T09:05:19.274-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Como se Preparar Para o Psicotécnico e Para o Vestibular'/><title type='text'>Como se Preparar Para o Psicotécnico e Para o Vestibular</title><content type='html'>&lt;em&gt;Antes de qualquer coisa, a existência é corporal&lt;/em&gt;” (Le BRETON, 2006, p.7).   &lt;p&gt; Este título poderia ser colocado em forma de pergunta: Como se preparar para o psicotécnico e para o vestibular? E a resposta seria: Não se preparando. Diria que não fazendo nada, mas, nada mesmo, em relação a esses eventos em si, especialmente na véspera. No entanto, fazer algo ou alguma coisa em relação a si mesmo, na condição de examinando, sim. O objetivo deste texto, meio auto-ajuda, se justifica pelo fato de não haver na literatura impressa ou virtual, um mínimo de esclarecimento que sirva de norte para que as pessoas lidem melhor com as intensas demandas emocionais envolvidas nos psicotécnico e vestibular. Demo (2005) entende que a auto-ajuda é fundamentalmente escape, fuga, tergiversação, por mais que se possam divisar nela componentes “aproveitáveis” (p.10 - grifo do autor). Então, o que não é auto-ajuda? A diferença é que à auto-ajuda é direta, fala para um sujeito ou público específico, mas, peca porque, nem sempre, trás reflexão, e se coloca como “receita de bolo”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas, até um texto científico é auto-ajuda, por que não? Contudo, usa uma linguagem esquizóide na qual o autor se omite da sua posição de emissor, e seu discurso sugere um suposto nós, quando na realidade, e na maioria das vezes, é somente ele quem fala. E, assim, destina sua mensagem não para um leitor em particular, mas indeterminado. Se as reflexões e recomendações aqui expostas conseguirem aliviar, um pouco, a angústia dos examinandos e vestibulandos, além de contribuir para uma imagem menos ameaçadora desse procedimento técnico da psicologia que é o Psicotécnico, este meu intento terá sido alcançado.&lt;br /&gt;Estes exames, o que é perfeitamente compreensível, geralmente deixam as pessoas desesperadas. Considerando que “as emoções podem produzir tanto o enfraquecimento psíquico como o físico” (MAÏMON apud VOLICH, 2000, p.29), às vezes, exatamente por conta desse estado emocional, se joga fora um pouco ou muito das chances que teriam. Quando se trata do vestibular, de alguma forma se busca ajuda estudando em cursinhos, em grupo, ou revisando o material que se tem disponível. Mas, quando a questão é o psicotécnico, a sensação de desamparo é maior. Não se tem apontamentos, obviamente, porque não se estuda psicotécnico no colégio. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Assim, o pedido de ajuda de quem estar prestes a fazer o psicotécnico acaba por recair no desejo de treinar-se nos testes psicológicos. O que não é permitido, cuja ilegalidade, seja para emprego, carteira de habilitação, etc., estar sujeito à invalidação, o psicotécnico é inutilizado; e punição para os envolvidos, caso se trate de psicólogo corre até o risco de ter a carteira cassada - perder o direito do seu exercício profissional -, por parte do Conselho Federal de Psicologia (CFP).&lt;br /&gt;Na escola não se tem corpo, esse “envoltório íntimo” (Le BRETON, 1998) é negado. Cabeças enormes e sem corpos vagam pelas escolas, colégios e universidades. Cabeças, por vezes, confusas, porque a educação também é assim: Confusa. Como diz Deleuze (2006), tudo é irracional no capitalismo, exceto o capital ou o capitalismo (p.365). E o pior é que, estas instituições educacionais como porta vozes da sociedade, tentam vender os ideais sociais como se fossem justos, coerentes, etc. Quando, a “natureza” social, é, por excelência, ambivalente, excludente, etc. Para Heller (apud ARAÚJO, 1998), o egoísmo e o cinismo são as duas formas mais evidentes do individualismo burguês. Em vista disto, deviam não somente ensinar à pensar, mas à viver na complexidade e na incerteza (PAILLARD, 2002). Acima e abaixo da linha do Equador de tantos absurdos, diga-se de passagem, até o pensar deixa a desejar, e a existência parece um eterno equilibrar-se numa “corda bamba”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Enfim, o corpo na escola quase somente existe quando é para atender suas necessidades básicas de sobrevivência, lanchar é fazer &lt;em&gt;toilette&lt;/em&gt;. Algumas escolas dão uns passos adiante no ridículo de proibir que os adolescentes troquem afeto nas suas dependências. Não raro dou aula vendo alunas se acariciando, bem como, às vezes, aluna e aluno - nunca vi dois rapazes -, isto não atrapalha minha aula. São manifestações espontâneas de carinho pelo colega, que faz prevalecer o lema que nunca devia ter sido aposentado: “Faça amor, não faça guerra”. O que não teria sentido, na sala de aula, seria o “beijo francês” ou algo aproximado, além de inadequado, é falta de respeito, independente de gênero. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para o artista plástico Stelarc (apud Le BRETON, 2003), o corpo perdeu toda utilidade, substituído por máquinas mais eficientes na maior parte de suas funções (p.125). Nessa perspectiva, Le Breton (2003) diz que, anacrônico, o corpo deve desaparecer logo, a fim de permitir o acesso a uma humanidade gloriosa, livre, enfim, dessa “carne” que o enraíza no mundo (p.123). Parece-me que o corpo já deixou de existir, mas justaposto aos sentimentos, o que é bem diferente. Porém, duvido muito que o corpo deixe de ser a máquina das performances sexuais, e de outros meios de negociações legais ou clandestinas. O atual culto ao corpo, fragmentado da emoção, mas, bem trabalhado ou “deformado” para exibição, é o próprio emblema do deserto social, vazio de humanidade. Afinal, “o corpo metaforiza o social e o social metaforiza o corpo. No interior do corpo são as possibilidades sociais e culturais que se desenvolvem”(Le BRETON, 2006, p. 70). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Faltam estruturas que dêem reais suportes a elaboração dos afetos e das subjetividades. No ambiente líquido-moderno, segundo Bauman (2006), nenhum outro tipo de educação ou aprendizagem é concebível; a “formação” dos &lt;em&gt;eus&lt;/em&gt; ou personalidades é impensável de qualquer outra forma que não seja uma reformação permanente e eternamente inconclusa (p. 155 - grifos do autor). É como se o aluno fosse apenas intelecto, mesmo que inacabado, mas, nunca emoção. De modo que não aprende a lidar com esse segmento sobre o qual, raramente, se atribui alguma relevância. Acredito que, muito das monstruosidades sociais de hoje, tem a ver com esse tipo de poda. Este ponto de vista é corroborado por Lowen (1986), quando ele diz que, “a antítese ente ego e corpo produz uma tensão dinâmica que propicia o amadurecimento” - diria crescimento material (grifo nosso) -, “da cultura, mas também comporta um potencial destrutivo”(p.17). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Voltando, especificamente, a essa espécie de “violência” emocional que envolve os exames, o indivíduo só pensa em se equipar intelectualmente para enfrentar o processo. Nunca passa pela sua cabeça que ele próprio também é um instrumento que deve ser assistido, cuidado. No vestibular, pelo menos, se tem acesso a diversas formas de preparação didática, mas, o psicotécnico é um território altamente demarcado da psicologia. Uma vez que, somente o psicólogo lida com esse tipo de avaliação, isto parece imbuir à categoria de um poder. No entanto, a questão não é a preservação desse espaço como exclusividade do psicólogo, que, aliás, é fundamental que seja. Mas, a mítica que se criou entorno dos testes psicológicos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Isto, de algum modo, prejudica o candidato ou examinando, no sentido de que imprime uma antipatia, um mal estar só de ouvir a palavra: Psi/co/téc/ni/co. E esse sentimento se acentua quando, por exemplo, depois de “passar” numa prova escrita, bastante concorrida, de um concurso, o indivíduo ainda tem que fazer este tal, que é eliminatório. Este exame também pode tirar o gostinho de mais independência, conforto e facilidades práticas que trazem a direção. Assim sendo, o psicotécnico não poderia está associado a um rito agradável, mas a uma “coisa” que mete medo, e que só atrapalha. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Similar à matemática que é o pavor de muita gente, o psicotécnico está na categoria desses temores. Mas, é obvio de que não é a matemática, em si, a causa desse terror, mas a forma como foi administrada. Prova disto é que os indivíduos não matematicamente traumatizados sentem prazer de lidar com a mesma que chega a ser, para eles, quase uma diversão. Professores se esforçam para que essa sensação lúdica da matemática se torne generalizada. Porém, em relação ao psicotécnico não se tem enveredado nenhum empenho para isto. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Toda situação de teste ou prova, por mais simples que seja suscita algum nível de ansiedade, e se potencializa quando tem concorrência acirrada, e necessidades que são vitais, a exemplo de emprego, carteira de habilitação, etc. Não tem como subestimar que o psicotécnico e o vestibular têm poder de “divisor de águas”, é esse o seu papel ou destino. Logo, poderá retardar ou mesmo travar, bem como incrementar condições e novas dinâmicas na vida das pessoas. Por conseguinte, desmistificar esses processos, sobretudo o psicotécnico, seria atenuar estado emocional que, por vezes, leva o indivíduo a entrar no páreo já meio derrotado, tomado pelo desânimo de fracasso. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Porém, deve-se salientar que esse medo não se dá apenas pelo aspecto objetivo, mas, também pelos vieses subjetivos que tem a ver com o narcisismo. A dor, para Leriche (apud Le BRETON, 2006), é também o resultado de um conflito entre o excitante e o indivíduo por inteiro (p.53). Não ser &lt;em&gt;aprovado&lt;/em&gt; (termo utilizado em relação ao vestibular), ou não &lt;em&gt;indicado&lt;/em&gt; (termo utilizado em relação ao psicotécnico, pois suscita uma melhor idéia de temporalidade), afeta, de alguma forma, a auto-estima. Pensa-se, agora, não tão capaz como se imaginava. Se já é difícil perder, mesmo quando se tem em mente que a vida, em certos aspectos, se caracteriza como jogo. Mas, como se não bastasse, ainda tem a cobrança direta ou implícita da família, amigos, etc. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Como diz Nietzsche (2004), “o homem é mais sensível ao desprezo quem vem dos outros do que ao que vem de si mesmo” (p.277). Mas você não passou!? Pode soar como: “Estou decepcionado”; “Pensei que você fosse um pouco mais inteligente!” Dificilmente se analisa os possíveis motivos do insucesso. São exigências implacáveis, de que seja super-homem, vitorioso sempre, que não falhe nunca e nem fraqueje em situação alguma. Todo mundo cobra de todo mundo, geralmente sem querer saber das reais condições, mas, de que o “milagre” apareça. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A ansiedade em relação ao psicotécnico ainda é mais acentuada, porque o candidato não sabe exatamente em que consistem os testes psicológicos, pois não se trata de um prova de matéria ou disciplina. Enfim, é um universo desconhecido. Assim, é comum encontrar dois tipos de examinandos no psicotécnico, com posturas bem distintas. Aqueles com menos escolaridade que tendem a ter medo porque acham que vão de se deparar com suas limitações, e que serão expostas. Mesmo assim, humildemente, se submetem. E aqueles com experiência acadêmica, que tendem a resistir por não aceitarem o fato de que terão de ser avaliados. Como se o diploma superior tivesse que os isentá-los desse “constrangimento”. Assim sendo, duvidam, desqualificam o psicotécnico, muitos nem aceitam a própria psicologia. Para esses, é extremamente inquietador ser assistido por psicólogo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Morin (2005, p.25) salienta que, nem “o cientista não é um homem superior, ou desinteressado em relação aos seus concidadãos; tem a mesma pequenez e a mesma propensão para o erro”. Já ouvi falas e discursos de pessoas, dentro e fora do contexto da atuação profissional, estranhamente odiosos a essa ciência. Uma moça se benzeu quando soube que, informal e acidentalmente, tinha se deparado com pequeno grupo de psicólogos. Freud, certamente, explica! Num dos casos, em atendimento, uma médica obesa mórbida dizia detestar a psicologia, com o evoluir da sua explanação foi possível separar o “joio do trigo”, na verdade ela se decepcionara com uma colega psicóloga. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;1) Os Testes Psicólogicos são deste Mundo&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Os testes psicológicos são construídos a partir de símbolos, formas e representações de objetos do cotidiano, portanto não consistem de conteúdos tão estrambóticos os quais não possam ser relacionados ao que já se tenha visto. Mas que exigem concentração, esforço, atenção, para sua realização. A maioria dos testes é não verbal, ou seja, quem tem deficiência sensorial da fala, ou quem não tem nenhuma escolaridade, pode fazê-los tranquilamente. Deve ser destacado que a falta de escolaridade não significa obtusidade. Não é raro encontrar pessoas sem instrução, mas inteligentes, perspicazes. Não têm o conhecimento formal, mas os possui da vida, das suas percepção e capacidade de elaboração. Os testes psicológicos, nesse sentido, são bastante democráticos, contempla a todos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Sem poder fazer alguma coisa que colabore diretamente no resultado do psicotécnico, então o mais sensato é se voltar para si, é procurar relaxar, bem como em ariscar-se ser a própria pessoa, sem subterfúgios, ou representar algum personagem, e cooperativo às realizações e às solicitações do psicólogo e/ou assistente, estagiário de psicologia, quando da realização dos testes (SILVA, 2007). Todo processo que depende unicamente do indivíduo, isto implica num compromisso maior de se buscar força e apoio dentro de si mesmo, e o meio mais indicado para isto é a introspecção. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Não é à toa que seleção de futebol quando vai participar de jogo importante, se concentra. Isto não se reduz a desenvolver somente sentimento de equipe, a estudar, conjuntamente, estratégias de jogo, mas, para que o atleta possa ficar consigo, e reflita sobre o seu estado psicológico e suas habilidades. Até da sexualidade os “cabras” são privados. Espera-se com isto que a libido seja canalizada ou transformada em energia motriz potencializada em campo. Mas, alguns jogadores que desobedeceram ou que lhes foram permitidos a quebra do jejum sexual, também apresentarem bons desempenhos. Paira a polêmica: Eles devem ou não ficar concentrados? A quarentena parece mais válida, porque nem todo jogador tem a performance de “cavalos” de força. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas, seja no contexto do esporte, ou dos exames, é imprescindível a atitude, uma mentalidade realista, que leve a uma determinação. E isto, possivelmente, resulta numa conduta que, de alguma forma, se refletirá de modo positivo na realização do exame. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;a) Atitudes para com o Exame Vestibular&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em relação ao vestibular, até que o vestibulando pode fazer alguma coisa em termos de estudo, mas não é recomendado, uma vez que há uma tendência a ficar mais consciente das faltas, do que se deixou de estudar. Não adianta acumular mais informações, de uma hora para outra, na véspera das provas, sem ter tempo de processá-las. Isto só aumenta ainda mais a ansiedade. É preciso considerar não só a aprendizagem recente, mas tudo que se prendeu ao longo dos anos.&lt;br /&gt;Aqui vem a calhar outro adágio: “Não adianta chorar pelo leite derramado”. Então, o mais sensato é procurar se distrair. Conversar com os amigos, assistir a filmes cômicos. Nada de farra. De álcool, ou de qual coisa que interfira na lucidez. Enquanto isso tenta identificar os medos latentes ou subjacentes, e os coloca para fora. Compartilhando-os com pessoa de confiança, que saiba não irá criticá-lo por isso, do contrário, que será acolhido, acatado. Por mais superficial, infundado, ou bizarro que pareça o medo, mas, é uma preocupação, e isto pode pesar quando da realização das provas, mesmo que não se tenha consciência, imediata, do seu efeito. O importante é se aliviar, e eliminar a idéia do vestibular como frigideira ou guilhotina. No aparente tranqüilo, pode estar “borbulhando” o sentimento é de que “Está frito”, ou de que “Vai ser espinafrado ou ferrado”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Estar preparado para o vestibular e esbanjando segurança, que sabe tudo, julgando que os colegas não estão com nada, pode trazer surpresa. Os alunos que conseguem os primeiros lugares no vestibular, com ou sem falsa modéstia, geralmente são tímidos, e muito simples. Não ficam “batendo no peito” que são os melhores. E mais fácil que, familiares, amigos, etc., façam isto por eles. Seu senso de exigência e limite é forte, não os permitem se vangloriar. Parece-me que, mais do que a vitória, eles desejam o efeito desse feito. O retorno em calor humano e carinho por parte das pessoas amadas - aliás, é isto que todo mundo que se dedica a algum trabalho, atividade, quer: Reconhecimento. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas, por vezes, os “caras de pau”, ou aqueles&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;dos quais não se esperam muito, conseguem resultados razoáveis. A postura descompromissada ou desapegada destes, do tipo: “Seja lá o que Deus quiser” (pelo menos neste contexto, é mais cômodo, e tranqüilizador deixar a “batata quente” nas mãos do divino - infelizmente muitos fazem disto sua “oração” cotidiana), ou “Se eu não passar, ou não for indicado não é o fim do mundo”. Ver por este ângulo, se não resolve, porém retira um “globo terrestre” dos ombros. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;b) Atitudes para com o Exame Psicotécnico&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Como não se lê ou se estuda para fazer o psicotécnico. Isto provoca a sensação paralisante de impotência, pois não se sabe o que irá executar. O indivíduo fica se&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;perguntando sobre o que é preciso que ele faça para conseguir a vaga. Aqui não tem nem como se autoflagelar com mensagens de torturas dos tipos: “Eu devia ter estudado mais”; “Não levei meus estudos a sério, brinquei muito nas aulas”; “Aqueles professores era um bando de incompetentes, nem estimulavam, etc.”; “A namorada me solicitava muito, queria namorar o tempo todo”; “Eu não podia dizer não a um convite para sair com meus amigos”, etc. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O examinando não tem para quem transferir a culpa, a quem baixar o malho, crucificar. A ansiedade e o medo da não indicação ficam martelando na sua cabeça. Tudo isso, ou seja, toda essa pressão fica dentro de si, e, inevitavelmente, ele desconta nos testes: “Esse negócio de psicotécnico, é coisa de idiota”; “Ninguém nem sabe qual é o objetivo disso!”. Enfim, desenvolveu-se uma indisposição para o seu desempenho. Agora o indivíduo não é mais, apenas, vulnerável a situação, ele está raivoso, e precisa descarregar. Ambos os estados de sentimentos são prejudiciais, porque trava o fluxo de pensamento e raciocínio. E, de modo inconsciente, ele realiza essa catarse ou descarga (ou despacha, como numa ocasião se referiu um examinado), nos testes, no momento da realização do psicotécnico. Assim, não denota seu potencial de modo mais amplo, possivelmente dificulta a sua indicação, ou mesmo que seja preterido. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;2) Quando da Realização do Psicotécnico Propriamente Dito&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;2.1 - Subjetividades inadequadas em relação aos testes psicológicos&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Diante de uma situação ameaçadora o sujeito se contrai como meio de auto-proteção, de alerta para a fuga ou ataque, e assim, há uma vaso constrição. A energia não flui por completo porque o oxigênio está restrito a área central do corpo. E num cérebro mal oxigenado os pensamentos não terão&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;tanta fluidez, sinuosidade. Ou terá que fazer um grande esforço que, por vezes, devido à sobrecarga ocasiona o “branco”. O famoso branco da tensão, do medo e do estresse. Somente diante de estímulo agradável, da ausência de ameaça, é que o organismo relaxa e se energiza na sua totalidade para a realização da tarefa. O ideal seria conseguir um estado emocional idêntico à seriedade e serenidade das crianças quando estão brincando. O que, sem dúvida, para ser bem realista, não é nada fácil, isto que para elas, é espontâneo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma coisa é ter medo, mas não trazer cristalizadas distorções a respeito dos testes psicológicos, menos mal; outra, em não temer tanto, mas abominar psicotécnico e adjacências. Estes casos são mais complicados. Seja por medo, experiência negativa com os testes, por pré-conceito, ou informação de terceiros, a ojeriza a esse processo seletivo, se não determina, de algum modo o dispõe a um resultado não muito favorável. Mas, se a pessoa não tem saída, faz jus à adaptação de um outro adágio: “Quando você não pode com o inimigo, alie-se a ele”. Nesse caso o psicotécnico se tornou mesmo um inimigo, talvez dos mais perigosos, porque está no próprio indivíduo, na sua indisposição para realizar o psicotécnico. Pintado desse jeito, tudo parecerá ameaçador. Como qualquer gesto, até casual, do inimigo parecerá intencional para prejudicar um seu rival. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Portanto, é providencial se reprogramar, mudar o foco de visão, conceituação e, como conseqüência a percepção. E tentar pensar os testes como instrumentos, meios que levam ao seu desejado. Essa postura muda toda a energia que, agora, passa a fluir sem entreve, portanto livre das amaras da antipatia. E isto não tem nada de mistério, ou de místico, é a próprio bioenergia do indivíduo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;2.2 - Comportamentos que ajudam na realização dos testes psicológicos&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt; a) Caso o examinado tenha alguma dúvida, não deve ficar com receio de perguntar. Esta pode ser aparentemente simples, ou sem muita importância, mas, se não for esclarecida, poderá refletir de modo desastroso no seu resultado; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  b) Para se certificar que entendeu, o examinando deve dar um &lt;em&gt;feedback&lt;/em&gt;.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Dizer para o aplicador como entendeu a instrução, e pedir a sua confirmação. Exemplo: Pelo que eu entendi o senhor (a) está dizendo que é para a gente marcar nesta folha, quadrados somente dos tipos que estão neste modelo aqui em cima, é isto? A partir do que for verbalizado pelo testando, o psicólogo percebe se de fato a instrução foi compreendida. O profissional não pode ensinar ou dá dicas muito próximas das questões do teste, mas pode explicar da melhor forma possível. Ele não vai julgar o examinando devido a eventuais dificuldades de compreensão. Certamente, não haverá dúvida em todos os testes, mas uma vez que tenha, esta deverá ser&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;comunicada antes de começar o teste. Porque, muitos testes psicológicos têm tempo marcado, e estes, uma vez iniciados não poderão ser interrompidos; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; c) Toda vez que, na instrução, o psicólogo falar em termos de “maior número”, trata-se de produção, ou seja, de teste quantitativo, porém o mesmo está sempre atrelado à qualidade. Mas, somente uma grande produção não é suficiente, tem que ter também qualidade. Uma produção elevada, mas, sem qualidade não é interessante, da mesma forma que uma baixa produção, mesmo que tenha uma excelente qualidade. O esperado é produzir muito e de boa qualidade (isto não deve consistir em estranheza, pois é uma condição inerente ao &lt;em&gt;capitalismo&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;);   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; d) Com exceção dos testes de tempo livre que é comunicado aos examinandos, no geral o tempo não é dito. Mas, quando o aplicador falar que é curto, mas suficiente para fazer um bom número de questões, isto se evidencia que tem de trabalhar com mais rapidez e, obviamente, com mais atenção. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;h2&gt;&lt;strong&gt;3) Medo do Psicotécnico e Medo do Vestibular &lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Segundo o dito popular: “De graça até injeção na testa”, ou seja, é um exagero para ressaltar o prazeroso em que se encerra o grátis, num mundo no qual quase tudo é pago. Essa afirmativa do senso comum contradiz o princípio do prazer, se injeção não é agradável nem quando se precisa dela, na testa, ainda que de graça, e por opção seria o fim da picada. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Então, obedecendo ao princípio do prazer ninguém tomaria injeção na testa, apenas por ser de graça. O princípio do prazer dita para ficar ou aceitar o que é bom, agradável, prazeroso. E fugir, rapidinho, de todo estímulo aversivo, desagradável, doloroso. Assim sendo, em sã consciência, nem de graça alguém se atreveria enfrentar um vestibular ou psicotécnico. Daí tem que se segurar, e suportar essa situação para que a mesma não se reverta, contra o próprio examinando ou vestibulando. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em situações como essas, não têm outra melhor alternativa que não seja se entregar ao processo. Porém, essa rendição tem que ser em relação à aceitação do processo, e não ao conteúdo do mesmo, uma vez que se deve manter produtivo, procurando fazer o melhor. Assim, não apresentar resistência, significa estar “inteiro” para esse objetivo, para oferecer o melhor que a sua potencialidade permite, e como conseqüência o psicotécnico estará a seu favor. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nessas situações, na verdade pode-se falar não de medo, mas de medos - no plural, assim sendo, existem basicamente os medos que serão descritos a seguir, e que estão, num primeiro momento, relacionados à operacionalidade, e, num segundo momento, as subjetividades de cada processo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;3.1 - Medos com base em dados da realidade&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  a) Medo por experiência&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;pregressa, por não ter passado uma vez no vestibular, ou não ter sido indicado no psicotécnico;   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  b) Medo por não estar preparado para o vestibular, ou de não saber o que fazer no psicotécnico;   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; c) Medo do desconhecido, e por ouvir dos outros comentários amedrontadores em relação ao vestibular, e que versam sobre “essa” ou “aquela” matéria, que foram ou não, vistas no colégio, e que “caíram” ou não, nas provas, etc.; e, em relação ao psicotécnico, cada examinado dá a sua versão, e nesta, pode “pintar” um quadro sombrio, e mais complexo do que realmente seja esse tipo de exame. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;3.2 - Medos subjetivos e culpa autopunitiva &lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Existem medos que o individuo trás consigo, sentimento de pecado, afinal temos na reta guarda a religião judaico-cristã para a qual o gozo, o prazer é pecado, menos o sofrimento. Se um bebezinho já nasce com pecado, o dito original. Um adulto deve transbordar de pecados, mesmo que não tenha cometido nenhuma barbaridade. Ou seja, são medos das vivências, das experiências do indivíduo, resultante, por vezes, das&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;basbaquices do meio social. São medos subjetivos, que não tem sentido que não seja na sua própria ótica de quem os forjou, mas isto não quer dizer que eles não tragam algum tipo de sofrimento. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma vez que, “a mente humana tem a tendência de se prender ao objeto perdido e negar a realidade de sua perda” (LOWEN, 1983, p.93). Por paradoxal que pareça, muitas vezes, embora a pessoa queira alcançar um objetivo, mas por culpa ou medo subjacente, ao mesmo tempo boicota esse desejo. Isto, não parece ter lógica, mas o aparelho psíquico funciona com sua lógica específica, na qual a razão, por vezes, esbarra. Afinal, existe o inconsciente, e não é algo fácil de colocar rédea, pois regido pelo princípio do prazer, não reconhece o que é moral ou imoral. Além do mais, não avalia a distância e as conseqüências para satisfazer seus impulsos, conta apenas com a imposição de que, prontamente, os mesmos sejam atendidos. Por um determinado ângulo, ele nos parece uma fera enjaulada, ansiosa para escapar, sempre cheia de direito, só direitos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O medo explícito, mesmo que o sujeito não o supere, pode encontrar meios de driblá-lo, mas, para esse medo latente, é preciso muita atenção para perceber e não deixar que ele atrapalhe seu “aqui e agora”. Tem culpa, medo que se entranha através do que se julga ruim, imoral, ilegal, e nessa situação de vulnerabilidade são os momentos oportunos que se apresentam como ideais para o indivíduo se autopunir por esses pensamentos, atos “indevidos” ou, de fato, condenáveis. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segue algumas situações, a exemplo de como esse tipo de medo, poderá atuar:  &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt; a) Medo por conta da culpa: “Eu não estudei o suficiente, etc.”, agora é justo que não seja aprovado. Tantas oportunidades que deixei “passar”, chances profissionais que me foram oferecidas: “Bem feito que eu não seja indicado nesse tal psicotécnico”. São vozes interiores, que precisam ser escutadas, para poderem ser elaboradas; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; b) Medo por estar preparado, mas não o legitima, devido ao sentimento de culpa por pensamento e/ou comportamento supostamente condenável; elevado nível de cobrança, exigência. Geralmente os mais tensos, são exatamente os mais responsáveis, que exigem, e esperam muito de si mesmos; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  &lt;strong&gt;c&lt;/strong&gt;) Medo da concorrência, fantasia que os concorrentes são melhores, quando, na realidade todos podem está na mesma situação, ou seja, “morrendo” de medo. Enfim, é importante esquecer os outros, se ligar na própria pessoa, no que pode fazer de melhor. Ser o seu próprio referencial ou parâmetro. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;h2&gt;&lt;strong&gt;4) Exercícios de Relaxamento&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;4.1 - Contactando a respiração&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A respiração é um ato do qual normalmente não se está consciente. Segundo Lowen e Lowen (1985), um animal ou uma criança pequena respiram corretamente e não precisam nem de instrução nem de ajuda para fazê-lo (p.35). Ainda para os autores, o adulto tende a apresentar desorganização de respiração, devido a tensões musculares crônicas resultantes de conflitos emocionais vivenciados ao longo do seu crescimento, que a distorce e a limita. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Os seguintes exercícios ajudam a manter a consciência da respiração para atenuar a tensão nas situações de exames psicotécnico e vestibular: &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  a) Nesses momentos dar atenção à respiração é fundamental. A maneira mais adequada é &lt;em&gt;inspirar&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;expirar&lt;/em&gt; soltando o ar pela boca, mas sem soprar, como se fosse um gemido de dor. Aqui poderia se dizer, dor do medo, da tensão e da ansiedade, que precisam ser externalizadas. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; b) Uma outra forma, de aliviar a tensão, os pensamentos e sentimentos negativos, é a seguinte: No banho, esfregar bem o xampu no couro cabeludo, massageando-o com as pontas dos dedos. Sentindo o próprio couro cabeludo, e a raiz capilar, até que tenha a sensação de relaxamento. Ao enxaguar os cabelos, enquanto a água desce pelo corpo com a espuma em direção ao ralo, mentalizar que a tensão, o medo, etc., também vão juntos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  c) Um outro exercício consiste em, antes de dormir, colocar uma música do tipo &lt;em&gt;new age,&lt;/em&gt; respirar profundamente e segurar a respiração o quanto puder, e depois a solta (sem soprar). Fazer isto por três vezes. Enquanto mantém a mão esquerda no coração, e a direita no estômago sentindo o seu elevar-se e esvaziar-se, até à respiração voltar ao normal.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Verifica se os pensamentos e sentimentos negativos ainda estão presentes. Em caso afirmativo, retorna a respirar até que os mesmos não sejam mais fantasmas. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;4.2 - A água como fonte de transmutação de energia&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A água é um excelente meio para purificar e transmutar as energias. Num canto raso da praia ou piscina, a pessoa se debate feito náufrago, esmurrando e esperneando a água, descarregando toda tensão até cansar - para os menos tímidos, que estiverem na praia, ao passo que se debate na água, grita seu medo e sua tensão para o infinito do mar, isto torna o exercício ainda mais completo. Depois, volta para a terra firme ou borda da piscina coloca a mão esquerda em cima do peito, a mão direita em cima do estomago. De olhos fechados, sente as batidas do coração, e o elevar-se e esvaziar-se do estômago, enquanto o ar entra pelas narinas e sai pela boca entre aberta (sem soprar), até a respiração voltar ao normal. A cada exercício, é importante está atento para as imagens que surgem na “tela” da consciência, bem como dos pensamentos e sentimentos que suscitam a respiração. Do que se trata, etc.? Se for pensamento negativo, sentimento de tensão, medo, preocupação, enfim, qualquer coisa desagradável,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;volta para água, e torna a repetir o exercício. Até chegar um estágio de neutralidade ou harmonia. Não se trata de reprimir, mas, de descarregar. A idéia não é de negar o medo, a tensão, etc., mas ficar bem consciente deles, e colocá-los para fora. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;4.3 - Os pés como ponto de apoio e equilíbrio&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; a) Colocar os pés em paralelo, e numa&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;distância de quinze centímetros, flexiona as pernas e as mantém assim enquanto durar o exercício. E passa a fazer movimentos circulares com os ombros para frente e, depois, para trás, sempre tentando alcançar, mais ou menos, a altura da base das orelhas. Feito isto, deixa a cabeça rolar sobre o tórax, no sentido horário e anti-horário,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;com a boca entre aberta. Em seguida, num espaço amplo: primeiro, caminha descalço&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;nas pontas dos pés; segundo, caminha sobre os calcanhares; terceiro, na quina dos pés, estes voltados para dentro; e por último na quina dos pés, estes voltados para fora. Dar umas seis voltas ou mais, conforme a disposição. O corpo vai “dizer” dessa necessidade. Isto vai dar mobilidade aos pés, e ajudar num caminhar mais seguro, confiante. Durante a realização das provas ou do exame, manter sempre os pés firmes no chão, não de maneira rígida, e procurar, discretamente, sempre respirar. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; b) Nas situações de desequilíbrio geralmente a pessoa está pisando sem firmeza. Nos dias que antecedem as provas, manter os pés bem apoiados no chão. A mãe terra nunca nega o seu apoio, assim, mantendo esse contato ajuda a perceber melhor a realidade e a enfrentá-la. Caminhar descalço na beira mar, sentindo o contato dos pés na areia, e alternando ora na areia molhada ora na areia seca, ajuda bastante a sensibilizar-se para ter os pés como essa fonte de apoio. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;4.3 - &lt;em&gt;Grounding&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt; &lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Estar &lt;em&gt;grounded&lt;/em&gt; é o mesmo que dizer que a pessoa está com os pés no chão. O termo pode significar também saber onde estar e saber quem é. A pessoa &lt;em&gt;grounded&lt;/em&gt; “tem o seu lugar, é alguém” (LOWEN e LOWEN, 1985). O exercício do &lt;em&gt;Grounding&lt;/em&gt; - a pessoa fica em pé com os pés separados 25 cm. Inclina-se à frente tocando o chão com os dedos das duas mãos. Os joelhos devem estar ligeiramente dobrados. A cabeça deve ficar pendurada, bem solta, isto é, sem tensão, bem voltada para o chão. O corpo assume a posição de um arco, como se as extremidades, mãos e pés, fossem se tocar (uma distância de 5 cm). Respirar vagarosamente e profundamente pela boca. Os calcanhares podem ficar levemente erguidos. Esticar os joelhos devagar até que os músculos atrás das pernas estejam esticados. Mas não esticar totalmente ou travar os joelhos. Permanecer nessa posição em torno de um minuto. &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  1 - Você está respirando com facilidade ou está prendendo a respiração? A vibração não ocorrerá se você parar de respirar.   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; 2 - Você percebe alguma atividade vibratória nas pernas? Se não, tente lentamente dobrar um pouco o joelho. Faça isso algumas vezes para relaxar os músculos. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; 3 - As vibrações são intensas ou suaves? Quando voltar a posição de pé, isto deve ser feito bem lentamente. As pernas permanecem flexionadas, ao passo que o tórax vai voltando a se encaixar arrastando a cabeça, esta ainda dependurada, até chegar o ponto de ser erguida. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt; No dia do psicotécnico ou do vestibular, ao se dirigir ao local de exame aproveita para - caso não se incomode que os outros vejam ou possam pensar -, dentro do carro, com os vidros fechados, para &lt;em&gt;gritar&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;4&lt;/sup&gt; alguma tensão e medo que persistam.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Finalmente, estes são alguns dos exercícios, com base na bioenergética, que poderão ajudar a relaxar. Não tem contra indicação, salvo a exceção de não ser aconselhável logo após as refeições. Podem ser realizados algumas vezes ao dia, ou pelo menos uma. Nos dias que antecedem as provas (vestibular) e o exame (psicotécnico), mas de maneira moderada, em particular, na véspera. Não são exercícios esteticamente lindos, porém bastante ricos no que podem fortalecer ou ajudar a retomar o equilíbrio.&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Ressalto que tudo isto não é nenhuma garantia de aprovação no vestibular ou de indicação num exame psicotécnico. Mas, uma vez relaxado aumentam as chances de se ter um resultado mais satisfatório.&lt;/em&gt; O corpo é o suporte para um pensar mais lúcido, e na medida em que se cuida desse “primeiro e mais natural instrumento do homem” (MAUSS apud Le BRETON, 2006, p.39), se reflete na qualidade da articulação das idéias, da criação. Assim, seu potencial tem mais como se revelar pleno, pois estará livre das travas das tensões, das culpas e dos desejos inconscientes de autopunição. No mais, meu caro leitor, minha cara leitora, Boa Sorte. &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;NOTAS:&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; 1. Muitos “esquecem” o tipo de sistema no qual estamos inseridos, e criticam os testes pela sua metodologia positivista.&lt;br /&gt;2. Todos estes exercícios poderão ser feitos em quaisquer outras situações de tensão e estresse.&lt;br /&gt;3. Desenvolvido pelo &lt;em&gt;new&lt;/em&gt; rachiano ou discípulo de Wilhelm Reich, Alexander Lowen. &lt;em&gt;Ground &lt;/em&gt;em inglês significa chão, base - não tem uma tradução apropriada no português. O termo é usado em bioenergética para designar o contato com o chão e, em decorrência desse contato, a conscientização do corpo embasado (nota dos tradutores In: LOWEN e LOWEN, 1985). Pode ser realizado apenas o exercício do &lt;em&gt;grounding&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;ou junto aos demais.&lt;br /&gt;4. Atenção: Em momento algum o som é produzido na garganta, esta vai dá passagem para liberar essas emoções, que estão no plexo solar. &lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-5858550182427471152?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/5858550182427471152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=5858550182427471152' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/5858550182427471152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/5858550182427471152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/como-se-preparar-para-o-psicotcnico-e.html' title='Como se Preparar Para o Psicotécnico e Para o Vestibular'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-3070476160589535455</id><published>2008-06-11T10:17:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:05:45.743-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Anormal é ser Normal: A Loucura e o Contexto da Psicoterapia'/><title type='text'>Anormal é ser Normal: A Loucura e o Contexto da Psicoterapia</title><content type='html'>&lt;p align="left"&gt; &lt;em&gt;“A minha arte é 'tocar' as pessoas. 'Tocar' pela palavra, gesto, afeto, expressão, olhar, movimentos, etc., nos seus pontos sensíveis, adormecidos, cristalizados,  encantados. Eu consigo ´tocar` quando fui ou estou sendo 'tocado' por essa mesma pessoa” (ABEL GUEDES apud CARDELLA, 1994, p. 56).&lt;/em&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Atualmente, mais do que em outras épocas, se busca o psicólogo. Mas, em termos comparativo e proporcional, em relação, por exemplo, a categoria médica, a assistência psicológica ainda perde em disparada. Ao passo que o trânsito para a medicina é livre, mais acessível, sem grandes complicações, para a psicologia é enviesado, tortuoso, cheio de obstáculos. A psicologia não goza de igual ou idêntico prestígio, e isto, em grande parte, se deve ao preconceito ou visão deturpada que impede a procura imediata e espontânea do psicólogo. Na ânsia de acharem saídas fáceis para seus males psíquicos, dores psicológicas ou da alma, muitos pacientes antes de chagarem ao consultório se lançam na peregrinação de panacéias que prometem soluções mágicas. Estas vão desde livros de auto-ajuda até o misticismo nas suas múltiplas vertentes que, meio às escondidas, não deixam de tentar os préstimos de bruxos, curandeiros, etc. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;      Essa peleja, &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;na maioria das vezes, resulta em perdas de tempo, dinheiro e, que por vezes, agrava ainda a situação, considerando que retarda o seu atendimento. Finalmente, quando já esgotados “optam” pela terapia, ou melhor, psicoterapia, os sintomas já estão cristalizados. E, neste estágio, os casos são muito mais difíceis de ser trabalhados e resolvidos. No geral, o social tem uma relação de ambigüidade com a psicologia, por intuir o seu teor revolucionário. Mas, a praxe da psicologia parece, infelizmente, corroborar mais com a adaptação do indivíduo do que com sua libertação. Ajustado, neste contexto é não sentir angústia, é ter uma atividade que gosta ou tentar encontrar algum prazer na que já desenvolve. Enfim, se harmonizar para não sofrer pelo desejo de mudar, no propósito individualista de que estando bem, pouco importa se o mundo&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;estremeça&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;em guerra, se crianças morram de fome, etc. Assim, a vida se resume ao trabalho, à família, a alguns amigos, e a reprodução das mesmices de sempre. Isto é o que se chama de vida normal de “pacato cidadão”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Muitos atores sociais não conseguem viver sem as muletas simbólicas, e parece que em determinadas condições precárias ou limítrofes, de fato, a fantasia, a ilusão ajudam a suportar a realidade hostil e, assim, salvaguardar sua saúde mental. A &lt;em&gt;priori&lt;/em&gt; todo mundo quer estar, ou, de preferência, ser feliz. Seria um contra-senso não desejar ou não batalhar pela felicidade. Em virtude da(s) culpa(s) consciente(s) ou inconsciente(s), há boicotes igualmente inconscientes ou nem tanto. Primeiro, porque a felicidade é ameaçadora para o próprio indivíduo, uma vez que, em razão da neura, isto não lhe é muito familiar; segundo, porque afronta o entorno, e que pode comprometer as relações; terceiro, porque os elementos forjadores e mantenedores da felicidade são “perecíveis” e/ou não claramente identificáveis para acioná-los ao bel prazer; e por último, porque geralmente se coloca a responsabilidade desta sua subjetividade nas mãos de outrem ou de proposições&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;externas à sua pessoa.    &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Há uma “ordem” social para ser feliz, como se somente fosse possível viver a vida nesse estado de espírito. Segundo Costa (2005), os indivíduos cedem à ilusão de associar aquisição de objetos materiais à felicidade, e é a insatisfação emocional crônica que o torna consumidor modelo. Não estar feliz não significa, necessariamente, estar infeliz ou mal com a vida, e nem apático. O bem estar parece ser mais seguro. A felicidade é efêmera e singular para cada indivíduo. Mas, na neurose há um “apego” a dor, ao medo de não mais gozar que é sustentado pelo ganho secundário ou simbólico do sintoma. Em outras palavras, o paciente resiste em abandonar seu “&lt;em&gt;status&lt;/em&gt;” neurótico, por estar colado ao(s) trauma(s) ou fixado na compulsão à repetição. É um sofrimento que, reclamando ou se queixando dele, o sujeito conhece. Portanto, tem um “poder” sobre o mesmo. Por isto teme, em conseqüência da mudança, não saber lidar com uma nova situação ou que não consiga colocar algo no seu lugar. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Entretanto, não há crescimento sem algum tipo de sacrifício ou dor, daí o psicólogo, na sua autoridade epistêmica, tem que “preparar” o paciente para aceitar a sua assistência. E, assim, deixa claro que sua ajuda, em grande parte, vai depender do quanto o paciente se disponibilize a se ajudar. Embora um profissional competente ou mais experiente, em geral, tenha mais habilidade para dissolver as resistências. Porém, o psicólogo não é mágico, super-homem, não tem poderes sobrenaturais, não faz milagre. Do contrário, o processo psicoterápico não é de fora para dentro, e para que o paciente obtenha algum benefício exige que ele faça um investimento considerável de esforço para romper com seu(s) ciclo(s) vicioso(s), se desvencilhar das amarras psíquicas, e passar a viver com mais economia. Ou seja, sem o desperdício de energia que o faz refém da sua neura, ou porque esta perdeu a intensidade de sua contenção ou porque, de fato, tenha ocorrido a sua elaboração ou superação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O psicólogo é apenas um técnico cuidadoso que, em especial, através da sua humanidade vai ajudar o outro a revisitar seu(s) trauma(s). Assim sendo, na volta desta “viagem” assistida o paciente retorna mais fortalecido, para se encontrar consigo. No entanto, o que pode parecer estranho é que esse encontro não tem relação direta com o social, mas com o próprio indivíduo. Uma &lt;em&gt;mãe&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt; apelava para a filha não deixar à terapia porque sua interação em casa havia melhorado. Mas, a necessidade da moça era superar a perda de um ex-namorado, e a lidar com o ciúme exagerado do atual. A terapia não objetiva, necessariamente, a expectativa alheia. Portanto, se atender a algum desejo familiar ou social, é mais como conseqüência. Talvez, o medo do paciente em relação à psicoterapia esteja ligado ao fato de julgá-la como totalmente libertadora, como algo que o faça perder as suas referências. Se provocar alguma ou pequenas mudanças suscita angústia, associar o processo a uma transformação radical é colocar rédeas que o impedem de adentrar e aprofundar as suas questões.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas, a ajuda psicológica não é só restringida no aspecto financeiro do pagamento das seções; do tempo relativamente longo exigido pelo processo; e ao pavor do seu potencial libertário. O psicólogo também se debate na teia dos preconceitos içada em torno deste ofício. Às vezes, a discriminação à psicologia é tão forte que muita gente chega a odiá-la. Já presencie uma cena esdrúxula de uma camarada se benzer quando soube que estava diante de um grupo de psicólogos. Como uma pessoa pode odiar uma ciência? Se todas têm como propósito trazer benefício para a humanidade? Não precisar da psicologia é uma coisa, o que é muito raro de ocorrer porque as pessoas sempre trazem no seu histórico de vida pendências da estrutura familiar ou social. De fato, têm aqueles que se “viram” sozinhos, e de algum jeito aprenderam a conviver com seus(s) trauma(s), ou encontraram, por si mesmos, as suas saídas. Mas, chegar a odiar a psicologia!? É algo de muito estranho, insano, um grande sintoma. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;      Entre as &lt;em&gt;normoses&lt;/em&gt;&lt;sup&gt;2&lt;/sup&gt; brasileiras, está o hábito cultural de dar satisfação, de “prestar conta” da vida privada ao entorno. As pessoas se sentem na obrigação de justificar não só para família, mas também para a sociedade (este grande Outro) os seus atos. Em cidades pequenas e de médio porte, a preocupação com o “que vão pensar ou dizer” chegar a ser um terror paranóico. Como se todo mundo fosse celebridade com uma cambada de&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;paparazzi ao seu encalço. Esse poder depositado no outro sugere travas invisíveis para que o próprio sujeito não libere seus impulsos. Em outras palavras, uma imaturidade que outorga um poder de controle ao externo para não assumir as tendências dos seus desejos. É como se todos estivessem “amarados às correntes” da falsa moral. Portanto, aqueles que não conseguem ou não se permitem ser eles mesmos, ficam raivosos, e, assim, punem, perversamente, quem ouse vivenciar a expressão da sua singularidade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A decantada liberalidade brasileira se contradiz com essa permanente vigilância panóptica, focada especialmente nas questões da sexualidade e da sanidade. A sexualidade sempre será um tabu na medida em que se tenha curiosidade de como e com quem o outro a manifesta. Ninguém liga que um cidadão esteja passando por carências materiais ou dificuldades existências, que não tenha emprego, etc. Entretanto, como diz Caetano Veloso (s/d), todo mundo quer saber com quem ele se deita por debaixo dos lençóis (adaptação nossa). Não há preocupação com a sua pessoa, esta que se “lixe”, mas com o seu gozo, e se está dentro da legalidade. Nesta cultura, em detrimento de qualquer valor, a relevância maior está na metade inferior do corpo, em especial entre as pernas, e que instiga à caça rumo à revelação ou execração pública. Este vigiar e punir que Michel Foucault denomina, também respinga no consultório. O homem, em particular, procura esconder que faz terapia, não seria uma “coisa de macho”, e sobre ele podem se levantar suspeitas, o que obviamente é um absurdo, sobre suas masculinidade, sanidade ou estabilidade emocional. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Um jovem engenheiro fazia terapia porque, apaixonado, foi largado pela namorada. Com repetitiva ironia ele dizia que os cafajestes se dão bem com as mulheres, porque bagunçam o “coreto” (são abusivos, traem, etc.), mas é o tipo que elas mais gostam. Associou que, não tendo esta “invejável” conduta, só no início era que seus relacionamentos iam bem, porque o sexo era intenso e consistia numa excitante novidade. As parceiras adoravam. Com seu ego inflado, ele se sentia dono da situação. Todavia, bastava se apaixonar, para que elas logo perdessem o interesse pela relação. Na realidade, em termos da sexualidade, este rapaz continuava o mesmo: ativo, viril, desinibido. Mas, quando começava a se vincular afetivamente, ficava muito solicito, regredia de “garanhão”, todo poderoso, para bebê (ele era filho único) pegajoso, desprotegido carente de colo. As moças ficavam perplexas com esta virada extrema de comportamento que exigia delas dedicação maternal, e as “obrigavam” a troca de papel, de protegidas, que ele as habituavam, para o de protetoras. Na verdade, toda a sua performance era para chegar a este fim. Ele enveredou um novo relacionamento, desta vez com uma evangélica. Ganhou um jantar de um amigo também empresário, no meio do mesmo recebeu, por engano, uma ligação de um homem com voz efeminada. Não tendo do que temer ou esconder falou para a namorada. Esta, de imediato, passou a questionar se ele não seria gay por que estava fazendo terapia. Acabou o namoro. Ele insistiu na conquista, hoje estão casados, com filhos, e felizes. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;      Segundo  Pereira (s/d), a palavra norma vem do latim &lt;em&gt;normalis&lt;/em&gt;, quer dizer “aquilo que não se inclina nem para direita nem para a esquerda”, ou seja, que é “perpendicular”, que “se mantém num justo meio termo”(grifos do autor). Neste imaginário, a clínica psicologia está fortemente associada aos distúrbios da sexualidade e a loucura. No entender de Foucault (1995, p.25), “a loucura não diz tanto respeito à verdade e ao mundo quanto ao homem e à verdade de si mesmo que ele acredita distinguir”. Nos dias de hoje, ainda chega ao consultório o indivíduo se justificando de que não é louco. Por vezes, sinto o impulso de dizer-lhe que se acalme, porque ali, certamente, tem apenas um louco, o terapeuta, que, graças a sua loucura tem a condição potencial de ajudá-lo. E dizer-lhe também que não há nenhum privilégio em ser normal, que se paga um preço muito alto por isto. E mais ainda, de que ser normal é a prova cabal de que o sujeito está morto. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Logo, “é normal, no sentido mais usual da palavra, o que se encontra na maior parte dos casos de uma espécie determinada ou o que constitui a média ou o módulo de uma característica mensurável”(CANGUILHEM, 1990, p.95). Assim sendo, o “anormal é uma relação: ele só existe na e pela relação com o normal”(PEREIRA, s/d, p.22). De tão bem adaptado o homem normal é favorável à sociedade que está posta, e por isto mesmo não tem a menor necessidade de alterá-la. Ele é basicamente fisiológico, apenas come, dorme, toma “cachaça”, prática sexo e faz cocô. Para Safra (1998, p.106), “a genialidade é também decorrente de um processo de desalojamento de si mesmo”. Somente os loucos, a exemplo dos artistas, dos visionários, dos grandes homens, criam, transformam. Em síntese, “a insanidade demonstra como está presente na vida dos homens e tudo o que estes a ela devem, pois é ela, a Loucura, e ninguém mais, que move o mundo” (ERASMO, 2003, p.135). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; De tão condicionado a se enquadrar, o paciente não se dá conta de que a sociedade, na sua maior parte, é um grande hospício. A diferença é que os loucos de fora (ditos normais) dirigem seu pragmatismo e individualismo e, por vezes, a sua doença, exclusivamente para seus fins. Ao passo que os trancafiados (ditos loucos) não têm o controle desta intenção, se negam a isso, ou, ainda, se cansaram da dissimulação. Em certos casos, na visão de Jaeger (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; DELEUZE, 2006, p.252), “é a utilização de conceitos políticos que provoca um estado de crise no doente, como se ela trouxesse à luz o nó de contradição nas quais o louco se amarrou.[...] Não há lugar do campo social, nem mesmo o hospício, em que não se escreva a história do movimento operário”. Derrida (2005, p.55) acredita que “a sabedoria do poeta [...] realiza a sua liberdade nesta paixão: traduzir em autonomia a obediência à lei da palavra. Sem o que, se a paixão se tornar sujeição, aparece a loucura. O louco é vítima da rebelião das palavras”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Seria, por demais, estranho e enlouquecer viver nestas sociedades sem apresentar nenhum sintoma físico ou psicológico mínimo de afetação. Numa sociedade de indivíduos, segundo Bauman (2007, p.26), “cada um deve ser um indivíduo. A esse respeito, pelo menos, os membros dessa sociedade são tudo menos indivíduos diferentes ou únicos”. Na ótica de Pereira (s/d, p.102), “numa sociedade que tem horror ao diferente, que reprime a diversidade do real à uniformidade da ordem racional-científica, que funciona pelo princípio da equivalência abstrata entre seres que não têm denominador comum, a loucura é um ameaça sempre presente”. O autor salienta ainda que, o louco é excluído porque insiste no seu direito à singularidade e, por conseguinte, à interioridade. Para ser diferente, sem o risco da exclusão, o sujeito tem de apresentar sinal de pertença a alguma tribo reconhecida ou institucionalizada. Assim, qualquer comportamento por mais bizarro ou ridículo que seja uma vez normatizado, seus signos podem ser ostentados sem o risco da rejeição. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Faz parte das estratégias de sobrevivência psicológica forjar algum tipo de loucura, ou se agarrar às rotas de fuga tóxicas - não necessariamente ilícitas. O cidadão sempre se debate com algum tipo de vício ou dependência. Não tem quem escape, são muitas as exigências, contradições e esquizofrenizações para que o indivíduo não seja sugado por algum &lt;em&gt;modus  operandi&lt;/em&gt; histérico, compulsivo, paranóico. A cultura ocidental, como diz Safra (1989), fragmenta o ser humano, tanto descorporifica o sujeito do seu sentido de realidade e de tempo, quanto o desconecta de suas origens. Isso produz uma vivência de abandono, que não é decorrente da ausência de um objeto, mas sim da perda de si mesmo. Em virtude disto, é praticamente uma utopia falar em sanidade nas sociedades atuais, o esforço do cidadão é mais com a finalidade de domesticar a loucura para que a mesma, nesses cenários ricos de estímulos infames, não o precipite em condutas horripilantes. Afinal, como diz Derrida (2005, p.145), “a loucura tanto é a alienação como a inalienação”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Há várias rotas de fuga, umas mais saudáveis - loucuras criativas, transformadoras -, e outras comprometedoras - que são válidas pela aprendizagem -, mas todas são os meios através das quais se cavam “saídas” da realidade, para se aliviar ou tolerar o cotidiano. Uma vez que, se ficar de menos no real corre o risco de se perder, ou se o “abraçar” em demasia pode ser por ele “engolido”, “estrangulado”, “assassinado”. As paixões por carnaval e futebol, a exacerbação do sexo, do consumo, da bebida, etc., tem um pouco disto, ou seja, deste tóxico. Há um desespero flamejante pelo quantitativo dessas vivências, ao invés de serem deglutidas, digeridas, deliciadas. Enfim, comemoradas. Não seria a angústia subjacente à consciência da morte que a folia, o histerismo coletivo, mesmo como escape, não conseguem aplacar? Nos carnavais, “dentro” ou “fora” de época, por exemplo, muita gente já sai de casa “abastecida”, e com a intenção de morrer ou matar. Com a invenção do banho de espuma, rostos até então jovens e belos, estão agora literalmente “passados”, de olheiras, sem vida. É o próprio quadro do horror. Parecendo mais vítimas em rescaldo de catástrofe, do que foliões. Enfim, não conseguem esconder dos sensores das câmeras ou dos olhos argutos, seu vazio, solidão, mal-estar, etc. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Será que os sujeitos, mesmo sofrendo as dores da alma não tenham o legítimo propósito de mudar? Isto é ambivalente, e nem tanto lógico, é um não querer e um desejar ao mesmo tempo. A eterna briga entre Eros e Tânatos. Hoje bem menos do que no passado, as pessoas buscam o padre - orientador espiritual que diz o que é certo ou errado das condutas, e redime os pecadores impondo cotas de orações -, sem o menor constrangimento. Ou seja, tudo que tem aura de divino, é valorizado, e geralmente exerce um fascínio sobre as pessoas. A necessidade de contar com uma força superior, que as protejam do demasiado humano, é tão forte que elas se apegam, egoisticamente, a qualquer daimon. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas, recorrer ao psicólogo, um profissional supostamente preparado, que estuda e pesquisa o comportamento humano, que fez ou faz terapia e laboratório humano, mexe com os brios. Em parte porque o processo exige do sujeito, e&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;em conseqüência da conotação pejorativa da representação social da psicologia. O sujeito da clínica psicológica é multiplamente desafiado, pelo seu estado psicológico, e pelas barreiras que tem de transpor por causa dos preconceitos, para ter acesso à assistência psicológica. Além do mais, para o senso comum, a psicologia tem o descrédito por não receitar, e tentar resolver só na “conversa” (algumas abordagens em concomitância trabalham o corporal), e os planos de saúde não cobrem, indiscriminadamente, o tempo relativamente longo do tratamento. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Neste contexto cultural, o pedido de ajuda psicológica coloca em risco a imagem do paciente. Isto é, como se não bastasse à dificuldade que motiva a sua consulta, o indivíduo tem de enfrentar a provável perda de &lt;em&gt;status &lt;/em&gt;de pessoa “normal”, ou, nas melhores das hipóteses, de ser visto de modo enviesada. Por vezes, mesmo diante da descriminação, das opiniões distorcidas, de maneira a contrariá-las, a necessidade termina por se render à resistência. Para Jodelet (2005, p.373), “a descrição do doente mental, e a explicação da doença mental mobilizam uma posição normativa”. A doença mental ainda é um tabu social. Assim sendo, carece de estudos e discussões que contribuam para sua desmistificação. Enquanto a psicologia não desmistificar a loucura, a procura do psicólogo será sempre emperrada por estes ranços. Na compreensão de Pereira (s/d, p.48), “se há um discurso da razão sobre a loucura, não há discurso da loucura sobre a razão”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Um paciente com sintoma físico, sem a menor cerimônia, de imediato ativa o socorro médico, porque o mesmo está inscrito na normalidade. É como se a doença física não envolvesse a sua personalidade ou não tivesse nenhuma relação com suas atitudes e comportamentos. Assim, o sujeito está isento de qualquer responsabilidade ou cobrança, ele não tem culpa de ter adoecido. A doença veio de dentro, é um fator genético, hereditário, ou de fora, foi adquirida no contato ou contágio social, neste contexto preconceituoso desde que não seja AIDS, é normal. Logo, a doença física tem conotação coletiva, qualquer cidadão está vulnerável, democraticamente em alguns momentos da sua vida pode adoecer. Em vista disto, o paciente não tem o seu &lt;em&gt;status&lt;/em&gt; abalado. O paciente físico não é deixado sozinho, tem o acolhimento das pessoas em geral, com as quais pode contar e compartilhar a sua dor. Em síntese, a doença somente é aceita na condição de fenômeno físico, mas, dificilmente por razões psicológicas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Todavia, quando se trata dos males da alma, da psique, o paciente não somente sofre pela doença ou pelo mal estar psicológico, mas também em razão da conotação social de colocá-lo como responsável. Na concepção popular ele é muito sensível ou fraco, uma decepção para a sociedade “casca grossa” dos “fortes”. Os imbecis perversos gozam em perturbar o louco, em fazer chacota, parecem possuídos pelo desejo sádico de vê-lo se destruindo ou destruído. Não há compaixão, respeito, mas uma raiva “irracional” pelo doente. Este que perde a sua condição humana, e se torna um zumbi das gozações para estes doentes normais darem evasão as suas monstruosidades. O olhar impiedoso do social o condena por ter se “permitido” adoecer, e o pune com a estigmatização e exclusão do convívio social. Ou seja, a doença psicológica ou mental faz valer a crença de que as mesmas são exclusivas e privativas do paciente. Como se na esfera do psicológico todos fossem ilhas isoladas. O indivíduo doente está só, tem vergonha disto, e familiares, parentes e amigos tendem a deixá-lo entregue a própria sorte. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Safra (1998), os psicólogos e psiquiatras estão acostumados a entender o fenômeno de loucura como frutos de uma perturbação de origem pulsional, mas essa é apenas uma possibilidade. Contudo, “a questão não é tão simples; existem vários outros níveis de entendimentos do fenômeno da loucura, por exemplo, a desorganização psíquica não nasce da subjetividade do indivíduo, mas sim do desencontro com o outro, com a cultura e com o campo social” (SAFRA, 1998, p.105). Um cidadão me perguntou se seria interessante para o amigo, visitá-lo no hospital psiquiátrico. Se fosse um outro tipo de instituição, certamente ele não teria dúvida da sua visita. Pelos menos, esse paciente não tinha sido esquecido como ocorre com a maioria dos que adoece da “cabeça”. Castoriadis (1999, p.111) diz que “a realidade da qual - louco - não quer saber nada é a realidade social, as relações de filiação, as relações aos objetos de desejo”. Parece que a loucura passa pelo descrédito, e quebra da confiança nas relações, mas isto não quer dizer que o “doente” não as queiram mais. Do contrário, espera-se que a sua fé nos afetos e valorização das relações sejam restauradas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Quase todos os indivíduos conscientes ou não, trazem consigo seqüelas de traumas, resíduos das frustrações, dos lutos maus elaborados, dos quais tenta, de diversas maneiras, se libertarem. Mas, nem sempre, são assertivos nas estratégias para revolvê-los ou nos dispositivos para recalcá-los ou reprimi-los. Assim, diante de novas perdas chegam a um limiar de tolerância que os obrigam a se deparar com esta realidade interna, até então, escamoteada. Por causa disto, nada mais natural, porém corajoso, uma vez que, nem sempre o narcisismo e o social admitem reconhecer a necessidade da assistência psicológica. E isto não o torna menor ou superior a ninguém. Afinal, o ser humano e vulnerável mesmo, sempre dependente do outro, primeiro para se humanizar quando bebê através da mãe; depois para se manter legitimado na sua conduta. Assim, ao invés de ser criticado por esta sua atitude devia é mais ser enaltecido, por almejar a melhoria da sua saúde psíquica. A qualidade de vida está sempre associada a determinantes físicos tais como exercícios, alimentação saudável ou balanceada, etc., mas nunca aos aspectos psíquicos. Ou seja, nesta concepção o homem é só corpo, como se somente a este segmento devesse devotar cuidados. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O aprofundamento do auto-conhecimento somente é possível através do outro, no seu caráter confessional. Uma vez que é básico do homem, em virtude da sua composição animal, de ser regido pelo princípio do prazer que Freud tão bem pontuou. Assim, o olhar do indivíduo sobre si mesmo, na maioria das vezes é turvo, parcial, comprometido, ele enxerga somente o que pode, suporta ou permite. Para Maturana (2006), o ser humano tem um domínio de plasticidade muito maior do que acredita, e para entrar nas mudanças ou não, depende da emoção. O psicólogo, na suposta neutralidade adentra e explora o campo psicológico do paciente, uma vez que, sozinho, seus mecanismos de defesa são mais difíceis de serem desmontados. Por mais que o indivíduo deseje ficar de frente com a sua verdade terá sempre mais dificuldade, ou não consegue de modo mais vertical se “auto-visibilizar”, por conta do tal princípio. Em outras palavras, o neurótico não consegue enxergar o que está “em baixo do seu nariz”. O trabalho do psicólogo não é somente apontar para este obvio, mas também de suscitar conteúdos relacionados ou co-relacionados que irá ajudá-lo na compreensão e aceitação, como conseqüentes ao seu crescimento. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O processo terapêutico mobiliza sentimentos dolorosos que estão vivos e/ou que foram “esquecidos”. No entanto, o conhecimento e a sensibilidade do profissional devem funcionar como suporte para que o cliente entre em contato com sua dor. Esta que ele procura negar ou arremessar para o fundo do seu “porão” psíquico. Por meio de sua técnica o terapeuta faz uma “ponte” (instiga o paciente a falar do seu sintoma), para que o desbloqueio dê passagem ao fluxo energético ou psíquico, até então, estagnado. No seu cômputo geral, a psicoterapia é quase sempre positiva. Através dela se adquire hábito de conectar-se ao seu eu, de avaliar os seus limites e potencialidades. Bem como em assumir as responsabilidades das suas ações, sem ficar acusando o(s) outro(s) com as suas lamurias. Por meio da terapia o indivíduo pode compreender suas táticas autopunitivas, e a desenvolver o sentimento de complacência pela sua pessoa. E através desse “mergulho” em si mesmo descobre que, em grande parte, é agente ativo do seu próprio destino. Em razão disto, capaz de promover mudanças em si, e no seu mundo circundante. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Com base nos postulados winnicottianos, Safra (1998) diz que sempre a realidade é compartilhada, e construída pelo olhar do outro. Ou seja, “o homem tem necessidade de outros, desde o início da vida. Tem a necessidade de poder encontrar elementos e proporções do seu ser, em sua cultura, em seu campo social, nos diversos acontecimentos humanos” (SAFRA, 1998, p.105). O homem é dependente do olhar dos seus semelhantes, seja da parceira, da família, do superior hierárquico, dos amigos ou da sociedade em geral. O olhar é o “alimento” para a auto-estima tanto quanto a comida é indispensável para a sustentação do corpo. As interações humanas apesar&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;de difíceis e problemáticas são interessantes e fundamentais para a construção deste sentimento de humanidade. O ser humano só pode acontecer no mundo preexistente, assim, para que o indivíduo confirme a si mesmo é reconhecer a própria existência que recebe pela confirmação dos outros (CARDELLA, 1994; ARENDT &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; SAFRA, 1998). Em razão disto, afirmativa do tipo: “Eu não dependo de ninguém”, parece sem propósito. Afinal, mesmo que autônomos vivemos dentro de determinadas co-dependências. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Diferente da consciência despertada pelas drogas que, passado o efeito o sujeito esquece, ou fica muito difícil de resgatá-la. A consciência &lt;em&gt;in natura&lt;/em&gt;, por meio terapêutico, é crescente, e o indivíduo a terá sempre ao alcance da memória. Sob o efeito do álcool, por exemplo, tem a sensação de que é forte o suficiente para examinar quadro-a-quadro&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;as imagens dos “filmes” da sua própria  vida,&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;que se descortinam na sua tela mental. Quanto mais ingere o tal líquido mais se credita capaz de fazer uma ampla e profunda retrospectiva das suas vivências. No caso, com tendência as mais dramáticas ou negativas. Isto parece confirmar que as experiências ruins grudam, são mais marcantes e nada fáceis de serem deletadas. Nesta fuga da realidade, essencialmente paradoxal e perigosa, tem um desejo oculto de entrar em contato com o seu universo subjetivo. É como se fosse uma maratona na qual o sujeito foge da própria sombra e ao mesmo tempo quer vê-la bem mais delineada. Nessa ânsia de querer se ver mais, em paralelo a um copo que não pára, acaba por ser surpreendido pela anestesia que apaga de vez todas essas imagens projetadas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Neste momento, resta apenas o efeito físico do mal estar alcoólico. Não tem mais como rever as imagens que, provavelmente, eram importantes para a compreensão da sua vida de modo geral, e sobretudo do(s) seu(s) trauma(s). Ao recobrar a lucidez da consciência, as lembranças que restam são de fragmentos vagos, mas, certamente é nítido o arrependimento pelos seus atos que agora são comentados pelos amigos, etc. Na contra mão do senso comum, diria que bêbado só diz a verdade, não obstante, sem poder de validade porque, uma vez que não foram ditas de maneira consciente, ele não assume a responsabilidade pelas mesmas. Além do que, muito desses conteúdos são inconscientes (desconhecidos até para o próprio sujeito) ou subconscientes (que estavam bem guardados). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Voltando ao processo terapêutico, o curioso é que o mesmo se inicia bem antes do indivíduo tomar a decisão de fazer terapia, e escolher o terapeuta. Por este motivo, antes de chegar ao consultório o paciente já tem refletido e selecionado o material que será colocado, na primeira seção, para o psicólogo. Assim, como o processo começa antes de ter sido formalmente iniciado, da mesma maneira ele não cessa quando pára, e em particular quando se recebe alta. Pois o paciente continua tendo &lt;em&gt;insights&lt;/em&gt;, ou seja, se  percebendo, se descobrindo, e se compreendendo melhor. Ele agora “caminha com  as próprias pernas”. E este, sem&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;sombra de dúvida, deve o objetivo das psicoterapias. Do contrário, o paciente ficará a mercê da muleta psicológica do profissional, por tempo indeterminado. Este é um outro medo justificado como impeditivo à ajuda psicológica. Ainda que, essa dependência se dá mais em decorrência da falta de competência do terapeuta do que pela necessidade do paciente de tê-lo como anteparo na intermediação ou confronto com a sua realidade. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;      Embora,  atualmente os convênios e planos de saúde permitam a assistência psicológica a  uma significativa&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;parcela da população, a psicoterapia não deixou de ser meio que exclusivista. Infelizmente, limitado a um determinado número de seções, o que consiste numa falta de consideração pela diferença. Querem que as “feridas” psicológicas sejam tratadas com a mesma metodologia das feridas físicas ou orgânicas. Os problemas psicológicos não surgem de repente, geralmente são consolidados aos longos de meses e anos. Daí, não podem ser resolvidos de uma hora para outra, como num passe de mágica. Os bloqueios vão sendo dissolvidos aos poucos, isto porque o indivíduo precisa de alguma couraça para sobreviver, mesmo com algum desperdício de energia, ela é criação do seu modo de defesa. Do contrário, ou seja, se for retirado bruscamente ou de uma vez, ele fica sem “chão”, sem suporte, e pode pirar. Fazendo uma analogia com uma cebola, em relação à retirada das várias camadas. Se esta atividade for lenta fortalece as condições de se adaptar a cada etapa do processo, mas se não for respeitado o tempo do paciente, quando chegar ao núcleo, este aparecerá em “carne viva”. Assim, desprotegido, e com um nível elevado de sensibilidade fica muito complicado de o paciente lidar com os estímulos negativos ou hostis do seu ambiente. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Alguns teóricos profetizam a cura como viável. No entanto, a modéstia ou genial despretensão de Freud, o pai da psicanálise, se dava por satisfeito em tornar seus pacientes capazes de conviver melhor com suas neuroses. Em outras palavras, ele se contentava em restituir aos analisados as rédeas das suas próprias neuroses. Nesta realidade, a ajuda somente é solicitada quando se rompe este “equilíbrio neurótico”. Ou seja, quando o indivíduo não consegue mais se auto-administrar como, até então, vinha fazendo. A maioria dos pacientes pára o processo geralmente com a desculpa de falta de tempo ou dinheiro, após a eliminação dos sintomas que motivou a consulta. Ou seja, antes do momento que adentraria as camadas da “cura”, que se daria um aprofundamento mais estrutural. O que leva a crer que as pessoas estão “mais a fim” de paliativos do que de mudanças substanciais. Isto parece comprovar a “tese” da sociedade neurótica. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Entretanto, mesmo que a psicoterapia não objetive a “cura”. Porém, considero que ela não se reduz a um bálsamo psíquico. Mas, como não foi além da sintomatologia, poderá reincidir, e, assim, o paciente fica tentado a acusar o terapeuta de não tê-lo ajudado, ou de que este “trem” psicoterapia não funciona. Certamente, se não houvesse estas “névoas” de ignorância, discriminação, etc., que ofuscam a psicologia, as pessoas não teriam tanta necessidade médica. Muitas dos incômodos apresentados como orgânico tem fundo emocional, ou, de fato, são psicossomáticos. Hoje, os médicos estão mais conscientes para identificar as causas psicológicas e encaminhar o paciente para o psicólogo. Mas, uma vez que não houve uma intervenção na perspectiva preventiva, profilática, em vista disto, uma quantidade considerável de tempo e de investimento pessoal devem ser indispensáveis. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; No mal estar ou na doença psicológica o paciente identificado pela família nem sempre é, de fato, o elemento mais comprometido do grupo familiar. Na verdade, todos os outros membros, de alguma forma, também estão afetados ou afetaram o sujeito em questão. Eleger ou tornar visível um membro como doente, é uma tentativa da família escamotear&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;a própria patologia. Durkheim foi o primeiro autor a chamar à atenção do suicídio como um fenômeno que diz respeito não somente ao indivíduo, mas também aos grupos sociais nos quais está inserido. Contudo, não somente nas ocorrências suicidas, mas também em qualquer tipo de problema psicológico o entorno está enredado. Mas, a psicologia individualiza, tende a recortar o sujeito do social, e a lhe atribuir todo(s) infortúnio(s) a uma determinada atitude sua de “esponja”. Como se o social não fosse toxicamente contagiante, ou não tivesse motivo algum para enlouquecer ou suicidar o indivíduo. Consiste numa contradição o fato de que, um momento histórico tão tumultuado, violento, de quebra e inversão de valores, no qual os novos paradigmas ainda estão em plena construção, ou adquiriram a condição de oscilantes, seja exatamente a era do culto ao corpo. Em suma, do permissivo hedonismo capitalista do imperativo do gozo (LIPOVETSKY, 2005), em que a vida humana passou a não ter valor ou garantia alguma, mas o prazer sensorial e a aparência são glamourizados. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Não é incomum uma avaliação pouco realista dos parentes em relação à sintomatologia dos seus entes. Uma família de nível cultural elevado conceituava a psicologia como ciência da inutilidade. A figura materna desse grupo, por coincidência a pessoa mais crítica do clã, me propôs atender sua filha. No fim de coincidentes nove meses (do seu nascimento simbólico), esta mãe elegeu uma lista de dificuldades para que sua filha, que estava indo bem na terapia, parasse o processo. Ao passo que permanecia “entretida” em apontar esse ou aquele comportamento indesejado da filha, ela deixava de se perceber descompensada. Seria angustiante por demais enxergar-se coadjuvante desta sintomatologia. Ela tinha dificuldade de ficar só, por isto invadia a privacidade da filha, adentrava seu quarto a qualquer hora, e a acordava quando sentia vontade de “conversar”. A tratava como bebê, com uma linguagem tatibitate. Com a “cura” da filha, em quem esta mulher despejaria as suas frustrações?! Certamente sua angústia se acentuaria e a levaria, provavelmente, a procurar ajuda psicológica e/ou psiquiátrica. Esta mãe continuou sem conseguir entender que, para ela, a psicologia só podia ser a “ciência da inutilidade”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma paciente mórbida apresentou a filha com uma queixa de obesidade, quando esta nem de longe era a preocupação da adolescente. A mesma tinha uma questão mais séria e vital que precisava ser trabalhada com urgência, que eram as suas sucessivas e disfarçadas tentativas de suicídio. Esta mãe, em razão dos conflitos do seu casamento, procurava manter os filhos em terapia, era uma das raras genitoras que investia sem “pena” no bem estar e saúde psicológica dos seus rebentos. Uma outra mãe disse que veio a clínica porque a filha, de quinze anos de idade, pediu, mas que elas se davam muito bem. Tentou passar a imagem de que eram amigas. Mas, a postura corporal contradizia, uma vez que ambas sentaram em pontos extremos, quando podiam ficar juntas, além de manterem-se de braços cruzados. Na tentativa de falar com esta mãe, do escritório da sua empresa, a secretária insinuou que seria improvável, porque até para o primeiro encontro ela só foi por conta do seu incentivo. Pois estava com muito medo, além de ter ido escondida do marido. Uma nova saída por esse método, junto a sua falta de interesse pelos problemas da filha, certamente seria um sacrifício sobre-humano para que ela se motivasse a realizar. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A sua pedagogia não obrigava a filha a nada. Ela só fazia o que desejava fazer. Se não gostava de matemática não tinha que estudar matemática, etc. Falei para ambas que este princípio por elas defendido não era realista. Por vezes, a pessoa tem que tomar um medicamento amargo para recuperar a saúde, a não ser que prefira permanecer doente. E que a maturidade consistia em adiar prazeres ou suportar desprazeres por um objetivo a curto, médio ou a longo prazo. Elas me olharam como se eu estivesse falando javanês. Esta jovem catarinense, de descendência alemã, alta e esguia, tinha formas corporais de mulher adulta, quadris largos, seios proporcionalmente fartos, mas com rosto de bebê, e sempre cabisbaixo. O desprezo pelo seu corpo dispensava qualquer outro cuidado que não fosse puramente higiênico. A paciente disse que havia feito teatro na escola, e que pensava fazer novamente. Tentei imaginar de como seria para esta jovem dá vida a um personagem com seu próprio corpo tão desvitalizado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Provavelmente, esta mãe não “sabia”, e ficou sem saber quem era a sua filha, porque durante os dois meses que durou a “terapia”, apesar dos convites, não se deu ao extraordinário trabalho de voltar para falar comigo. A garota leu alguns clássicos da literatura nacional e estrangeira, mas somente fixara as mensagens negativas. Catava argumentos para justificar que não valia a pena viver. Na sua visão, era uma grande perda de tempo continuar vivendo porque, de qualquer jeito, iria morrer. Mas, ela já estava “morta”, se assustava e passava mal com as “batidas” do próprio coração. Vivia numa terrível solidão, e se reconhecia como “a pobre menina rica”.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Tinha séria dificuldade de aceitar seu pai, porque na infância ele a negligenciara. Ruminava o desejo de se vingar, de fazê-lo sofrer, ou, mais especificamente, de vê-lo morto. Era preocupante vê uma menina em pleno desabrochar da idade já tão funestamente desiludida, bem como não deixava de ser assustador o ódio e a frieza por trás de um rostinho angelical. Algumas vezes tive a sensação de estar diante de uma possível Richthofen. Ela não confiava nas amigas, as achava falsas, e muito mais problemáticas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;      Uma tia marcou  o atendimento para o seu reticente sobrinho, um jovem adulto, do qual “pintara”  um quadro bem &lt;em&gt;darck&lt;/em&gt;. Quando finalmente ele apareceu ao lado da mãe, era passível de questionar se tratava da mesma pessoa. Realmente precisava de terapia, no entanto estava mais para acuado, com medo de “cortar o cordão umbilical”, do que para um sujeito meio psicótico. Sua mãe tentou abortá-lo (ele nem desconfiava), e se dizia culpada. Mesmo convicta de que desejava a independência e a felicidade do filho, continuava, de maneira inconsciente, repetindo a tentativa de aborto. Só que agora em relação a sua vida social e profissional, com atitudes ambíguas que o confundia. Ele a tratava de modo um tanto informal demais, e não perdia a oportunidade de lhe fazer cobranças, mostrar as suas contradições, e duvidar das suas palavras. Ou seja, numa postura característica de menino mimado. Mas, a mãe, por sua vez, não parecia se incomodar. Entretanto, quando se entreolhavam passava toda uma cumplicidade e sedução, como se compartilhassem de algo secreto que só a eles cabiam. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma outra mãe trouxe a filha adolescente dizendo que esta era insuportável, mentirosa, complicada de se conviver, uma vez que somente as duas moravam juntas. A quarta seção foi suficiente para mostrar (através de desenhos) que a garota apenas tinha um pouco de mágoa do seu pai, do tempo em que morou com ele noutro Estado. Porque, muito exigente, o genitor nunca lhe fazia elogio quando tirava dez numa prova, mas ralhava sempre que suas notas fossem ligeiramente abaixo. Este passado não parecia interferir na sua fase atual. Era a mãe que a sufocava com sua profunda carência afetiva. Uma &lt;em&gt;workaholic&lt;/em&gt; que estava ainda mais desesperada porque o namorado tinha ido passar uma temporada de estudo fora do país. Esta garota grandalhona, tranqüila, que ria das neuras da sua mãe e a achava infantilizada, na verdade se protegia da mesma para não adoecer. Comuniquei que ela não precisava de terapia, a mãe aceitou ser atendida ao invés da filha, mas logo veio com o argumento de que teria de adiar por motivo de trabalho. Deixou um bilhete na recepção dizendo que depois retomaria. Como de alguma forma estava previsto, ela nunca mais “deu as caras”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Atualmente as pessoas não têm a menor disposição para lidar com as inquietações e angústias do outro, mesmo que este outro seja um seu próximo. Assim, tudo toma proporções super-dimensiondas. Uma filha me contatou, dizia que a mãe estava num quadro assombroso de paranóia. De fato, a senhora estava paranóica, mas na proporção direta em que se percebia cercada de “abutres”. Com um profundo sentimento de pesar&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;ela contou que o filho sacava toda sua renda mensal, e lhe dava apenas uma parte, e me perguntou se isto era correto. Ela ficou surpresa, com base em algumas intervenções, de como uma pessoa é capaz de se auto-enganar tanto. Dizia-se impressionada com o que a mente pode fazer. Culta, quando jovem ocupara cargos importantes no governo no Sudoeste do país, e morou algum tempo no exterior. Estava descuidada, mas não alienada, e muito menos morta. Seus olhos brilharam quando falou da vontade de voltar a viajar com uma amiga e, em particular, de ter um parceiro. Descreveu com viço juvenil um moço musculoso que prestava serviço na sua casa. Considerava que era possível, caso quisesse “alguma coisa” com ele. Mas, ficava em dúvida entre o seu interesse por grana ou tara, ao mesmo tempo se convencia de que existe patologia para tudo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Chamei a sua atenção para excitação em relação à viagem e ao rapaz, ela disse que pensou que seria, por isto, recriminada. Pontuei com base nesta observação o quanto ela estava viva e desejava viver. Ela sorriu bastante, parecia ter se aliviado de um “peso”. Comentou com naturalidade que uma das suas filhas era lésbica, e ela própria tivera experiência com mulheres, mas que seus herdeiros desconheciam. Na seção seguinte, estava mais leve, e se sentindo mais forte para enfrentar as situações, pois compreendera que o medo paranóico de que seus filhos morressem, era na verdade seu desejo inconsciente de deixar de ser por eles explorada. Um das filhas que a trazia para as seções insistiu para que eu confirmasse que sua mãe estava louca. Finalmente, me comunicam que a paciente não podia continuar porque estava sem condição psicológica em virtude da perda de um parente. E não adiantou ressaltar que, exatamente, por isto ela deveria vir. Detalhe: seus filhos não tinham empregos fixos. Então, era possível que os mesmos estivessem mal intencionados, e precisando de um cúmplice para as suas tramóias. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma jovem senhora morava no exterior, numa das visitas ao Brasil conheceu um sujeito psicólogo, amigo da sua irmã, pelo qual se apaixonou, e ficou encantada, em especial, porque ele fazia poesias. Seu casamento estava arruinado, no ano seguinte ela se separou, e veio morar com esta irmã. Por conta da sua separação os outros irmãos a desprezaram. Os filhos adolescentes se negaram a acompanhá-la. O namorado, que também vinha de um casamento desfeito, começou a se revelar mulherengo, não podia ver um “rabo” de saia que ficava “hipnotizado”, dava em cima das mulheres na sua frente, e recebia telefonemas suspeitos das suas exs namoradas no meio da noite. Ela contava com um valor resultante da partilha dos bens, para comprar um apartamento. E a sua irmã queria que ela o empregasse na reforma e compra de móveis para sua casa. Diante da sua recusa, seus pertences começaram a desaparecer, e a irmã a maltratá-la. Em virtude do tempo que estava fora do país, se sentia estrangeira na própria terra natal, e ficou muito dependente do namorado, bem como se irritava bastante com sua falta de pontualidade. Os filhos, para puni-la, mantinham um mínimo de contato, o que lhe causava muito sofrimento. Aumentaram os atritos com a irmã, esta me procurou alegando que a paciente estava louca, também, como no caso anterior, insistia para que eu confirmasse. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Diante da minha negativa ela passou a criar histórias sobre a conduta moral da paciente para o ex-cunhado e os seus sobrinhos, bem como a jogar os próprios filhos, contra a tia. E ainda a acusava de estar perturbando a saúde do seu marido idoso. No seu desespero e solidão a paciente tenta suicídio ingerindo comprimidos. Neste caso, mais para chamar a atenção. Numa das seções anteriores ao ocorrido ela disse que não se mataria porque não tinha um revolver, ou não se jogaria de um prédio porque não conhecia ninguém que a deixasse entrar. O ex-namorado lhe deu assistência, e guardou o seu cartão bancário durante o tempo que ela esteve hospitalizada. Depois, ela descobre que, bem antes de ter “atentado contra a vida”, a irmã tinha contatado uma clínica psiquiátrica, e que estava tudo acertado para interná-la. Ela suspeitava que a irmã quisesse torná-la incapaz para responsabilizar-se como sua tutora, e, assim, por a mão no seu dinheiro. Esta hipótese, apesar de não ter dados confirmativos, não parecia descartada. Atualmente, ela mora num outro país europeu, está num novo e tumultuado relacionamento, mas caminhando. Uma ou duas vezes ao ano vê os filhos, e se comunicam com freqüência. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Todos estes exemplos parecem ir um pouco além do que afirma Roudinesco (2003, p.21) de que “a família autoritária de outrora, triunfal ou melancólica, sucedeu a família mutilada de hoje, feita de feridas íntimas, de violências silenciosas, de lembranças recalcadas”. Embora sob o mesmo teto, as pessoas não se conhecem, guardam segredos a “sete chaves”, e, por vezes, tem explícitos ou subjacentes desejos obscuros sobre seus membros. A família não está em paz. As violências que explodem no “seio” das sociedades, em muito tem a ver com a soma dos conflitos, das ameaças, das violências nem sempre silenciosas que são geradas no âmbito privado do doméstico. Lasch (1991) questiona se a família é um santuário, o refúgio num mundo sem coração ou uma instituição sitiada? Mas, a família também está sem coração. Resta saber, se ela está sem coração porque é sitiada ou está sitiada por não tem coração? Certamente tem um pouco das duas premissas, a despeito de que se a família tivesse seus valores constituídos tomando-se por base uma maior autenticidade, teria resistido mais aos ataques devastadores desse assédio. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A violência explícita ou simbólica está em todo lugar, até mesmo dentro da família, então como é possível uma convivência urbana pacífica? De modo geral, é lamentável que os pais não sejam confidentes dos seus filhos, que ignorem ou façam questão que assim o seja, de não saber em que um filho é capaz ou não de uma atitude anti-social, ou de colocar a própria vida em risco. A “colcha de retalho” dos casos aqui tecidos demonstra o quanto à família está &lt;em&gt;borderline&lt;/em&gt; ou, como diz Roudinesco (2003), “em desordem”. Os dois últimos casos deixam perceber que os parentes, em questões que envolvem herança e dinheiro, tornam-se perigosos, perdem os escrúpulos, e se transformam em verdadeiros carrascos dos seus membros indefesos quando estes lhes renderão algum ganho. Diria que, em relação ao idoso, algumas famílias não só o marginaliza, mas o mata, não apenas no campo do simbólico, mais também na realidade prática, de modo não tão sutil, mas quase sempre sem prova(s). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A linha que separa o normal do patológico é cada vez mais tênue e confusa. A banalização da violência e a exposição das aberrações a que os cidadãos estão sendo submetidos os tornam insensíveis, em razão da sua alta freqüência. Assim, já não os indignam mais, ou não conseguem diferenciar os estímulos com mais sensatez, e terminam normalizando aberrações. Contraditoriamente este homem dito pós-moderno, ainda se segura a preconceitos morais cretinos da Idade da pedra. Por exemplo, um &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; lusitano intitulado “Arrastão: em defesa da família, Portugal resiste” diz: Não foi só no Brasil, em Espanha, foi dada a guarda da primeira criança a um casal gay que se candidatou para adotar. Felizmente, por cá ainda há valores. Nenhum miúdo (criança) é entregue aos casais transviados. Em seguida vários comentários neste feitio: “Entregar crianças a casais gays é um erro completo, uma criança para crescer necessita da presença feminina e masculina. Podemos ser muito liberais, mas existem verdades incontornáveis” (2006 p.1-2). Ainda se dizem muito liberais! Que primeiro mundo é este? &lt;/p&gt; &lt;p&gt; As sociedades são criações humanas que asseguram a sobrevivência dos seus grupos, mas não significa dizer que tenham atingido um nível ótimo de organização que sirva de modelo. Todos os estilos de sociedades, na sua esmagadora maioria, até então, construídos, trazem dificuldades específicas nas suas estruturas. Este mundo global, anormal e aquecido, muitas vezes parece um lugar sem lei. A luta pela sobrevivência, a ganância material ou financeira, a falta de consistência e coerência moral nos remetem, constantemente, a situações de barbárie. Às vezes, se tem mais a impressão de que, ao invés de evolução, houve uma involução, como se este homem contemporâneo ainda não tivesse incorporado os fundamentos básicos de verdadeira civilidade para conviver em sociedade. Escravo da perspectiva do ter, cada vez mais se torna meio que andróides. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O homem em geral se transformou numa máquina de guerra pronta para atacar, indiscriminadamente, em função dos seus interesses. Vitrines, corpos, efêmero, líquido, consumo, gozo, etc., emolduram este sujeito cibernético, ou seja, tudo que caracteriza o superficial, inconsistente, virtual e sem alma. Parece não haver dúvida, hoje é mais estressante sobreviver por dois motivos: pela banalização da morte e falta de segurança elementar de ir e vir. Todos assustados com medo de todos. Neste contexto, seria anormal ser normal na desrazão destas patologias cotidianas, porém normalizada. Para Safra (1989), a organização psicótica é um movimento defensivo frente a um vivencia de loucura, utilizada pelo indivíduo perante as angústias impensadas que tenta evitar viver o desalojamento de si no mundo e de si mesmo. São experiências que lhe atravessa, e que o leva à dispersão de si. Em virtude disto, a loucura é uma defesa, uma proteção neste universo de insanidades. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; As sociedades não são parâmetros ou modelo de saúde mental, até porque elas se pautam mais em fachadas, e não, necessariamente, em verdades. A base da maioria delas, nas suas mais diversas intensidades, é neurótica mesmo, e, muitas vezes,  manifesta ou em estado de latência predisposições para as psicoses. Segundo Safra (1998), não tem sintomas significa saúde, mas não necessariamente vida. “E que viver em um mundo só com pessoas sem neurose seria um tédio. Horrível! Um inferno!” (SAFRA, 1998, p.106). Assim sendo, o neurótico é o protótipo do sujeito social. Ele atende as mais altas expectativas das demandas sociais sem se questionar, mesmo que em detrimento da sua qualidade de vida. Seu lema é produzir, e muito, se superar, crescer e se adaptar ao que estar posto, na moda, para competir e cultuar os valores vigentes. Por isto, é o neurótico que movimenta a roda viva que garante a produção capitalista. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Pelo exposto, fica evidente a necessidade da psicologia, que poderia, pelo menos, manter a “temperatura” sendo o esteio das sociedades. A despeito de que, não consigo vê que a psicologia tenha crescido, seja em relação ao aprimoramento da ciência ou em relação à demanda de usuário. Ela continua a eterna “jovem”, desde oitenta e três, quando terminei o curso. Ainda quando cursava o segundo grau, sentado junto a uma colega na frente do Liceu fazíamos conjecturas sobre nossas carreiras. Ela priorizava a segurança financeira, e estava obstinada a fazer concursos públicos; diferente da minha subjetividade sonhadora, não me deixava seduzir por outra profissão que não fosse à de psicólogo. Queria conhecer o ser humano, hoje compreendo que era também me conhecer, porque sou humano. Estava convencido de que a psicologia seria a profissão do futuro. Assim, vislumbrava que, pela proporção de desencontro, conflito, desencantos que vinham acontecendo, o consultório seria um oásis para as dores psicológicas de mais de meio mundo de gente. Naquela época jamais podia imaginar que a normalidade é relativa, e que as patologias se normalizam, o que era tido como estranho ou inquietante antes, agora é das mais cotidianas banalidades. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Mas, a psicologia não deu um salto quantitativo e, muito menos, quantitativo. Boa parte das pesquisas desta especialidade acadêmica não tem relevância. E as que trazem alguma significância, geralmente, não chegam ao grande público, circulam ao redor dos próprios “umbigos” psis ou são engavetadas. A psicologia ainda é tida como supérflua, e continua sendo pensada como um apêndice. É uma ciência em relação a qual a sociedade, apesar de todas as suas mazelas psicológicas, se julga passar muito bem obrigado sem ela, e não como uma área do conhecimento com seu papel bem definido na contribuição social. Penso que, na verdade, a psicologia sempre será uma ameaça para a sociedade, uma vez que a mesma, pelo menos em tese, pode atenuar levas de alienados. A psicologia, ainda, não foi levada a sério como devia. O fato de ter profissionais bem sucedidos, com “nome”, bem instalados e isolados nas suas clínicas ou consultórios não diz muito da realidade desta categoria. Mas, de uma elite profissional para uma clientela tal qual elitista e específica. Se a psicologia for considerada com um produto de luxo, nesta perspectiva estaria tudo nos conformes. Contudo, se desejarmos uma psicologia socializada, a fim de que todas as classes sociais tenham acesso aos seus serviços, então, tem muito no que se pensar, repensar, se juntar e fazer. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A assistência psicológica tem que ser um bem disponibilizado a todo cidadão. O ser humano não é apenas seu corpo, queira quer não ele tem psique. Hoje se fala mais em psicologia, mas, no entanto, ela é pouco efetivada, salvo algumas exceções, no PSF (Programa de Saúde da Família), por exemplo, não tem psicólogo no seu quadro. Talvez, um outro aspecto que contribua para a lentidão da psicologia, seja o fato de que é uma profissão eminentemente feminina, composta na sua maior parte da classe média ou burguesa que busca a psicologia mais como um modo de ajuste para sua vida pessoal. Sendo a maioria destas mulheres casada com engenheiro, médico, etc., assim, o consultório ou a clínica não funciona como meio de subsistência, mas como uma espécie de &lt;em&gt;hobby&lt;/em&gt;. Ou seja, não precisam da profissão para sobreviver. A &lt;em&gt;priori&lt;/em&gt; não parece ter nenhum mal nisto, mas esta situação, de alguma forma, acomoda a psicologia restritamente a uma classe social ao passo que o resto da população está privado. Considero que as pessoas precisam tanto quanto, ou até mais de psicólogo do que de médico, mas esse acesso não é garantido ou facilitado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;  A psicologia não pode restringir o homem às necessidades psicológicas e emocionais, dissociando-o dos demais segmentos sociais aos quais está interligado. É preciso compreendê-lo na sua diversidade e complexidade, do contrário, a psicologia corre o risco de se resumir a uma atividade reprodutiva. Os psicólogos, de modo geral, têm dificuldade de criticar a sua prática; seu narcisismo e vulnerabilidade os remetem ao refúgio das supostas certezas teóricas como dogmas religiosos. Há um tom meio que de fanatismo pelos postulados de alguns baluartes da psicologia, etc. Mas, o ser humano é muito complexo e interligado a uma série de variáveis que abordagem nenhuma, por si só, consegue dar conta de todas as suas questões. A não ser que seu teórico seja um deus. Uma vez que não é, a idéia da abordagem eclética sugere fazer mais sentido. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Existe uma tendência de alguns psicólogos em sobrecarregar o indivíduo como totalmente condutor do seu destino. Desconhecem a força, a pressão e as exigências do social. Apenas teoricamente é que todos têm as mesmas chances de mobilidade social, na prática pré-determinadas condições se fazem necessárias para as conquistas. Assim, parece meio que irresponsável a sentença: “Se você quer você pode”. Querer não é poder, é desejar, e este não tem um relação direta com conseguir, mas tentar. Na competitividade atual, em que no Brasil é mais forte, não necessariamente o talento, mas a rede de influência de QI (quem indique), eis mais um motivo para não se deleitar no ideário de um sistema dadivoso e justo. O indivíduo, por vezes, se culpa quando não consegue atingir certos patamares, como se estas questões estivessem, obrigatoriamente, a cargo da sua competência. Não podemos relegar as influências das manobras sociais, e acreditar na ilusória igualdade de direito às oportunidades, quando muitos sabem que o “funil” social é perverso. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Infelizmente, o homem teorizado ou problematizado pela psicologia é do século passado. A sociologia, a filosofia, etc., certamente, bem mais antenadas, já conseguem rastrear o perfil desse homem pós-moderno. A psicologia não se renovou ou não se adaptou as exigências deste novo e pirado tempo, os freudianos, os lacanianos e outros, continuam, feitos papagaios, repetindo as mesmas “ladainhas” dos seus mestres, sem retirar nem por uma vírgula. E parece se encontrar num “beco sem saída”: Se por um lado atualizar seus postulados é descaracterizar as abordagens; por outro lado, mantê-los na integra é desconhecer que, se o mundo não evoluiu, pelo menos mudou. Em termos de informática seu crescimento é inegável, apesar de que, menos do que se esperava. E nem mesmo as ciências médicas tiveram excepcional avanço, prova disto é que certas doenças e flagelos arcaicos, ainda, não foram totalmente erradicados. Vez por outra retornam para “dá o ar de suas graças”. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Fazer referência à evolução do homem é complicado, porque não se tem parâmetros para, neste sentido, avaliá-lo, e ele está atrelado ao lado animal. Quando é instinto demais se iguala a um monstro, se os perdem vira máquina. Educação, cultura e boa condição socioeconômica também não têm se mostrado uma eficaz saída, caso fosse o dito primeiro mundo seria um paraíso. Teria o homem melhorado a sua qualidade de ser humano, se tornado mais ético e mais civilizado? Se houve uma evolução da qualidade humana, esta se mostra superficial, tal qual à tecnologia, a informática e outras. Ninguém morre por não ter celular, carro, computador, etc., de última geração. A não ser que seja de inveja. Em que falar e ver com uma pessoa do outro lado do oceano ou do planeta em tempo real; fotografar e filmar com celular, etc., muda substancialmente a real condição da vida humana? &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Toda esta parafernália, se por um lado facilita a vida; por outro lado, complica porque acelera o ritmo de vida; aumenta a vigilância e o controle panóptico,&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;além das pessoas ficarem mais vulneráveis a roubo, assalto, etc. Quanto mais imaturo, vazio ou idiota é o sujeito mais ele valoriza esses mimos, e se sente o máximo em fazer uso e ostentar a sua posse. A internet é a porta virtual pela qual se tem a certeza de escapar, mas, sem sair da realidade medíocre. É um imaginário onde todos se encontram pela segurança da certeza de que não estão nesse “lugar”. Tudo isto parece um passa tempo para dissimular a solidão. Os sujeitos se comunicam bastante, mas não dizem nada, apenas se iludem de que estão com este outro das falas. A internet é o espaço do vazio e da exposição, que contempla o homem pós-moderno, no exercício da sua fragmentação. A grande vantagem é que nesta esquizofrenização coletiva o sujeito não se sente marginal, do contrário assume ares de modernidade, e o seu fortalecimento de pertencer a uma tribo, mesmo que virtual. Mas, enfim, a grosso modo o mundo continua tão primitivo quanto ao ato invasivo de tomar injeção. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Uma outra questão diz respeito ao foto de que o senso comum confunde a vida pessoal do psicólogo com a profissional. A representação social do psicólogo é algo próximo a um &lt;em&gt;cyborg&lt;/em&gt;. Tem que tolerar, compreender e aceitar tudo, tanto na sua atuação técnica quanto na vida particular. Ouvi de uma advogada o seguinte comentário: “Não gosto de falar na frente de psicólogo, porque se a gente levanta ou baixa o braço, ele está sempre interpretando”. Para esta mentalidade, o psicólogo vive analisando todo mundo o tempo inteiro nos seus gestos mínimos e banais. Então, o psicólogo não teria sua própria vida para conduzir, organizar, etc.? Por que estaria sempre indiscriminadamente voltado para os outros? O mais terrível é que esta imagem robótica do psicólogo, construída pelo social, é incrementada por alguns psicólogos, em nome do que se estabeleceu como “controle emocional”. Este que, muitas vezes, na realidade está mais para “frieza emocional”, retocada por “falinha mansa”, para compor o figurino de “bonzinho” que torna seu “cartão de visita” mais apresentável. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O cidadão no psicólogo foi abduzido pelo técnico, se exige dele que tenha uma postura profissional vinte quatro horas. Não tem o direito de arrotar, de gritar, de chorar pela perda de um amor ou de um ente querido, etc. Ou seja, psicólogo não é gente, é psicólogo. Nesta perspectiva, ser psicólogo é vestir-se de uma armadura, e se privar dos humores comuns a todos mortais. Há sempre o impacto ao se deparar com o psicólogo onde se revela o humano. Logo vem à cobrança: Mais você não é psicólogo?! Deixa implícita uma suspeita de incompetência que, por ser desta área, não devia sofrer ou teria a obrigação de entender (em termos de aceitar). Mas, como o psicólogo pode ajudar o outro a se encontrar ou se reencontrar, aceitar suas emoções, limitações, etc., se ele está enclausurado nos próprios desejos, e encouraçado nas suas emoções? Seu trabalho então seria uma placeboterapia? As emoções são experiências vitais para os indivíduos, seja como fomento para a inteligência, criatividade, ou, simplesmente, pelo prazer de vivenciá-las. O social também exige que o psicológico ostente símbolos de poder sócio-econômico (clínica ou consultório bem montado e, de preferência, bem localizado), e de “normalidade” ou enquadramento (ser casado, ter filho/s). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Na escolha de um profissional, é providencial não somente obter referências sobre sua capacidade técnica, mas também da sua conduta ética e moral. Para o cliente ou paciente relevante é a qualidade da assistência, a vida íntima do terapeuta - bem como de todo pessoa -, somente a ele diz respeito, e a recíproca deve ser verdadeira. Essa história de que o mercado seleciona, de que somente os competentes se estabelecem, em psicologia, não funciona. O público leigo não tem como reconhecer um bom profissional, e isto, o deixa muito susceptível a não fazer uma boa escolha. É hipocrisia não admitir que, assim como em outras profissões, nem sempre os profissionais psis (felizmente uma minoria) têm a ética como fator preponderante. O &lt;em&gt;markting&lt;/em&gt; pessoal (em público é vetado pelo código de ética), mas, por vezes, alguns atributos sociais ou a sedução acabam fazendo frente à competência. Enfim, também se deve levar em consideração que muito destes impasses tem a ver com o fato de que a psicologia é pouco divulgada. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O público, em geral, desconhece ou não sabe exatamente o que um psicólogo faz. Isto, em boa parte, facilita a deturpação, até porque a televisão e o cinema raramente passam uma imagem realista, séria e ética dos psicólogos, psicanalistas e psiquiatras. Se a assistência psicológica, com vistas à “cura”, é quase “anoréxica”, no que diz respeito à prevenção praticamente inexiste. Até porque as sociedades estão cada vez mais oscilantes entre a precariedade da saúde mental e da insanidade. Porém, as ciências psicológicas&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;estão às margens da saúde coletiva. Sem contar os hospitais, as clínicas médicas estão sempre lotadas, o que é sintomático, ou melhor, psicossomático, ou mesmo psicológico. A procura do psicólogo ainda é muito pouco em relação à necessidade da demanda social. Isto acarreta uma perda potencial e real para população, e para os profissionais que não conseguem se fazer mais visíveis e mais atuantes na sua função social. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O que traz ou provoca transformação implicar em algum esforço e sacrifício, o social quer o caminho mais fácil, em parte até se compreende porque a luta para sobreviver exaure quase todas as forças. A sociedade se pauta mais pelo que pode ostentar, e não pelo que de fato é a sua natureza, se contenta com e na camada mais superficial do seu verniz. A futilidade e a vulgaridade, seja na literatura, na internet, no cinema, etc., tende a fazer sucesso. Nas sociedades dos descasos e carências, o “pão” e o “circo” políticos, não conseguem ser um escoadouro para tantas frustrações, etc. Quase não tem espaço para as reflexões e elaboração das subjetividades, e sim para os gozos simples e vulgar. A representação social, embora seja a soma do pensar dos indivíduos, porém a força do social atua nos seus atores de modo mais dominante do que se possa acreditar. Estes, na sua individualidade parecem, por vezes, indefesos perante a contundência impositiva das vontades sociais. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A maioria dos conflitos se dá em torno das questões que ele não consegue harmonizar com as instituições família, empresa, etc. O indivíduo esbarra no social, este que não tem concessão onde não encontra alguma representação de poder. É muito orientado pelas polaridades do isso ou aquilo, pela lógica do que lhe convém ao seu pragmatismo e imediatismo, mesmo que para isto deixe explícitas a sua hipocrisia, incoerência e insensatez. O cidadão é muito sensível à rejeição do social, muitas vezes se anula ou se agride para não sentir o mal estar de ser colocado às margens. A exclusão social parece um das mais terríveis formas de anulação do homem. Mesmo que o indivíduo possa ter ou provocar alguma mobilidade, o social é sempre mais forte do que a pessoa do indivíduo. A sociedade é “maravilhosa” para os possuidores, e assim, cabe aos despossuidores o cuidado de não serem massacrados nos seus direitos básicos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nos sistemas sociais fortemente orientadas pelo dinheiro, o ser humano não é prioridade, o ter se sobre sai em detrimento do ser, e isto é um grande mal, uma enorme patologia. É somente reconhecendo a sua patologia que as sociedades poderão forjar nichos de saúde mental. A eterna insatisfação que tem como linha condutora o ter, é o “saco sem fundo” que nunca é possível de ser preenchido. Para, Baudrillard (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; COSTA, 2005), “a moral do gozo substituiu a coerção do trabalho e da produção pela ´obrigação de ser feliz`, que é sempre acompanhada da experiência de insaciabilidade emocional” (p.139 - grifo do autor). Ou seja, “a sociedade de consumo consegue tornar permanente a insatisfação” (BAUMAN, 2007, p.106). Porém, “nem é abundante para ricos, nem pobres, pois o objetivo é regular a &lt;em&gt;escassez&lt;/em&gt; de bens materiais ou  simbólicos” (COSTA, 2005, p.139 - grifo do autor).   &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nestas sociedades dialéticas, contraditórias e paradoxais, forjam-se, por meio da racionalidade e dos meios de produção, a ilusão de ajustamento, normalidade e sanidade mental, porque dão lucro. A esquizofrenia rompe com o capitalismo, este que não consegue inseri-lo no sistema de produção. Diria que o capitalismo adoece para produzir, e produz para adoecer. Assim, nenhuma mudança será substancial em qualquer sociedade se o potencial humano não for verdadeiramente valorizado. Mas como conciliar dois aspectos antagônicos, seria possível humanizar o capitalismo?  Parece que não, mas se não podemos transformá-lo, pelo menos devemos tentar tornar as sociedades, de fato, mais justas, e, como conseqüência disto, menos desumanas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Foucault (1995, p.21), “enquanto o homem racional e sábio só percebe do saber algumas figuras fragmentárias - e por isso mesmo mais inquietantes -, o Louco o carrega inteiro em uma esfera intacta: essa bola de cristal, que para todos está vazia, a seus olhos está cheia de um saber invisível”. Infelizmente, ainda estamos na pré-escola para soletrar as palavras desse saber, mas o primeiro passo para entendê-lo é desistirmos desta ilusão de que somos normais, e reconhecermos a loucura que há em cada um de nós. Assim, será possível decorrer algumas páginas da cartografia da loucura, tomando-se por base à própria loucura como marcador de texto na perspectiva dessa leitura. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Finalmente, é preciso que os psicólogos se empenhem quanto classe para garantir seu lugar, até porque há sempre alguma área que quer ou tenta invadir este território. Acho que o futuro desta ciência não está garantido. Mesmo com alguma competência psi não consegue se impor em equipe multidisciplinar.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Temo que a psicologia se torne um objeto perdido. Assim, que os homens e as mulheres que fazem à psicologia deixem suas neuras de lado, para assumir quanto categoria uma postura mais atuante na sociedade. Esta ciência não é apenas bela e interessante, é necessária. &lt;/p&gt; &lt;div class="carta"&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;NOTAS&lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p&gt; 1. Por motivos éticos, para evitar possíveis associações, os dados pessoais dos pacientes foram alterados ou não correspondem exatamente aos seus perfis. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; 2. Segundo Weil (2003, p.22), “a normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir, que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma determinada sociedade e que provocam sofrimento, doença e morte”. &lt;/p&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-3070476160589535455?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/3070476160589535455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=3070476160589535455' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/3070476160589535455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/3070476160589535455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/anormal-ser-normal-loucura-e-o-contexto.html' title='Anormal é ser Normal: A Loucura e o Contexto da Psicoterapia'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-1227987820253379552</id><published>2008-06-11T10:16:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:05:26.496-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Roda Cíclica dos Sonhos'/><title type='text'>A Roda Cíclica dos Sonhos</title><content type='html'>&lt;p&gt; Sempre com um objetivo de maior equilíbrio psíquico e melhor desenvolvimento psicológico, nos aventuramos a procura de caminhos tortuosos, procurando padrões de desenvolvimento e possibilidades restauradoras . &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Esta procura é um empenho para sanar a falta de significado que existe em todos nós. Quando nos encontramos em uma encruzilhada, pode nos faltar discernimento para sabermos que caminho tomar. Quando nos deparamos com um abismo, pode nos faltar coragem para um salto no grande vazio. Quando despertos, podemos ter a sensação de estarmos sonhando. E quando sonhamos , podemos criar a realidade de estarmos acordados, através da transferência da consciência para o mundo onírico. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Transferir a nossa consciência para o mundo onírico requer um cuidado especial para fazê-lo de maneira consciente e segura. Antes de qualquer empreendimento, devemos primeiro nos ocupar com a consciência. É como se tivéssemos de sentir a firmeza do solo onde pisamos, para podermos cravar a nossa ancora de segurança antes de nos lançarmos em um abismo sem fim. Pois é assim que o inconsciente vai sempre nos parecer. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O mundo dos sonhos é muito sutil, efêmero, abstrato e irreal. Por quantas vezes escutamos nossas mães nos acalmando, na calada da noite, diante de nós crianças, com os olhos estatelados, o coração na garganta e um choro aterrador? "Não liga não! Foi só um sonho! Volta a dormir" Às vezes eu achava que o sonho era minha mãe dizendo aquilo, e que a realidade era o monstro querendo me pegar, ou aquele buraco onde eu caia, e não acabava nunca; ou uma manada de bois bravos que estourava e eu não encontrava um lugarzinho para me proteger. No fundo, eu não sei qual era pior. Se isto, ou se quando eu tinha sonhos restauradores com paisagens paradisíacas, sensações de leveza, experiências de voar. Pois... eu acordava. Mas ainda eu trazia comigo toda uma sensação de paz, de equilíbrio, de bem estar. Mas como? Se era &lt;strong&gt;só&lt;/strong&gt; um sonho? Quando era bom, eu podia ficar feliz e acreditar que tudo aquilo era verdadeiro e ficava feliz; e quando era ruim, era mentira? Apenas uma produção involuntária de nosso inconsciente sem o menor sentido? &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Por toda esta falta de referência, ou por uma má orientação, não reconhecemos os nossos sonhos como algo real e digno de atenção. Os Tibetanos nos dizem que, para tomarmos um passo decisivo em direção à liberação dos infindáveis ciclos de morte e renascimento, devemos compreender melhor as ilusões do estado acordado antes de nos aventurarmos nas ilusões mais sutis do estado de sonhos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A nossa dificuldade na compreensão da natureza ilusória dos sonhos, se deve ao fato de igualarmos sua imaterialidade com irrealidade, em vez de reconhecermos esta imaterialidade como uma ilusão a ser penetrada. O desenvolvimento de uma maior consciência tanto na vida acordada quanto na de sonhos é um passo essencial na compreensão da relação entre estes dois mundos. Devemos buscar a consciência, completude ou inteireza, não só nos sonhos, como também em nossas vidas diárias. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Seria extremamente penoso e desastroso tentarmos desenvolver um só lado, seja ele qual for. Se nos empenhamos na evolução de uma consciência onírica sem darmos a devida atenção à nossa vida acordada, poderemos estar gerando um grande conflito. Sob uma perspectiva de crescimento, é sempre muito bom podermos ir em direção à novas fronteiras, mas sem abandonarmos o território já conquistado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Devemos procurar o desenvolvimento de uma consciência integradora, não causal, para entendermos e integrarmos os eventos e visões, diurnas e noturnas. Se o objetivo maior é o equilíbrio psíquico, ou seja, maior integração entre consciência e inconsciente; lucidez nos sonhos requer também lucidez na vida acordada, onde ambas seriam um instrumento valioso para se alcançar este fim. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-1227987820253379552?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/1227987820253379552/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=1227987820253379552' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1227987820253379552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1227987820253379552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/roda-cclica-dos-sonhos.html' title='A Roda Cíclica dos Sonhos'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-3695932978724384344</id><published>2008-06-11T10:15:00.000-07:00</published><updated>2008-06-11T10:16:04.086-07:00</updated><title type='text'>A Entrevista Psicológica e suas Nuanças</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt; “Cada indivíduo tem um mundo interno diferente, e o estímulo tem um significado para cada um” (Irvin D. Yalom). &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;I - UM BREVE HISTÓRICO&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; A entrevista psicológica sofreu algumas modificações no início do século XIX, quando predominava o modelo médico. Naquela época, Kraepelin usava a entrevista com o objetivo de detalhar o comportamento do paciente, e, assim, poder identificar as síndromes e as doenças específicas que as classificavam segundo a nosografia vigente. Enquanto isso, Meyer, psiquiatra americano, se interessava pelo enfoque psicobiológico (aspectos biológicos, históricos, psicológicos e sociais) do entrevistado. A partir de Hartman e Anna Freud o interesse da entrevista se deslocou para as defesas do paciente. Isto é, a psicanálise  teve sua influência na investigação dos processos psicológicos, sem enfatizar o aspecto diagnóstico, antes valorizado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Nos anos cinqüenta, Deutsch e Murphy apresentaram sua técnica denominada Análise Associativa que considerava importante registrar não somente o que o paciente dizia, mas, também, em fornecer informações sobre o mesmo. Desse modo, desviou-se o foco sobre o comportamento psicopatológico para o comportamento dinâmico. Ainda nesta década, Sullivan concebeu a entrevista como um fenômeno sociológico, uma díade de interferência mútua. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Após este período, a entrevista e o Aconselhamento Psicológicos se deixaram influenciar, entre outros, por Carl Rogers, cuja abordagem consiste em centrar no paciente. Ou seja, em procurar compreender, de acordo com o seu referencial, significados e componentes emocionais, tendo como base a sua aceitação incondicional por parte do entrevistador. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;II - DEFINIÇÃO DE ENTREVISTA PSICOLÓGICA &lt;/h2&gt; &lt;p&gt;A entrevista psicológica é um processo bidirecional de interação, entre duas ou mais pessoas com o propósito previamente fixado no qual uma delas, o entrevistador, procura saber o que acontece com a outra, o entrevistado, procurando agir conforme esse conhecimento (WIENS &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; NUNES, In: CUNHA, 1993). Enquanto técnica, a entrevista tem seus próprios procedimentos empíricos através dos quais não somente se amplia e se verifica, mas, também, simultaneamente, absorve os conhecimentos científicos disponíveis. Nesse sentido, Bleger (1960) define a entrevista psicológica como sendo “um campo de trabalho no qual se investiga a conduta e a personalidade de seres humanos” (p.21). Uma outra definição caracteriza a entrevista psicológica como sendo “uma forma especial de conversão, um método sistemático para entrar na vida do outro, na sua intimidade” (RIBEIRO, 1988, p.154). Enfim, Gil (1999) compreende a entrevista como uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação (p.117). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;A entrevista psicológica pode ser também um processo grupal, isto é, com um ou mais entrevistadores e/ou entrevistados. No entanto, esse instrumento é sempre em função da sua dinâmica, um fenômeno de grupo, mesmo que seja com a participação de um entrevistado e de um entrevistador. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;III - OS OBJETIVOS DA ENTREVISTA&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Com base nos critérios que objetivaram a entrevista em saúde mental, pode-se classificar a entrevista quanto aos seguintes objetivos: &lt;/p&gt; &lt;p&gt; a) &lt;strong&gt;Diagnóstica&lt;/strong&gt; – Visa estabelecer o diagnóstico e o prognóstico do paciente, bem como as indicações terapêuticas adequadas. Assim, faz-se necessário uma coleta de dados sobre a história do paciente e sua motivação para o tratamento. Quase sempre, a entrevista diagnóstica é parte de um processo mais amplo de avaliação clínica que inclui testagem psicológica; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; b) &lt;strong&gt;Psicoterápica&lt;/strong&gt; – Procura colocar em prática estratégia de intervenção psicológica nas diversas abordagens - rogeriana (C. Rogers), jungiana (C. Jung), gestalt (F. Perls), bioenergética (A. Lowen), logoterapia (V. Frankl) e outras -, para acompanhar o paciente, esclarecer suas dificuldades, tentando ajudá-lo à solucionar seus problemas; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; c) &lt;strong&gt;De Encaminhamento&lt;/strong&gt; – Logo no início da entrevista, deve ficar claro para o entrevistado, que a mesma tem como objetivo indicar seu tratamento, e que este não será conduzido pelo entrevistador. Devem-se obter informações suficientes para se fazer uma indicação e, ao mesmo tempo evitar que o entrevistado desenvolva um vínculo forte, uma vez que pode dificultar o processo de encaminhar; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; d) &lt;strong&gt;De Seleção&lt;/strong&gt; – O entrevistador deve ter um conhecimento prévio do currículo do entrevistado, do perfil do cargo, deve fazer uma sondagem sobre as informações que o candidato tem a respeito da empresa, e destacar os aspectos mais significativos do examinando em relação à vaga pleiteada, etc.; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; e) &lt;strong&gt;De Desligamento – &lt;/strong&gt;Identifica os benefícios do tratamento por ocasião da alta do paciente, examina junto com ele os planos da pós-alta ou a necessidade de trabalhar algum problema ainda pendente. Essa entrevista também é utilizada com o funcionário que está deixando a empresa, e tem como o objetivo obter um &lt;em&gt;feedback&lt;/em&gt; sobre o ambiente de trabalho, para providenciais intervenções do psicólogo em caso, por exemplo, de alta rotatividade de demissão num determinado setor; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; f) &lt;strong&gt;De Pesquisa&lt;/strong&gt; – Investiga temas em áreas das mais diversas ciências, somente se realiza a partir da assinatura do entrevistado ou paciente, do documento: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Resolução CNS no 196/96), no qual estará explícita a garantia ao sigilo das suas informações e identificação, e liberdade de continuar ou não no processo. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;IV - A SEQUÊNCIA TEMPORAL DAS ENTREVISTAS DIAGNÓSTICAS&lt;/h2&gt; &lt;p&gt; Essa seqüência pode ser subdividida em: entrevista inicial; entrevistas subseqüentes e entrevista de devolução, caracterizadas de forma diferente, e mostrando objetivos distintos conforme o momento em que elas ocorram (GOLDER, 2000). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;a) Entrevista Inicial&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;É a primeira entrevista de um processo de psicodiagnóstico. Semidirigida, durante a qual o sujeito fica livre para expor seus problemas. Segundo Fiorini (1987), o empenho do terapeuta nessa primeira entrevista pode ter uma influência decisiva na continuidade ou no abandono do tratamento (p.63). Pinheiro (2004) salienta que a mesma ocorre num certo contexto de relação constantemente negociada. O termo negociação se refere ao posicionamento definido como “um processo discursivo, através do qual [...] são situados numa conversação como participantes observáveis, subjetivamente coerentes em linhas de histórias conjuntamente produzidas”(DAVIES &amp;amp; HARRÉ &lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; PINHEIRO, 2004, p.186). &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Essa entrevista, geralmente, inicia-se com a chamada telefônica de um outro técnico, encaminhando o entrevistado para a avaliação psicodiagnóstica, ou com a chamada do próprio entrevistado. Tem como objetivos discutir expectativas, clarear as metas do trabalho, e colher informações sobre o entrevistado, que não poderiam ser obtidas de outras fontes. As primeiras impressões sobre o entrevistado, sua aparência, comportamento durante a espera, são dados que serão analisados pelo entrevistador, e que podem facilitar o processo de análise do caso. Para Gilliéron (1996), a primeira entrevista deve permitir conhecer: &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  - O modo de chagada do paciente à consulta (por si mesmo, enviado por alguém ou a conselho de alguém, etc.);&lt;br /&gt; - O tipo de relação que o paciente procura estabelecer com o seu terapeuta;&lt;br /&gt;- As queixas iniciais verbalizadas pelo paciente, em particular a maneira pela qual ele formula seu pedido de ajuda (ou sua ausência de pedido). &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt; A partir dessas impressões e expectativas, entrevistador e entrevistado constroem mutuamente suas transferências, contratransferências, e resistências que foram ativadas bem antes de ocorrer o encontro propriamente dito. Um clima de confiança proporcionado pelo entrevistador facilita que o entrevistando revele seus pensamentos e sentimentos sem tanta defesa, portanto, com menos distorções. No final dessa entrevista devem ficar esclarecidos os seguintes pontos: horários, duração das sessões, honorários, formas de pagamento (quando particular), condições para administrar instrumentos de testagem e para as condições de consulta a terceiros. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;b) Entrevistas Subseqüentes&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Após a entrevista inicial, em que é obtida uma primeira impressão sobre a pessoa do paciente, esclarecimentos sobre os motivos da procura, e realização do contrato de trabalho de psicodiagnóstico, via de regra são necessários mais alguns encontros. O objetivo das entrevistas subseqüentes é a obtenção de mais dados com riqueza de detalhes sobre a história do entrevistado, tais como: fases do seu desenvolvimento, escolaridade, relações familiares, profissionais, sociais e outros. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;c) Entrevista de Devolução ou Devolutiva&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;No término do psicodiagnóstico, o técnico tem algo a dizer ao entrevistado em relação ao que fundamenta a indicação. Em 1991, Cunha, Freitas e Raymundo (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; NUNES, In: CUNHA, 1993), elaboraram algumas recomendações sobre a entrevista de devolução: &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt; - Após a interpretação dos dados, o entrevistador vai comunicar-lhe em que consiste o psicodiagnóstico, e indicar a terapêutica que julga mais adequada;&lt;br /&gt; - O entrevistador retoma os motivos da consulta, e a maneira como o processo de avaliação foi conduzido;&lt;br /&gt; - A devolução inicia com os aspectos menos comprometidos do paciente, ou seja, menos mobilizadores de ansiedade;&lt;br /&gt;- Deve-se evitar o uso de jargão técnico (expressões própria da ciência circulante entre os profissionais da área, em outras palavras “gíria profissional”), e iniciar por sintoma ligado diretamente à queixa principal;&lt;br /&gt; - A entrevista de devolução deve encerrar com a indicação terapêutica.  &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;V - DIFERENÇA ENTRE ENTREVISTA, CONSULTA E ANAMNESE&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A técnica da entrevista procede do campo da medicina, e inclui procedimentos semelhantes que não devem ser confundidos e nem superpostos à entrevista psicológica. Consulta não é sinônimo de entrevista. A consulta consiste numa assistência técnica ou profissional que pode ser realizada ou satisfeita, entre as mais diversas modalidades, através da entrevista. A entrevista não é uma anamnese. Esta implica numa compilação de dados preestabelecidos, que permitem fazer uma síntese, seja da situação presente, ou da história de doença e de saúde do indivíduo. Embora, se faça a anamnese com base na utilização correta dos princípios que regem a entrevista, porém, são bem diferenciadas nas suas funções. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na anamnese,  o paciente é o mediador entre sua vida, sua enfermidade, e o médico. Quando por razões estatísticas ou para cumprir obrigações regulamentares de uma instituição, muitas vezes, ela é feita pelo pessoal de apoio ou auxiliar. A anamnese trabalha com a suposição de que o paciente conhece sua vida e está, portanto, capacitado para fornecer dados sobre a mesma. Enquanto que, a hipótese da entrevista é de que cada ser humano tem organizado a história de sua vida, e um esquema de seu presente, e destes temos que deduzir o que ele não sabe. Ou seja, “o que nos guia numa entrevista, do mesmo modo que em um tratamento, não é a fenomenologia reconhecível, mas o ignorado, a surpresa”(GOLDER, 2000, p.45). Nessa perspectiva, Bleger (1980) compreende que, diferentemente da consulta e da anamnese, a entrevista psicológica tenta o estudo e a utilização do comportamento total do indivíduo em todo o curso da relação estabelecida com o técnico, durante o tempo que essa relação durar (p.12). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;A entrevista psicológica funciona como uma situação onde se observa parte da vida do paciente. Mas, nesse contexto não consegue emergir a totalidade do repertório de sua personalidade, uma vez que não pode substituir, e nem excluir outros procedimentos de investigação mais extensos e profundos, a exemplo de um tratamento psicoterápico ou psicanalítico, o qual demanda tempo, e favorece para que possa emergir determinados núcleos da personalidade. Este tipo de assistência, também não pode prescindir da entrevista. Esta que apresenta lacunas, dissociações e contradições que levam alguns pesquisadores a considerá-la um instrumento pouco confiável. Mas, com diz Bleger (1980), essas dissociações e contradições, são inerentes à condição humana, e a entrevista oferece condições para que as mesmas sejam refletidas e trabalhadas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;VI - TIPOS DE ENTREVISTA &lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Gil (1999), as entrevistas podem ser classificadas em: informal, focalizada, por pautas e estruturada. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; a) Entrevista Informal (livre ou não-estruturada) – É o tipo menos estruturado, e só se distingue da simples conversação porque tem como objetivo básico a coleta de dados. O que se pretende é a obtenção de uma visão geral do problema pesquisado, bem como a identificação de alguns aspectos da personalidade do entrevistado; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;b) Entrevista Focalizada (semi-estruturada ou semidirigida) – É tão livre quanto a informal, todavia, enfoca um tema bem específico. Permite ao entrevistado falar livremente sobre o assunto, mas quando este se desvia do tema original o entrevistador deve se esforçar para sua retomada; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;c) Entrevista por Pautas (semi-estruturada ou semidirigida) – Apresenta certo grau de estruturação, já que se guia por uma relação de pontos de interesses que o entrevistador vai explorando ao longo do seu curso. As pautas devem ser ordenadas e guardar certa relação entre si. O entrevistador faz poucas perguntas diretas e deixa o entrevistado falar livremente à medida que se refere às pautas assimiladas. Quando este, por ventura, se afasta, o entrevistador intervém de maneira sutil, para preservar a espontaneidade da entrevista; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;d) Entrevista Estruturada (fechada) – Desenvolve-se a partir de uma relação fixa de perguntas, cuja ordem e redação permanecem invariável para todos os entrevistados, que geralmente são em grande número. Por possibilitar o tratamento quantitativo dos dados, este tipo de entrevista torna-se o mais adequado para o desenvolvimento de levantamentos sociais. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;VII – A ENTREVISTA QUANTO AO SEU REFERENCIAL TEÓRICO&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O processo de entrevista é orientado por seu referencial teórico. Aqui serão vistas, em síntese, algumas das perspectivas: &lt;/p&gt; &lt;p&gt;a) Perspectiva Psicanalítica – Tem como base os pressupostos dos conteúdos inconscientes. O entrevistador busca avaliar a motivação inconsciente, o funcionamento psíquico e a organização da personalidade do entrevistado. A entrevista é orientada para a psicodinâmica da estrutura intrapsíquica ou das relações objetais&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt; e funcionamento interpessoal; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; b) Perspectiva Existencial-humanista – Não procura formular um diagnóstico, e sim, verificar se o interesse do indivíduo está auto-realizado ou não. Aqui não existe uma técnica específica de entrevista, estas são consideradas pelos existencialistas como manipulação. O entrevistador reflete o que ouve, pergunta com cuidado, e tenta reconhecer os sentimentos do entrevistado; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;c) Perspectiva Fenomenológica – Estuda a influência dos pressupostos e dos preconceitos sobre a mente, e que os acionam ao estruturar a experiência e atribuir-lhe um significado. Além de uma atitude aberta e receptiva, é necessário que o entrevistador atue como observador participante, e que, assim, seja capaz de avaliar criticamente, através de sua experiência clínica e conhecimento teórico, o que está ocorrendo na entrevista. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;VII – A ENTREVISTA QUANTO AO SEU MÉTODO&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Segundo Ribeiro (1988), a realização da entrevista psicológica segue diferentes enfoques: &lt;/p&gt; &lt;p&gt; a) &lt;strong&gt;Psicométrico&lt;/strong&gt; – O entrevistador faz uso constante de uma série de instrumentos: testes, pesquisas, controle estatístico, etc., predeterminados, enquanto dispositivos para a aquisição de conhecimentos sobre o entrevistado. Nessa situação, dificilmente o entrevistador conseguirá aprofundar a relação, o encontro permanece mais em nível formal e informativo do que espontâneo, criativo e transformador. Isto não quer dizer que seja menos válida ou mais superficial; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; b) &lt;strong&gt;Psicodinâmico&lt;/strong&gt; – A relação poderá ser mais aprofundada devido ao fato do entrevistador contar com maior disponibilidade de tempo para questionar o entrevistado, e conduzir a situação de maneira “menos estruturada”. Sua atenção não está no aqui e no agora, ela atende a uma dinâmica de causa-efeito na qual submensagens poderão dificultar a comunicação; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; c) &lt;strong&gt;Antropológico&lt;/strong&gt; – Abrange a relação ambiente-organismo na compreensão da comunicação. Qualquer dado será considerado, mas, nem sempre, é possível dizer em que momento ele está e onde será utilizado. Esse tipo de entrevista parece mais complexo, assim sendo, exige mais prática do entrevistador para analisar as informações. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;VIII - TÉCNICAS DE ENTREVISTA&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Um dos aspectos essenciais da entrevista está na investigação que se realiza durante o seu transcurso. As observações são registradas em função das hipóteses que o entrevistado emite. O entrevistador ordena na seguinte disposição: &lt;em&gt;observação&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;hipótese&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;verificação&lt;/em&gt;. Uma boa observação consiste, de algum modo, em formular hipóteses que vão sendo reformuladas durante a entrevista em função das observações subseqüentes. No entender de Bleger (1980), o trabalho do psicólogo somente adquire real envergadura e transcendência quando coincidem a investigação e a tarefa profissional, porque estas são as unidades de uma práxis que resguarda a tarefa mais humana: compreender e ajudar os outros. Assim, indagação e atuação, teoria e prática, devem ser manejadas como momentos e aspectos inseparáveis do mesmo processo. &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  8.1) &lt;strong&gt;Segundo Bleger (1980)&lt;/strong&gt;, a entrevista se diferencia de acordo com o beneficiário do resultado:  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  - A entrevista que se realiza em benefício do entrevistado, a exemplo da consulta psicológica ou psiquiátrica;&lt;br /&gt; - A entrevista cujo objetivo é a pesquisa, valorizando, apenas, o resultado científico da mesma;&lt;br /&gt; - A entrevista que se realiza para terceiro, neste caso, a serviço de uma instituição.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Com exceção do primeiro tipo de entrevista, os demais exigem do entrevistador que desperte interesse ou motive a participação do entrevistado. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  8.2) &lt;strong&gt;Segundo Gil (1999)&lt;/strong&gt;, as entrevistas podem se dá em duas modalidades: Face a face e por Telefone. A entrevista tradicional tem sido realizada face a face. No entanto, nas últimas décadas vem sendo desenvolvida a entrevista por telefone. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; - Principais vantagens da entrevista por telefone, em relação à entrevista pessoal: custos mais baixos; facilidade na seleção da amostra; rapidez; maior aceitação dos moradores das grandes cidades, que temem abrir suas portas para estranhos; facilidade de agendar o momento mais apropriado para a realização da entrevista; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; - Limitações da entrevista por telefone: interrupção da entrevista pelo entrevistado; menor quantidade de informações; impossibilidade de descrever as características do entrevistado ou as circunstâncias em que se realizou a entrevista; parcela significativa da população que não dispõe de telefone ou não tem seu nome na lista. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  8.3) &lt;strong&gt;Segundo Erickson&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; SCHEEFFER, 1977), algumas recomendações devem ser aplicáveis ao processo de entrevista psicológica:  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; - O entrevistador deve ter o cuidado para não transformar a entrevista numa conversa social. “Como posso ajudá-lo?”, é uma boa maneira de se iniciar uma entrevista;&lt;br /&gt;- O entrevistador não deve completar as frases do entrevistado. Devem-se evitar perguntas que induzam respostas do tipo “sim” ou “não”. Não interromper o fluxo do pensamento do entrevistado, a não ser que ele se perca em idéias que fogem dos tópicos da entrevista;&lt;br /&gt;- A atitude do entrevistador deve ser de aceitação completa das vivências do entrevistado. Não deve haver discussão de pontos de vista;&lt;br /&gt;- As pausas e silêncios são, quase sempre, embaraçosos para o entrevistador. Nesses momentos, possivelmente, o entrevistado está revivendo experiências que não consegue expressar verbalmente. Quando as pausas forem longas, o entrevistador poderá retomar um tópico anterior que estava sendo discutido;&lt;br /&gt;- O tempo de entrevista deve ser marcado, e o entrevistado será comunicado de quanto tempo dispõe. Se necessário, marca-se outra (s) entrevista (s). Deve-se limitar o número de assuntos em cada sessão para não confundir o entrevistado;&lt;br /&gt;- É necessário trocar o pronome pessoal “eu”, pelo uso de expressões2 mais vagas, tais como: “parece que ...”; “parece melhor ...”; etc.;&lt;br /&gt;- Recomenda-se fazer o resumo do que fora discutido em cada final de entrevista. E que o entrevistador faça uma síntese para o entrevistado do que foi abordado na sessão;&lt;br /&gt;- O término da entrevista não deve transformar-se numa conversa social, sem nenhuma relação com os problemas discutidos. Isto pode prejudicar o resultado da entrevista. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  8.4) &lt;strong&gt;Segundo Foddy (2002)&lt;/strong&gt;, é aconselhável o investigador ou entrevistador:  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  - Adotar uma atitude comum e casual. Ex. “Por acaso você ...”;&lt;br /&gt;- Empregar a técnica “Kinsey” de olhar os inquiridos bem nos olhos, e colocar a pergunta sem rodeios de modo a que eles tenham dificuldade em mentir;&lt;br /&gt;- Adotar uma aproximação indireta de modo a que os inquiridos forneçam a informação desejada sem terem consciência disso, a exemplo das técnicas projetivas;&lt;br /&gt;- Colocar as perguntas perturbadoras na parte final do questionário ou da entrevista de modo a que as respostas não sofram qualquer conseqüência desse efeito. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  8.5) &lt;strong&gt;Segundo Gilliéron (1996)&lt;/strong&gt;, pode-se estudar os comportamentos do paciente praticamente em relação a dois eixos:  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; - A anamnese do sujeito que permite a observação dos comportamentos repetitivos que dão uma idéia exata da sua personalidade: trata-se do ponto de vista histórico;&lt;br /&gt;- A observação do comportamento do paciente quando da primeira entrevista também fornece indicações muito precisas sobre a organização da sua personalidade. &lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;IX – DINÂMICA DA ENTREVISTA&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O entrevistador, no seu papel de técnico, não deve expor suas reações e nem sua história de vida. Não deve permitir em ser considerado como um amigo pelo entrevistado e, nem entrar em relação comercial, de amizade ou de qualquer outro benefício que não seja o pagamento dos seus honorários. Para Gilliéron (1996), a investigação repousará: &lt;/p&gt; &lt;p&gt; - Na análise do comportamento do paciente com relação ao enquadre;&lt;br /&gt;- Num modelo preciso suscetível de evidenciar a dinâmica relacional que se estabelece entre o paciente e o terapeuta; modelo de apoio objetal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O entrevistado deve ser recebido com cordialidade, e não de forma efusiva. Diante de informações prévias fornecidas por outra pessoa, se deixa claro que essas não serão mantidas em reserva. Em função de não abalar a confiança do entrevistado, estas lhe serão comunicadas. A reação contratransferencial deve ser encarada com um dado de análise da entrevista, não se deve atuar diante da rejeição, inveja ou qualquer outro sentimento do entrevistado. As atitudes deste não devem ser “domadas” ou subjugadas, não se trata de querer triunfar e nem se impor perante o mesmo.  Compete ao entrevistador averiguar como essas atitudes funcionam e como o afetam. O grau de repressão do entrevistado, de um certo modo, tem uma relação direta com o nível de repressão do entrevistador. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Necessariamente, o entrevistado que fala muito não traz à tona aspectos relevantes das suas dificuldades. A linguagem que é um meio de transmitir informação, mas poderá ser também uma maneira poderosa de se evitar uma verdadeira comunicação (BLEGER, 1980). Nem sempre, uma carga emocional intensa significa uma evolução no processo. O silêncio é uma expressão não-verbal que muitas vezes comunica bem mais que as palavras. O silêncio é, geralmente, o fantasma do entrevistador iniciante. Ele pode ser também uma tentativa de encobrir a faceta de um momento o qual o sujeito não consegue enfrentar. Castilho (1995) cita uma série de tipos de silêncio que são comuns nas dinâmicas de grupo, mas que também ocorrem, com bastante freqüência, no processo de entrevista, etc. Para ilustrar foram destacados alguns tipos de silêncio: &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt;  &lt;p&gt;  - &lt;strong&gt;Silêncio de Tensão&lt;/strong&gt; – É a expressão da ansiedade. Facilmente observado através da postura corporal tensa ou inquieta do entrevistado, da sua respiração ofegante, do tamborilar dos dedos, etc.;&lt;br /&gt; - &lt;strong&gt;Silêncio de Medo&lt;/strong&gt; – Deixa o entrevistado petrificado, na sua tentativa de fugir de uma situação psicologicamente ameaçadora. Esse silêncio suscita muita tensão e, como conseqüência, forte descarga psicossomática;&lt;br /&gt; - &lt;strong&gt;Silêncio de Reflexão&lt;/strong&gt; – Surge normalmente após a intervenção do entrevistador, ou logo após um &lt;em&gt;feedback&lt;/em&gt;, ou mesmo depois do entrevistador ter passado por algum tipo de vivência. Nele, observa-se a ausência de tensão, há um recolhimento introspectivo de elaboração mental;&lt;br /&gt; - &lt;strong&gt;Silêncio de Desinteresse&lt;/strong&gt; – O indivíduo perde o foco da atenção, camufla resistência, se desinteressa pela situação externa porque interiormente ela o atinge. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  9.1) &lt;strong&gt;A Ansiedade na Entrevista&lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; A ansiedade é parte da existência humana, todas as pessoas a sentem em grau variado, por vezes consiste em uma resposta adaptativa do organismo (SIERRA, 2003). Para Bion (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; ALMEIDA &amp;amp; WETZEL, 2001), se duas pessoas estão numa sala de análise sem angústia, não está havendo análise (p.272). Calligaris (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; GOLDER, 2000), percebe que em todo encontro, o outro está imediatamente implicado enquanto “semelhante imaginário”, o que se busca primeiro é uma tela, uma espécie de cumplicidade que supõe um sentido comum ao que estamos dizendo(p.151). Desse modo, a ansiedade é um indicativo do desenvolvimento de uma entrevista, e deve ser controlada pelo entrevistador, a sua própria, e a que aparece no entrevistado.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt; Durante a situação de entrevista, tanto à ansiedade quando os mecanismos de defesa do entrevistado podem aumentar, não somente devido a esse novo contexto externo que ele enfrenta, mas também devido ao perigo, em potencial, daquilo que desconhece em sua  personalidade. O contato direto com seres humanos, coloca o técnico diante da sua própria vida, saúde ou doença, conflitos e frustrações. Considerando que o entrevistador é um agente ativo na investigação, sua ansiedade&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;torna-se um dos fatores mais difíceis de lidar. Em sua tarefa, o psicólogo pode oscilar facilmente entre a ansiedade e o bloqueio, sem que isto o perturbe, desde que possa resolver na medida em que surja. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt; Toda investigação implica a presença de ansiedade frente ao desconhecido, e o investigador deve ter a capacidade para tolerá-la, assim, poderá manter o controle da situação. Há casos em que o investigador, devido aos seus bloqueios e limitações, se vê oprimido pela ansiedade, e recorre a mecanismos de defesa para se sentir seguro, e assim, elimina a possibilidade de uma investigação eficaz, uma vez que conduz a entrevista de maneira estereotipada. Um outro problema freqüente diz respeito a uma certa compulsão do entrevistador focalizar seu interesse ou encontrar perturbações exatamente na esfera que ele nega os seus próprios conflitos.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt; A manipulação técnica, de toda ansiedade, deve ser realizada com referência a personalidade do entrevistado, e o nível de &lt;em&gt;timing&lt;/em&gt; (sincronização e ajustamento) que se tenha estabelecido na relação. Toda interpretação fora desse contexto implica em agressão ao paciente ou entrevistado. Cabe ao psicólogo saber calar, na proporção inversa da sua vontade compulsiva de interferir. Nessa ótica, Almeida &amp;amp; Wetzel (2001, p.271) dizem que a interpretação algumas vezes vem de um desejo de intervenção com a finalidade de eliminar angústias (perda de continência), instados pela situação e autorizados pelo&lt;em&gt; setting&lt;/em&gt; (grifo dos autores).&lt;/p&gt;   &lt;p&gt; Segundo Piaget (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; GIL, 1999), o bom entrevistador deve reunir duas qualidades: saber observar (não desviar nada, não esgotar nada); saber buscar (algo de preciso, ter a cada instante uma hipótese de trabalho, uma teoria, verdadeira ou falsa, para controlar) (grifo do autor). Douglas (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; FODDY, 2002) corrobora com essa idéia quando afirma que entrevistar criativamente é ter determinação atendendo ao contexto, em vez de negar, ou não conseguir compreender. O que se passa numa situação de entrevista é determinado pelo processo de perguntas e respostas, a entrevista criativa agarra o imediato, a situação concreta, tenta perceber de que modo esta afetação vai sendo comunicada e, ao compreender esses efeitos, modifica a recepção do entrevistador, aumentando, assim, a descoberta das verdades&lt;sup&gt;3&lt;/sup&gt;. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;  9.2) &lt;strong&gt;Transferência e Contratransferência&lt;/strong&gt;   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  a) &lt;u&gt;Transferência&lt;/u&gt;   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Freud (1914-1969) entende que a transferência é (...) apenas um fragmento da repetição e que a repetição é uma transferência do passado esquecido (...) para todos os aspectos da situação atual (p.166). A transferência é designada pela psicanálise como um processo através do qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos, num certo tipo de relação estabelecida, eminentemente, no quadro da relação analítica. A repetição de protótipos infantis vividos com um sentimento de atualidade acentuada. Classicamente a transferência é reconhecida como o terreno em que se dá a problemática de um tratamento psicanalítico, pois são a sua instalação, as suas modalidades, a sua interpretação e a sua resolução que as caracteriza (LAPLANCHE &amp;amp; PONTALIS, 2004). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; A transferência e a contratransferência são fenômenos que estão presentes em toda relação interpessoal, inclusive na entrevista. Na transferência o entrevistado atribui papéis ao entrevistador, e se comporta em função dos mesmos, transfere situações e modelos para a realidade presente e desconhecida, e tende à configurar esta última como situação já conhecida, repetitiva. No entender de&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Gori (2002), repetindo transferencialmente, evoca-se a lembrança e é somente por meio da lembrança que temos acesso á história [...] Por meio da transferência é forjado num lugar intermediário entre a vida real e um ensaio de vida, para que o drama humano possa ter um desfecho (p.78).&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; A articulação do conceito de “momento sensível”(grifo da autora) passa pelo  posicionamento do terapeuta. Esse instante preciso determina os mecanismos que instalam a transferência. Com efeito, é o momento em que uma relação de trabalho se torna possível. A abertura ao outro, a espera de ajuda vinda do exterior é forte e expõe o paciente tanto ao melhor quanto ao pior dessa interação&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;(GOLDER, 2000).  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Nessa perspectiva, Gilliéron (1996) diz que todo paciente procura obter alguma coisa do terapeuta. Ele não busca apenas a cura de um sintoma, mas também certa qualidade de relação (p.14). O entrevistado revela aspectos irracionais ou imaturos de sua personalidade, seu grau de dependência, sua onipotência e seu pensamento mágico. As transferências negativas e positivas podem coexistir num mesmo processo, embora, quase sempre com predomínio relativo, estável ou alterado, de uma delas. Segundo Sang (2001), é a situação analítica e não a sua pessoa o que levou a paciente a se apaixonar por ele, isto é, que o amor de transferência é essencialmente impessoal. [...] o analista não deve nem reprimir nem satisfazer as pretensões amorosas da paciente. Deve sim, tratá-las como algo irreal (pp.319-20). No que é confirmado por Yalom (2006), quando diz que os sentimentos que surgem na situação terapêutica geralmente pertencem mais ao papel que à pessoa, é um equívoco tomar a adoração transferencial como um sinal de sua atratividade ou charme pessoal irresistível (p.175). &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;  b) &lt;u&gt;Contratransferência&lt;/u&gt;   &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Na contratransferência emerge do entrevistador reações que se originam do campo psicológico em que se estrutura a entrevista. Porém, se constitui, quando bem conduzida, num indício de grande significação e valor para orientar o entrevistador no estudo que realiza. Seu manejo requer preparação, experiência e um alto grau de equilíbrio mental, para que possa ser utilizada com validade e eficiência. Na contratransferência, salienta Gilliéron (1996), as emoções vividas pelo analista são consideradas reativas às do paciente, vinculando-se, portanto, ao passado deste último, e não dizendo respeito diretamente à pessoa do analista.&lt;br /&gt; Manfredi (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; ZASLAVSKY &amp;amp; SANTOS, 2005, p.296), distingue cinco tendências de abordagens desta questão:  &lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt; 1 - A contratransferência não é mais considerada como uma criação unicamente do paciente, por ignorar a transferência do analista;&lt;br /&gt;2 - É problemático diferenciar a contratransferência normal da patológica (os dados á disposição do analista não permitem, quase sempre, uma diferenciação);&lt;br /&gt;3 - A tolerância à contratransferência já seria suficiente, dada, aqui, a dificuldade da diferenciação dos sentimentos envolvidos na dupla;&lt;br /&gt;  4 - Devia-se, mais sábia e humildemente, fazer também a rota inversa: procurar no paciente, e não só procurar no analista;&lt;br /&gt;  5 - A questão do confessar ou não, ou confessar/revelar até quando/quanto, os sentimentos contratransferenciais despertados.   &lt;/p&gt;  &lt;/blockquote&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;X – CONSIDERAÇÕES FINAIS&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Para que o instrumento Entrevista Psicológica, de fato, se efetive como auxiliar no trabalho do psicólogo, não é o bastante a sua compreensão ou domínio teórico e técnico que fundamenta e norteia sua prática, mas também de experiências que são adquiridas em &lt;em&gt;rollyplays &lt;/em&gt;através de estágio, supervisão; laboratório ou oficinas de sensibilidade. É preciso desenvolver a sensibilidade para entrevistar, aprender ser empático, saber lidar com a própria subjetividade e com a subjetividade do outro (entrevistando), facilitando assim que seu universo, um tanto livre das “ameaças”, se descortine. O entrevistador precisa adquirir à habilidade da “dissociação instrumental”, e ser capaz de adentrar esse universo, sem juízo de valor, sem preconceito, para que assim possa estar com o Outro, conhecer, não temer, se perder e se achar e, finalmente, voltar à realidade do contexto. E agora, de posse de sua bagagem técnica tecer suas observações, ponderações e considerações, de modo axiomático, considerado que a utópica da neutralidade sempre deverá ser perseguida. Os princípios éticos serão avivados em cada encontro, e nenhum instrumento poderá adquirir uma aura de prevalência sobre a pessoa do entrevistado, que é mais importante e assim deve ser respeitado. O que não significa ser “meloso”, por demais solicito, muito menos autoritário. O entrevistador deve habilitar-se em se inscrever na virtualidade da distância e proximidades ótimas que o trabalho possa fluir. Ser a pessoa na figura do profissional imbuído da intenção singular de realizar uma atividade sem perder sua essência humana. Nesse investida, é fundamental que o profissional se “conheça”, e que faça de rotineiras as reflexões sobre suas atitudes, postura e comportamento, bem como de que tenha também flexibilidade em reformulá-los, quando a necessidade aponte. Muito do trabalho do psicólogo certamente vem em conseqüência do auto “mergulho” que lhe dará a base na qual se apóiam à sua atuação e intervenção com toda transparência. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;NOTAS&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;1 - Expressão usada na psicanálise para designar o modo de relação do sujeito com seu mundo, relação que é resultado complexo e total de uma determinada organização da personalidade, de uma apreensão mais ou menos fantasística dos objetos e de certos tipos de defesa (LAPLANCHE &amp;amp; PONTALIS, 2004).&lt;br /&gt;2 - Yalom (2006), diz que os terapeutas têm jeitinhos ardilosos, e se pergunta o que os terapeutas fariam sem recorrer ao recurso do “eu me pergunto”? “Eu me pergunto o que o impede de agir em relação a uma decisão que parece que você já tomou”.&lt;br /&gt;3 - Para Nietzsche, “Não existe verdade, só existe interpretação” (&lt;em&gt;apud&lt;/em&gt; YALOM, 2006). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;XI - REFERÊNCIAS&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt; ALMEIDA, R. M. F &amp;amp; WETZEL, S. G. Quando o esperar é um à-toa muito ativo: apreensão dos fenômenos emocionais na relação mãe-bebê, no observador e no pequeno grupo de discussão. Revista ALTER (SPB). Origens: mente e psicanálise. v. XX, Brasília-DF, n. 2, dez de 2001.&lt;br /&gt;BLEGER, José. Temas de psicologia: entrevista e grupos. Trad. Rita M. de Moraes. São Paulo: Martins Fontes, 1980.&lt;br /&gt;CASTILHO, Áurea. A dinâmica do trabalho de grupo. 2 ed. Rio de Janeiro: Qualitymark ed, 1995.&lt;br /&gt;CUNHA, Jurema Alcides e cols. Psicodiagnóstico-R. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.&lt;br /&gt;FIORINI, Hector J. Teoria e técnica de psicoterapias. Trad. Carlos Sussekind. 7 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1987.&lt;br /&gt;FODDY, William. Como Perguntar: Teoria e prática da construção de perguntas em entrevistas e questionários. 2 ed. Trad. Luís Campos. Oeiras-PT: Celta, 2002.&lt;br /&gt;FREUD, Sigmund (1914).  Repetir, recordar e elaborar. Trad. J.O.A. Abreu. v. XII. Rio de Janeiro: Imago, 1969.&lt;br /&gt;GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.&lt;br /&gt;GILLIÉRON, Edmond. A primeira entrevista em psicoterapia. Trad. M. S. Gonçalves &amp;amp; A. U. Sobral. São Paulo: Loyola, 1996.&lt;br /&gt;GORI, C. Andréa. Forças Indômitas: considerações teóricas sobre a transferência em um fragmento de ópera. Revista Psicanálise e Universidade, n. 16, São Paulo, abr de 2002.&lt;br /&gt;GOLDER, E. M. Clínica da primeira entrevista. Trad. P. Abreu. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.&lt;br /&gt;LAPLANCHE &amp;amp; PONTALIS. Vocabulário da psicanálise. 4 ed. Trad. P. Tamen. São Paulo: Martins Fontes, 2004.&lt;br /&gt;PINHEIRO, O. G. Entrevista: uma prática discursiva. In: &lt;em&gt;Práticas discursivas e produção no cotidiano: aproximações teóricas e metodológicas&lt;/em&gt;. SPINK, M. J. P. (Org.). 3 ed. São Paulo: Cortez, 2004.&lt;br /&gt;RIBEIRO, J. Ponciano. Teorias e técnicas psicoterápicas. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1988.&lt;br /&gt;SANG, E. René. Sobre o amor de transferência: um caso clínico. Revista ALTER (SPB). Origens: mente e psicanálise. v. XX, Brasília-DF, n. 2, dez de 2001.&lt;br /&gt;SCHEEFFER, Ruth. Aconselhamento psicológico. 6 ed. São Paulo: Atlas, 1977.&lt;br /&gt;SIERRA, Juan Carlos. Ansiedad, angustia y estrés: três conceptos a diferenciar. Revista Mal-Estar e Subjetividade. v. II, n. 1, Universidade de Fortaleza, mar de 2003.&lt;br /&gt;YALOM. Irvin D. Os desafios da terapia: reflexões para pacientes e terapeutas. Trad. Vera de Paula Assis. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.&lt;br /&gt;ZASLAVSKY, Jacó &amp;amp; SANTOS, M. J. P. Contratransferência em psicoterapia e psiquiatria hoje. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. v. 27, n. 3, set/dez de 2005. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-3695932978724384344?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/3695932978724384344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=3695932978724384344' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/3695932978724384344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/3695932978724384344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/entrevista-psicolgica-e-suas-nuanas.html' title='A Entrevista Psicológica e suas Nuanças'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-8595619127007772588</id><published>2008-06-11T10:13:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:05:51.233-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Política</title><content type='html'>&lt;li&gt;&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/o-herico-povo-brasileiro.html"&gt;O Heróico Povo Brasileiro&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/s-no-brasil-mesmo.html"&gt;Só no Brasil Mesmo&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-8595619127007772588?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/8595619127007772588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=8595619127007772588' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/8595619127007772588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/8595619127007772588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/poltica.html' title='Política'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-1757102804891339194</id><published>2008-06-11T10:12:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:05:54.928-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Só no Brasil Mesmo'/><title type='text'>Só no Brasil Mesmo</title><content type='html'>&lt;p&gt; O que você imaginaria se alguém descrevesse para você uma casa imensa com ambientes planejados, aparelhos sofisticados a exemplo de Home Theater, tv de tela plana, piscina e uma pizzaria, tudo isso no mesmo lugar? Creio que você imaginou se tratar de uma mansão de luxo ou mesmo um hotel, no entanto, tudo isso foi encontrado dentro de um lugar totalmente inusitado, um presídio. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Pois é, embora pareça mentira, os presos do complexo Aníbal Bruno em Pernambuco contavam com todas essas regalias. A matéria foi vinculada pelo Jornal Nacional e me fez parar para pensar porque estamos vendo o PCC- Primeiro Comando da Capital- mandando e desmandado no Estado de São Paulo e aterrorizando a população. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Comecei a me questionar como tal fato pode acontecer dentro de um sistema penitenciário que tem o papel de "punir" os infratores da lei. Acho que os nossos presos sabem que o Brasil realmente é o país da corrupção e que quase todas as pessoas se vendem por dinheiro ou por algum benefício.&lt;br /&gt;Todos sabem que se havia tudo isso dentro das celas, algo que não comentei antes é que em algumas celas havia até ar condicionado, porque os nossos carcereiros permitem que esses objetos passem durante as revistas. Não é novidade abrimos o jornal ou vemos no noticiário da tv que foi encontrado túneis imensos com sistema até de ar para que os fugitivos não morram asfixiados, dezenas de celulares, armas e drogas dentro das celas. Aqui no Brasil se tornou notícia corriqueira e já não surpreende mais a população. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Acho que a nossa passividade diante de fatos tão sérios e graves faz com que seja possível que o PCC mande matar policias, coloque fogo em ônibus, parem o sistema de transporte público da maior cidade do país que é São Paulo e deixe 5 milhões de brasileiros sem ter como ir nem voltar para casa depois de um dia de trabalho. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Vivemos uma verdadeira guerra civil não declarada e para piorar mais ainda a situação, os governos estaduais não aceitam ajuda do governo federal nem a intervenção do exército para colocar ordem nessa balbúrdia que estamos presenciando. Como sempre os nossos políticos não pensam no bem-estar da população como um todo, mas como seus atos influenciariam dentro do seu mundo político. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Se os presos do Aníbal Bruno tinham até uma pequena plantação de maconha para abastecer o uso no período de reclusão, porque se preocupar em tentar se reabilitar para voltar a viver em sociedade dentro da lei? Para que se eles vivem muito bem dentro dos presídios com uma série de privilégios que milhares de brasileiros que trabalham todo dia por um salário de miséria e por sua sobrevivência não têm acesso? &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Não sou especialista na área de crimes ou mesmo conhecedora profunda do sistema penitenciário, sou apenas uma mera cidadã brasileira que vivi com medo de sair a noite para não ser assaltada, que tem receio de andar com o cartão do banco para não sofrer um seqüestro relâmpago mesmo sem ter dinheiro na conta corrente, que se indigna quando ver marginais mandando e desmandando na polícia e quando apenas os presos que não tem dinheiro, ou melhor, os pobres sofrem o peso da lei. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Ainda acredito que veremos um sistema penitenciário que realmente reabilite os presos e a melhor forma é tentando profissionalizar essas pessoas, dando trabalho e educação dentro do período de reclusão para assim quando voltarem à sociedade não tenham que recorrer ao crime. Se o Brasil é o país da corrupção é nosso dever como cidadão exigir que situações como esta seja mudada para que possamos viver melhor e sem tanto medo. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-1757102804891339194?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/1757102804891339194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=1757102804891339194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1757102804891339194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1757102804891339194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/s-no-brasil-mesmo.html' title='Só no Brasil Mesmo'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-6586522055552040031</id><published>2008-06-11T10:11:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:05:59.450-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Heróico Povo Brasileiro'/><title type='text'>O Heróico Povo Brasileiro</title><content type='html'>&lt;p&gt; Há poucos dias os nossos governantes aumentaram seus salários de R$ 12.847,00 para R$ 16.521.09 o que representa um aumento de 29.81%. Lembro da eterna novela que precisamos passar todos os anos quando o assunto é o salário mínimo de milhões de brasileiros.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Engraçado como nossos governantes em tão pouco tempo e sem consultar a população decidiu e aprovou esse reajuste. Seria maravilhoso que essa agilidade fosse a mesma quando se trata da vida financeira de milhares de brasileiros que sinceramente não sei como conseguem sobreviver com apenas R$ 380,00. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Certa vez vi uma matéria em um jornal televisivo de uma família de quatro pessoas, o pai a mãe e dois filhos e apenas o homem trabalhava para sustentar sua família. Na matéria a esposa mostrava o que estava preparando para seus filhos, era um mingau de farinha de mandioca que estava sendo cozinhada em um fogo feito de álcool já que esse tipo de combustível se torna mais barato que o gás de cozinha. Era meados do mês e essa família já não tinha a sua alimentação básica, apenas a farinha. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Depois de ver tal cena parei para pensar como uma família consegue pagar aluguel, já que o pobre não tem condições de ter casa própria, luz, água, fazer as compras do mês e ter dinheiro todo dia ou pelo menos uma vez na semana para comprar pão, leite e fruta com apenas R$ 380,00?  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; É vergonhoso que um país como o Brasil, em pleno desenvolvimento e que está entre uma das maiores economias do mundo trate seu cidadão dessa forma. Se ganhamos tão pouco, pelo menos o governo deveria ter um programa de moradia, uma excelente prestação de serviço de saúde para que de certo modo não nos sentíssemos tão desprezados, tão a margem de uma sociedade que esbanja uma feroz lei de consumo.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; É estranho como somos mau atendidos nos hospitais da rede pública, os funcionários da parte burocrática e os médicos nos atendem como se estivéssemos pedindo um favor enorme e muitos dos brasileiros ficam calados diante desse fato. Não sabem eles que o salário que todo mês está em sua conta é pago por nós e é seu dever nos atender muito bem, afinal de contas somos os seus "patrões".  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Realmente é engraçado como os nossos senadores e deputados achavam pouco o seu salário de nada menos que R$ 12.847,00 sem falar em todas as mordomias que ganham todo mês como auxílio moradia, combustível, passagens aéreas, palitó, é verdade, os ternos que nossos elegantíssimos governantes usam é pago com nosso dinheiro, enquanto milhões de brasileiros andam com roupas rasgadas e velhas já que o salário não dá nem para as necessidades básicas.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Gostaria que os nossos representantes tentassem passar um mês com apenas um salário mínimo, quem sabe assim eles lutariam com toda sua força para tentar aumentar e melhorar o salário desse povo tão heróico que luta dia após dia para manter pelo menos o básico em sua mesa. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-6586522055552040031?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/6586522055552040031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=6586522055552040031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/6586522055552040031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/6586522055552040031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/o-herico-povo-brasileiro.html' title='O Heróico Povo Brasileiro'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-7442360695512403189</id><published>2008-06-11T10:10:00.002-07:00</published><updated>2009-03-04T09:06:03.356-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marketing'/><title type='text'>Marketing</title><content type='html'>&lt;li&gt;&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/marketing-pessoal-10-razes-para-comear.html"&gt;Marketing Pessoal: 10 razões para começar agora&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/que-imagem-as-pessoas-tm-de-voc.html"&gt;Que Imagem as Pessoas Têm de Você?&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;a href="http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/marketing-pessoal-e-motivao.html"&gt;Marketing Pessoal e Motivação&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-7442360695512403189?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/7442360695512403189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=7442360695512403189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/7442360695512403189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/7442360695512403189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/marketing.html' title='Marketing'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-2122049621619012127</id><published>2008-06-11T10:10:00.001-07:00</published><updated>2009-03-04T09:06:07.780-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marketing Pessoal e Motivação'/><title type='text'>Marketing Pessoal e Motivação</title><content type='html'>A vida de todo profissional é recheada de momentos difíceis, desafios, pressões de todos os lados. O sucesso é o troféu a ser conquistado, e para trilhar o caminho que nos leva ao sucesso, precisamos estar sempre motivados. Mas como nos manter motivados, pessoal e profissionalmente, a despeito de todos os contratempos, dificuldades e pressões de nossa vida cotidiana? &lt;p&gt; É preciso desenvolver a capacidade de auto-motivação. Saber levantar o astral quando as coisas não estão boas e se manter motivado independente dos acontecimentos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Os principais componentes que influenciam nossa motivação são:  &lt;/p&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt;nosso estado de espírito interior;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;o ambiente em que estamos inseridos em nossa vida pessoal e no trabalho;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;acontecimentos externos que ocorrem independente de nossa vontade.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;p&gt; Nosso estado de espírito depende de nós mesmos e é o componente que mais podemos influenciar. Neste sentido, existem algumas dicas importantes que ajudarão a nos manter motivados. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;Ter objetivos e metas claras&lt;/strong&gt;&lt;u&gt; &lt;/u&gt;quando sabemos exatamente o que queremos, onde queremos chegar, e o tempo e as tarefas que teremos de executar, fica bem mais fácil nos mantermos motivados, pois, apesar dos sacrifícios, nos orientamos pelo desejo de alcançar nossos objetivos. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;Mantenha o bom humor&lt;/strong&gt;&lt;u&gt; &lt;/u&gt;está provado que as pessoas bem humoradas são mais motivadas. De certa forma, as tarefas tornam-se mais fáceis de serem realizadas quando estamos felizes e bem humorados, este estado de espírito ajuda a motivação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;Crie o hábito da motivação&lt;/strong&gt; devemos nos manter numa postura sempre de alto astral, fazer as coisas com entusiasmo, manter uma atitude positiva e andar de cabeça erguida, mesmo na presença de algum contratempo. Há uma inter-relação entre nosso estado de espírito e nosso comportamento, um influenciando o outro reciprocamente. Se você andar de cabeça baixa e ombros caídos certamente a tendência é tornar-se desanimado. Mas, se mesmo diante de acontecimentos difíceis, você permanecer com atitude firme e altiva, conseguirá manter sua motivação e seu bom astral. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; O ambiente em que estamos inseridos também é fundamental para nossa motivação. Neste caso é melhor nos acostumarmos a influir positivamente no ambiente, do que deixar que o ambiente influa em nosso estado de espírito. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Algumas dicas para manter a equipe de trabalho ou seu ambiente familiar bem motivado.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;Mostre que você faz parte do time&lt;/strong&gt; esteja sempre presente, comunique-se, troque idéias, ouça as pessoas, leve em conta os interesses das pessoas com quem convive. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;Elogie as pessoas&lt;/strong&gt; o elogio é um grande fermento para a auto-estima. Todos gostam de ser reconhecidos e elogiados. Neste sentido o elogio serve como um grande meio de motivar as pessoas. Mas cuidado! Para ser positivo e realmente motivar as pessoas, o elogio precisa ser sincero. Elogie o desempenho das pessoas, sua aparência, ou alguma área de sua vida pessoal ou profissional que mereça elogio. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;Transmita confiança&lt;/strong&gt; em sua interação, tanto no ambiente de trabalho como em suas relações familiares, procure transmitir confiança, entusiasmo, atitude positiva, certeza no futuro. Estes comportamentos acabarão por influenciar positivamente os outros, fazendo com que você se torne um motivador de pessoas. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Muitos acontecimentos externos também têm o poder de influenciar nossa motivação. Pode ser uma crise na empresa, problema familiar, dificuldade financeira, problemas de saúde, etc.. O que devemos fazer é sempre olhar estes acontecimentos pelo lado positivo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Conhece a historia do copo com água pela metade? Os pessimistas dizem que ele está meio vazio e os otimistas dizem que ele está meio cheio. Então todos os acontecimentos têm algum lado positivo. Se você perdeu o emprego, por exemplo, eis aí uma ótima oportunidade de repensar sua vida, fazer algo diferente, e conseguir um emprego até melhor do que o anterior. Muitas vezes uma derrota pode nos dar lições que terão um impacto extremamente positivo em nossas vidas. Pense nisso. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Concluímos que, no processo de desenvolvimento de nosso marketing pessoal, é fundamental aprendermos a arte da motivação. Desta forma, conseguiremos motivar a nós mesmos para trilharmos o caminho do sucesso, ainda que em momentos difíceis, e também motivar a todos que convivem conosco. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-2122049621619012127?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/2122049621619012127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=2122049621619012127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/2122049621619012127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/2122049621619012127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/marketing-pessoal-e-motivao.html' title='Marketing Pessoal e Motivação'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-1229981815337664495</id><published>2008-06-11T10:08:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:08:20.928-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Que Imagem as Pessoas Têm de Você?'/><title type='text'>Que Imagem as Pessoas Têm de Você?</title><content type='html'>&lt;p&gt; Normalmente existe uma grande diferença entre a percepção que você tem de si mesmo e a forma como os outros o avaliam. O problema é que esta diferença pode representar um grande prejuízo para sua carreira e dificuldades em sua vida pessoal. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Muitas pessoas definem-se como perfeccionistas, acreditando ser isso uma de suas mais importantes qualidades. No entanto, quem convive com estas pessoas podem estar insatisfeitas com estas características, por tornar a vida delas difícil. Algumas se consideram sinceras, mas o que as outras consideram mesmo é que elas são extremamente críticas. Muitas vezes você acredita realmente que é de um determinado jeito, mas acontece que as pessoas podem está percebendo você de uma maneira completamente diferente. &lt;/p&gt; &lt;h2&gt;&lt;strong&gt;Uma Janela para o Auto Conhecimento&lt;/strong&gt;&lt;/h2&gt; &lt;p&gt;Existe um modelo de auto conhecimento, a chamada Janela de Johari, criada por dois psicólogos americanos, Joseph Luft e Harrington Ingham, há cerca de 50 anos, que mostra a interação entre nossa auto percepção e a maneira como os outros nos vêem. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Criar sua própria Janela de Johari, pode ser uma forma para verificar o quanto sua auto percepção está alinhada com a imagem que os outros têm de você. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; A Janela de Johari é dividida em quatro quadrantes, veremos a seguir o que significa cada um destes partes. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;EU PÚBLICO&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Este primeiro quadrante, chamado de eu aberto ou eu público, é formado por sua auto percepção e pela maneira como os outros percebem você. Quanto mais informações sobre si mesmo você disponibilizar para as pessoas maior transparência haverá nas relações. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;EU FECHADO&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esta é nossa área secreta, neste quadrante estão incluídas as informações e características pessoais que somente você conhece sobre si mesmo. E só você mesmo é quem pode decidir o que irá revelar ou não aos outros. Muitos mal entendidos poderiam ser desfeitos se você se mostrasse mais e se abrisse mais para as pessoas com quem convive. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;EU CEGO&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esta é nossa área cega. Aquela área de nossa vida que desconhecemos em relação ao que os outros percebem de nós. Quando temos um baixo nível de relacionamento interpessoal, a tendência é que as pessoas não exponham o que pensam de nós, e com isso ficamos sem ter feedback. Ficar mais atento às mensagens transmitidas pelas pessoas em relação a nós ajuda a diminuir esta área do eu cego. &lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;strong&gt;EU DESCONHECIDO&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;O eu desconhecido compreende o campo de nosso inconsciente, daquilo que tanto você desconhece sobre si mesmo, como também os outros desconhecem sobre você. Desenvolver um maior auto conhecimento através do estudo de suas próprias atitudes, muitas vezes sem nexo aparente, ou se necessário através de análise pode ajudar muito a diminuir está área em sua vida. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para desenvolver um programa de Marketing Pessoal é fundamental que os profissionais trabalhem melhor o auto conhecimento, procurando ampliar a área do eu público e diminuir as áreas do eu cego, do eu fechado e do eu desconhecido. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;O desequilíbrio entre estas áreas certamente irá prejudicar sua carreira profissional, como também sua vida e relacionamentos pessoais. Como orientação básica oferecemos a seguir um conjunto de sete dicas para melhorar nosso marketing pessoal baseado no estudo da Janela de Johari: &lt;/p&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt;faça um levantamento de todas as características positivas e negativas sobre sua pessoa;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;seja transparente, torne público o maior número de características sobre sua pessoa no seu ambiente de trabalho e pessoal, tomando o cuidado de não prejudicar sua imagem expondo informações desnecessárias e inadequadas ao contexto;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;mantenha um grupo restrito de pessoas no trabalho e na vida pessoal em que possa compartilhar um número maior de informações recíprocas, isto gera confiança mútua e possibilita uma maior abertura pessoal;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;procure dar abertura às pessoa para falar de você mesmo, peça feedback, procure deixar as pessoas à vontade e com liberdade para falar sobre você, assim, diminuirá a sua área cega, pelo menos saberá mais o que os outros acham de você e poderá se beneficiar dessa informações, corrigindo erros;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;pergunte mais às pessoa sobre si mesmo, e preste bastante atenção nas respostas;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;desenvolva alguma forma de auto conhecimento, leia mais sobre o assunto, descubra-se mais, conheça-se mais; &lt;/li&gt;&lt;li&gt;defina todas as área que precise mudar, e crie disposição e vontade para fazer a mudança.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;p&gt; Concluímos que, para construirmos uma imagem positiva tanto pessoalmente como profissionalmente, é necessário que possamos perceber a diferença existente entre a imagem que as pessoas têm de nós e a nossa própria percepção pessoal, e diminuirmos esta diferença. O objetivo do marketing pessoal é construir uma imagem positiva, para ser apresentada às pessoas e organizações e conseguir passar uma imagem o mais próxima possível do que definirmos como a ideal. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2052826046761537593-1229981815337664495?l=focoartigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://focoartigos.blogspot.com/feeds/1229981815337664495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2052826046761537593&amp;postID=1229981815337664495' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1229981815337664495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2052826046761537593/posts/default/1229981815337664495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://focoartigos.blogspot.com/2008/06/que-imagem-as-pessoas-tm-de-voc.html' title='Que Imagem as Pessoas Têm de Você?'/><author><name>Redação Em Foco.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2052826046761537593.post-2870667775198691739</id><published>2008-06-11T10:06:00.000-07:00</published><updated>2009-03-04T09:08:16.584-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marketing Pessoal: 10 razões para começar agora'/><title type='text'>Marketing Pessoal: 10 razões para começar agora</title><content type='html'>Razões para Iniciar Agora seu Marketing Pessoal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A necessidade da gestão de carreira e da implantação de um plano de marketing pessoal está se tornando uma unanimidade. A maioria dos profissionais que temos conversado, sejam professores universitários, executivos ou empresários, concorda com a importância de se ter um plano de marketing pessoal para gerir suas carreiras. No entanto, apesar disto, poucos são aqueles que realmente conseguem transformar esta convicção em uma atitude prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em função da falta de ação de muitos profissionais, resolvemos apresentar uma série de dez razões, todas importantíssimas, para motivar aqueles que ainda não resolveram desenvolver seu plano de marketing pessoal a fazê-lo agora. Já foi dada a largada para a corrida pelas melhores oportunidades de mercado, e quem não se antecipar acabará ficando para trás. Vamos às razões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    * Razão 1 - um plano de marketing é como uma “receita de bolo” que pode ser elaborado em poucos dias, e seu conteúdo, na maioria das vezes, é formado por idéias práticas e de fácil aplicação, portanto, comece agora!&lt;br /&gt;    * Razão 2 – o tempo corre contra você, quanto mais rápido implantar seu plano de marketing, mais rápido serão os resultados para sua carreira. O que está esperando?&lt;br /&gt;    * Razão 3 – provavelmente você já tem inúmeros concorrentes promovendo suas respectivas carreiras no mercado, e você está ficando para trás. Não espere mais!&l
